O capitão
sentiu que o mar estava recuando, então ele saiu do porto muito rapidamente,
nem nos demos conta sobre o que aconteceria logo em seguida...
Então, alguém
gritou ‘tsunami’. Tentei olhar e o que vi era como uma onda que não chegava
à praia, uma onda que rompia no mar. Não entendi muito bem, pensei que era
uma onda muito forte.
~ Antonia
Paradela ~
Jornalista espanhola
~ Em termos geológicos, o que aconteceu? ~
Milhares de pessoas morreram depois que ondas gigantes provocadas por um tremor
atingiram áreas costeiras no sul e no leste da Ásia. Brian Baptie, um sismólogo da
British Geological Survey, explicou como a onda — ou tsunami — foi criada.
Sumatra, no noroeste da Indonésia, fica na junção das placas tectônicas. A
superfície da Terra é formada por várias placas tectônicas diferentes, e elas estão
todas se movendo.
A placa que fica sob o Oceano Índico está se movendo mais
ou menos para o nordeste, o que faz com que ela se colida com Sumatra. E, na
medida em que a colisão ocorre, a placa do Oceano Índico é pressionada sob
Sumatra e, com a pressão, ela se rompe. E é isso o que causa o tremor.
Este abalo sísmico é um dos mais fortes já
registrados. Houve uma ruptura ao longo da fissura de cerca de 1.000 km de
comprimento, e isso gera um deslocamento vertical de cerca de dez metros. O
deslocamento no leito marinho gerou este enorme tsunami.
A onda alcança o Sri Lanka
nas fotos de satélite
~ O que são tsunamis ~
Starnews 2001 Online Agências Internacionais
A palavra ''tsunami'' quer dizer, em
japonês, ''onda do porto'' (''tsu'' — porto, ancoradouro, e ''nami'' — onda,
mar). Trata-se não de uma única onda, mas de uma série de um tipo especial de
ondas oceânicas, de proporções gigantescas, geradas por
distúrbios sísmicos, em geral terremotos submarinos, e que possui alto poder
destrutivo quando chega à região costeira.
Com devastação e alcance cataclísmicos, a tsunami que varreu a costa de vários países
da Ásia, no dia 26 de dezembro de 2004, foi considerada sem precedentes. A ameaça
que elas representam, porém, assombra várias regiões do planeta.
Tsunamis são séries de grandes ondas que se originam nas profundezas, por
causa de deslocamentos do fundo do mar. Esses deslocamentos podem ser
causados por vulcões, grandes deslizamentos submarinos e, principalmente,
terremotos. Quando o fundo do oceano se desloca, a água acompanha o
movimento.
— Esses grandes terremotos basicamente sacodem o fundo do oceano. É como se
você estivesse movendo a água numa banheira, e aquela onda pode viajar
basicamente através do oceano — descreveu o geofísico Bruce Presgrave, da USGS,
a Vigilância Geológica dos EUA.
Sem obstáculos, a onda gigante varre enormes distâncias. Terremotos no Chile
já provocaram pelo menos uma tsunami no Japão. Elas podem viajar pelo oceano
com velocidades de mais de 800 quilômetros por hora.
As
tsunamis costumam ser desencadeadas por
terremotos ocorridos nas chamadas falhas propulsoras, em que a direção do
deslocamento empurra o fundo do mar e água para cima.
Perto do epicentro, o deslocamento da água pode não ser muito claro, por
causa da profundidade. Quando a tsunami entra na linha costeira, sua
velocidade diminui, mas a altura aumenta. À medida que se aproxima da terra,
com a diminuição da profundidade do mar, a onda se agiganta. Uma tsunami de
alguns centímetros ou metros de altura pode atingir de 30 a 50 metros de
altura na costa, com força devastadora.
No oceano profundo, centenas de quilômetros podem separar os topos das
ondas. Muitas pessoas morreram durante tsunamis depois de voltar para casa,
achando que as ondas tinham acabado.
Para quem está na praia, não há sinais da aproximação. O primeiro indício
costuma ser uma elevação da água, mas não como nas tempestades.
Em 1883, uma tsunami formada depois da erupção do vulcão Krakatoa, entre as
ilhas indonésias de Java e Sumatra, matou 36.000 pessoas. A passagem da
Tsunami foi registrada até no Panamá.
Em julho de 1998, dois terremotos submarinos de magnitude 7 criaram três
tsunamis que mataram pelo menos 2.100 pessoas perto da cidade de Aitape, na
costa norte de Papua Nova Guiné
Como se forma a onda mortal (tsunami)
1. A ruptura causada pelo tremor no leito do mar empurra a água para cima,
dando início à onda.
