Cidade
do Vaticano, 19 de outubro de 1997
O Papa
João Paulo II elevou, hoje, Santa Teresa do Menino Jesus
e da Santa Face a doutora da Igreja. Isso significa que
os escritos que deixou passam a ter status de doutrina.
Santa Teresa, que morreu de tuberculose em 1897, aos 24
anos, e passou toda a sua juventude no convento das
Carmelitas em Lisieux, na França, é o 34º nome da
lista dos santos que se tornaram doutores da Igreja, e a
terceira mulher a ser elevada a esta posição. O
Vaticano informou que o Papa concedeu a honraria a Santa
Teresa porque, apesar de jovem e de não ter cursos
superiores, ela mostrou a todos os fiéis a importância
da homilia no ensino teológico. A concessão da honraria
aconteceu durante missa celebrada na basílica de São
Pedro, no Vaticano, ante dezenas de milhares de fiéis.
As Obras Completas de Santa Teresa acabaram de ser
publicadas com o aval do Vaticano. Seus escritos eram, na
maioria, poesias, mas Santa Teresa também escreveu um
diário — História de uma alma — de
grande impacto. Editadas em apenas um volume, as Obras
Completas têm mais de 1.500 páginas. Segundo o
Vaticano, a Santa explicou de maneira simples, com
palavras próprias, como se chega a Deus "fazendo
pequenas coisas", e demonstrou que qualquer pessoa
pode alcançar a santidade. Santa Teresa foi canonizada
em 1925 e se converteu em uma das santas mais populares,
a quem vários milagres foram atribuídos.

Prólogo
"Nada é tão
cheio de mistério como as silenciosas preparações que
esperam pelo homem desde o limiar de cada vida. Tudo vem
a termo, antes de completarmos nossos doze anos"
(Péguy). No que diz respeito a Santa Teresa do Menino
Jesus e da Santa Face, tudo veio realmente a termo só
aos trinta de setembro de 1897, quando ela, minada pela
tuberculose, expirou na enfermaria do Carmelo de Lisieux,
com a idade de vinte e quatro anos. Sem embargo, por ela
também falava Péguy, seu contemporâneo, se é verdade
que um destino se arraiga num solo, numa época, numa
família, e que se torna tributário de uma
hereditariedade, de uma história. Ninguém é ilha.
Teresa não desceu do céu, como se fosse um anjo. Nasceu
em chão normando, na dependência de seus maiores e de
sua terra. Antes que o mundo celebrasse Santa Teresa de
Lisieux e seu caminho de infância, existiu uma criança:
Thérèse Martin, de Alençon. Ela é exatamente o
misterioso fruto daquelas preparações silenciosas.
Tivessem seus pais: Louis Martin e Zélie Guérin,
seguido cada qual o pendor de seu coração, "a
maior Santa dos tempos modernos" não teria chegado
à luz da existência, no dia 2 de janeiro de 1873.
Nos últimos séculos,
nenhum santo tem merecido culto comparável ao de Santa
Teresa do Menino Jesus. No entanto, houve autores
cristãos que, durante uma certa época, quiseram provar
que toda a doutrina de Santa Teresa do Menino Jesus e da
Santa Face não passaria de um entusiasmo popular
passageiro, não resistindo a uma análise teológica
mais acurada. Isto porque, até então, a noção de
santidade era intimamente ligada a martírios de toda
sorte, transportes místicos, vidas inteiramente diversas
da que uma pessoa comum poderia levar. A influência
universal e profunda exercida pela santa de Lisieux
excedia, no entanto, tudo que se poderia imaginar. É de
fato um fenômeno. História de uma alma, sua
autobiografia publicada postumamente, transformou-a em
objeto de um culto calcado principalmente na
sensibilidade e na delicadeza, numa certa intimidade que
em pouquíssimo tempo transformou Santa Teresa numa
imagem "familiar". Esta espécie de catolicismo
intimista e cotidiano fez com que os brasileiros viessem
a chamá-la de Teresinha, em oposição à severa Santa
Teresa d'Ávila, filósofa admirável da Fé.
