Imagem: Discovery Channel

Vulcões: A Fúria Adormecida

Nas profundezas da Terra, entre o centro de ferro fundido e a fina camada na superfície, há uma parte de pedra sólida chamada de manto, ainda quente por causa da formação do nosso planeta há cerca de 4.6 bilhões de anos. Como as pedras são grandes isolantes, o calor demora para se dissipar.

Quando as pedras do manto se derretem, elas se transformam em magma, que chega à superfície através da crosta externa da terra, e libera os gases contidos. Quando a pressão é muito forte, vulcões entram em erupção. A pressão aumenta se a quantidade de magma que vai do manto da terra até o vulcão é alta. Por outro lado, a pressão pode aumentar dentro do cone de

No subsolo, esta rocha fundida é chamada de magma. Quando o vulcão entra em erupção, o magma é lançado para fora em forma de lava.
magma do vulcão. Isso acontece porque quando o magma no cone começa a esfriar, ele libera gases que se expandem, aumentando a pressão. Quando a pressão é muito forte, as rochas que formam o vulcão racham, e o magma escapa pela superfície — é a erupção. Em alguns vulcões, a quantidade de magma que sai da terra é relativamente constante, então as erupções são freqüentes; em outros, o magma sobe em bolhas a cada 100 ou até mesmo 1000 anos, por isso as erupções são raras.

Quando ainda é subterrâneo, este manto rochoso é chamado de magma. Assim que atinge a superfície e se derrama pelos lados de um vulcão, passa a se chamar lava. Geralmente, quanto mais quente a lava, mais fluida ela é, e mais rapidamente ela escorre. As lavas havaianas tendem a ser as mais quentes da escala. Quando entram em erupção, elas chegam a 1.175º C.

Em agosto de 1883, Krakatoa (ou Krakatau, em javanês), uma ilhota encravada no estreito entre as ilhas de Sumatra e Java, foi pulverizada numa das maiores explosões já registradas na história. Saldo da catástrofe: mais de 36.000 mortos, na maioria afogados por gigantescas paredes de água, os tsunamis, que invadiram as ilhas próximas. A hecatombe é contada em minúcias pelo geólogo inglês Simon Winchester em Krakatoa, o Dia em que o Mundo Explodiu (Editora Objetiva; 432 páginas). Alinhavando relatos sobre o cotidiano da região, documentos oficiais e dados científicos, Winchester delineia um quadro completo da situação social, econômica e política das então chamadas Índias Orientais, e mostra como um fenômeno geológico de grandes proporções pode afetar uma sociedade, e até mesmo toda a humanidade, por várias gerações. No caso do Krakatoa, o autor credita à explosão um fortalecimento do misticismo e da religiosidade das populações atingidas, um dos componentes da fórmula que resultou na independência da Indonésia em 1949, até então uma colônia holandesa.

A origem e o funcionamento dos vulcões só foram compreendidos de fato a partir de 1965, quando o canadense Tuzo Wilson apresentou sua teoria das placas tectônicas. Pela teoria — hoje comprovada —, a camada mais externa do planeta é formada por blocos rochosos que se encaixam como num quebra-cabeça e flutuam sobre uma camada interna de rocha derretida. Os vulcões nascem nos pontos onde essas placas se chocam ou se afastam, liberando material incandescente — o magma — do subterrâneo. É assim que a ciência explica a construção do arquipélago havaiano sobre uma fresta aberta no solo oceânico, no meio do Pacífico.

A erupção do Vulcão Pinatubo, nas Filipinas, em 1991, lançou na atmosfera 20 milhões de toneladas de dióxido de enxofre — substância responsável pela chuva ácida —, mais do que é emitido nos Estados Unidos durante um ano inteiro

Os milhares de ilhas da Indonésia, que repousam sobre uma zona em que duas placas tectônicas se encontram, são um dos melhores cenários para grandes detonações, como a do Krakatoa. O choque entre as placas pode ativar qualquer um dos cerca de 130 vulcões da área. Como válvulas mal reguladas de uma imensa panela de pressão, vez por outra um deles estoura, lançando ao ar milhões de toneladas de magma. O Krakatoa até que foi modesto. Em 1815, outro monte indonésio, o Tambora, deu seu espetáculo de destruição com uma intensidade dez vezes maior — essa, sim, a mais colossal explosão já registrada. Calcula-se que a erupção e seus efeitos posteriores tenham causado a morte de 70.000 pessoas. As cinzas e os gases liberados na atmosfera resfriaram o planeta e provocaram grandes perdas na agricultura. A Europa viveria no ano seguinte, 1816, uma era de fome e crises sociais, no que se chamou de "ano sem verão".

