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TITANIC

1912 – CENTENÁRIO DO TITANIC – 2012

~ A Última Viagem ~

O Titanic provia de algumas das mais avançadas tecnologias disponíveis da época e foi popularmente referenciado como "a prova de afundamento" — na verdade, um folheto publicitário de 1910, da White Star Line, sobre o Titanic, alegava que ele fora "concebido para jamais afundar". Foi um grande choque para muitos que, apesar da tecnologia avançada e experiente tripulação, o Titanic ainda afundou com uma grande perda de vidas humanas. Os meios de comunicação social sobre o frenesi de vítimas famosas do Titanic, as lendas sobre o que aconteceu a bordo do navio, as mudanças resultantes do direito marítimo, bem como a descoberta do naufrágio em 1985 por uma equipe liderada por Robert Ballard fizeram a história desse legendário navio persistir famosa desde então.



~ O Naufrágio do Titanic ~

– Ilustração mostra a cena dramática do naufrágio e do resgate nos pequenos botes

Majestoso como os Titãs da mitologia grega. Insubmergível diziam os jornais da época. Assim foi o lançamento do Titanic, em 10 de abril de 1912, quando o navio da companhia White Star Line realizou sua viagem inaugural de Southampton (Inglaterra) rumo a Nova Iorque. A previsão para alcançar a cidade americana era uma semana, no dia 17. Antes de rumar definitivamente para o outro lado do Atlântico, o Titanic aportou em Cherbourg, na França, e Queenstown, Irlanda, onde ainda embarcaram passageiros.

Considerado o símbolo da tecnologia do século XX, o Titanic batia todos os outros grandes barcos dos anos 20 com seu luxo e estrutura. Medindo 270 metros de comprimento, o navio tinha, entre outras coisas, campos de squash, piscina, sala escura para fotógrafos e elevadores. O famoso restaurante, chamado de 'Café Parisiense', era decorado ao estilo jacobino, com colunas douradas e objetos de prata finamente fabricados. O barco estava equipado, também, com o sistema Marconi, a mais nova forma de comunicação sem-fios da época.

O navio zarpou com 2.227 pessoas a bordo entre homens, mulheres e crianças, sob o comando do experiente capitão Edward J. Smith, que realizaria sua última viagem antes de se reformar. Os passageiros da terceira classe eram, na maioria, imigrantes que iam para a América em busca de uma chance de trabalho ou fugindo de um passado difícil em seus países.

– O Capitão Edward J. Smith

Após a última parada em Queenstown, o navio seguiu viagem pelos mares do Atlântico. Para passar o tempo, alguns passageiros se divertiam dançando ao som da banda, outros faziam apostas sobre a data de chegada a Nova Iorque.

A viagem transcorreu calma durante os quatro dias. Mesmo recebendo avisos de outros navios sobre a existência de icebergs pelo caminho, o capitão Smith não se importou e dizia que o navio era grande demais para ser abatido por um iceberg. Ao contrário, a embarcação continuou navegando em sua velocidade máxima (40km/h) porque, além de ser chamado o mais luxuoso e indestrutível navio existente, os construtores queriam também que ele fosse considerado o mais rápido. Para tanto, deveria alcançar Nova Iorque em menos de uma semana, tempo previsto para a chegada.

Na noite do dia 14 de abril, o comandante Smith já tinha ido dormir e pedira ao 1º oficial, William Murdoch, que assumisse o seu posto e o avisasse de qualquer imprevisto que ocorresse. Por volta de 23h40, o sino do cesto dos vigias tocou três vezes, indicando que algo estava no caminho do Titanic. Murdoch conseguiu ver que surgia à frente do navio uma massa escura de gelo. A ordem foi que se virasse ao máximo a estibordo e se fizesse marcha à ré a toda potência. Entretanto, a medida não foi suficiente para evitar o encontro entre o barco e o iceberg. Parte da massa de gelo arranhou o casco da embarcação sob a linha de água, abrindo pequenos cortes e buracos em seis compartimentos estaques da proa, que foram invadidos pela água.

Um dos construtores do Titanic, Thomas Andrews, que estava à bordo, calculou os estragos causados pelo choque e constatou que o navio tinha duas horas antes de afundar totalmente. Com a inclinação do navio, todos os compartimentos foram tomados pela água, tornando o naufrágio uma certeza matemática e inevitável. O capitão Smith ordenou aos radiotelegrafistas o envio de mensagens de socorro e iniciou os preparativos para que os passageiros abandonassem o navio nos barcos de salvamento. Entretanto, haviam apenas 20 botes que, em sua capacidade máxima, poderiam levar 1.178 pessoas. O número de barcos não foi maior porque os proprietários julgavam que colocar mais deles comprometeria a beleza e o conforto do Titanic.

O desespero de tentar se salvar fez com que os primeiros botes saíssem sem a sua capacidade total. Ao final, apenas 706 passageiros conseguiram se salvar. Às 2h20 da manhã do dia 15 de abril, o Titanic submergiu completamente. Os sobreviventes foram resgatados pelo navio Carpathia, da Cunard (que se transformaria na maior rival da White Star Line e a absorveria, tempos depois).