Mas por que História
de uma alma suscitou entre os católicos esta
espécie de culto? Por que, ao ler o livro, temos a
certeza de aproximarmo-nos inteiramente da alma de Santa
Teresinha?
Pode-se dizer que esta
intimidade criou um novo modelo de santidade, com uma
postura inovadora para a época — sem
mortificações excepcionais, nem fenômenos místicos
tais como visões ou êxtases; ao contrário, incentivou
coisas simples como orações e profundas meditações,
sem atos externos de impacto. Trata-se do método da
excelência da virtude nas pequenas coisas.
Suas características
mais marcantes são basicamente a simplicidade, a
magnanimidade e a mais profunda alegria, mesmo sob as
mais rigorosas provações. Sabedoria e força, com
doçura. Esta é a santidade possível e este foi o
sistema de Santa Teresa.
No Brasil, sobretudo no
início do século, a influência marcante da cultura
francesa veio se somar ao catolicismo tradicional,
herdado dos portugueses, propiciando uma acolhida
peculiar à veneração da jovem santa. Em 1925 foi
erigida no Rio de Janeiro, à entrada do túnel Novo,
entre Botafogo e Copacabana, uma igreja em sua honra. A
santa que já era chamada pelo apelido carinhoso de
Teresinha, transformou-se em uma "santa da
família". A dramaticidade luminosa da jovem freira,
com sua intensa vida interior, exerceu grande apelo ao
mesmo tempo popular e intelectual. O povo em geral passou
a cultuá-la e sua vida começou também a inspirar
nossos escritores.
No dia 14 de julho de
1921, na véspera da sua morte, o poeta Alphonsus de
Guimaraens escreveu os seus "Últimos Versos",
em louvor de Santa Teresa:
(...) Mais uma vez a
mágoa imensa do teu clarão,
Veio tremendo na onda clara e densa,
Até meu coração.
E pude ver-te, contemplar-te pude,
Como a imagem da virtude
E da pureza,
Cheia de luz,
Como Santa Tereza
De Jesus!
Em 1928 Jorge de Lima
dedica-lhe o poema "Santa Teresinha do Menino
Jesus", e parece ter sido ele o primeiro a chamá-la
pelo diminutivo carinhoso. Mais ou menos na mesma época,
1930, Manuel Bandeira escreveu "Oração a Teresinha
do Menino Jesus", em que pede a alegria da santa
para si. Sérgio Buarque de Holanda, no seu clássico
Raízes do Brasil, ressalta-lhe o lado "amável e
fraterno". Gilberto Freyre explica a veneração
pela simbologia de "uma namorada mística".
Dunshee de Abranches e Luís Guimarães dedicam-lhe
poemas que ressaltam a figura delicada da "petite
Thérèse", numa atmosfera simbolista, tão cara à
juventude de ambos. Mas foi Ribeiro Couto que fez a
descrição definitiva do estado de admiração da alma
coletiva do brasileiro de então (1934), em seu livro
Presença de Santa Teresinha, ilustrado por Portinari:
Cada criatura
humana tem seu jeito pessoal de ficar de mãos postas
diante do que vem de Deus. Não sei falar de Santa
Teresinha senão à minha maneira. (...) (com) uma
confiança poética e fraternal que tomei por ela, por
instinto. (...) Santa Teresinha, mais do que qualquer
pessoa celeste, é essencialmente quotidiana.
A inocência e o amor
divino ganharam ressonância de modo inconsciente entre
nós: inúmeras meninas foram batizadas com o nome de
Teresinha e a canção de roda, tão conhecida, fez com
que muitos desejassem ser "aquele a quem Teresa deu
a mão".

A
vocação de Teresa: o Carmelo de Lisieux
Quando
Thérèse decidiu entrar para o Carmelo, muitos foram os
obstáculos a vencer, tanto por parte dos familiares como
também dos próprios religiosos. Mas Thérèse não
desistiu. Sendo assim, havia ainda uma única chance: o
Papa Leão XIII.