Os vulcões têm outras armas de destruição em massa — uma delas, a perigosa combinação de água com o magma. Uma geleira ou um lago acomodados na cratera de um vulcão entram facilmente em ebulição com a saída do magma. Então, uma avalanche mortal de lama fervente, chamada lahar, escorre encosta abaixo. Foi isso, uma locomotiva de toneladas de pedras, cinzas, terra e água, que matou 23.000 pessoas, em 1985, na erupção do Nevado del Ruiz, na Colômbia. O número de vítimas do lahar só foi menor — 350 — na erupção do filipino Pinatubo, em 1991, porque houve tempo de evacuar as centenas de milhares de moradores dos arredores. Tão ou mais perigosos do que o lahar são os fluxos piroclásticos — golfadas de gases e lascas de material vulcânico, que avançam a mais de 200 quilômetros por hora, queimando tudo pela frente. Foi um desses que soterrou Pompéia e Herculano, no sul da Itália, no ano 79, legando para a posteridade um museu calcinado do cotidiano da civilização romana no início da era cristã.

Os vulcões ativos, porém, não deixam em seu rastro apenas morte e trauma. Poucos anos depois da explosão do Krakatoa, que eliminou qualquer animal ou vegetal da área, as ruínas da ilha já eram recolonizadas por sementes, grãos de pólen, esporos e minúsculos insetos, arrastados pelos ventos. Terras férteis, aliás, constituem um dos principais subprodutos das erupções vulcânicas — e um grande atrativo para milhões de pessoas, no mundo todo, que se arriscam vivendo ao pé desses montes sempre à beira de um ataque de nervos. Há teorias, aliás, que dizem ser eles as fornalhas em que se criou toda a água do planeta. Segundo esse raciocínio, em tempos primordiais, o magma continha grandes quantidades de oxigênio e hidrogênio em sua composição. A cada erupção, esses gases eram liberados na atmosfera em forma de vapor — o qual, ao se resfriar, se condensava e virava água.

Aos efeitos físicos imediatos da revolução tectônica seguem-se as conseqüências indiretas — ambientais, sociais, econômicas e culturais, traduzidas em mitos que perduram pelos séculos. As explosões vulcânicas ressoam no cinema — em filmes como Krakatoa Inferno de Java, Stromboli e Inferno de Dante — e na literatura. Atribui-se ao mau tempo criado pelo Tambora, por exemplo, o poema Darkness (Trevas), de Lord Byron. Foi esse mesmo mau tempo que trancafiou o poeta Percy Shelley e sua mulher, Mary, no verão de 1816, numa vila à beira de um lago suíço, em cuja reclusão Mary Shelley gestou a novela gótica Frankenstein.

Erupção do monte Santa Helena

O Monte St. Helena, no Estado de Washington (EUA), entrou em erupção em 18 de maio de 1980. Uma avalanche de lava incandescente jorrou da montanha a uma velocidade de mais de 480km/h, lançando fragmentos e cinzas a uma altura de 16km. As cinzas caíram a uma distância de até 1.500km e a explosão foi ouvida na Califórnia e Montana. Cinza superaquecida, gases e lava devastaram as áreas próximas e causaram várias mortes. Desde então, cientistas têm monitorado de perto atividades no vulcão, esperando pelo desastre novamente. Em setembro de 2004, a montanha começou a mexer e ganhar vida novamente, com erupções que levaram cinzas a quilômetros de distância nas Cascades. A partir daí, a lava vem escapando por dentro da cratera e o teto formado ainda está crescendo. O vulcão foi colocado em alerta nível dois, o que significa que pode haver mais erupções. Então, será que o Monte St. Helena está prestes a explodir?



