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~ Os sinos e as procissões na Idade Média ~
A importância dos sinos na Idade Média era muito grande, pois cada som
emitido significava um acontecimento diferente. O bater dos sinos, certamente,
marcava os principais eventos da vida urbana, quer chamando os fiéis para a
celebração dos ofícios divinos quer anunciando festas; ora avisavam o início e o
fim do trabalho, ora lembrando triste acontecimento ou ainda alertando as
pessoas para uma ameaça iminente. Eram conhecidos pelos nomes: a grande
Jacqueline, o sino de Rolando. Toda a gente sabia o significado dos diversos
toques, que, apesar de serem incessantes, não perdiam o seu efeito no espírito
dos ouvintes.
Por todas as cidades, podiam ouvir sinos repicando, ressoando, retinindo e
carrilhonando, ora isolados, ora em concerto, repetidas vezes, em toda parte
onde houvesse uma casa de Deus.
O toque dos sinos também trazia doces recordações: lembranças de uma paisagem
ampla, suavemente ondulada; visões de aldeias e povoados à luz do entardecer, de
cidades de muitas torres ao brilho da manhã, da liberdade da estrada...
 O calendário litúrgico imprimia o ritmo às grandes festividades do ano. As
procissões constituíam manifestações importantes nessas festividades. Algumas
reuniam apenas os membros de uma mesma profissão, de uma mesma confraria,
conduzindo com grande pompa a imagem de seu santo patrono através das ruas. Em
outras, ao contrário, exprimia-se o sentimento unânime da cidade, suas
esperanças, seus temores, seu reconhecimento. Para pedir aos céus o fim de uma
longa estiagem, para implorar o retorno da paz ou celebrar uma vitória sobre o
partido adversário, todas as classes sociais, gente da Igreja, burgueses,
artesãos e companheiros reuniam-se atrás das bandeiras, de cruzes, de relíquias
e as ruas das cidades assistiam ao passar de intermináveis procissões que se
renovavam às vezes durante vários dias seguidos, interrompendo toda a atividade
normal da cidade.
Decorava-se então a cidade com todo o fausto imaginável. Estendiam-se tapetes
ao longo das paredes, ornavam-se as casas com folhagens, juncavam-se as ruas de
flores. Cabe aqui uma observação curiosa: não existia na Idade Média o
sentimento de pudor em ostentar orgulhosamente o luxo, a riqueza em plena via
pública, aos olhos deslumbrados de uma multidão em que se misturavam os
remediados com os indigentes. A rua era o domínio comum onde o luxo de uns
acompanhavam lado a lado a miséria dos outros e onde se defrontavam os aspectos
mais opostos da vida social. Mas era também lá que ricos e pobres se encontravam
às vezes associados em manifestações coletivas da vida profissional, política ou
religiosa.
~ Arnaldo Poesia ~
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Bibliografia: La Vie Quotidienne, Marcelin Defourneaux, Hachette, Paris – O
Declínio da Idade Média, Johan Huizinga, Editora Ulisséia, Rio de Janeiro,
Lisboa – O Som dos Sinos, Michael Kunze, Editora Campus, 1989 – História do
Mundo Feudal, Mário Curtis Giordani, Editora Vozes Ltda., Petrópolis,
1983.
Links Relacionados:
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A Arte Medieval - Estilo Gótico
A Arte Medieval - Estilo Românico
Musée National du Moyen Age - Museu Nacional da Idade Média (em espanhol)

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