Portal Starnews 2001

Ainda está em tempo de salvar a Amazônia

Rio de Janeiro —

Um alerta mundial
O apocalipse já começou...

Não é só o perigo de terremotos que podem ocasionar maremotos (tsunamis), mas também o aquecimento global que permitiria uma mudança abrupta e catastrófica no clima do planeta. Uma conseqüência disso é o derretimento das calotas polares, que adiciona uma quantidade enorme de água doce nos oceanos e rompe o equilíbrio das correntes que estabilizam nossos sistemas climáticos. Então uma série de fenômenos meteorológicos cada vez mais graves começariam a ocorrer pelo globo terrestre, como por exemplo, furacões com recordes de velocidades, e uma série de tornados arrasadores, seguidos de ondas gigantescas que destruiriam cidades inteiras...

Nosso planeta vem se aquecendo gradualmente desde o fim da última Idade do Gelo, há 10.000 anos. As temperaturas costumavam subir de forma constante em cerca de um quarto de grau a cada 1.000 anos. Até recentemente...

Nos últimos 100 anos, as temperaturas subiram o dobro disso. E como se isso não fosse suficientemente alarmante, todos os dias mais quentes ocorreram na última década. Os especialistas prevêem que as temperaturas devem subir até 6 graus centígrados neste século — um aumento que poderá trazer conseqüências devastadoras.

Os termos “aquecimento global” e “efeito estufa” somente chegaram às manchetes dos jornais na década de 80. Cientistas especializados em meio-ambiente que trabalhavam no Havaí descobriram que a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera aumentou em 8% entre os anos 1959 e 1983.


Emissões industriais aumentam o efeito estufa
e contribuem para o aquecimento global.

Os cientistas concluíram que os gases danosos expelidos pelos carros, indústrias e nas fazendas eram a raiz do infortúnio do nosso planeta. Mas o aquecimento global e o efeito estufa são essenciais para a vida na terra.

Enquanto o sol aquece a terra, alguns gases na atmosfera agem como o vidro em uma estufa — eles contêm o calor e mantêm o planeta aquecido o suficiente para que possa haver vida. Sem esses gases, a temperatura cairia para congelantes -18º C. O problema só aparece quando mudanças sutis ameaçam o equilíbrio.

O aumento das concentrações de vapor d’água, CFC, gás metano e dióxido de carbono está causando danos ao nosso meio-ambiente. O aumento da quantidade desses gases, conhecidos coletivamente como “gases de efeito estufa”, acaba isolando a Terra e evitando que o calor escape. Isso leva as temperaturas globais a aumentarem a níveis alarmantes.


Perigo real e imediato

Desde que a era das fotografias espaciais começou, há quarenta anos, uma nova e prodigiosa imagem se formou no arquivo mental da humanidade sobre o que é o planeta no qual vivemos. Do nosso ponto de vista no universo, provavelmente não existe nada que se compare à beleza desta vívida esfera azul, brilhando na imensidão do espaço, água e terra entrelaçadas num abraço eterno, envoltas num cambiante véu de nuvens. O que as fotos não mostram, mas sabemos existir mais abaixo, é igualmente de arrepiar. A luxuriante diversidade da vida espalhada por florestas, montanhas, desertos, oceanos, rios, vibrando num diapasão constante que evoca uma história de 3,5 bilhões de anos, desde as bactérias primevas até tudo o que respira, exala, anda, rasteja, suga, fotossintetiza-se, multiplica-se e replica-se, neste momento exato, em nosso planeta. Além de tudo cuja existência conhecemos, ainda há o que apenas supomos. "A totalidade da vida, conhecida como biosfera pelos cientistas e criação pelos teólogos, é uma membrana tão fina de organismos que envolve a Terra que não pode ser vista a partir de uma nave espacial, porém internamente é tão complexa que a maior parte das espécies que a compõem está por ser descoberta", escreveu, numa tentativa de síntese da grandiosidade do fenômeno, Edward O. Wilson, o grande biólogo americano.

Wilson está entre os cientistas de vulto que clamam insistentemente pela atenção da humanidade para o perigo real e cada vez mais imediato para a sobrevivência de nós mesmos, que podemos ser arrastados num paroxismo de autodestruição, levando conosco as formas mais complexas de vida. Claro, sempre sobrarão as baratas...