Vista espacial que registra informações térmicas da superfície mostra o vulcão do monte Santa Helena, nos Estados Unidos, dias após uma erupção

ooo000ooo

A erupção vulcânica mais famosa de todos os tempos foi a do Vesúvio, que enterrou em cinzas e lavas as cidades de Pompéia e Herculano no ano 79 da nossa era. Os cientistas aprenderam muito sobre o comportamento dos vulcões ao analisar as evidências encontradas nas ruínas da cidade. Eles acreditam que o Vesúvio deve entrar em erupção a cada 2.000 anos (?).

Índice de Explosividade Vulcânica

O Índice de Explosividade Vulcânica (VEI) compara a violência de diferentes erupções vulcânicas. Considera diversos fatores como a altura da pluma ou coluna da explosão, o volume do material emitido e a duração da erupção.

VEI 0 Erupções não explosivas com plumas inferiores a 100 m de altura; emissão inferior a 1000 m3 de piroclastos; duração variável; ex. Kilauea, Havaí, 1983.

VEI 1 Erupção suave com pluma entre 100-1000 m altura; emissão inferior a 10000 m3 de piroclastos; explosões até 1 h; ex. Stromboli, Itália.

VEI 2 Erupção explosiva com pluma entre 1-5 km de altura; emissão até 0,01 km3 de piroclastos; duração entre 1-6 h; ex. Colima, México, 1991.

VEI 3 Erupção intensa com pluma entre 3-15 km de altura; emissão de 0,01-0,1 km3 de piroclastos; duração entre 1-12 h; ex. Nevado del Ruiz, Colômbia, 1985.

VEI 4 Erupção catastrófica com pluma entre 10-25 km de altura; emissão de 0,1-1 km3 de piroclastos; duração entre 1-12 h; ex. Sakura-Jima, Japão, 1914.

VEI 5 Erupção catastrófica com pluma superior a 25 km de altura; emissão de 1-10 km3 de piroclastos; duração entre 6-12 h; ex. Monte St. Helens (Monte Santa Helena), EUA, 1980.

VEI 6 Erupção colossal com pluma superior a 25 km de altura; emissão de 10-100 km3 de piroclastos; duração superior a 12 h; ex. Krakatoa, Indonésia, 1883.

VEI 7 Erupção super-colossal com pluma superior a 25 km de altura; emissão de 100-1000 km3 de piroclastos; duração superior a 12 h; ex. Tambora, 1815.

VEI 8 Erupção mega-colossal; emissão superior a 1000 km3 de piroclastos; Yellowstone, EUA, há 640000 anos.

Dois Vulcões

Volcanoes near Mexico City

Esta foto da International Space Station (ISS) mostra um par de vulcões no México. Como parte do "Cinturão de Fogo" que se estende ao longo do Pacífico, o México possui vários dos mais ativos vulcões do mundo, sendo que o mais famoso é o Popocatepetl (em Asteca significa: "montanha de fumaça") à esquerda. O vulcão vizinho é Iztaccíhuatl (a "Mulher de Branco"). A tênue fumaça emanando da cratera do Popocatepetl mostra o perigo que representa para os 25 milhões de pessoas que vivem na região, incluindo a cidade próxima de Amecameca, bem como os centros metropolitanos da Cidade do México no nordeste e Puebla no leste.

Imagem: NASA

Ampliar a imagem

Erupção vulcânica em Io

Uma erupção vulcânica na lua de Júpiter, Io, foi fotografada no dia 22 de fevereiro de 2000, pela espaçonave Galileo da NASA. A área alaranjada no lado esquerdo da imagem mostra a trajetória da lava fervente, e as duas pequenas luminosidades acima são os locais da erupção e de onde a lava está escorrendo. Na parte mais clara da foto está situada uma imensa cratera com mais de 60 quilômetros de extensão. Como se vê, os planetas do sistema solar, bem como as suas luas, têm muitos pontos em comum, que poderão ajudar nas futuras pesquisas cientificas.

