Elevadores
Foram instalados três elevadores panorâmicos, cada um com capacidade para 14 pessoas, ou uma tonelada. O acesso é feito por uma área que atende tanto os visitantes que chegam de carro, quanto os que desembarcam na plataforma de trem da Estrada de Ferro do Corcovado. O passeio já começa aí, pois a torre, de 31 metros de altura, descortina a primeira vista da cidade.

A velocidade dos elevadores e sua capacidade foram calculadas para que a espera máxima, em momentos de pico, não ultrapasse seis minutos. Além disso, na hora de eleger o equipamento mais adequado, a preocupação com o meio ambiente e a economia de energia foram fundamentais. Por isso, a escolha recaiu sobre o lançamento mundial da Elevadores Otis, que não tem casa de máquinas. Importados da França, eles substituem os tradicionais cabos de aço por cintas revestidas de poliuretano, que não usam óleos lubrificantes.

Para garantir a segurança dos visitantes, os elevadores são monitorados pelo software REM (Sistema de Monitoramento Remoto), que aponta possíveis problemas na operação e possui um sistema de viva voz com conexão direta com uma Central de Atendimento ao Cliente. Tudo isso, com um mínimo de ruído — no máximo 62 decibéis, nível equivalente ao de uma conversa comum.

Escadas rolantes
Para completar o acesso à estátua, estão funcionando quatro escadas rolantes — Fabricadas na Alemanha, também pela Elevadores Otis, elas têm seis metros de comprimento e 30.º de inclinação, com uma velocidade de 0,5 m/s. Com uma proteção lateral para evitar acidentes, as escadas têm dispositivos especiais, como alumínio antiderrapante nos degraus, que garantem o seu perfeito funcionamento e total segurança. Mesmo com tudo isso, o ruído máximo produzido é ainda menor que o dos elevadores: 58 decibéis.

Um detalhe importante é que as escadas funcionam na mão inglesa. Isso para que o visitante suba até o topo do Corcovado com a deslumbrante vista da Baía de Guanabara, à esquerda, e desça mais próximo à parede de pedra, o que evita o desconforto visual e psicológico.

Uma obra "invisível"
Para não descaracterizar o Cristo Redentor, uma imagem que o carioca se acostumou a olhar de várias partes do Rio de Janeiro, foram feitos testes para determinar qual seria o impacto visual. Elevadores e escadas rolantes foram projetados para acompanhar a topografia da montanha e, assim, ficarem camuflados atrás das árvores, na parede norte. Para camuflá-los, todos os equipamentos vieram pintados de verde da fábrica e têm vidros especiais para evitar reflexos dos raios solares.

  • Proteção catódica
    Para garantir a melhor conservação da estátua, foi necessário buscar uma tecnologia utilizada na extração de petróleo e na construção de navios e levá-la para o monumento. Uma tela de titânio — doada pela empresa norte-americana Corrpro Inc. — revestiu todo o interior da estátua. Trata-se da proteção catódica, fundamental para a conservação do monumento, pois combate um poderoso inimigo: o sal.

    A argamassa que forma o Cristo é uma eficiente mistura de areia, açúcar e óleo de baleia. Comum à época da sua construção, a composição carrega também um componente muito agressivo: o cloreto de sódio. Ao longo dos anos, o sal da argamassa estava oxidando a estrutura metálica que sustenta o concreto.

    A proteção catódica entra em ação quando a tela é eletrificada. Ela ganha carga positiva e atrai as partículas de cloreto de sódio — isto é, o sal — que são negativas. Dessa forma, a estrutura metálica que sustenta a estátua fica livre da ação desse agente corrosivo, que passa a se alojar em torno da proteção catódica.

    Recuperação do mosaico
    A primeira fase do projeto permitiu uma nova e cuidadosa análise do monumento para procurar por problemas e falhas. A empresa Concrepoxi, que apoiou o projeto, foi a responsável pela tarefa. Ao todo, os técnicos recuperaram sete metros quadrados de superfície, divididos em vários pontos espalhados pelo corpo do Cristo Redentor. Um trabalho que exigiu sangue frio para enfrentar os andaimes e a altura. Mas para muitos funcionários da obra, como José Cícero Magalhães, que chama a estátua carinhosamente de "Santo", essa foi uma tarefa inesquecível.

    Tudo avaliado, foi preciso colocar um novo mosaico de pedra-sabão nas regiões que sofreram reparos. É possível perceber esse trabalho na alteração da cor em várias partes do corpo da estátua. A diferença se deve à tonalidade das novas pedras, que não possuem o mesmo verde original. Em se tratando de patrimônio histórico, essas são marcas da história e das ações de preservação do monumento.

    Nova iluminação
    Uma parceria entre a General Electric — que doou o equipamento ao Cristo Redentor — e a Rioluz — que desenvolveu o projeto de iluminação — deixou o monumento mais visível e bonito. A estátua ganhou lâmpadas multivapor metálico de 1000 watts. De última geração e com elevado índice de reprodução de cores, além de filtros que suprimem a radiação ultra-violeta, elas emitem uma luz branca que valoriza o tom esverdeado, original do Cristo Redentor.

    O monumento também saiu ganhando durante o dia. As antigas estruturas que suportavam os 44 projetores deram lugar a outras, menores, com apenas 16. O novo sistema tem ainda uma outra vantagem, pois proporciona uma economia de 30% de energia elétrica. O projeto também definiu um outro local para a instalação do equipamento: fora do mirante e abaixo do nível do chão. O objetivo é destacar apenas a estátua e não interferir na visão do Cristo.

    A nova iluminação também vem acompanhada de uma preocupação com o meio ambiente. Os projetores têm filtros anti-ultravioleta e anti-infravermelho para reduzir a emissão dessas faixas de radiação eletromagnética a níveis inferiores àqueles produzidos pelo antigo sistema. Cuidados como manter em duplicidade o conjunto de projetores também foram tomados. Assim, uma eventual queima de lâmpadas não interferirá no resultado final.

    A falta de energia elétrica também não vai deixar o Cristo Redentor apagado. Para evitar qualquer imprevisto, o novo sistema é dotado de um gerador de 36 KVA, que aciona o conjunto de projetores em "stand by" e suporta um período de até 50 horas.

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