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Tsunami

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O que são tsunamis

A palavra "tsunami" quer dizer, em japonês, "onda do porto" ("tsu" — porto, ancoradouro, e "nami" — onda, mar). Trata-se não de uma única onda, mas de uma série de um tipo especial de ondas oceânicas, de proporções gigantescas, geradas por distúrbios sísmicos, em geral terremotos submarinos, e que possui alto poder destrutivo quando chega à região costeira.

Com devastação e alcance cataclísmicos, a tsunami que varreu a costa de vários países da Ásia, no dia 26 de dezembro de 2004, foi considerada sem precedentes. A ameaça que elas representam, porém, assombra várias regiões do planeta.

Tsunamis são séries de grandes ondas que se originam nas profundezas, por causa de deslocamentos do fundo do mar. Esses deslocamentos podem ser causados por vulcões, grandes deslizamentos submarinos e, principalmente, terremotos. Quando o fundo do oceano se desloca, a água acompanha o movimento.

— Esses grandes terremotos basicamente sacodem o fundo do oceano. É como se você estivesse movendo a água numa banheira, e aquela onda pode viajar basicamente através do oceano — descreveu o geofísico Bruce Presgrave, da USGS, a Vigilância Geológica dos EUA.

Sem obstáculos, a onda gigante varre enormes distâncias. Terremotos no Chile já provocaram pelo menos uma tsunami no Japão. Elas podem viajar pelo oceano com velocidades de mais de 800 quilômetros por hora.

Os tsunamis costumam ser desencadeadas por terremotos ocorridos nas chamadas falhas propulsoras, em que a direção do deslocamento empurra o fundo do mar e água para cima.

Perto do epicentro, o deslocamento da água pode não ser muito claro, por causa da profundidade. Quando a tsunami entra na linha costeira, sua velocidade diminui, mas a altura aumenta. À medida que se aproxima da terra, com a diminuição da profundidade do mar, a onda se agiganta. Um tsunami de alguns centímetros ou metros de altura pode atingir de 30 a 50 metros de altura na costa, com força devastadora.

No oceano profundo, centenas de quilômetros podem separar os topos das ondas. Muitas pessoas morreram durante tsunamis depois de voltar para casa, achando que as ondas tinham acabado.

Para quem está na praia, não há sinais da aproximação. O primeiro indício costuma ser uma elevação da água, mas não como nas tempestades.

Em 1883, um tsunami formada depois da erupção do vulcão Krakatoa, entre as ilhas indonésias de Java e Sumatra, matou 36.000 pessoas. A passagem do Tsunami foi registrada até no Panamá.

Em julho de 1998, dois terremotos submarinos de magnitude 7 criaram três tsunamis que mataram pelo menos 2.100 pessoas perto da cidade de Aitape, na costa norte de Papua Nova Guiné



Como se forma a onda mortal (tsunami)

1. A ruptura causada pelo tremor no leito do mar empurra a água para cima, dando início à onda.

2. A onda gigante se move nas profundezas do oceano em velocidade altíssima.

3. Ao se aproximar da terra, a onda perde velocidade, mas fica mais alta.

4. Ela então avança por terra, destruindo tudo em seu caminho.


Para uma melhor compreensão

   
Erupções vulcânicas injetam toneladas de lava no chão oceânico, gerando ondas gigantes e devastadoras.
  Quase sempre, terremotos submarinos deslocam a crosta oceânica, empurrando a massa de água para cima.
  Uma bolha de gás surge no fundo do oceano, com o mesmo efeito de uma explosão incomum.
Volcanic eruptions inject tons of wash in the oceanic soil, generating giant and devastating waves. Almost always, submarine earthquakes dislocate the crust oceanic, pushing the water mass for top. A gas bubble appears in the deep one of the ocean, with the same effect of an uncommon explosion.