Imagem: NASA/JPL

Ampliar a foto

Um vulcão de proporções inimagináveis

O enorme vulcão Mons Olympus aparece em toda a sua estatura, numa imagem grande-angular fotografada pelo Mars Global Surveyor. Tirada durante um período de cinco minutos, enquanto o Surveyor passava perto da superfície, a imagem olha para dentro da caldeira no topo do vulcão, que tem 80 quilômetros de largura. Vulcão largo, de beiradas oblíquas, o Olympus Mons é o ponto mais alto de Marte, atingindo 5,6 metros de altitude, acima da planície juncada de lavas.

Imagem da NASA/Jet Propulson Latoratory/Malin Space Sciences Systems




Imagem de marte registrada pela Mars Odissey revela região formada provavelmente a partir de atividade vulcânica batizada de 'Labirinto Noturno'

Imagem da NASA/Jet Propulson Latoratory/Malin Space Sciences Systems

O que está acontecendo com aquele vulcão? Está em erupção! O engenheiro e astronauta americano Jeff Williams, que partiu na mesma missão que Marcos Pontes, é o autor da foto. Williams, que estava a bordo da Estação Internacional Espacial, começou a fotografar rapidamente o espetáculo do vulcão Cleveland, pois a erupção durou aproximadamente duas horas. O vulcão fica em uma ilha que faz parte da cadeia de ilhas Aleutianas, no Alasca, e a comunidade povoada mais próxima fica a cerca de 75 quilômetros da ilha. O Cleveland é abastecido pelo magma deslocado da placa tectônica do Pacífico (noroeste), que fica sob a placa tectônica da América do Norte.

Imagem: NASA

Cronologia das erupções vulcânicas mais importantes

  • 79 d.C. Vesúvio (Pompéia, Itália)
  • 1586  Kelut (Indonésia)
  • 1672  Merapi (Indonésia)
  • 1660 Guagua Pichincha (Equador)
  • 1783 Laki (Islândia)
  • 1792 Unzen (Japão)
  • 1815 Tambora (Indonésia)
  • 1883 Krakatoa (Indonésia)
  • 1902 Monte Pelée (Martinica)
  • 1912 Katmai (Alaska)
  • 1929 Santiaguito (Guatemala)
  • 1956 Bezymianny (Rússia)
  • 1963 Surtsey (Islândia)
  • 1980 St. Helens (USA)
  • 1985 Nevado del Ruiz (Colômbia)
  • 1991 Pinatubo (Filipinas
  • 1998 San Cristobal (Nicarágua
  • 1998 Pacaya (Guatemala)
  • 2002 Shiveluch (Rússia)
  • 2002 Nyragongo (República Democrática do Congo)


Foto aérea do Vesúvio

Imagem: Arquivo Starnews 2001

O vulcão Merapi, situado a cerca de 450 quilômetros a leste de Jacarta, é um dos mais perigosos do anel de fogo do Pacífico. A Indonésia tem a maior densidade de vulcões do mundo. Em 1994, o Merapi matou 70 pessoas, a maioria depois da queda de cinzas quentes e outros materiais. Em 1930, causou a morte de 1.300 pessoas.

Uma violenta tempestade de raios, ocasionada por uma grande erupção
vulcânica. A fumaça expelida pela cratera cria nuvens altamente
carregadas de eletricidade nas imediações do vulcão.

Erupção do Vesúvio atingiria 3 milhões de pessoas

Um estudo conjunto de cientistas americanos e italianos alerta que a próxima erupção do vulcão Vesúvio, na Itália, pode ser muito pior do que as autoridades italianas estão esperando.

Atualmente, o país tem planos para a evacuação de 600 mil pessoas da cidade de Nápoles, vizinha ao vulcão.

Com base na nova pesquisa, os cientistas dizem que até 3 milhões de pessoas estariam em risco.

O Vesúvio é mais conhecido por sua erupção no ano 79 d.C., quando as lavas encobriram a cidade de Pompéia.