2. A onda gigante se move nas profundezas do oceano em velocidade altíssima.
3. Ao se aproximar da terra, a onda perde velocidade, mas fica mais alta.
4. Ela então avança por terra, destruindo tudo em seu caminho.
~ Para uma melhor compreensão ~
Erupções vulcânicas injetam toneladas de lava no chão oceânico, gerando ondas gigantes e devastadoras.
Quase sempre, terremotos submarinos deslocam a crosta oceânica, empurrando a massa de água para cima.
Uma bolha de gás surge no fundo do oceano, com o mesmo efeito de uma explosão incomum.
Volcanic eruptions inject tons of wash in the oceanic soil, generating giant and devastating waves.
Almost always, submarine earthquakes dislocate the crust oceanic, pushing the water mass for top.
A gas bubble appears in the deep one of the ocean, with the same effect of an uncommon explosion.
~ As piores tsunamis da história ~
Data
Local
Mortes (estimativa)
Causa
1692
Port Royal, Jamaica
Milhares
Terremoto
1707
Japão
30.000
Terremoto
1737
Cape Lopatka,
Península Kamchatka, Rússia
Desconhecido
Ondas com 64m de
altura geradas por terremotos
1755
Lisboa, Portugal
10.000 - 60.000
Ondas com 6-15m de altura gerado por
terremoto
1835
Talcahuano, Chile
Desconhecido
Terremoto em Concepión
1868
Arica, Chile
Milhares
Ondas de 15m geradas por terremoto
1883
Krakatoa, Indonésia
36.000
Erupção vulcânica
1896
Honshu, Japão
27.000
Terremoto, destruiu 280km na linha
costeira
1933
Sanriku, Japão
2.990
Terremoto
1946
Hilo, Hawai
150-190
Terremoto no Alaska
1958
Lituya Bay, Alasca
3
Terremoto causado por uma gigantesca
placa de gelo e rocha caída de um glaciar; um gigantesco
deslizamento formou a tsunami
1960
Chile
450
Série de terremotos
1976
Mindanao, Filipinas
8.000
Terremoto
1979
Nice, França
23
2 tsunamis, com uma
semana de intervalo, geradas por deslizamentos submarinos
1992
Nicarágua
100
Terremoto formou uma série de ondas 11m
de altura
1993
Japão
120
Terremoto submarino
gerou ondas de 5m de altura
1994
Java, Indonésia
200
Terremotos causaram uma série de ondas
de mais de 60 metros de altura
1998
Papuá, Nova Guiné
3.000
Terremoto
2004
Sul e sudeste da Ásia
Mais de 55 mil
Terremoto submarino
Saiba mais
sobre algumas delas
1755 -
Um terremoto seguido de maremoto encurralou os moradores
de Lisboa, matando cerca de 15 mil pessoas
1883 -
Mais de 30 mil pessoas morreram devido a um tsunami
causado pela erupção do vulcão Kracatoa em Java,
Indonésia. A passagem da Tsunami foi registrada até no
Panamá.
1896 -
Uma única onda engoliu aldeias inteiras e matou 26 mil
habitantes na região de Sanriku, no Japão.
1946 -
Um terremoto nas ilhas Aleutas enviou um tsunami para o
Havaí, onde matou 159 pessoas. A onda alcançou o Alasca,
onde morreram mais cinco pessoas.
1964 -
Um terremoto no Alasca ativou uma onda de quilômetros de
extensão e 8 metros de altura, que causou 120 mortes e
chegou até o litoral da Califórnia.
1983 -
No Japão, 104 pessoas morreram devido ar um tsunami
provocado por um terremoto próximo que chegou a 7.7 pontos
na escala Richter.
1998 -
Um terremoto em Papua, Nova Guiné, chegou a 7,1 graus na
escala Richter. Minutos depois, gerou uma onda de 7 metros
de altura que matou 3 mil pessoas e destruiu quatro
povoados.
2004 -
Mais de 55 mil pessoas morreram depois que um violento
tremor sob o mar perto do norte da Indonésia enviou
enormes ondas para as regiões costeiras do sul e sudeste
da Ásia. O terremoto, que atingiu 9 pontos na escala
Richter, foi o mais intenso registrado nos últimos 40
anos. Muralhas de água, com mais de dez metros de altura,
arrasaram construções e arrastaram pessoas em toda a
região. Foram registradas enchentes e uma elevação do
nível do mar até no leste da África. Locais atingidos: em
Bangladesh, Índia, Indonésia, Quênia, Malásia, Mianmar,
Somália, Sri Lanka, Tanzânia e Tailândia.