Até recentemente, era comum falar em ameaças que poderiam afetar a vida de nossos netos — uma perspectiva bastante incômoda, mas sem a premência dos desastres iminentes. Hoje, até a palavra ameaça ficou superada. Os fenômenos deletérios estão em andamento e muitos de seus efeitos serão sentidos ainda dentro da expectativa de vida de boa parte da humanidade. Propaga-se, por exemplo, a noção de que está em curso a sexta extinção em massa. As cinco anteriores conhecidas pela ciência deixaram registros geológicos concretos. A maior aconteceu há 250 milhões de anos; a mais conhecida, a que extinguiu os dinossauros, há 65 milhões. Extinções, evidentemente, fazem parte da história da Terra — menos de 10% das espécies que em algum momento existiram continuam a ter um bilhete no ciclo da vida do planeta. A taxa de extinção considerada normal é de uma espécie em 1 milhão por ano; a atual gira em torno de 1.000 por ano entre espécies conhecidas e ainda não catalogadas. O aquecimento global tampouco é apenas uma hipótese no horizonte do médio prazo. Todas as grandes geleiras do planeta vêm diminuindo, os oceanos estão se tornando mais quentes, animais mudam suas rotas migratórias, a diferença de temperatura entre dia e noite cai. Os níveis de dióxido de carbono são os mais altos dos últimos 420.000 anos. Se as emissões continuarem, atingirão um estágio que ocorreu pela última vez no Eoceno, há 50 milhões de anos.

As previsões catastrofistas sobre o futuro da humanidade têm sido desacreditadas desde que Thomas Malthus escreveu seu Ensaio sobre o Princípio da População, no fim do século XVIII, prevendo uma superpopulação avassaladora. Ridicularizar os profetas do pessimismo freqüentemente se revela um exercício saudável. A capacidade de adaptação humana, somada aos vertiginosos avanços do conhecimento no último século, desmentiu mais de um cenário apocalíptico. Mas hoje pouca gente está para brincadeiras. Um levantamento recente de trabalhos científicos sobre as mudanças climáticas mostrou que 75% endossavam a hipótese do aquecimento global — os outros 25% foram considerados neutros, pois analisavam métodos e procedimentos. Quando tratam dos efeitos das transformações em curso, alguns estudiosos usam palavras que parecem saídas de obras de ficção científica. "Acredito que as chances de nossa civilização na Terra sobreviver até o fim do século presente não passam de 50%", escreve o cientista inglês Martin Rees, professor de cosmologia em Cambridge, no livro Hora Final. Mesmo quando pende para um lado mais conservador, Rees pinta um quadro de amargar: "As mudanças globais — poluição, perda de biodiversidade, aquecimento global — não têm precedentes em sua velocidade. Ainda que o aquecimento global aconteça na ponta mais lenta do espectro provável, suas conseqüências — competição por suprimentos de água e migrações em ampla escala — podem engendrar tensões desencadeadoras de conflitos internacionais e regionais, sobretudo se eles forem excessivamente alimentados por crescimento populacional contínuo."

A capacidade humana de alterar o planeta em escala geológica atingiu tal ponto que o cientista holandês Paul Crutzen propõe que a época atual, Holoceno, iniciada há apenas 10.000 anos, já acabou. Vivemos, diz ele, em pleno antropoceno — e isso começou no fim do século XVIII, com a invenção da máquina a vapor, desencadeadora do processo que mudou a face da Terra. A vaga de alarmismo que permeia o mundo no momento é tamanha que permite perguntas altamente incômodas. Em escala cosmológica, qual seria a importância do desaparecimento dos humanos da Terra (ainda que levassem, em sua irresponsabilidade genocida, uma enormidade de espécies consigo)? Mais ainda: o mecanismo de autodestruição não está embutido na própria espécie, para barrar sua propagação virulenta e descontrolada, e entrou em ação justamente num momento crítico?

Fazer perguntas para as quais não se tem respostas é próprio da espécie humana. Podemos, no entanto, conjeturar. Uma resposta possível à primeira pergunta é que a importância provavelmente é nenhuma. Mesmo que o surgimento de vida inteligente e consciente tenha resultado de uma cadeia de eventos tão improvável que tenha acontecido uma única vez — aqui mesmo, na nossa magnífica esfera azul —, a extinção da espécie humana, por mais inominável que nos pareça, não significa o fim da vida. À segunda pergunta, só podemos responder que, como não estaremos aqui para saber se a hipótese se confirma, temos a obrigação de trabalhar com a idéia contrária: não estamos programados para a extinção, ou pelo menos não agora. A vida começou na Terra há cerca de 3,5 bilhões de anos e ainda há 6 bilhões pela frente antes que o sol incinere a Terra. Cerca de 60 bilhões de seres humanos já viveram antes de nós. Seria demais deixar um desaparecimento catastrófico acontecer justo no nosso turno.

