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Vulcões: A Fúria Adormecida Nas profundezas da Terra, entre o centro de ferro fundido e a fina camada na superfície, há uma parte de pedra sólida chamada de manto, ainda quente por causa da formação do nosso planeta há cerca de 4.6 bilhões de anos. Como as pedras são grandes isolantes, o calor demora para se dissipar. Quando as pedras do manto se derretem, elas se transformam em magma, que chega à superfície através da crosta externa da terra, e libera os gases contidos. Quando a pressão é muito forte, vulcões entram em erupção. A pressão aumenta se a quantidade de magma que vai do manto da terra até o vulcão é alta. Por outro lado, a pressão pode aumentar dentro do cone de
Quando ainda é subterrâneo, este manto rochoso é chamado de magma. Assim que atinge a superfície e se derrama pelos lados de um vulcão, passa a se chamar lava. Geralmente, quanto mais quente a lava, mais fluida ela é, e mais rapidamente ela escorre. As lavas havaianas tendem a ser as mais quentes da escala. Quando entram em erupção, elas chegam a 1.175º C. Em agosto de 1883, Krakatoa (ou Krakatau, em javanês), uma ilhota encravada no estreito entre as ilhas de Sumatra e Java, foi pulverizada numa das maiores explosões já registradas na história. Saldo da catástrofe: mais de 36.000 mortos, na maioria afogados por gigantescas paredes de água, os tsunamis, que invadiram as ilhas próximas. A hecatombe é contada em minúcias pelo geólogo inglês Simon Winchester em Krakatoa, o Dia em que o Mundo Explodiu. Alinhavando relatos sobre o cotidiano da região, documentos oficiais e dados científicos, Winchester delineia um quadro completo da situação social, econômica e política das então chamadas Índias Orientais, e mostra como um fenômeno geológico de grandes proporções pode afetar uma sociedade, e até mesmo toda a humanidade, por várias gerações. No caso do Krakatoa, o autor credita à explosão um fortalecimento do misticismo e da religiosidade das populações atingidas, um dos componentes da fórmula que resultou na independência da Indonésia em 1949, até então uma colônia holandesa. A origem e o funcionamento dos vulcões só foram compreendidos de fato a partir de 1965, quando o canadense Tuzo Wilson apresentou sua teoria das placas tectônicas. Pela teoria — hoje comprovada —, a camada mais externa do planeta é formada por blocos rochosos que se encaixam como num quebra-cabeça e flutuam sobre uma camada interna de rocha derretida. Os vulcões nascem nos pontos onde essas placas se chocam ou se afastam, liberando material incandescente — o magma — do subterrâneo. É assim que a ciência explica a construção do arquipélago havaiano sobre uma fresta aberta no solo oceânico, no meio do Pacífico.
Os milhares de ilhas da Indonésia, que repousam sobre uma zona em que duas placas tectônicas se encontram, são um dos melhores cenários para grandes detonações, como a do Krakatoa. O choque entre as placas pode ativar qualquer um dos cerca de 130 vulcões da área. Como válvulas mal reguladas de uma imensa panela de pressão, vez por outra um deles estoura, lançando ao ar milhões de toneladas de magma. O Krakatoa até que foi modesto. Em 1815, outro monte indonésio, o Tambora, deu seu espetáculo de destruição com uma intensidade dez vezes maior — essa, sim, a mais colossal explosão já registrada. Calcula-se que a erupção e seus efeitos posteriores tenham causado a morte de 70.000 pessoas. As cinzas e os gases liberados na atmosfera resfriaram o planeta e provocaram grandes perdas na agricultura. A Europa viveria no ano seguinte, 1816, uma era de fome e crises sociais, no que se chamou de "ano sem verão". Os vulcões têm outras armas de destruição em massa — uma delas, a