Passado

Os planos atuais das autoridades para evacuação de Nápoles são baseados no tamanho de uma erupção ocorrida em 1631.

O estudo diz, porém, que o Vesúvio entrou em erupção oito vezes antes disso e com força ainda maior.

Essas erupções causaram devastações que atingiram áreas bem além do que hoje é Nápoles.

A pesquisa, publicada pela Academia de Ciências dos Estados Unidos, mostra que em uma erupção na Idade do Bronze, a mais recente delas, rios de lava quente e cinzas correram até 25 km a noroeste do vulcão, bem além de Nápoles dos dias de hoje.

Tudo o que estava nos primeiros 12 km foi levado embora pela força da torrente.

Dezenas de centímetros de pedras, brasas e cinzas "choveram" na região a leste do vulcão e o peso derrubaria os telhados das casas modernas.

Risco de erupção

Segundo os autores da pesquisa, se forem acompanhados os ciclos vulcânicos do Vesúvio, a repetição dessa erupção é tão provável quanto a repetição do evento de 1631 e Nápoles precisa saber como poderá ser.

Michael Sheridan, um dos cientistas, diz ter sido motivado pela experiência do furacão Katrina nos Estados Unidos, no ano passado, quando as autoridades não se prepararam de forma adequada para o desastre.

No pior cenário, o Vesúvio seria muito mais feroz e não haveria nada depois da erupção.

Poucos vulcões do mundo são tão monitorados quanto o Vesúvio, e os cientistas acreditam que saberão quando ele estiver prestes a entrar em erupção.

MONITORAMENTO DO VESÚVIO EM TEMPO REAL

Clique para saber a todo momento sobre o perigo de uma erupção imediata.

Placa assinala vulcão extinto

O município de Casimiro de Abreu, no litoral do Norte Fluminense, ganhou no dia 1 de abril de 2006 uma placa geológica contando a história do Morro de São João, formação vulcânica de 60 milhões de anos. A placa, que fica às margens do Rio São João, indica que o morro é parte do Caminho dos Vulcões, corredor de estruturas geológicas no Estado do Rio que se estende de Itatiaia até Arraial do Cabo. A iniciativa é parte do projeto Caminhos Geológicos, que pretende incentivar o ecoturismo no estado.

O projeto Caminhos Geológicos já instalou 54 placas em 20 municípios do estado desde 2001. O vulcão mais bem preservado do Rio fica em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e a mais importante placa geológica do estado é a instalada no Pão de Açúcar. Os vulcões extintos do estado formaram-se entre 80 milhões e 40 milhões de anos atrás, ao longo de uma área que abrange o Parque Nacional do Itatiaia, a Serra do Mendanha, Tinguá, Itaúna e Rio Bonito, entre outras localidades.

Vulcões de gelo

Imagens da sonda Cassini reforçam a teoria de que duas regiões de Titã, uma das luas de Saturno, têm vulcões que lançam em sua atmosfera um líquido gelado, em vez de lava ardente. Os vulcões liberam uma mistura de água gelada, amônia e metano. As imagens mostram brumas sobre áreas com um fluxo de líquido na superfície.

______
Fonte: Discovery Channel

Foto do hemisfério de Mercúrio (Foto: Nasa/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/Instituição Carnegie de Washington) Astronomia
Novas fotos sugerem atividade vulcânica em Mercúrio.

Terremoto

Um terremoto é um tremor de terra que pode durar segundos ou minutos. Ele é provocado por movimentos na crosta terrestre, composta por enormes placas de rocha (as placas tectônicas). O tremor de terra ocasionado por esses movimentos é também chamado de "abalo sísmico".

Essas placas se movimentam lenta e continuamente sobre uma camada de rocha parcialmente derretida, ocasionando um contínuo processo de pressão e deformação nas grandes massas de rocha.

Quando duas placas se chocam ou se raspam, elas geram um acúmulo de pressão que provoca um movimento brusco. Há três tipos de movimentos: convergente (quando duas se chocam), divergente (quando se movimentam em direções contrárias) e transformante (separa placas que estão se deslocando lateralmente).