Os piores tsunamis da história

Data Local Mortes (estimativa) Causa
1692 Port Royal, Jamaica Milhares Terremoto
1707 Japão 30.000 Terremoto
1737 Cape Lopatka, Península Kamchatka, Rússia Desconhecido Ondas com 64m de altura geradas por terremotos
1755 Lisboa, Portugal 10.000 - 60.000 Ondas com 6-15m de altura gerado por terremoto
1835 Talcahuano, Chile Desconhecido Terremoto em Concepción
1868 Arica, Chile Milhares Ondas de 15m geradas por terremoto
1883 Krakatoa, Indonésia 36.000 Erupção vulcânica
1896 Honshu, Japão 27.000 Terremoto, destruiu 280km na linha costeira
1933 Sanriku, Japão 2.990 Terremoto
1946 Hilo, Hawai 150-190 Terremoto no Alaska
1958 Lituya Bay, Alasca 3 Terremoto causado por uma gigantesca placa de gelo e rocha caída de um glaciar; um gigantesco deslizamento formou a tsunami
1960 Chile 450 Série de terremotos
1976 Mindanao, Filipinas 8.000 Terremoto
1979 Nice, França 23 2 tsunamis, com uma semana de intervalo, geradas por deslizamentos submarinos
1992 Nicarágua 100 Terremoto formou uma série de ondas 11m de altura
1993 Japão 120 Terremoto submarino gerou ondas de 5m de altura
1994 Java, Indonésia 200 Terremotos causaram uma série de ondas de mais de 60 metros de altura
1998 Papua, Nova Guiné 3.000 Terremoto
2004 Sul e sudeste da Ásia Mais de 55 mil Terremoto submarino
Saiba mais sobre algumas delas
1755 - Um terremoto seguido de maremoto encurralou os moradores de Lisboa, matando cerca de 15 mil pessoas
1883 - Mais de 30 mil pessoas morreram devido a um tsunami causado pela erupção do vulcão Krakatoa em Java, Indonésia. A passagem da Tsunami foi registrada até no Panamá.
1896 - Uma única onda engoliu aldeias inteiras e matou 26 mil habitantes na região de Sanriku, no Japão.
1946 - Um terremoto nas ilhas Aleutas enviou um tsunami para o Havaí, onde matou 159 pessoas. A onda alcançou o Alasca, onde morreram mais cinco pessoas.
1964 - Um terremoto no Alasca ativou uma onda de quilômetros de extensão e 8 metros de altura, que causou 120 mortes e chegou até o litoral da Califórnia.
1983 - No Japão, 104 pessoas morreram devido ar um tsunami provocado por um terremoto próximo que chegou a 7.7 pontos na escala Richter.
1998 - Um terremoto em Papua, Nova Guiné, chegou a 7,1 graus na escala Richter. Minutos depois, gerou uma onda de 7 metros de altura que matou 3 mil pessoas e destruiu quatro povoados.
2004 - Mais de 55 mil pessoas morreram depois que um violento tremor sob o mar perto do norte da Indonésia enviou enormes ondas para as regiões costeiras do sul e sudeste da Ásia. O terremoto, que atingiu 9 pontos na escala Richter, foi o mais intenso registrado nos últimos 40 anos. Muralhas de água, com mais de dez metros de altura, arrasaram construções e arrastaram pessoas em toda a região. Foram registradas enchentes e uma elevação do nível do mar até no leste da África. Locais atingidos: em Bangladesh, Índia, Indonésia, Quênia, Malásia, Mianmar, Somália, Sri Lanka, Tanzânia e Tailândia.

Zona de perigo

Milhares de pessoas morreram depois que um violento tremor sob o mar perto do norte da Indonésia enviou enormes ondas para as regiões costeiras do sul e sudeste da Ásia.

A Indonésia está sujeita a abalos sísmicos por causa de sua proximidade com o "Círculo de Fogo"

— uma área em volta do Pacífico onde as placas tectônicas se encontram e há vulcões ativos.

— Pesquisadores brasileiros afirmam que o Brasil está livre desse fenômeno... Todavia, isso não significa que estamos totalmente seguros, considerando também a nossa proximidade do chamado "Cinturão de Fogo" (veja mapa acima). Os tremores de terra registrados no nordeste, principalmente no Ceará e Rio Grande do Norte, chamados de "acomodações de terra" (explicação disfarçada para não causar pânico), na verdade, são abalos sísmicos, ou seja, pequenos terremotos. Assim sendo, esses cientistas devem se aprofundar mais nas pesquisas sobre o assunto, para que não sejamos pegos de surpresa... A natureza é imprevisível.