perigosa combinação de água com o magma. Uma geleira ou um lago acomodados na cratera de um vulcão entram facilmente em ebulição com a saída do magma. Então, uma avalanche mortal de lama fervente, chamada lahar, escorre encosta abaixo. Foi isso, uma locomotiva de toneladas de pedras, cinzas, terra e água, que matou 23.000 pessoas, em 1985, na erupção do Nevado del Ruiz, na Colômbia. O número de vítimas do lahar só foi menor — 350 — na erupção do filipino Pinatubo, em 1991, porque houve tempo de evacuar as centenas de milhares de moradores dos arredores. Tão ou mais perigosos do que o lahar são os fluxos piroclásticos — golfadas de gases e lascas de material vulcânico, que avançam a mais de 200 quilômetros por hora, queimando tudo pela frente. Foi um desses que soterrou Pompéia e Herculano, no sul da Itália, no ano 79 d.C., legando para a posteridade um museu calcinado do cotidiano da civilização romana no início da era cristã. Os vulcões ativos, porém, não deixam em seu rastro apenas morte e trauma. Poucos anos depois da explosão do Krakatoa, que eliminou qualquer animal ou vegetal da área, as ruínas da ilha já eram recolonizadas por sementes, grãos de pólen, esporos e minúsculos insetos, arrastados pelos ventos. Terras férteis, aliás, constituem um dos principais subprodutos das erupções vulcânicas — e um grande atrativo para milhões de pessoas, no mundo todo, que se arriscam vivendo ao pé desses montes sempre à beira de um ataque de nervos. Há teorias, aliás, que dizem ser eles as fornalhas em que se criou toda a água do planeta. Segundo esse raciocínio, em tempos primordiais, o magma continha grandes quantidades de oxigênio e hidrogênio em sua composição. A cada erupção, esses gases eram liberados na atmosfera em forma de vapor — o qual, ao se resfriar, se condensava e virava água. Aos efeitos físicos imediatos da revolução tectônica seguem-se as consequências indiretas — ambientais, sociais, econômicas e culturais, traduzidas em mitos que perduram pelos séculos. As explosões vulcânicas ressoam no cinema — em filmes como Krakatoa — Inferno de Java, Stromboli e Inferno de Dante — e na literatura. Atribui-se ao mau tempo criado pelo Tambora, por exemplo, o poema Darkness (Trevas), de Lord Byron. Foi esse mesmo mau tempo que trancafiou o poeta Percy Shelley e sua mulher, Mary, no verão de 1816, numa vila à beira de um lago suíço, em cuja reclusão Mary Shelley gestou a novela gótica Frankenstein.
O Monte St. Helena, no Estado de Washington (EUA), entrou em erupção
em 18 de maio de 1980. Uma avalanche de lava incandescente jorrou da
montanha a uma velocidade de mais de 480km/h, lançando fragmentos e
cinzas a uma altura de 16km. As cinzas caíram a uma distância de até
1.500km e a explosão foi ouvida na Califórnia e Montana. Cinza
superaquecida, gases e lava devastaram as áreas próximas e causaram
várias mortes. Desde então, cientistas têm monitorado de perto
atividades no vulcão, esperando pelo desastre novamente. Em setembro de
2004, a montanha começou a mexer e ganhar vida novamente, com erupções
que levaram cinzas a quilômetros de distância nas Cascades. A partir
daí, a lava vem escapando por dentro da cratera e o teto formado ainda
está crescendo. O vulcão foi colocado em alerta nível dois, o que
significa que pode haver mais erupções. Então, será que o Monte St.
Helena está prestes a explodir?
ooooo00000ooooo A erupção vulcânica mais famosa de todos os tempos foi a do Vesúvio, que enterrou em cinzas e lavas as cidades de Pompéia e Herculano no ano 79 da nossa era. Os cientistas aprenderam muito sobre o comportamento dos vulcões ao analisar as evidências encontradas nas ruínas da cidade. Eles acreditam que o Vesúvio deve entrar em erupção a cada 2.000 anos (?).