Para
Thérèse, Leão XIII é maior do que todos os monumentos
de Roma. Consciente ao extremo de sua própria pequenez,
sente-se ainda menor diante de tanta grandeza. Diante do
Bispo de Bayeux, ela já havia diminuído à dimensão de
uma formiga. Face ao Papa, pensa que não passaria de um
grão de pó. Leão XIII, que jamais admitiu a perda de
Roma e do poder temporal, fez do Vaticano o símbolo de
sua resistência. Papa desde 1878, conta, na época,
setenta e sete anos. Nesse ancião já cansado é que
Thérèse coloca sua última esperança, principalmente
porque as últimas notícias de Lisieux não são nada
animadoras.
Dom
Hugonin mostra-se cada vez mais reticente em relação ao
projeto de Thérèse. Uma menina de quinze anos entrando
para o Carmelo, eis um motivo a mais para os protestos
dos anticlericais que continuam a ver as religiosas com
os olhos de Diderot e do seu livro A religiosa,
que apresenta os conventos como sucursais de Lesbos!
Para
vencer as resistências, enfrentar a opinião pública e
fazer calar as comadres de Lisieux, uma só palavra de
Sua Santidade seria suficiente. Thérèse sabe-o muito
bem e escreve à Pauline: "Posto que o bispo não
concorda. o último recurso que me resta é falar com o
Papa." E assina a carta: "um brinquedinho de
Jesus". Imagina-se como uma bola com que Jesus
brinca e leva para onde quer, divertindo-se. Logo ela,
que detesta brincar, quer ser o brinquedo de Jesus. Mas
será que Ele jogaria sua bola no Vaticano? A vontade
divina dobrará a vontade papal? Nada mais incerto...
A
audiência está prevista para domingo, 20 de novembro.
Na véspera do grande dia, Thérèse escreve à prima
Marie Guérin: "Amanhã falarei ao Papa, (...) se
você soubesse como meu coração bate forte quando penso
em amanhã!" Para melhor compreender sua aflição
é preciso saber que a imagem do Papa é, nesta época,
assimilada à imagem de um deus vivo, não terreno,
instalado em meio a nuvens de incenso, ofertado à
veneração dos fiéis do alto de um andor carregado por
guardas.
No
romance Roma, de Émile Zola, que seria
publicado em 1895, um dos protagonistas é justamente
Leão XIII e o herói, abade Pierre Froment, apresenta
assim o senhor do Vaticano:
Agora
que seu reino terrestre teve fim, de que soberania
espiritual se encontra investido este senhor,
magro, pálido, diante do qual vira mulheres desmaiarem
como atingidas por um raio da divindade duvidosa emanada
de sua pessoa? Não eram apenas as glórias retumbantes,
os triunfos dominadores da história que aconteciam
diante dele, era o próprio Céu que se abria.
Diante
de tanta majestade, Thérèse desmaiaria? Ela teme o
pior. Na verdade, o centésimo-qüinquagésimo-quarto
representante de São Pedro na terra é imponente e a
perda de seu poder absoluto, diante de quem o rei da
Itália se sentia como um menino. O que dizer, então, de
Thérèse? Mesmo as nobres damas de Coutances e de Bayeux
estão impressionadas. E essas damas sofrem por
antecipação. Mas ninguém está mais perturbada do que
esta "pobre Thérèse"...
Domingo,
20 de novembro. Vestida de negro, a cabeça coberta pela
protocolar mantilha também negra, a senhorita Martin
atravessa o portal do Vaticano. Agarra-se ao braço de
seu pai — Ifigênia indo para o sacrifício. Como as
jovens católicas de seu tempo, Thérèse lera as
tragédias de Racine autorizadas pelos conventos: Esther
e Atalie. Como Esther diante de Assuérus, a pequena
rainha poderia dizer ao Papa:
Uma palavra de sua boca
cessaria as penas minhas,
Tornando Esther a mais feliz entre todas as rainhas.
Mas
Thérèse não é Esther, não passando de uma anônima
que a pompa do Vaticano impressiona. Sente-se
completamente perdida no meio das grandes damas de
Coutances e Bayeux que tamborilam seus dedos nas
mantilhas enquanto esperam ser apresentadas à Sua
Santidade. Na ausência do bispo de Coutances, padre
Révérony conduz os peregrinos. Primeiro as damas,
depois os padres, em seguida os senhores. Lembra-lhes que
estão formalmente proibidos de se dirigirem ao Santo
Padre. Dá o exemplo, falando o menos possível e
limitando-se a anunciar ao Papa as pessoas importantes.