Cientistas querem decifrar ondas

Kenneth Chang
Do New York Times

NOVA YORK. Terremotos de grande magnitude ocorrem a cada um ou dois anos. Tsunamis catastróficas, como a que ocorreu em 26 de dezembro, são menos frequentes. Mas algumas das maiores ondas gigantes se originam em locais que, à primeira vista, não parecem muito ameaçadores e, por isso, podem pegar os especialistas de surpresa.

— Foi algo que não conseguimos prever — afirmou Costas Synolakis, professor de engenharia civil da Universidade do Sul da Califórnia.

Segundo Synolakis, os especialistas querem agora examinar melhor o Oceano Índico em busca de indícios geológicos de tsunamis do passado na região para que os cientistas possam ter previsões mais acuradas do fenômeno.

A observação da destruição causada também ajudará a alimentar modelos de computador sobre o terremoto — o primeiro com nove graus de magnitude em 40 anos — que produziu os tsunamis. Um terremoto de intensidade semelhante ocorrido em 1700 no Oceano Pacífico produziu ondas gigantes numa ampla região e sismólogos acreditam que o fenômeno deve se repetir. A questão é saber quando, já que as tsunamis são apontadas como um dos mais misteriosos desastres naturais.

Existem sistemas de alerta no Pacífico e planos de emergência em diversos países da região — onde ocorrem 90% das tsunamis —, situação bem diferente da do Oceano Índico. Desde 2001, seis instrumentos chamados de tsunâmetros estão instalados a profundidades que variam de quatro a seis quilômetros de profundidade e conseguem detectar alterações na pressão da água quando a onda passa sobre o equipamento. Ao detectar algo, o aparelho envia um sinal por ondas sonoras para uma bóia na superfície, de onde é direcionado para um satélite e, finalmente, para centros de alerta contra tsunamis no Havaí e no Alasca. O processo todo leva dois minutos.

Tsunâmetros impediram um alerta falso

Até agora, não ocorreu nenhuma tsunami significativa no Pacífico para que os equipamentos as detectassem, mas eles impediram um alarme falso em novembro de 2003. Naquela ocasião, um terremoto de magnitude 7,8 foi registrado perto das Ilhas Aleutas, levando especialistas a divulgar um alerta contra tsunamis. Mas, quando as ondas passaram sobre o tsunâmetro, os cientistas constataram que eram pequenas e cancelaram o alerta.

Muito pouco se sabe também sobre o impacto de tsunamis em terra firme. Um grupo de cientistas internacionais partiu ontem para a Índia especialmente para analisar os efeitos das ondas na região costeira. Em especial, os especialistas querem determinar a altura das ondas ao arrebentar na costa.

— Em alguns casos, poderemos ver isso por marcas deixadas em árvores — afirmou Harry Yeh, professor de engenharia oceânica da Universidade do Estado de Oregon e um dos enviados à Índia, lembrando que eles também pretendem estudar marcas deixadas em muros e paredes, além de coletar testemunhos de sobreviventes.

Megatsunami atingiria o Brasil

MADRI. Um estudo controverso realizado por cientistas da Universidade da Califórnia sustenta que uma erupção vulcânica nas Ilhas Canárias poderia provocar as maiores tsunamis já registradas, com mais de 50 metros de altura, que atingiriam o Brasil, além de EUA e África.

Segundo o estudo, a erupção do vulcão Cumbre Vieja poderia lançar uma rocha do tamanho de uma ilha no Atlântico, numa velocidade de até 350 quilômetros por hora, gerando as megatsunamis.

Muitos especialistas, entretanto, contestam o estudo, que acham exagerado. As rochas lançadas podem ser bem menores e uma nova erupção pode levar até milhares de anos.

Nossa opinião: Sobre esse último parágrafo, afirmamos com certeza, que é por causa da negligência de muitos que somos pegos de surpresa. Nenhum estudo, nenhum cálculo científico é seguro e definitivo, considerando que a Natureza é imprevisível.