~ Alterações no relevo ~

Os movimentos convergente e divergente das placas provoca alterações no relevo. A cada choque, a placa que apresenta menor viscosidade (mais aquecida) afunda sob a mais viscosa (menos aquecida). A parte que penetra tem o nome de zona de subducção.

No oeste da América do Sul, por exemplo, o afundamento da placa de Nazca sob a placa continental originou a cordilheira dos Andes.

Os geólogos acreditam que o aumento do nível do mar trará implicações que provarão ser mais decisivas do que as condições meteorológicas. O peso extra de milhões de quilômetros cúbicos de água pode causar estresse nos pontos fracos da crosta terrestre — chamada pelos especialistas de litosfera.

Isso poderia induzir a terremotos e erupções vulcânicas ao longo das falhas, causando devastação local e lançando detritos e gases prejudiciais na atmosfera. Também aumenta o perigo dos tsunamis. Essas ondas gigantes são geradas pelos terremotos debaixo d’água , que podem viajar por milhares de quilômetros através de um oceano, a velocidades de até 800km/h. Eles aparecem sem avisar e trazem ondas de até 30m de altura. Geólogos prevêem que o vulcão Cumbre Vieja, na zona sul de La Palma, nas Ilhas Canárias, pode entrar em erupção no futuro. A conseqüência seria uma tsunami gigante, de 500m de altura, que atravessaria o Atlântico e poderia engolir parte do Reino Unido, dos Estados Unidos, da África e do Brasil.

O aquecimento global é um fenômeno mundial. Continentes, países, condados e comunidades podem estar a milhares de quilômetros de distância, mas ninguém vive em completo isolamento. As conseqüências do comportamento irresponsável do homem, e os desastres naturais que resultam disso, afetam e afetarão a todos nós.

A medida da intensidade

A intensidade dos terremotos é medida pela escala Richter, criada em 1935 pelo cientista norte-americano Charles Francis Richter. O terremoto de maior intensidade já registrado marcou 8.6, mas, teoricamente, não há limites.

  • Magnitude 1 — Não é sentido pelas pessoas. Só os sismógrafos registram.
  • Magnitude 2 — Sentido nos andares mais altos dos edifícios.
  • Magnitude 3 — Lustres balançam, a vibração lembra um caminhão passando.
  • Magnitude 3.5 — Carros parados balançam, louça vibra e faz barulho.
  • Magnitude 4.5 — Pessoas acordam, portas se abrem, relógios de pêndulo param, cai reboco de paredes.
  • Magnitude 5 — Sentido por todos. Pessoas caminham com dificuldade, livros caem das estantes, mobília virada.
  • Magnitude 5.5 — Difícil caminhar, paredes racham, sinos tocam nas igrejas, louças quebradas.
  • Magnitude 6.5 — Difícil dirigir veículos, chaminés e torres desabam, casas de madeira são arrancadas das fundações. Algumas paredes caem.
  • Magnitude 7 — Pânico geral, danos às fundações dos prédios, encanamentos rompidos, fendas no chão, danos em represas, queda de pontes.
  • Magnitude 7.5 — Maioria dos prédios desaba. grandes deslizamentos de terra, rios transbordam, represas e diques destruídos.
  • Magnitude 8.5 — Trilhos retorcidos nas estradas de ferro, tubulações de água e esgoto inteiramente destruídas.
  • Magnitude 9 — Destruição total, grandes massas de rocha deslocadas, objetos lançados no ar.

  • O terremoto de 7.9 que atingiu a província de Sichuan, no sudoeste da China, no dia 12 de maio de 2008, deixou pelo menos 8,5 mil pessoas mortas, segundo a agência de notícias oficial do país, a Xinhua.

    Os terremotos não afetam apenas o clima da Terra, mas também destroem prédios e devastam cidades.

    ooo000ooo

    Fato curioso: Cerca de 14.000 terremotos são registrados ao ano na Nova Zelândia, dos quais 20 chegam a 5 graus na escala Richter.