~ Zona de perigo ~
Milhares de pessoas morreram depois que um violento tremor sob o mar perto
do norte da Indonésia enviou enormes ondas para as regiões costeiras do sul
e sudeste da Ásia.
A Indonésia está sujeita a abalos sísmicos por causa de sua proximidade com
o "Círculo de Fogo"
— uma área em volta do Pacífico onde as placas
tectônicas se encontram e há vulcões ativos.
— Pesquisadores brasileiros
afirmam que o Brasil está livre desse fenômeno... Todavia, isso não significa
que estamos totalmente seguros, considerando também a nossa proximidade
do chamado "Cinturão de Fogo" (veja mapa acima). Os tremores de terra
registrados no nordeste, principalmente no Ceará e Rio Grande do Norte,
chamados de "acomodações de terra" (explicação disfarçada para não causar pânico), na verdade,
são abalos sísmicos, ou seja, pequenos terremotos. Assim sendo, esses
cientistas devem se aprofundar mais nas pesquisas sobre o assunto, para que
não sejamos pegos de surpresa... A natureza é imprevisível.
~ Cientistas querem decifrar ondas ~
Kenneth Chang Do New York Times
NOVA YORK. Terremotos de grande magnitude ocorrem a cada um ou dois anos.
Tsunamis catastróficas, como a que ocorreu em 26 de dezembro, são menos
freqüentes. Mas algumas das maiores ondas gigantes se originam em locais que, à
primeira vista, não parecem muito ameaçadores e, por isso, podem pegar os
especialistas de surpresa.
— Foi algo que não conseguimos prever — afirmou Costas Synolakis, professor de
engenharia civil da Universidade do Sul da Califórnia.
Segundo Synolakis, os especialistas querem agora examinar melhor o Oceano Índico
em busca de indícios geológicos de tsunamis do passado na região para que os
cientistas possam ter previsões mais acuradas do fenômeno.
A observação da destruição causada também ajudará a alimentar modelos de
computador sobre o terremoto — o primeiro com nove graus de magnitude em 40 anos
— que produziu as tsunamis. Um terremoto de intensidade semelhante ocorrido em
1700 no Oceano Pacífico produziu ondas gigantes numa ampla região e sismólogos
acreditam que o fenômeno deve se repetir. A questão é saber quando, já que as
tsunamis são apontadas como um dos mais misteriosos desastres naturais.
Existem sistemas de alerta no Pacífico e planos de emergência em diversos países
da região — onde ocorrem 90% das tsunamis —, situação bem diferente da do Oceano
Índico. Desde 2001, seis instrumentos chamados de tsunâmetros estão instalados a
profundidades que variam de quatro a seis quilômetros de profundidade e
conseguem detectar alterações na pressão da água quando a onda passa sobre o
equipamento. Ao detectar algo, o aparelho envia um sinal por ondas sonoras para
uma bóia na superfície, de onde é direcionado para um satélite e, finalmente,
para centros de alerta contra tsunamis no Havaí e no Alasca. O processo todo
leva dois minutos.
Tsunâmetros impediram um alerta falso
Até agora, não ocorreu nenhuma tsunami significativa no Pacífico para que os
equipamentos as detectassem, mas eles impediram um alarme falso em novembro de
2003. Naquela ocasião, um terremoto de magnitude 7,8 foi registrado perto das
Ilhas Aleutas, levando especialistas a divulgar um alerta contra tsunamis. Mas,
quando as ondas passaram sobre o tsunâmetro, os cientistas constataram que eram
pequenas e cancelaram o alerta.
Muito pouco se sabe também sobre o impacto de tsunamis em terra firme. Um grupo
de cientistas internacionais partiu ontem para a Índia especialmente para
analisar os efeitos das ondas na região costeira. Em especial, os especialistas
querem determinar a altura das ondas ao arrebentar na costa.
— Em alguns casos, poderemos ver isso por marcas deixadas em árvores — afirmou Harry Yeh, professor de engenharia oceânica da Universidade do Estado de Oregon
e um dos enviados à Índia, lembrando que eles também pretendem estudar marcas
deixadas em muros e paredes, além de coletar testemunhos de sobreviventes.