Estudo sugere que 'ondas-monstro'
são mais comuns do que se imaginava

LONDRES — A tempestade de 16 de abril de 2005 não parecia especialmente violenta e os dois mil passageiros do Norwegian Dawn estavam despreocupados. Mas, de repente, ao largo da costa da Geórgia, uma gigantesca onda, da altura de um prédio de sete andares, apareceu do nada. Ela estourou no convés, jogou cadeiras e mesas à distância, espatifou janelas, alagou 62 cabines e semeou o pânico.

— O navio parecia uma rolha numa banheira — relembra a passageira Celestine Mcelhatton.

Ondas enormes no meio do oceano, chamadas de ondas-monstro, por muitos anos foram consideradas raridades ou mesmo lendas do mar. Mas cientistas descobriram que elas são mais comuns e destrutivas do que se imaginava. Novos estudos estimam que, a cada instante, pelo menos dez ondas-monstro estejam estourando nos mares do mundo.

Hoje, há uma série de estudos sobre o fenômeno para tentar entender melhor como essas ondas se formam, descobrir se é possível prevê-las e desenvolver novas tecnologias para proteger navios e passageiros de seu impacto.

Nas últimas duas décadas, se suspeita que ondas-monstro tenham afundado dezenas de grandes navios, matando centenas de pessoas.

— Nunca encontrei e espero nunca encontrar um monstro desses — afirmou o cientista alemão Wolfgang Rosenthal, que colaborou com a Agência Espacial Europeia no pioneiro estudo de tentar rastrear tais ondas por satélite. — Elas são mais frequentes do que esperávamos.

Em tamanho e alcance essas ondas são muito diferentes das tsunamis causadas por terremotos — que se formam vagarosamente, são quase invisíveis em alto mar, e só ganham altura no momento de estourar na costa.

— Sabemos que essas grandes ondas não ocorrem em águas rasas — afirmou David Wang, do Laboratório de Pesquisa Naval da Marinha Americana. — É uma limitação física.

Ondas-monstro alcançariam alturas de pelo menos 25 metros e, de acordo com estimativas, poderiam chegar a inacreditáveis 66 metros — mais do que a Estátua da Liberdade, por exemplo. Até agora, no entanto, nada desse tamanho foi registrado. A maior onda já medida tinha 30 metros de altura.

Grandes ou pequenas, as ondas se formam quando o vento sopra sobre o mar aberto. Força, duração e tipo do movimento do vento vão determinar o tamanho das ondas. Estudos apontam que as ondas-monstro se formam no encontro de várias ondas, sobretudo em tempestades.

Fonte: O Globo


O capitão sentiu que o mar estava recuando, então ele saiu do porto muito rapidamente, nem nos demos conta sobre o que aconteceria logo em seguida...

Então, alguém gritou "tsunami". Tentei olhar e o que vi era como uma onda que não chegava à praia, uma onda que rompia no mar. Não entendi muito bem, pensei que era uma onda muito forte.

~ Antonia Paradela ~
Jornalista espanhola

Terremoto, seguido de tsunami, na Ásia, 26 de dezembro de 2004

Em termos geológicos, o que aconteceu?

Milhares de pessoas morreram depois que ondas gigantes provocadas por um tremor atingiram áreas costeiras no sul e no leste da Ásia. Brian Baptie, um sismólogo da British Geological Survey, explicou como a onda — ou tsunami — foi criada.

Sumatra, no noroeste da Indonésia, fica na junção das placas tectônicas. A superfície da Terra é formada por várias placas tectônicas diferentes, e elas estão todas se movendo.

A placa que fica sob o Oceano Índico está se movendo mais ou menos para o nordeste, o que faz com que ela se colida com Sumatra. E, na medida em que a colisão ocorre, a placa do Oceano Índico é pressionada sob Sumatra e, com a pressão, ela se rompe. E é isso o que causa o tremor.

Este abalo sísmico é um dos mais fortes já registrados. Houve uma ruptura ao longo da fissura de cerca de 1.000 km de comprimento, e isso gera um deslocamento vertical de cerca de dez metros. O deslocamento no leito marinho gerou este enorme tsunami.


A onda alcança o Sri Lanka
nas fotos de satélite




As primeiras ondas do tsunami na Ásia, registradas do espaço caminhando rumo à costa de Sri Lanka, no dia 26 de dezembro de 2004

Fonte: BBC

~ O Instinto Animal Diante do Perigo ~

Se observássemos a Natureza com mais interesse,
poderíamos nos livrar de muitos males e tragédias.