Desta maneira Louis Martin é apresentado como "o
pai de duas carmelitas".
Thérèse
não tem direito a nenhuma apresentação especial, não
sendo apresentada como "irmã de duas
carmelitas" ou como aspirante ao Carmelo. Ela bem
sabe que deve enfrentar a proibição de falar ao Santo
Padre. Hesita. Implora com o olhar a concordância de
Céline que sussurra: "Fale." Thérèse
obedece. Ajoelhada diante de Leão XIII, as mãos postas,
encontra forças para articular: "Muito Santo Padre,
tenho uma grande graça a vos implorar."
Surpreso,
o Papa se inclina e examina aquela que ousou tomar a
palavra em sua presença e que prossegue falando:
"Muito Santo Padre, em honra de vosso júbilo,
permiti minha entrada para o Carmelo aos quinze
anos."
O
Muito Santo Padre, cada vez mais surpreso, murmura:
"Não estou entendendo bem." Volta-se para o
padre Révérony, que já esperava o pior desta senhorita
Martin — e o pior acontecera; ela não esconde seu
descontentamento e explica: "Muito Santo Padre, esta
criança quer entrar para o Carmelo aos quinze anos, mas
os superiores estão examinando a questão neste
momento."
Tranqüilizado,
o Papa se contenta em sugerir à Thérèse: "Minha
filha, faça como seus superiores lhe disserem."
Resposta que adia a solução e que recebe imediatamente
a réplica: "Oh, Muito Santo Padre, se vós
dissésseis sim, todo mundo iria querer o mesmo."
A
insistência de Thérèse ameaça provocar um incidente
que o Papa evita com um irrefutável "Vamos, vamos,
tu entrarás se o Bom Deus o quiser."
É
de modo polido, porém firme, que o Papa afasta
Thérèse, que gostaria de falar ainda para convencê-lo.
Mas dois guardas, ajudados por padre Révérony,
intervém para acabar com a entrevista, que não durara
muito. Ajudam Thérèse a
levantar e levam-na rapidamente:
No
momento em que eu estava sendo conduzida, o Santo Padre
levou sua mão a meus lábios e levantou-a para me
abençoar e, então, meus olhos se encheram de lágrimas
e padre Révèrony pôde ver tantos diamantes quantos
havia visto em Bayeux.
Louis
Martin e Céline tentam, em vão, consolar Thérèse, que
se apercebe enfim que chovia em Roma: "naquele dia,
(...) o céu (...) não parou de chorar junto
comigo". Ela queria ser o brinquedo de Jesus. Este
brinquedo foi quebrado. Na noite de 20 de novembro
Thérèse escreve a irmã Agnes de Jesus:
O bom
Papa é tão velho que se poderia dizer que está morto,
eu não o imaginava assim, e ele não pode quase falar,
(...) Oh! Pauline, não posso lhe contar o que senti,
como fiquei aniquilada, eu me sentia abandonada.
Em História
de uma alma Thérèse não faz um retrato tão
espontâneo do Papa. Não evoca sua extrema velhice, mas
sim seu esplendor.
A viagem
à Itália, para Thérèse, perde todo o seu encanto. O
objetivo foi frustrado. Não entrará para o Carmelo aos
quinze anos, tinha planejado fazê-lo perto do Natal, nas
vésperas dos seus quinze anos.
Thérèse
esperava que seu diálogo com o Papa tivesse passado
despercebido. Mas qual! Não se fala em outra coisa! O
vigário-geral de Coutances, padre Legoux, aborda-a
sorrindo com um "como vai nossa pequena
carmelita?" A pequena carmelita vai mal, sofre em
silêncio. Até os jornais fazem eco à sua incrível
audácia. No L'Universe de 24 de novembro, sob a
rubrica "Correspondência Romana", pode-se ler:
Entre
os peregrinos encontrava-se uma jovem de quinze anos que
pediu ao Santo Padre para poder entrar imediatamente no
convento para fazer-se religiosa.
