|
~ Safo, a Vênus de Lesbos ~

Safo, poetisa
nascida em Mitilene, na ilha de Lesbos, provavelmente por volta de meados do século VII a.C, de boa família,
contemporânea do poeta Alceu. À semelhança deste ela parece
ter deixado Lesbos em conseqüência de perturbações políticas
na ilha; a crer na tradição Safo teria ido para a Sicília e
talvez tenha morrido lá. A poetisa refere-se a si mesma como geraitera, "um tanto idosa", em um de seus poemas. Os
siracusanos erigiram em sua cidade no século IV a.C, em
homenagem a Safo uma estátua sua de autoria de Silânion,
roubada mais tarde por Verres.
A
poetisa se casou com um homem chamado Kérkilos e teve uma
filha, a quem pôs o nome de sua mãe, Kleis, que também era o
nome de sua avó; tinha também irmãos, um dos quais, Cáraxo,
ela censurou por causa de uma complicação amorosa com uma
cortesã egípcia chamada Dórica (Heródoto, que se refere ao
caso no livro II, 135 de sua "História", confunde Dórica com
Rodópis). Segundo parece Safo reuniu em torno de si um grupo
de mulheres, talvez com a intenção de cultivar a música e a
poesia, ou para o culto de Afrodite. Alceu dirigiu-se a ela
em uma ode, da qual chegaram até nós os primeiros versos e o
início da resposta de Safo.
Uma lenda difundida
pelos poetas cômicos gregos relata que, tendo-se
apaixonado por um certo Fáon e vendo-se repelida por ele, Safo
lançou-se ao mar do alto do penhasco de Leucás em frente à
costa do Épeiros. Mas isso é mero romance. A poetisa escreveu
nove livros de odes, epitalâmios, elegias e hinos, dos quais
sobrevivem apenas fragmentos (inclusive uma ode completa e quatro
estrofes de outra). Safo escreveu em dialeto eólico, e muitos
dos fragmentos foram preservados por gramáticos como exemplos
desse dialeto.
Um
dos fragmentos encontrados mostra profundo amor maternal por
sua filha Kleis, que se reflete na seguinte estrofe:
Tenho uma formosa filha
que tem para mim
a esplendorosa beleza de uma flor de ouro,
minha amada Kleis,
a quem não trocaria por todas as riquezas da Lídia,
nem tampouco pela formosa Lesbos.
O assunto principal
de seus poemas foi o amor, sempre expresso com
simplicidade natural, às vezes com ternura, às vezes com ardor
apaixonado. Ela usou em seus poemas uma grande variedade de
metros, um dos quais, o sáfico, está associado especialmente a
seu nome. Sua poesia foi muito apreciada na Antigüidade, tendo
sido elogiada por Platão, por muitos poetas da Antologia Grega e
por "Longinos" no tratado sobre o Sublime (os dois
últimos preservaram dois dos fragmentos mais longos). Suas
estrofes foram imitadas literalmente por Catulo em seu poema 51
(Ille me par esse deo videtur). Horácio refere-se a ela nas Odes
II, xiii, 24-25, e IV, ix, 11-12 (Vivuntque commissi calores
Aeoliae fidibus puellae). Ovídio escreveu em suas Heroides uma
epístola imaginária de Safo a Fáon (traduzida por Alexander
Pope, 1707). Safo inspirou também muitas passagens de poetas
ingleses, inclusive Swinburne ("Anactória") e Frederick
Tennyson.