Índice de Explosividade Vulcânica O Índice de Explosividade Vulcânica (VEI) compara a violência de diferentes erupções vulcânicas. Considera diversos fatores como a altura da pluma ou coluna da explosão, o volume do material emitido e a duração da erupção. VEI 0 Erupções não explosivas com plumas inferiores a 100 m de altura; emissão inferior a 1000 m3 de piroclastos; duração variável; ex. Kilauea, Havaí, 1983. VEI 1 Erupção suave com pluma entre 100-1000 m altura; emissão inferior a 10000 m3 de piroclastos; explosões até 1 h; ex. Stromboli, Itália. VEI 2 Erupção explosiva com pluma entre 1-5 km de altura; emissão até 0,01 km3 de piroclastos; duração entre 1-6 h; ex. Colima, México, 1991. VEI 3 Erupção intensa com pluma entre 3-15 km de altura; emissão de 0,01-0,1 km3 de piroclastos; duração entre 1-12 h; ex. Nevado del Ruiz, Colômbia, 1985. VEI 4 Erupção catastrófica com pluma entre 10-25 km de altura; emissão de 0,1-1 km3 de piroclastos; duração entre 1-12 h; ex. Sakura-Jima, Japão, 1914. VEI 5 Erupção catastrófica com pluma superior a 25 km de altura; emissão de 1-10 km3 de piroclastos; duração entre 6-12 h; ex. Monte St. Helens (Monte Santa Helena), EUA, 1980. VEI 6 Erupção colossal com pluma superior a 25 km de altura; emissão de 10-100 km3 de piroclastos; duração superior a 12 h; ex. Krakatoa, Indonésia, 1883. VEI 7 Erupção super-colossal com pluma superior a 25 km de altura; emissão de 100-1000 km3 de piroclastos; duração superior a 12 h; ex. Tambora, 1815. VEI 8 Erupção mega-colossal; emissão superior a 1000 km3 de piroclastos; Yellowstone, EUA, há 640000 anos.
Dois Vulcões
Esta foto da International Space Station (ISS) mostra um par de
vulcões no México. Como parte do "Cinturão de Fogo" que se estende ao
longo do Pacífico, o México possui vários dos mais ativos vulcões do
mundo, sendo que o mais famoso é o
Popocatepetl (em Asteca significa: "montanha de fumaça")
à esquerda. O vulcão vizinho é Iztaccíhuatl (a "Mulher de
Branco". A tênue fumaça emanando da cratera do Popocatepetl mostra o
perigo que representa para os 25 milhões de pessoas que vivem na região,
incluindo a cidade próxima de Amecameca, bem como os centros
metropolitanos da Cidade do México no nordeste e Puebla no leste.
Erupção vulcânica em Io
Uma erupção vulcânica na lua de Júpiter, Io, foi
fotografada no dia 22 de fevereiro de 2000, pela espaçonave Galileo da
NASA. A área alaranjada no lado esquerdo da imagem mostra a trajetória
da lava fervente, e as duas pequenas luminosidades acima são os locais
da erupção e de onde a lava está escorrendo. Na parte mais clara da foto
está situada uma imensa cratera com mais de 60 quilômetros de extensão.
Como se vê, os planetas do sistema solar, bem como as suas luas, têm
muitos pontos em comum, que poderão ajudar nas futuras pesquisas
cientificas.
Um vulcão de proporções inimagináveis
O enorme vulcão Mons Olympus aparece em toda a sua estatura, numa imagem grande-angular fotografada pelo Mars Global Surveyor. Tirada durante um período de cinco minutos, enquanto o Surveyor passava perto da superfície, a imagem olha para dentro da caldeira no topo do vulcão, que tem 80 quilômetros de largura. Vulcão largo, de beiradas oblíquas, o Olympus Mons é o ponto mais alto de Marte, atingindo 5,6 metros de altitude, acima da planície juncada de lavas.
Imagem da NASA/Jet Propulson Latoratory/Malin Space Sciences Systems
Imagem da NASA/Jet Propulson Latoratory/Malin Space Sciences Systems
O que está acontecendo com aquele vulcão? Está em erupção! O engenheiro e astronauta americano Jeff Williams, que partiu na mesma missão que Marcos Pontes, é o autor da foto. Williams, que estava a bordo da Estação Internacional Espacial, começou a fotografar rapidamente o espetáculo do vulcão Cleveland, pois a erupção durou aproximadamente duas horas. O vulcão fica em uma ilha que faz parte da cadeia de ilhas Aleutianas, no Alasca, e a comunidade povoada mais próxima fica a cerca de 75 quilômetros da ilha. O Cleveland é abastecido pelo magma deslocado da placa tectônica do Pacífico (noroeste), que fica sob a placa tectônica da América do Norte.