Após
visitar cidades italianas, os peregrinos voltaram para a
França. Thérèse constata que Lisieux a atrai como
"um amante". Este amante tem um nome: o
Carmelo, para onde ela corre assim que chega, em 2 de
dezembro.
Durante a
viagem, além do esplendor das paisagens e monumentos,
Thérèse descobriu também a fraqueza dos padres, o
poder das conversas de comadres, a inutilidade do luxo.
"Que viagem! Ensinou-me mais do que longos anos de
estudos", comenta. Descobriu ainda, com espanto,
como a condição feminina na Itália era desprezada:
Não
posso ainda compreender como as mulheres são tão
facilmente excomungadas na Itália. A todo momento
ouvíamos: "Não entrem aqui, não entrem lá,
vocês serão excomungadas!" Ah! pobres mulheres,
como são menosprezadas!
Seguindo
os conselhos de Pauline, Thérèse escreve ao bispo de
Bayeux, deixando falar seu coração: "Monsenhor,
venho pedir à Vossa Eminência a resposta pela qual
espero há tanto tempo." Assim ela começa sua
súplica. Mostra a carta ao tio, que suprime os elances
do coração, o que dá à missiva uma forma mais oficial
e talvez menos imperiosa. Corrigida por M. Guérin, acaba
ficando assim: "Monsenhor, venho lembrar à vossa
Eminência o pedido de autorização que tive a honra de
vos encaminhar." Thérèse não pede mais nada.
limita-se a "esperar com confiança" e aspirar
por esse "insigne favor". A carta é enviada em
18 de dezembro.
Escreve
também ao padre Révérony par lembra-lhe, humildemente,
a promessa que ele lhe havia feito de falar em seu favor
com dom Hugonin, e para fazê-lo notar que "restam
apenas oito dias até o Natal". Uma resposta
afirmativa do bispo de Bayeux, que magnífico presente
seria!
Chega o
Natal. Thérèse contava assistir à Missa do Galo atrás
dos muros do Carmelo. No entanto, deve contentar-se em ir
à Catedral. Sente-se como Moisés, que contempla a Terra
Prometida sem poder entrar.
No dia de
Natal, em seu quarto, acha o presente de Céline, um
desenho de um navio com o Menino Jesus adormecido,
segurando uma bola. No barco, escreveu: 'Eu durmo, mas
meu coração vela." e no casco, a palavra
"abandono". Abandono à vontade do Senhor, que
vale à Thérèse uma tarde inteira de pranto.
À tarde,
ainda desanimada, vai ao Carmelo, e recebe um presente
quase igual ao de Céline: um Menino Jesus segurando uma
bola onde seu prenome está escrito. A coincidência
chega a fazê-la sorrir.
Em 28 de
dezembro, madre Maria de Gonzaga recebe a resposta de dom
Hugonin: está autorizada a admitir Thérèse Martin no
Carmelo, sem mais demora. Thérèse é avisada em 1 de
janeiro. Demora inexplicável. Pior ainda, irmã Agnes de
Jesus, que removeu céus e terras para ajudá-la a entrar
no Carmelo o mais rapidamente possível, obtém de sua
superiora o adiamento desta entrada até a Páscoa, sob a
justificativa de poupar Thérèse dos rigores da
quaresma, que Thérèse teria achado bem mais suaves
comparados ao suplício da espera que não acaba mais, e
que redobra mais uma vez, de forma imprevisível.
"Não pude conter as lágrimas ao pensar em tão
longo prazo", ela diz.
Thérèse
poderia achar que tivesse sido traída por Pauline, e
poderia perder-se em conjecturas sobre os motivos de tal
combinação. Irmã Agnes de Jesus teria querido impor
uma última prova a sua irmã, para ver como ela se
sairia? Thérèse não faz nenhum julgamento sobre esta
decisão. Corajosamente decide remar seu barco Abandono
e chegar ao porto, custasse o que custasse, na Páscoa ou
na Trindade. O principal, a aprovação de dom Hugonin,
foi o melhor presente que poderia ter recebido por
ocasião de seu décimo-quinto aniversário. Thérèse
está satisfeita com as belezas da terra. Agora, aspira
pelas do Céu!

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A Entrada para o Carmelo