~ Poesias de Safo ~

Contemplo
Como o Igual dos Próprios Deuses
Contemplo como o igual dos próprios deuses
esse homem que sentado à tua frente
escuta assim de perto quando falas
com tal doçura,
e ris cheia de graça. Mal te vejo
o coração se agita no meu peito,
do fundo da garganta já não sai
a minha voz,
a língua como que se parte, corre
um tênue fogo sob a minha pele,
os olhos deixam de enxergar, os meus
ouvidos zumbem,
e banho-me de suor, e tremo toda,
e logo fico verde como as ervas,
e pouco falta para que eu não morra
ou enlouqueça.
|
Para
Anactória
A mais bela coisa deste mundo
para alguns são soldados a marchar,
para outros uma frota; para mim
é a minha bem-querida.
Fácil é dá-lo a compreender a todos:
Helena, a sem igual em formosura,
achou que o destruidor da honra de Tróia
era o melhor dos homens,
e assim não se deteve a cogitar
em sua filha nem nos pais queridos:
o Amor a seduziu e longe a fez
ceder o coração.
Dobrar mulher não custa, se ela pensa
por alto no que é próximo e querido.
Oh não me esqueças, Anactória, nem
aquela que partiu:
prefiro o doce ruído de seus passos
e o brilho de seu rosto a ver os carros
e os soldados da Lídia combatendo
cobertos de armadura.
|
Quando eu te Vejo
Quando eu te vejo, penso que jamais
Hermíone foi tua semelhante;
que justo é comparar-te à loura Helena,
não a qualquer mortal;
oh eu farei à tua formosura
o sacrifício dos meus pensamentos,
todos eles, eu digo, e adorarte-ei
com tudo quanto eu sinto.
|
O Amor
O amor, esse ser invencível, doce e sublime
que desata os membros, de novo me socorre.
Ele agita meu espírito como a avalanche
sacode monte abaixo as encostas. Lutar
contra o amor é impossível, pois como uma
criança faz ao ver sua mãe, vôo para ele.
Minha alma está dividida: algo a detém aqui,
mas algo diz a ela para no amor viver...
|
As Rosas de Piéria
E morta jazerás: de ti
não restará lembrança, em tempo algum,
nem mesmo compaixão jamais despertarás:
nas rosas de Piéria não tiveste parte.
Desconhecida até na casa de Hades,
errante esvoaçarás em meio a obscuros mortos.
|
A
Lua já se Pôs
A lua já se pôs,
as Plêiades também:
meia-noite; foge o tempo,
e estou deitada sozinha.
|
Para
Mnesídice
Com as meigas mãos, ó Dice,
trança ramos de aneto,
e põe essa coroa
em teus cabelos:
fogem as Graças
de quem não tem grinalda,
mas felizes acolhem
quem se enfeita de flores.
|
Como
a Doce Maçã
Como a doce maçã que rubra, muito rubra,
lá em cima, no alto do mais alto ramo
os colhedores esqueceram; não,
não esqueceram, não puderam atingir.
|
Palavras de Alceu a
Safo
Ó cheia de pureza,
ó Safo coroada de violetas
que docemente ris:
eu te diria de bom grado
certa coisa,
se não fosse a vergonha que me impede.
|
Resposta
de Safo a Alceu
Se quisesses tão só o bom e o belo,
se em tua boca más palavras não tramasses,
não haveria essa vergonha nos teus olhos
e poderias exprimir-te francamente.
|
Para Átis
Nossa amada Anactória está morando,
ó Átis, na longínqua Sárdis,
mas sempre volta o pensamento para cá,
lembrando como antes nós vivíamos,
ela a julgar-te alguma deusa
e teu canto a causar-lhe puro enlevo.
Ela resplandece agora em meio às lídias,
como depois de o sol se pôr
brilha a lua dos dedos como rosas
no meio das estrelas que a rodeiam,
e então derrama a sua luz
no mar salgado e no florido campo,
enquanto o orvalho paira pela relva
e tomam novo alento as rosas,
o suave cerefólio e o trevo em flor.
|
Eu Vos Rogo,
ó Cretenses
Eu vos rogo, ó cretenses, vinde ao templo:
ao redor há um bosque de macieiras,
e dos altares sempre se levanta
o odor do incenso.
Aqui a água fria rumoreja calma,
em meio aos ramos; cobre este lugar
uma sombra de rosas; cai o sono
das folhas trêmulas.
Aqui num campo onde os cavalos pastam
desabrocham as flores do carvalho
e os anetos exalam seu aroma
igual ao mel.
Apanhando grinaldas, vem, ó Cípris,
e dá-me um pouco desse claro néctar
que tão graciosa serves para a festa,
em taças de ouro.
|

~ Publicado poema de Safo, após 2.600 anos ~
Um poema de amor escrito
2.600 anos atrás pela poetisa Safo foi publicado no dia 24 de
junho de 2005 pela primeira vez desde que foi redescoberto, no ano passado. Os
versos expressam o amor de Safo por suas companheiras na ilha grega de Lesbos.
"Ela obviamente tinha um relacionamento emocional com
mulheres, e possivelmente sexual também" (?), disse o tradutor
Martin West, acadêmico da Universidade de Oxford. O poema foi
descoberto após pesquisadores da Universidade de Cologne, na
Alemanha, identificarem um papiro que envolvia uma múmia do
século 3 antes de Cristo. Nele estavam os versos da poetisa.
Os pesquisadores perceberam que alguns dos fragmentos do poema
encaixavam-se a outros já identificados como de autoria de
Safo, descobertos em 1922. Combinando as duas partes e
completando os espaços perdidos com palavras de significado
compatível, o original foi reconstruído.
Nos versos publicados agora, a poetisa lamenta o passar do
tempo ao comparar os corpos jovens de dançarinas aos seus
frágeis joelhos e aos seus cabelos brancos.
Veja a tradução de um trecho do poema. Por se tratar de um
texto poético, com múltiplas interpretações, a tradução é livre.
Vós, meninas, entusiasmem-se com os carinhosos presentes
Das musas de seios perfumados e com a lira clara e melodiosa:
Mas o meu outrora macio corpo, agora velho
Enrijeceu; meus cabelos tornaram-se brancos, em vez de negros

~ Galeria Safo ~
|
 |
|
Antigo busto grego de Safo, século 5 a.C.
A inscrição "ΣΑΠΦΩ ΕΡΕΣΙΑ"
diz: "Safo, a eresiana"
Museu Capitolino, Roma, Itália.
|

Nota: — Para Anactória. Anactória
mudara-se para a Lídia, segundo parece casada com um soldado. Hermíone é a filha de
Helena de Tróia e Menelau. — O Amor. O fragmento de Safo chegou até nós, mas apenas
a idéia que encerrava. — As Rosas de Piéria. Dirigido por Safo a uma
mulher não educada. A Piéria era sede de um dos mais antigos cultos das Musas.
— Para Mnesídice. Ateneu cita o fragmento para explicar a razão do uso de
grinaldas.
Não deixe
de ver:
Suave Encanto
Amar é...
Carta a Luma ...
e outras palavras de amor
A História de
Cupido e Psique
Contos do
Amor Passado
Flor de
Lótus

Copyright ©
Starnews 2001
All rights reserved.
|