    Cientista prevê grande terremoto próximo a Los Angeles

    LONDRES — A extremidade sul da falha de San Andreas, perto de Los Angeles, que não se movimenta há mais de dois séculos, está sob um fortíssimo estresse e pode provocar um grande terremoto a qualquer momento, sugere estudo publicado na última edição da revista 'Nature' (junho de 2006).


    Falhas como a de San Andreas, nos Estados Unidos (acima), podem ocasionar terremotos devastadores

    Segundo o cientista Yuri Fialko, do Instituto de Oceanografia Scripps, em La Jolla, na Califórnia, levando em conta as taxas anuais de movimento em outras áreas da falha, pode haver energia represada suficiente na extremidade sul para deflagrar um solavanco cataclísmico de até 10 metros.

    "As taxas de tensão observadas confirmam que a região sul da falha de San Andreas pode estar se aproximando do fim da fase intersísmica no ciclo sísmico", diz o pesquisador no estudo.

    Um movimento lateral brusco de entre 7 e 10 metros estaria entre os maiores já registrados.

    De acordo com a U.S. Geological Survey (USGS), o terremoto que destruiu San Francisco em 1906 foi causado por um movimento súbito de até 6,4 metros na extremidade norte da falha.

    Fialko disse que desde os primórdios da colonização européia da área não são registrados movimentos na extremidade sul da falha, uma junção geológica de quase 1.300 quilômetros de extensão, entre as placas tectônicas do Pacífico e Norte-Americana.

    De acordo com ele, essa ausência de movimento por 250 anos corresponde aos intervalos previstos entre grandes terremotos na extremidade sul da falha, entre 200 e 300 anos.

    Nas outras áreas da falha, as taxas médias de deslizamento, de alguns centímetros ao ano, evitaram o acúmulo de pressão.

    Segundo a USGS, os grandes terremotos recentes nas zonas norte e central da falha ocorreram em 1857 e 1906.

    Fialko afirmou que há três explicações possíveis para a ausência de movimento na área sul — deslizamentos sob a superfície sem manifestações externas, a possibilidade de ela simplesmente não se mover tanto quanto o resto ou um grande bloqueio.

    "Exceto pela primeira possibilidade, a quietude aumenta a probabilidade de ocorrer um evento sismológico," escreveu Fialko.

    Mas ele considera a primeira hipótese improvável.

    "Independentemente da geometria da falha e das propriedades mecânicas da crosta ambiente, os resultados apresentados nesse estudo sustentam as previsões de uma alta probabilidade da ocorrência de grandes terremotos no sistema sul da falha", relatou.

    ____________
    Fonte: Reuters

    'Terremoto silencioso' pode sinalizar
    grande tremor, diz estudo

    SÃO FRANCISCO — Localizar os chamados "terremotos silenciosos" pode ajudar os cientistas a preverem melhor a probabilidade de sismos graves, disse na quarta-feira (5 de julho de 2006) um professor da Universidade Stanford (Califórnia).

    Os terremotos silenciosos — aqueles em que há um lento movimento da terra, detectado por satélites graças a sutis mudanças na superfície, uma vez que eles não propagam ondas de choque — parecem ampliar a pressão nas falhas tectônicas, contribuindo para terremotos fracos, de magnitude dois e três, segundo o geofísico Paul Segall.

    "Localizar esses terremotos silenciosos pode melhorar a compreensão da formação dos pequenos tremores, o que ajudaria os cientistas a avaliarem a probabilidade de terremotos mais fortes", disse Segall, referindo-se às conclusões da sua equipe, publicadas na edição de quinta-feira (6 de julho de 2006) da revista Nature.

    Dados dos terremotos silenciosos podem ajudar os cientistas a desenvolverem um "medidor de estresse" para determinadas zonas de falhas tectônicas, segundo o pesquisador.

    — Cada vez que há um evento (tremor) silencioso, é como enfraquecer um pouco o sistema, empurrando-o um pouco mais forte — afirmou. — Se pudéssemos ver um aumento na taxa dos pequenos terremotos em resposta a esses eventos silenciosos, então poderíamos calibrar o medidor.

