Conto & Verso

~ Encontro com o Amor ~
A Priscilla

~ Arnaldo Poesia ~

Esta é uma história de amor igual a tantas outras; aliás, todas as histórias de amor se parecem… Contudo, o livro do qual esta história foi tirada, não pode ser encontrado em nenhuma biblioteca ou livraria, pois está dentro do coração de cada um de nós. Por isso, se houver alguma semelhança com pessoas ou fatos, terá sido uma agradável coincidência.

De amores tiro poesias,
De paixões uma bela história,
De notas as canções
E de saudades, emoções.
Então,
Uma história vou narrar
De certo caso que ouvi
E com o qual me envolvi.
Tenho certeza, você vai gostar,
De tudo que vou lhe contar…

O relógio acima do balcão de informações do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro está marcando quinze minutos para as cinco da tarde. Estou tão ansioso e o meu coração bate tão forte que dá para ouvi-lo. Dentro de quinze minutos eu conhecerei a mulher que tem sido o meu único pensamento há quase um ano, a mulher que eu nunca vira mas cujas palavras em suas cartas me tinham transformado num romântico.

Agora eu vou ouvir a sua voz, abraçá-la demoradamente. Faltam dez minutos para as cinco. Uma mulher passa por mim. Sorri. Será que é ela? Traz um ramalhete de flores do campo nas mãos, como havíamos combinado. Não, não deve ser ela, a mulher deve ter 40, 45 anos e Juliana dissera-me que tinha 25.

Lembrei-me então de um caderno que encontrara numa das mesas da praça da alimentação, no Plaza Shopping, em Niterói. E em todo o caderno havia anotações, pequenas poesias, o esboço de um conto; tudo numa bonita letra feminina. O nome dela estava escrito no caderno: Juliana Marques. Procurei no catálogo telefônico do Rio de Janeiro e encontrei o seu endereço. Escrevi-lhe e ela respondeu.

Durante 6 meses ela me respondera assiduamente. Mesmo quando eu não escrevia ela continuava escrevendo, eu tinha certeza de que a amava e de que era correspondido.

Ela, no entanto, sempre tinha recusado os meus insistentes pedidos para que me enviasse uma foto, se bem que eu já tivesse mandado o meu retrato. Dizia que: "Se o amor que você sente por mim for verdadeiro, a minha aparência pouco importa. Suponhamos que eu seja feia — e você deve achar que isso é o mais provável, então eu viveria na incerteza de que você só me continuasse escrevendo para não me magoar, por se sentir só e não ter com quem dividir as alegrias e as tristezas. Suponha que eu seja bonita. Teria sempre a idéia de que você estava interessado apenas na beleza, no meu corpo. Por isso não mandarei a minha foto. Quando nos encontrarmos, então me verá e poderá decidir."

Um minuto para as cinco… folheio as páginas de uma revista nervosamente. E neste momento o meu coração dispara.

Uma jovem caminha em minha direção. É uma bela morena; seus cabelos pretos, compridos e ondulados, dão-lhe uma aparência sedutora. Os olhos são insinuantes; os lábios para serem beijados. O vestido curto e justo que ela usa mostra a perfeição de seu lindo corpo. É a verdadeira imagem do desejo.

Ela para diante de mim.

— Espera por alguém? pergunta com um sorriso provocante.
— Sim… sim, espero…
— Você está aqui há muito tempo?
— Não, cheguei há alguns minutos. — respondo, na expectativa de que ela seja Juliana, mesmo não vendo nenhum ramalhete de flores em suas mãos.

A jovem olha impaciente para todos os lados. Ajeita os cabelos. Olha para o relógio de pulso, torna a olhar.

— Pelo seu nervosismo, vejo que esse é o primeiro encontro.
— Sim, é. Nos conhecemos apenas por carta… Mas pela demora, talvez ele não venha mais. Acho que vou desistir…
— Não, não vá embora. Fique mais um pouco. — digo, começando a interessar-me por ela.

A impaciência da moça transforma-se em desânimo. "Vamos, diga que você é Juliana e eu a abraçarei, a beijarei como você merece." — falo para mim mesmo.

A bela morena sorri com ar tristonho e diz que não quer tomar mais o meu tempo. Vê a hora no relógio de pulso, dá um "tchau" melodioso e vai embora.

Tento segui-la, mas desisto.

Saio caminhando devagar pelo saguão do aeroporto, pensando na oportunidade que perdera de tentar uma aproximação mais íntima com a bela morena. "Por que não perguntei o seu nome?" "Se ela não disse é porque não queria que eu soubesse." "Além do mais, estava esperando o namorado e não iria se interessar por mim."

Deixo de pensar na imagem do desejo e volto para o mesmo lugar, pois é um local que dá para ver quem entra e quem sai do aeroporto.

Então vejo Juliana. É ela, só pode ser ela!

É a mesma mulher que passara por mim. Está parada perto do balcão de informações, os cabelos são curtos, meio grisalhos, na altura dos ombros; quem sabe, tingidos, sei lá. Usa um vestido bege e calça sapatos de salto baixo. É simpática; não tão jovem quanto a outra. Mas noto que agora traz dois ramalhetes de flores do campo.

Sinto-me como se estivesse sendo dividido em dois, tão forte é a minha vontade de sair à procura da morena e tão profundo o impulso que me impele para aquela mulher que tanto fantasiou a minha imaginação. E agora ela está ali. Posso ver o seu rosto suave e compreensivo e que os olhos verdes têm um brilho de sinceridade.