Fonte: Revista Veja, ed. 1926 — 12 de outubro de 2005


O tamanho da destruição no Brasil

  • O Brasil perdeu 36% de sua cobertura vegetal desde o descobrimento
  • A área de cultivo de soja em Mato Grosso avança a um ritmo 3 vezes mais rápido que há quinze anos, substituindo a vegetação nativa
  • 200 000 queimadas são identificadas por satélites no Brasil por ano
  • 24,5 milhões de metros cúbicos de árvores foram derrubados na Amazônia em 2004
  • 60% dessa madeira ficou abandonada na floresta, apodrecendo
  • 75% das emissões de gás carbônico do Brasil vêm das queimadas na Amazônia, o que coloca o país entre os cinco maiores poluidores do mundo
  • Desde 1990, o número de cabeças de gado aumentou 144% na Amazônia, 4 vezes mais do que no restante do país

  • Mais seca e menos gelo no mundo

    WASHINGTON – Duas pesquisas anunciadas no 2 de março de 2006, revelam novos sinais de que o aquecimento global já influencia de forma significativa o clima do planeta. Imagens de satélites mostraram alterações na cobertura de gelo da Antártica e nos desertos da África. Enquanto o gelo está em retração, as areias dos desertos avançam.

    Os estudos foram publicados na revista americana "Science". Segundo um deles, a Antártica já perdeu uma parte importante de sua camada de gelo. O continente gelado guarda cerca de 90% da água doce do planeta em suas geleiras. Por isso, o degelo de parte delas pode ter impacto significativo no nível dos oceanos.

    Além disso, a Antártica influencia fortemente o clima do planeta e qualquer mudança já pode ter impactos em toda parte. O clima da América do Sul, por exemplo, é influenciado pelas frentes frias originárias do continente gelado.

    A pesquisa sobre a Antártica foi realizada por cientistas da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos. Eles analisaram imagens e informações obtidas por dois satélites da Nasa.

    Os satélites estão em órbita desde 2002 e medem variações, mesmo as mais sutis, na massa e na gravidade terrestres. Eles podem medir, por exemplo, alterações regionais no campo gravitacional provocadas pelo deslocamento de camadas de gelo, dos mares e da água contida na plataforma continental.

    De acordo com o estudo, a perda na Antártica chega a 150 quilômetros cúbicos de gelo ao ano. Para se ter uma idéia do que isso representa, uma cidade grande como Los Angeles utiliza o equivalente a 4,1 quilômetros cúbicos de água a cada ano. Cerca de 98% da Antártica são cobertos por gelo e essa camada alcança uma profundidade média de dois quilômetros.

    — Essa é a primeira pesquisa a indicar que a camada de gelo na Antártica sofre uma importante redução — disse a coordenadora do estudo, Isabella Velicogna, do Instituto de Pesquisa em Ciências Ambientais da Universidade do Colorado.

    O estudo analisou dados de 2002 a 2005. A maior parte do degelo aconteceu na oeste da Antártica.

    — O clima da Antártica é sensível a mudanças no mar e no interior do continente. É um bom indicador de alterações relacionadas ao aquecimento global — afirmou Isabella Velicogna.

    Na África, o problema é a intensificação das secas. Chove cada vez menos em áreas já sujeitas à desertificação. Em conseqüência, as savanas e florestas perdem espaço para a areia dos desertos, deixando rios, lagos e aqüíferos altamente vulneráveis.

    Uma pesquisa da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, indicou que a África deve enfrentar uma escassez de água generalizada nas próximas décadas. As conseqüências serão catastróficas, com o aumento da miséria em áreas já castigadas pela pobreza.

    — As mudanças que vemos agora terão impacto devastador — disse o chefe do estudo, Maarten de Wit.


    Não é só tsunami que traz perigo

    Brasil: subida do mar ameaça causar catástrofe

    Muito se fala sobre a elevação do nível dos mares causada pelo aquecimento global. Bangladesh será inundado. Nova York, alagada. Mas o impacto previsto para o Brasil é pouco discutido. Uma pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), porém, traz dados brasileiros e um cenário de destruição. Cumpridas as previsões de elevação do mar publicadas mês passado pela revista “Science”, a Ilha de Marajó seria reduzida quase à metade. O mesmo destino teriam outras áreas do Brasil, como Santos e Atafona (norte do Estado do Rio), que compartilham muito da geologia de Marajó.