    — Isso seria potencialmente uma forma de fazer uma previsão mais probabilística (para grandes terremotos) – acrescentou Segall. — Poderíamos dizer que durante um período de poucas semanas a probabilidade é maior, e tomara que possamos colocar alguns números nessa probabilidade.

    Os sismologistas estimam que terremotos violentos atingem o Japão a cada 200 anos e o noroeste dos EUA a cada 500. Nos últimos seis anos, os cientistas concluíram que o sudoeste do Japão e parte do nordeste do Pacífico (o que inclui a Costa Oeste dos EUA) têm atividade sísmica silenciosa, de acordo com Segall.

    — É possível que, a cada ocorrência de um evento lento, e conforme avançamos no ciclo, ou nos aproximamos do "big one" (um terremoto devastador que poderá destruir Los Angeles e São Francisco a qualquer momento), esses eventos lentos possam começar a ficarem maiores, porque a área que está próxima da quebra terá aumentado.

    Fonte: Reuters

    O imprevisível em qualquer lugar

    Existe algum país que esteja livre de alguma catástrofe natural? Não, nenhum país está livre disso, considerando que a Natureza é imprevisível. Por esse motivo, nem o Brasil escapa.

    O Brasil não está preparado, principalmente, para a eventualidade de um terremoto de grandes proporções. Não existem estudos e equipamentos que permitam um planejamento estratégico. A constatação é de geólogos integrantes do grupo que estuda abalos sísmicos na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), um dos poucos do tipo no Brasil.

    Segundo um dos geólogos, “se tivermos um abalo de grande porte em uma zona populosa, vai morrer mais gente do que na Califórnia (onde 3.000 pessoas morreram em São Francisco em 1906)”. Não existe código de segurança para um desastre deste tipo no Brasil.

    — Seriam necessários pelo menos 30 sismógrafos funcionando permanentemente no Brasil para identificar áreas de risco. Os poucos existentes estão quase todos situados em barragens de hidrelétricas — disse o geólogo.

    Segundo ele, o estudo permanente das regiões com maiores probabilidades pode ajudar na prevenção, construção de edifícios mais seguros, aparelhamento e treinamento de equipes de socorro. Em países como o Peru, onde 560 pessoas morreram em agosto de 2007 por causa de um terremoto de magnitude 8, a maior parte dos edifícios possui placas informando que o projeto foi feito para resistir a sismos.

    De acordo com um técnico em sismologia do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo (USP), o fato de não ocorrerem muitos terremotos no Brasil ajuda a explicar a falta de estudos, mas a identificação de diversos abalos nos últimos anos tem mudado a postura de seguradoras e construtoras.

    — Construtoras e seguradoras já levam a possibilidade em conta — disse o técnico.

    _______
    Fonte: Arquivo Starnews 2001


    Não deixe de ver:

    Supervulcão
    Supervolcano mistura ciência, dramaturgia e imagens criadas por computador para revelar o que poderia acontecer se o vulcão de Yellowstone (EUA), parque nacional que abriga o único supervulcão atualmente ativo do mundo, entrasse novamente em erupção.

    Em Flash
    Veja guia sobre a formação e a erupção de vulcões.

    Vulcão Tungurahua entra em erupção no Equador

    A entrada em erupção do vulcão Tungurahua, levou as autoridades locais da província equatoriana de Chimborazo a ordenar a evacuação de cerca de mil moradores de vilarejos próximos.

    ~ Erupções do vulcão Etna em 2006 ~

     

     

    eruption video
    Vulcões em vídeo
    Vídeos sobre erupções vulcânicas, em inglês.

     

    Desastres naturais
    Animações mostram como se formam e agem os furacões, terremotos e tsunamis. E as grandes catástrofes.
    Copyright © Veja Online.

    Sites de interesse:

    Especial:

    Vesúvio, o Super Vulcão


    Fonte: Arquivo Starnews 2001 – NASA – Reuters – Veja Online – BBC Brasil – National Geographic – Discovery Channel.

    Recomende esta página

    Portal Starnews 2001

    © Equipe Starnews 2001