Todas as histórias extraordinárias sobre o comportamento estranho dos animais antes e durante terremotos, tsunamis e furacões têm levantado novas questões. Será que existe um “sexto sentido” animal?

Muitos cientistas não acreditam neste fato. Apesar de durante séculos o mundo inteiro haver relatado o comportamento anormal dos animais antes dos terremotos ou dos desastres naturais — ratos escapando de prédios, pássaros voando e cachorros latindo durante a noite — os pesquisadores se recusam a acreditar neste fenômeno. Os sismólogos, por exemplo, rejeitam a ideia da sensibilidade animal diante dos fenômenos naturais como os terremotos. A maioria deles argumenta que a evidência chega a ser uma piada. Esses sismólogos não sabem de nada...

No entanto, existem cientistas que admitem a possibilidade dos animais possuírem capacidades sensoriais avançadas que os humanos não têm. Alguns procuram explicações relacionando os sentidos apurados dos animais com estímulos sensoriais microscópicos e invisíveis. Os especialistas explicam que os animais com sentidos altamente desenvolvidos (visão, audição e olfato) reagem mais às mudanças no ambiente do que os humanos.

As pesquisas mostram que muitos peixes são sensíveis a vibrações de baixa frequência e podem detectar o menor tremor. Outros animais são igualmente sensíveis — os elefantes parecem ser capazes de detectar vibrações infra-som na Terra com suas patas. Será que os elefantes que fugiram para as Colinas de Khaolak sentiram os tremores causados pelo terremoto submarino perto de Sumatra?

Um caso de sentido animal aconteceu no ano passado (2006) nas águas do litoral da Flórida, nos Estados Unidos. 14 tubarões galha-preta, eletronicamente marcados, foram observados saindo do seu território em Sarasota — fato inédito durante os quatro anos de monitoramento — aproximadamente 12 horas antes de o furacão Charley fustigar a região. Eles se mantiveram afastados da área por mais duas semanas, antes de voltarem aos seus habitats. Será que estes peixes sentiram a chegada do furacão? Os fatos apontam para uma resposta afirmativa.

No entanto, os críticos não estão convencidos de que este sexto sentido animal sirva de sistema de alerta para os humanos. Eles argumentam que seria muito difícil convencer as pessoas de que a segurança delas depende deste sistema. É improvável que o público em geral leve a sério um alerta de evacuação se as autoridades dissessem: “Todos os elefantes no Zoológico de San Diego estão fazendo barulho com as trombas e fugindo para as colinas”.

— Vários exemplos desses instintos

O historiador grego Diodorus registrou um êxodo de animais dois dias antes do terremoto que destruiu a cidade grega de Helice, em 383 d.C. Testemunhas relataram uma evacuação massiva de ratos, cobras, doninhas, milípedes e minhocas da cidade.

No grande terremoto de Lisboa em 1755, o filósofo alemão Immanuel Kant observou que uma multidão de minhocas foi vista sair do subsolo perto de Cádiz, ao Sul da Espanha, oito dias antes do desastre atingir a cidade portuguesa.

Em 25 de junho de 1966, os moradores da cidade de Parkfield, na Califórnia, Estados Unidos, foram invadidos por cobras cascavéis. Eles não entendiam por que os répteis fugiram das colinas. A resposta chegou dois dias depois quando a área foi atingida por um terremoto.

Na noite anterior ao terremoto de Sylmar, em 9 de fevereiro de 1971, diversas patrulhas policiais descreveram haver visto um grande número de ratos correndo pelas ruas de San Fernando, na Califórnia, Estados Unidos. A polícia também recebeu numerosas reclamações de cachorros latindo e uivando durante várias horas antes que o terremoto acontecesse às 6h01min. É o ser humano sempre reclamando e sempre se dando mal.

Em 28 de fevereiro de 2001, um grupo numeroso de gatos se escondeu sem motivo aparente 12 horas antes de um terremoto — que chegou a 6.8 na escala Richter — atingir a área de Seattle, Estados Unidos. Uma ou duas horas antes, outros animais se comportaram de forma ansiosa ou “enlouquecida”, enquanto alguns cães latiram desesperados antes do terremoto chegar. Até mesmo cabritos e outros animais demonstraram sinais de temor.

