Uma rosa é bela, não importa em qual jardim floresça.

~ Dedicada a Mariana ~

Uma das famosas cantigas de roda, dos tempos de criança, que ficou gravada em nossos corações, conta uma pequena história entre o cravo e a rosa. Quem não se lembra!...

O cravo brigou com a rosa
Debaixo de uma sacada.
O cravo saiu ferido
E a rosa despedaçada.

Seu nome vem do latim rosa, que por sua vez procede do grego rhodon numa referência a Rodes, ilha coberta de rosas. Qualificada como "a rainha das flores" pela poetisa Safo no século VI a.C., ela teria sido criada, segundo a mitologia grega, por Clóris, deusa das flores (Flora entre os romanos), com o corpo inanimado de uma ninfa. Foi consagrada a Afrodite, deusa do amor, e depois a Vênus, na época romana. Dioniso, segundo a tradição mais difundida, ofereceu-lhe seu perfume inebriante, e as Três Graças lhe concederam o encanto e o brilho que ela trazia aos que a contemplavam. Cupido, filho de Marte, deus da guerra, e de Vênus, usava uma coroa de rosas, assim como Príapo, deus dos jardins e da fecundidade. Mil anos antes da nossa era, a rosa de damasco, uma das mais antigas que se conhece, era cultivada na ilha de Samos, no Mediterrâneo, em honra de Afrodite.

As lendas que falam do nascimento da rosa vermelha, símbolo de regeneração, são muitas. Uma das versões da mitologia grega conta que ela teria sido tingida com o sangue de Adônis, mortalmente ferido, e o de sua amante, Afrodite, que, ao correr em seu socorro, teria se machucado num arbusto de rosas brancas. O branco, símbolo da pureza, e o vermelho, símbolo da paixão amorosa, evocam os dois aspectos do amor encarnado por Vênus-Afrodite. É por essa razão que a rosa era utilizada, na Antiguidade, nas cerimônias nupciais: coroas de rosas ornavam a fronte dos esposos. Descobriram-se buquês intactos no sarcófago de Tutankhamon, e, sob o reinado de Ramsés II, sua essência se tornou um dos ingredientes de base dos rituais de mumificação.

A rainha Cleópatra (69 a.C.-30 a.C.) teria exigido que uma das salas de seu palácio em Alexandria fosse enchido com pétalas até a altura dos joelhos com o fim de seduzir Marco Antônio. Indissociável da poesia persa, a rosa era também utilizada como metáfora para evocar a carnação da mulher amada. E uma taça de vinho costumava ser comparada a uma rosa sem espinhos por seu perfume inebriante e sua rica cor.

Na Idade Média, a literatura se apoderou da rosa, símbolo do amor, com o alegórico Romance da Rosa, de Guillaume de Lorris, um best-seller do século XIII, em cuja história um jovem sonha com o amor ideal, e neste sonho a mulher que ele ama é simbolizada por um botão de rosa em um jardim representando a vida cortês. Mas as Cruzadas é que iriam desempenhar um papel determinante na expansão da cultura das roseiras na França. O conde de Champagne trouxe da Terra Santa, em 1240, uma variedade de um púrpura violáceo que se converteu na célebre rosa de Provins. Batizada Rosa "gallica officinalis" pelos botânicos, essa flor soberba, de aroma inebriante, também era conhecida pelo nome de "rosa dos boticários", em razão de suas múltiplas propriedades medicinais. Desde então, Provins, uma das três capitais do condado de Champagne, se entregou à cultura e ao comércio da "sua rosa". Na época, ela fornecia aos mercados e feiras de Champagne os produtos ou os remédios que dela se extraíam sob a forma de conservas secas e líquidas. Essas especialidades eram muito procuradas pelos mercadores estrangeiros, que, transportando-as para as regiões vizinhas ou distantes, não raro até para o Oriente, contribuíram para aumentar o renome da cidade francesa.

O Renascimento associava à flor o amor eterno. Foram pétalas de rosa esvoaçantes que Sandro Botticelli pintou em 1485 em seu quadro O Nascimento de Vênus. A Primavera, do mesmo artista, punha no primeiro plano a deusa Flora espalhando flores pelo mundo e usando uma trança de rosas. Os pintores flamengos e holandeses do século XVII lhe concederam lugar importante em suas opulentas composições florais.

~ Um dos símbolos do cristianismo ~

A princípio, a rosa foi rejeitada pelo cristianismo, devido a sua vinculação com o paganismo. Mas, segundo a tradição, já no século VI, um bispo teria instaurado em sua aldeia natal um prêmio de virtude coroando de rosas a moça mais sábia da região, à qual teria atribuído o título de "roseira".

No século XI, a Igreja instaurou um novo ritual em que a flor era o elemento principal: todos os anos, no quarto domingo de Quaresma, o papa benzia uma rosa de ouro que ele conduzia em procissão após a missa e oferecia em seguida a uma personalidade, não raro escolhida entre os príncipes católicos, cuja piedade ele queria honrar. Uma das mais antigas rosas de ouro conservadas no mundo — restam apenas três — se encontra no tesouro da catedral da Basiléia, na Suíça.

