Leituras sobre
o Renascimento

Renascimento (ou Renascença), movimento de grande renovação cultural que dominou a Europa, sobretudo nos séculos XV e XVI, sendo a colocação do Humanismo no plano concreto. Teve como berço os prósperos centros comerciais de Veneza e Florença, sendo um reflexo das transformações econômicas, sociais e políticas desse período (crescimento das cidades, surgimento da burguesia, fortalecimento do poder real, entre outras).

Uma das principais causas para o desenvolvimento cultural dessa época foi a divulgação dos conhecimentos da Antigüidade Clássica. Diversos intelectuais e artistas bizantinos emigraram para a Itália, levando valiosos manuscritos de poetas e filósofos gregos.

O surgimento dos mecenas também foi de grande importância, estes eram burgueses, príncipes, reis e papas, que protegiam os artistas e os intelectuais, sendo assim chamados porque, no reinado de Augusto, na Roma antiga, o cavaleiro Caio Mecenas protegia os artistas.

Atualmente o termo Renascimento é bastante contestado, pois leva as pessoas a acreditarem que na Europa medieval não houve produção cultural.

O Renascimento foi dividido em três fases: "Trecento” (século XIV), "Quatrocento” (século XV) e "Cinquecento” (século XVI).

~ Renascimento Literário ~

"Trecento” — no qual se destacou o poeta Francisco Petrarca, considerado o "Pai do Humanismo". Compôs inúmeras poesias líricas em homenagem a sua amada (estas eram escritas em italiano, que não era considerada uma língua culta), escreveu várias obras em latim, como "África", poema sobre a Segunda Guerra Púnica, enaltecendo Cipião, o Africano.

Deste período também pode destacar-se Giovanni Boccaccio e sua obra "Decameron", na qual narra a fuga de sete rapazes e três moças, da cidade de Florença para o campo, durante a peste negra.

"Quatrocento" — chamado também de "Apogeu Renascentista". Florença, patrocinada pela família Médicis, tornou-se o principal centro renascentista. Nesta fase destacaram-se: Manetti Poggio e Becadelli.

"Cinquecento" — desta fase pode-se destacar Nicolau Maquiavel. Historiador e estadista tornou-se famoso pela obra "O Príncipe", na qual lançou as bases para a implantação da monarquia absoluta ao defender o Estado unificado, forte, centralizado e livre da influência da Igreja. Para ele, "o homem que queria em tudo agir como bom acabará arruinando-se em meio a tantos que são bons".

Em Roterdã surgiu Desidério Erasmo com a obra "O Elogio da Loucura". Criticou violentamente a sociedade européia, satirizando os costumes decadentes e pregando a necessidade de reformar a Igreja Católica.

Na Espanha, o principal vulto do Renascimento Literário foi Miguel de Cervantes, autor de "Dom Quixote de La Mancha", em que satiriza a cavalaria medieval.

Em Portugal, Luís de Camões consagrou-se com "Os Lusíadas", obra que narrou a história de Portugal desde suas origens até os grandes feitos da expansão marítima portuguesa.

William Shakespeare, autor de peças teatrais como "Hamlet" e "Otelo", foi outro vulto inquestionável do Renascimento.

~ Renascimento Artístico ~

Inspirando-se nas obras da Antigüidade Clássica, os artistas renascentistas deram aos seus trabalhos equilíbrio e elegância, procurando, juntamente com os temas religiosos, explorar a mitologia e as cenas do cotidiano.

O grande vulto da Escola de Roma foi Leonardo da Vinci, autor de quadros como "Mona Lisa" e "Santa Ceia", a ele atribui-se estudos que anteciparam importantes inventos e conhecimentos técnico-científicos — como o avião, o helicóptero e o submarino.

Outro notável artista foi Michelangelo que projetou a cúpula da Basílica de São Pedro (em Roma) e pintou inúmeros afrescos na Capela Sistina, como "O Juízo Final".

"Que obra de arte é o homem: tão nobre no raciocínio;
tão vário na capacidade; em forma e movimento,
tão preciso e admirável, na ação é como um anjo;
no entendimento é como um Deus; a beleza do mundo;
o exemplo dos animais.”

(Pintura de Michelangelo. Trecho de Hamlet, de William Shakespeare).

~ Renascimento Musical ~

Por não se conhecer a música grega ou romana com tanta precisão como a arquitetura e a escultura, a música renascentista não foi produzida como uma restauração do antigo. A música desta época foi uma culminação dos estilos anteriores (Ars nova), buscando naturalidade, proporção e harmonia entre texto e melodia.

— Características principais:

União entre música profana e religiosa.

Equilíbrio entre as vozes.

Maior sentido imitativo no contraponto.

Progressiva substituição de vozes por instrumentos (é favorecida assim a música instrumental, que também acompanha a dança).

É vasto o campo de ação da interpretação musical (templos, universidades, mas também salões, palácios, etc.).

O músico adquire maior importância social.

— Música vocal religiosa:

Motete: É uma composição de 2, 3 ou mais vozes sobre textos latinos e de extensão breve. O motete era cantado no Advento, Quaresma e na Semana Santa. Sua época de maior importância foi durante os séculos XII e XIII. No motete são destacadas as figuras de Giovanni Pierluigi da Palestrina e de Orlando di Lasso, que foram os músicos mais proeminentes da época.

Missa: Se desenvolve sobre os textos litúrgicos desta celebração: kyrie; gloria; credo; sanctus e Agnus Dei. A missa era inspirada em temas do canto simples e profano, exceto no caso da Missae sine nomine (missa sem nome) que não era vinculada a nenhum tema preexistente.

Bibliografia: Leituras Sobre o Renascimento, Arnaldo Poesia, Ed. do Autor, Niterói, 1992. – The Renaissance: Studies in Art and Poetry, Walter Pater, Oxford University Press Inc., New York, USA, 1998. – The Renaissance, Paul Johnson, Modern Library Editions, USA, 2000.

Veja:

William Shakespeare
Mona Lisa
Museu Nacional da Renascença (em francês)

A Obra de Michelangelo

Trabalhos arquitetônicos
Esculturas
Pinturas
Galeria de fotos da Capela Sistina


Exposição: Luz e Sombra
na Pintura Italiana entre o
Renascimento e o Barroco

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