~ O Retorno do Titanic ~

– DEGRADAÇÃO
Proa arqueada pelas marés

Em 1986, o oceanógrafo americano Bob Ballard surpreendeu o mundo ao mostrar as primeiras imagens do Titanic naufragado, a 3.658 metros de profundidade no Atlântico Norte, perto da Ilha de Terra Nova, no Canadá. Na última semana, no comando da expedição submarina mais tecnológica da História, Ballard retornou aos escombros e emergiu estarrecido: grande parte do tesouro do navio, registrado em fotos e vídeos há 18 anos, desapareceu. Da embarcação de 46.000 toneladas sumiram peças, ornamentos, baús contendo joias e até mesmo uma placa de bronze colocada por Ballard no fundo do mar na primeira expedição. 'Não foi a maré que levou nem o sal que decompôs, foi o homem que arrancou', garantiu ele a uma revista. Sinais de arrombamento e ferros retorcidos são provas físicas de que os objetos foram violentamente retirados da embarcação. 'A ação do homem consegue ser predatória até debaixo d'água', lamentou o explorador, ainda no Noaa, navio de pesquisas da Agência Americana de Controle Oceânico e Atmosférico, entidade que luta pela preservação do que restou.

Desde que Ballard identificou o local exato do naufrágio e publicou as coordenadas, mais de 50 expedições foram visitá-lo. Esses exploradores, no entanto, queriam mais que imagens emblemáticas do que já foi o mais luxuoso e moderno transatlântico da História. Desejavam uma prova material — uma peça de roupa de valor simbólico ou, com um pouco de sorte, joias que pertenceram aos viajantes. 'Pescar uma lembrancinha do Titanic passou a ser uma prática comum', assinalou Ballard.

– VIOLÊNCIA
Cisão no convés foi causada pelo choque com iceberg gigante
– VESTÍGIOS
Poucos objetos, como a bota acima, resistiram à ação do homem

O retorno ao transatlântico que se chocou com um iceberg em abril de 1912 mostrou também que as forças da natureza vêm colaborando para o fim precoce do Titanic. Os escombros estão em estágio avançado de decomposição, bem mais que o esperado para seus 92 anos de submersão. A causa, além da ação predatória dos homens, seriam microrganismos marinhos ainda desconhecidos.

Bob Ballard chegou a essa conclusão depois de comparar imagens atuais com as feitas em 1986. Para isso, o explorador contou com a ajuda de três robôs: o Pequeno Hércules, com seis câmeras articuláveis de alta resolução; o grandalhão Argus, conhecido como robô-holofote; e o Grande Hércules, o robô-pá, que recolheu amostras orgânicas coladas ao casco da embarcação, destinadas a estudos científicos. 'A intenção é entender as condições de um ambiente tão inóspito e desenvolver soluções químicas capazes de retardar a decomposição', explicou.

– ROUBO
Placa presa ao convés em 1986, levada por exploradores
– CONTROLE
Cientistas monitoram robôs da superfície

Estima-se que tenham sido gastos mais de US$ 900 mil na expedição, que só se tornou viável graças a um sistema de comunicação poderoso, desenvolvido exclusivamente para explorações oceânicas. Preparado pela EDS, uma empresa de tecnologia da informação, o aparato possibilitou que a expedição fosse acompanhada em tempo real pela internet e pela TV. Mais de 150 mil alunos embarcaram numa aventura virtual a bordo do Hércules, e mais de 1,5 milhão de telespectadores do mundo inteiro assistiram ao vivo às imagens da mais recente descida ao Titanic pelo canal National Geographic.

Considerado o pesquisador marinho mais importante da atualidade, Ballard, de 61 anos (na época), já liderou 110 expedições ao fundo do mar. Descobriu, por exemplo, as fendas hidrotermais de Galápagos e o encouraçado alemão Bismarck, naufragado durante a Segunda Guerra Mundial, 968 quilômetros a oeste do Porto de Brest, na França. Agora ele vai explorar os navios submersos da Antiguidade. Mas diz que sua luta continuará sendo pela preservação do Titanic, ameaçado pelo homem e pela natureza.

– ÁGIL
Hércules, o robô explorador
– LÍDER
Bob Ballard, o chefe da equipe


RETORNO AO TITANIC
Entenda como funciona o mais tecnológico
sistema de comunicação subaquático

O Titanic naufragou a 650 km da costa

Central de controle: a base na superfície
A bordo do barco Noaa, 35 cientistas monitoram a movimentação dos robôs, recebem as imagens e transmitem-nas em áudio e vídeo digital para um satélite

Satélite
Ele recebe sinais do navio, que rebatem no Texas, de onde são irradiados para a TV e a internet

Hércules, o robô teleguiado
Equipado com um sistema múltiplo de câmeras, comunica-se com o navio por meio de um cabo ótico


RMS Titanic – Galeria de fotos e Vídeos
Galeria de fotos 2: A bordo do Titanic
Galeria de fotos: Titanic no fundo do mar
Galeria de fotos: Objetos encontrados no Titanic
Recordações do RMS Titanic - Eva Hart e Nina Harper

Titanic deixa Southampton antes de sua primeira viagem pelo Atlântico, em 10 de abril de 1912
Relíquias inéditas do Titanic são
expostas em Nova York


Essa matéria da revista Veja, da época do naufrágio do Titanic, é excelente. Não deixe de vê-la.

The Titanic Historical Society, Inc.
Titanic Historical Society

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Bibliografia: Agências Noticiosas – Discovery Channel – Revista Veja – O Globo – Arquivo Starnews 2001

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