No século XII, São Bernardo fez da rosa o símbolo da Virgem. Em 1216, o papa Inocêncio III oficializou o rito do rosário. O termo rosário designava originalmente um "rosarium", ou jardim de rosas, e depois se aplicou às guirlandas trançadas para coroar as estátuas da Virgem. Por extensão, a palavra iria definir o grande rosário que representa os mistérios da vida de Maria, cujas contas eram fabricadas na primavera com pétalas de rosa moídas, secas e perfumadas. A flor tornou-se o emblema da fidelidade à Igreja. Está presente na arte gótica das catedrais sob a forma de rosáceas. A mística cristã medieval, retomando a simbólica antiga, considerava a rosa branca como o símbolo da pureza e, por consequência, da sabedoria monástica, enquanto a rosa vermelha evocava a Paixão de Cristo e o sangue dos mártires.

Cultivada como ornamento nos canteiros régios e como planta medicinal nos jardins dos mosteiros, a rosa foi introduzida, no curso dos séculos XII e XIII, no desenvolvimento de várias festas religiosas cristãs, notadamente o Pentecostes. Essa celebração sempre foi conhecida nos campos sob o nome de Páscoa das Rosas, em razão de um costume medieval encantador. Durante a missa, no momento do "Veni Sancte Spiritus", rosas caem da abóbada, ou antes, do alçapão chamado passagem do Espírito Santo, montado em algumas igrejas.

~ Santa Teresinha das Rosas ~

Em muitas vilas da França era costume vestir as meninas com o hábito da Santa relembrando a pequena Teresinha quando participava das procissões de Corpus Christi. Ela, com simplicidade, jogava pétalas de rosa para o Ostensório. Era um gesto de carinho por Jesus, representado na Hóstia Consagrada. A rosa tornou-se o símbolo de Teresinha que, morrendo, disse: "Do céu mandarei uma chuva de rosas".

Diz a tradição que, após a Novena das Rosas, em homenagem a Santa Teresinha do Menino Jesus, a pessoa receberá de alguém, de uma maneira inesperada, uma rosa, sinal de que seu pedido será atendido pela querida santa.

~ Cem anos de rosas ~

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A Alemanha tem o maior parque de rosas do mundo. Ele encontra-se em Sangerhausen, no estado da Saxônia-Anhalt. Festejou em 2003 seu primeiro centenário.

A grande variedade de espécies é única no mundo, e como tal o Europa Rosarium Sangerhausen consta do Livro Guiness dos Recordes. São cerca de 500 tipos de rosas nacionais e estrangeiras, além das subcategorias e dos enxertos.

~ Como tudo começou ~

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As silvestres são as rosas mais antigas e existem há 12 ou 15 milhões de anos. Já as rosas hoje encontradas nos jardins vieram para a Europa trazidas pelos participantes das cruzadas, em 1250. O cultivo de rosas na região começou seriamente no século 19, informa a diretora do jardim de Sangerhausen, Hella Brumme.

O cultivo se desenvolveu tão rapidamente que muitas espécies escaparam por pouco de desaparecer entre a profusão. Para evitar isso, criou-se o Rosarium. Em julho de 1903 foi inaugurada seu primeira área, com 1,5 hectares de extensão.

~ A Meca dos admiradores de rosas ~

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Hoje, o parque possui a maior "coleção" de roseirais do mundo, desde a Antiguidade até a época contemporânea. Espalhados em seus 12,5 hectares estão 600 mil roseiras. Ao todo são mais de 6800 espécies e tipos de rosas, agrupados em 40 categorias. Admiradas são principalmente as espécies raras, que se apresentam em várias cores até a chegada da primeira geada, no início do outono europeu.

Em nenhum outro lugar do mundo se encontra tanta beleza e diversidade, frisa Hella Brumme, que chama o seu reino de museu vivo e banco genético de dados. Muitas das preciosidades a serem admiradas teriam sido extintas, não fossem os cuidados da numerosa equipe de jardineiros.

Entre elas, a espécie Versicolor, a rosa mais antiga em Sangerhausen. Outras atrações são a misteriosa rosa negra, mas também a rosa verde e as rosas do jardim de Goethe, que além de grande poeta foi um amante da botânica, da mineralogia e muitas coisas mais.

~ Arnaldo Poesia ~

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Nota: A frase do início da página é do sábio persa, Abdu'l Bahá.

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Bibliografia: A rosa, rainha das flores, Arnaldo Poesia, Ed. do Autor, Niterói, Rio de Janeiro, 1991. – A Grande Missionária, Teresinha de Lisieux, Il Ponte d'Oro, Pontifícias Obras Missionárias, Itália. – Deutsche Welle Brasil.

Desejo a você uma vida
cheia de doces lembranças!

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