Imagem: NASA
Cronologia das erupções vulcânicas mais importantes
Erupção do Vesúvio atingiria 3 milhões de pessoas Um estudo conjunto de cientistas americanos e italianos alerta que a próxima erupção do vulcão Vesúvio, na Itália, pode ser muito pior do que as autoridades italianas estão esperando. Atualmente, o país tem planos para a evacuação de 600 mil pessoas da cidade de Nápoles, vizinha ao vulcão. Com base na nova pesquisa, os cientistas dizem que até 3 milhões de pessoas estariam em risco. O Vesúvio é mais conhecido por sua erupção no ano 79 d.C., quando as lavas encobriram a cidade de Pompéia. Passado Os planos atuais das autoridades para evacuação de Nápoles são baseados no tamanho de uma erupção ocorrida em 1631. O estudo diz, porém, que o Vesúvio entrou em erupção oito vezes antes disso e com força ainda maior. Essas erupções causaram devastações que atingiram áreas bem além do que hoje é Nápoles. A pesquisa, publicada pela Academia de Ciências dos Estados Unidos, mostra que em uma erupção na Idade do Bronze, a mais recente delas, rios de lava quente e cinzas correram até 25 km a noroeste do vulcão, bem além de Nápoles dos dias de hoje. Tudo o que estava nos primeiros 12 km foi levado embora pela força da torrente. Dezenas de centímetros de pedras, brasas e cinzas "choveram" na região a leste do vulcão e o peso derrubaria os telhados das casas modernas. Risco de erupção Segundo os autores da pesquisa, se forem acompanhados os ciclos vulcânicos do Vesúvio, a repetição dessa erupção é tão provável quanto a repetição do evento de 1631 e Nápoles precisa saber como poderá ser. Michael Sheridan, um dos cientistas, diz ter sido motivado pela experiência do furacão Katrina nos Estados Unidos, no ano passado, quando as autoridades não se prepararam de forma adequada para o desastre. No pior cenário, o Vesúvio seria muito mais feroz e não haveria nada depois da erupção. Poucos vulcões do mundo são tão monitorados quanto o Vesúvio, e os cientistas acreditam que saberão quando ele estiver prestes a entrar em erupção.
Imagem: Arquivo Starnews 2001
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Uma violenta tempestade de
raios, ocasionada por uma grande erupção
Placa assinala vulcão extinto O município de Casimiro de Abreu, no litoral do Norte Fluminense, ganhou no dia 1 de abril de 2006 uma placa geológica contando a história do Morro de São João, formação vulcânica de 60 milhões de anos. A placa, que fica às margens do Rio São João, indica que o morro é parte do Caminho dos Vulcões, corredor de estruturas geológicas no Estado do Rio que se estende de Itatiaia até Arraial do Cabo. A iniciativa é parte do projeto Caminhos Geológicos, que pretende incentivar o ecoturismo no estado. O projeto Caminhos Geológicos já instalou 54 placas em 20 municípios do estado desde 2001. O vulcão mais bem preservado do Rio fica em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e a mais importante placa geológica do estado é a instalada no Pão de Açúcar. Os vulcões extintos do estado formaram-se entre 80 milhões e 40 milhões de anos atrás, ao longo de uma área que abrange o Parque Nacional do Itatiaia, a Serra do Mendanha, Tinguá, Itaúna e Rio Bonito, entre outras localidades.
Vulcões de gelo Imagens da sonda Cassini reforçam a teoria de que duas regiões de Titã, uma das luas de Saturno, têm vulcões que lançam em sua atmosfera um líquido gelado, em vez de lava ardente. Os vulcões liberam uma mistura de água gelada, amônia e metano. As imagens mostram brumas sobre áreas com um fluxo de líquido na superfície. ______
Não deixe de ver: A entrada em erupção do
vulcão Tungurahua, levou as autoridades locais da província
equatoriana de Chimborazo a ordenar a evacuação de cerca de mil
moradores de vilarejos próximos.
~ Erupções do vulcão Etna em 2006 ~
Sites de interesse: Especial: Vesúvio, o Super Vulcão Fonte: Arquivo Starnews 2001 – NASA – Reuters – Veja Online – BBC Brasil – National Geographic – Discovery Channel. © Equipe Starnews 2001 |
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