Em 22 de fevereiro de 1999, pequenos antílopes fugiram da região montanhosa austríaca do Tyrol para os vales, algo que eles não costumavam fazer. No dia seguinte, uma avalanche devastou a vila austríaca de Galtur no Tyrol, matando dezenas de pessoas.

Durante a Segunda Guerra Mundial, muitas famílias na Grã Bretanha e Alemanha se preveniam dos ataques aéreos observando o comportamento dos seus animais de estimação. Estes sinais de alerta aconteciam quando os aviões inimigos ainda estavam a centenas de quilômetros de distância, muito antes que os animais pudessem ouvi-los. Em Londres, alguns cães podiam até prever a explosão dos foguetes alemães V-2. Estes mísseis eram supersônicos e não podiam ser escutados com antecedência.

Em Khaolak, a 80 quilômetros ao norte de Phuket, na orla marítima de Andaman, na Tailândia, uma dúzia de elefantes que passeavam turistas ficou agitada e começou a fazer sons com as trombas horas antes da chegada do tsunami. Este fato aconteceu aproximadamente na mesma hora em que o terremoto submarino ocorreu fora da linha costeira de Sumatra. Momentos antes de o tsunami atacar, os elefantes fugiram para terras mais altas — alguns escaparam dos seus grilhões — levando com eles quatro turistas japoneses. Um oficial do Parque Nacional de Khaolak (Khaolak National Park) comentou que nenhum animal foi encontrado morto no local — eles tinham fugido para as colinas, ele acredita que os animais do parque ou das proximidades não morreram vítimas do tsunami.

Da mesma forma, na região sudeste do Sri Lanka, no Parque Nacional Yala (Yala National Park), funcionários do local narraram que os animais — tigres, elefantes, búfalos, macacos, entre outros — tinham escapado ilesos, mesmo com o tsunami atingindo a costa ao redor do parque.

No litoral, ao sul da Índia, no Santuário Point Calimere (Point Calimere Sanctuary), grupos de flamingos, que deveriam estar procriando naquela época do ano, fugiram para florestas mais seguras.

Pescadores afetados pelo tsunami da área de Kuala Muda, na Malásia, relataram grandes números de golfinhos nadando muito perto da orla — alguns a 200 m — dois dias antes do tsunami. Os mamíferos marinhos estavam pulando para fora da água, movendo suas caudas, tentando chamar a atenção dos pescadores.

Um fato muito interessante foi contado pelos mesmos pescadores. Eles disseram que três dias antes da chegada do tsunami capturaram vinte vezes a quantidade a que costumavam pescar. É possível que os peixes estivessem se afastando do epicentro do terremoto submarino que se aproximava e que geraria o tsunami.

No entanto, nem todos os animais escaparam ilesos. Grandes tartarugas foram encontradas mortas entre os entulhos da província de Aceh, ao longo da devastada costa da Indonésia.

Que isso nos sirva de lição e passemos a confiar mais, não só na tecnologia, nas máquinas, nos remédios e tudo mais, mas também, e principalmente, na Natureza que nos cerca. Essa é infalível.

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Bibliografia: Agências noticiosas – Arquivo Starnews 2001 – Animal Planet – Fontes diversas.

Além das Palavras

Essas imagens devem ser compartilhadas com tantas pessoas quanto possíveis para que elas tenham uma ideia do que foi esse terrível desastre.

Tsunami – Sri Lanka – 26 de dezembro de 2004


Sistema de Monitoramento por Satélite Sobre Tsunamis
Veja Animação

© Copyright NOOA

Desastres naturais
Animações mostram como se formam e agem os furacões, terremotos e tsunamis. E as grandes catástrofes.
Copyright © Veja Online.


ITIC Tsunami Safety Poster
Depois do terremoto, vem o tsunami.
Ele vai crescendo à medida que avança pelo oceano.
Aí então...

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Fonte: © USA TODAY – Revista Veja – NOOA – DART (Deep-ocean Assessment and Reporting of Tsunamis) – Agências Internacionais – O Globo – Equipe Starnews 2001.

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