    Efeitos começariam a ser sentidos em décadas

    É uma tragédia climática que pesquisadores dizem ser provável ocorrer não em séculos, mas em décadas. Alguns efeitos seriam percebidos em 25 anos, apenas uma geração. A distinção entre ser provável e poder acontecer parece sutil. Mas faz toda a diferença, dizem cientistas. Há agora dados de satélites mais confiáveis sobre a progressão do degelo da Groenlândia e da Antártica Ocidental. Se ambas derreterem, despejarão água suficiente para aumentar em cinco ou seis metros o nível dos mares. E a projeção de cientistas da Universidade do Arizona (EUA), autores da pesquisa na “Science”, é que isso ocorra até o fim do século, pois o nível dos mares sobe mais depressa do que o imaginado.

    A pesquisa sobre a Ilha de Marajó foi realizada por pesquisadores da Divisão de Sensoriamento Remoto do Inpe. Eles escolheram Marajó porque tinham dados consolidados sobre características geológicas e ecológicas da ilha, situada na foz do Rio Amazonas, no Pará. Além disso, a ilha tem altitude baixa, em sua maior parte inferior a quatro metros.

    Marajó é uma gigante com 48 mil quilômetros quadrados, a maior ilha fluvial-marítima do mundo. Maior, por exemplo, do que o Estado do Rio, que não chega a 44 mil quilômetros quadrados.

    Segundo a simulação do Inpe, dois metros de elevação do Oceano Atlântico serão suficientes para alagar 28% da ilha. Se o aumento chegar a seis metros, 36% de Marajó desaparecerão sob as águas.

    — Todo um ecossistema desaparecerá. Marajó tem ainda um rico patrimônio arqueológico, uma herança de milhares de anos. A perda será dramática — disse Oton Barros, um dos autores do estudo, feito em colaboração com Márcio de Morrison Valeriano e Paulo Roberto Martini. Os cientistas usaram ainda dados de pesquisa realizada por Dilce de Fátima Rossetti, também do Inpe.

    O grupo fez simulações computacionais e análises baseadas em imagens do satélite Landsat e do SRTM (Shuttle Radar Topographic Mission), da Nasa, um radar topográfico). Foi possível fazer a simulação porque a cobertura vegetal de Marajó é esparsa e não há urbanização. Barros explica que o método usado não é adequado a cidades ou florestas densas. De acordo com os pesquisadores, Marajó sofrerá uma rápida transformação, assim que o mar começar a subir em ritmo mais acelerado.

    — Nosso grupo acompanha há algum tempo catástrofes naturais e quando a pesquisa da “Science” foi publicada, achamos que era necessário analisar o que ocorreria no Brasil. Estudos como esse podem estabelecer cenários e ajudar na prevenção de desastres — diz Barros.

    O pesquisador lembra que há poucos dados disponíveis e que países costeiros, como o Brasil, enfrentarão conseqüências econômicas graves. Por terem uma geologia parecida, Santos e Atafona — essa última já às voltas com a erosão costeira — poderiam receber um impacto semelhante ao de Marajó.

    Grandes cidades à beira-mar, como o Rio de Janeiro, não foram analisadas. Mas Barros observa que não é difícil imaginar que áreas baixas, como as do entorno da Baía de Guanabara, correm risco.

    — As áreas mais pobres são as que mais sofrerão. O mar poderá cobrir, por exemplo, a Favela da Maré — diz ele.

    O mar poderá ir cada vez mais longe. Inundações antes raras e associadas apenas a ressacas violentas e marés excepcionalmente altas poderão se tornar corriqueiras.

    — Se o mar subir de forma drástica, o mundo todo sofrerá e o Brasil não será exceção — afirma.


    Cidades ao redor do mundo apagam as luzes pelo clima

    Evento criado por ONGs é protesto contra aquecimento global.

    Veja matéria >>

    Notícias em destaque:

  • Elevação do nível dos oceanos ameaça o Brasil, dizem especialistas
  • Aquecimento dos mares cria furacões mais fortes
  • Groenlândia está derretendo mais depressa, diz pesquisa
  • Especial da Revista Veja - Edição 1961, 21 de junho de 2006

  • Salvar nossos oceanos

    O Homem e a Natureza (Gibran Kahlil Gibran)
    A cada dia que passa a Natureza vem sofrendo um
    processo de destruição em ritmo acelerado. Gibran,
    com percepção e sensibilidade já previra essa catástrofe
    há muitos anos atrás ao escrever um texto primoroso:
    "O Homem e a Natureza".

    – União Internacional para a Conservação da Natureza

    Preserve a Natureza
    Preserve a Natureza


    2010 Ano Internacional da Biodiversidade

    Veja - Aquecimento Global


    É mais verdade que ficção...




    Cenas do filme: O Dia Depois de Amanhã.
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    WWF-Brasil. Cuidando do ambiente onde o bicho vive. O bicho-homem.

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