Megatsunami atingiria
o Brasil
MADRI. Um estudo controverso realizado por cientistas da Universidade da
Califórnia sustenta que uma erupção vulcânica nas Ilhas Canárias poderia
provocar as maiores tsunamis já registradas, com mais de 50 metros de altura,
que atingiriam o Brasil, além de EUA e África.
Segundo o estudo, a erupção do vulcão Cumbre Vieja poderia lançar uma rocha do
tamanho de uma ilha no Atlântico, numa velocidade de até 350 quilômetros por
hora, gerando as megatsunamis.
Muitos especialistas, entretanto, contestam o estudo, que acham exagerado. As
rochas lançadas podem ser bem menores e uma nova erupção pode levar até milhares
de anos.
Nossa opinião: Sobre esse
último parágrafo, afirmamos com certeza, que é por causa da negligência de
muitos que somos pegos de surpresa. Nenhum estudo, nenhum cálculo científico
é seguro e definitivo, considerando que a Natureza é imprevisível.
Estudo sugere que 'ondas-monstro'
são mais comuns do que se imaginava
LONDRES — A tempestade de 16 de abril de 2005 não
parecia especialmente violenta e os dois mil passageiros do Norwegian Dawn estavam
despreocupados. Mas, de repente, ao largo da costa da Geórgia, uma gigantesca onda,
da altura de um prédio de sete andares, apareceu do nada. Ela estourou no convés,
jogou cadeiras e mesas à distância, espatifou janelas, alagou 62 cabines e semeou o
pânico.
— O navio parecia uma rolha numa banheira — relembra a passageira Celestine
Mcelhatton.
Ondas enormes no meio do oceano, chamadas de ondas-monstro, por muitos anos
foram consideradas raridades ou mesmo lendas do mar. Mas cientistas descobriram
que elas são mais comuns e destrutivas do que se imaginava. Novos estudos
estimam que, a cada instante, pelo menos dez ondas-monstro estejam estourando
nos mares do mundo.
Hoje, há uma série de estudos sobre o fenômeno para tentar entender melhor
como essas ondas se formam, descobrir se é possível prevê-las e desenvolver
novas tecnologias para proteger navios e passageiros de seu impacto.
Nas últimas duas décadas, se suspeita que ondas-monstro tenham afundado
dezenas de grandes navios, matando centenas de pessoas.
— Nunca encontrei e espero nunca encontrar um monstro desses — afirmou o
cientista alemão Wolfgang Rosenthal, que colaborou com a Agência Espacial
Européia no pioneiro estudo de tentar rastrear tais ondas por satélite. — Elas
são mais freqüentes do que esperávamos.
Em tamanho e alcance essas ondas são muito diferentes das tsunamis causadas
por terremotos — que se formam vagarosamente, são quase invisíveis em alto mar,
e só ganham altura no momento de estourar na costa.
— Sabemos que essas grandes ondas não ocorrem em águas rasas — afirmou David
Wang, do Laboratório de Pesquisa Naval da Marinha Americana. — É uma limitação
física.
Ondas-monstro alcançariam alturas de pelo menos 25 metros e, de acordo com
estimativas, poderiam chegar a inacreditáveis 66 metros — mais do que a Estátua
da Liberdade, por exemplo. Até agora, no entanto, nada desse tamanho foi
registrado. A maior onda já medida tinha 30 metros de altura.
Grandes ou pequenas, as ondas se formam quando o vento sopra sobre o mar
aberto. Força, duração e tipo do movimento do vento vão determinar o tamanho das
ondas. Estudos apontam que as ondas-monstro se formam no encontro de várias
ondas, sobretudo em tempestades.
Essas imagens devem ser compartilhadas com tantas pessoas quanto possíveis para que elas tenham uma idéia do que foi esse terrível desastre.
LUTA PELA VIDA 1. O momento em que o tsunami invade a praia de
um hotel, fotografado pelo turista alemão Hellmut Issels, que estava
de férias na ilha de Phuket, na Tailândia; 2. As águas arrastam
cadeiras e cabanas da praia; 3. Em poucos segundos, o gramado do hotel
ficou coberto pela água; 4. Um turista que estava olhando para o mar,
entre as árvores, não teve tempo de fugir e a onda o levou; 5. Pouco
depois desta foto, outro turista consegue puxá-lo para a sacada do
hotel; 6. O terreno do hotel ficou totalmente inundado, mas por pouco
tempo
Tsunami – Sri Lanka – 26 de dezembro de 2004
Sistema de Monitoramento por Satélite Sobre Tsunamis
Veja Animação