Não hesito. Minhas mãos apertam o caderno com que me farei reconhecer. Estou meio atônito com tudo isso.

Suspiro profundamente, cumprimento a mulher e estendo o caderno para ela.

— Eu sou Gustavo, e você… deve ser Juliana Marques. Estou feliz por ter vindo encontrar-se comigo. Posso… posso convidá-la para lanchar?

A mulher sorri, agradecendo o convite. Os seus olhos brilham com mais intensidade. Confesso que nunca vira uns olhos verdes tão cristalinos.

— Eu sei o que está acontecendo, mas eu não sou a pessoa que você está procurando, respondeu. Aquela moça com quem você falou é a verdadeira Juliana. Ela me pediu para segurar este ramalhete. E disse que, se você parasse para conversar comigo, lhe dissesse que ela o está esperando no free shop do aeroporto. Juliana — continua — é minha sobrinha. Ela combinou tudo isso para testá-lo. Como sou uma solteirona romântica, aceitei. O ramalhete que eu trazia nas mãos quando passei por você pela primeira vez, foi para chamar a sua atenção; na segunda vez, junto do balcão de informações, eu estava com o outro ramalhete que Juliana me pediu para segurar. Ela está apaixonada, e queria ter certeza de que você falava a verdade quando dizia que a amava.

— Então… aquela morena com quem conversei é a verdadeira Juliana?!
— Exatamente, meu querido! É melhor você ir correndo abraçá-la, porque ela pode querer desistir de verdade.

Saio apressado para o encontro mais importante da minha vida. Olho para trás e vejo a tia de Juliana acenando-me com os dois ramalhetes de flores do campo.

~ Canto o Que no Coração Tenho Escrito ~

Se ao ler esta poesia, você sentir o mesmo prazer que eu senti
ao escrevê-la, terá sido esse um grande acontecimento.

Não se esquece um amor quando ausente.
Nem mesmo se perde a ternura.
Quem ama, vive eternamente,
Porque o amor é forte e sempre dura.

Então, quis Amor que eu tivesse,
Em breves linhas sentimentos tão diversos;
Contudo, sem que aviso desse,
Me fez escrever estes versos...

Doces momentos de amor ardente
Em meus pensamentos se fixaram;
Os abraços e as carícias confirmaram,
Que para mim bastava amor somente.

Por isso, tenho tão presente
A lembrança das coisas que passaram,
Que as românticas horas me ensinaram
A querer te amar eternamente.

~ Arnaldo Poesia ~
Arraial do Cabo, 11-1-1999

~ Lembranças do Passado... ~

O ser amado, um beijo inesperado, um bilhete guardado
e a espera por alguém. São esses quatro motivos que
tornam um relacionamento inesquecível. Então...

Doces recordações do passado
Que enaltecem o coração.
Relembrar o ser amado
E os momentos de paixão.

Aquele beijo inesperado
Que causou tanta emoção!
Reler um bilhete guardado,
Lembrança de uma ilusão...

As horas, os minutos contados,
A longa espera na estação:
O reencontro tão desejado,
Motivo de grande aflição.

Relembrar, reviver e sonhar
O que se perdeu na imensidão...
“Mas nunca deixe de amar.”
— Assim fala o coração.

~ Arnaldo Poesia ~

~ Prometeu Acorrentado ~

Ela é uma dessas infelizes jovens
Que vem perder-se entre as inúmeras
Que perambulam por aí...
As praças e as esquinas são as suas prisões.
Sem compreensão e sem amor,
Nem todas podem suportar isso.

~ Arnaldo Poesia ~

Não sei se estou certo.
Nem sei se estou errado.
Não tenho mais opinião.
Sou Prometeu Acorrentado.

Perdi minha identidade
Em algum lugar do passado,
Em algum ponto da cidade...
Já não sei o que fazer.
O mundo está equivocado.

No universo que me foi legado,
Onde nada me foi explicado,
Todos se entendem...
Ou não se compreendem...

O que vem a dar no mesmo...

E perdido no tempo, no espaço,
Nem sempre assumindo o que faço,
Vou atirando no que vejo,
E acertando o que não vejo...

Tanto faz...

E sigo em frente, sem olhar para trás,
Misturado à multidão...
Sem saber o que é perfeito,
Sem saber o que é direito.

~ Uma Palavra de Carinho ~
Adaptação de uma crônica

~ Arnaldo Poesia ~

Paulo saiu de casa para ir trabalhar. Chovia muito, era um desses dias que não dá vontade de fazer nada. Ele voltou e perguntou à mulher: "Sobrou algum café?" Ela disse que sim. Então ambos se sentaram e tomaram café juntos, amigavelmente. E ele disse a ela: "Olhe, a verdade é que temos tido momentos difíceis, mas eu só quero que você saiba o quanto sou feliz no nosso relacionamento e o quanto a amo e gosto de quando estamos juntos um do outro."

Ela acompanhou-o até à porta. Ele lhe disse: "Não se preocupe, guiarei com cuidado." Deu-lhe um beijo e saiu. Não voltou mais.

Foi isso que a susteve; esse reconhecimento tranquilo, inesperado, do que os dois haviam sido um para o outro durante quase cinco anos. Conforme ela disse mais tarde: "Não era coisa que ele fizesse, assim, às nove horas da manhã." Nem é coisa que muitos homens façam. Lembre-se disto: diga-o antes que seja tarde demais.

Palavras de carinho devem ser ditas sempre. Todos podem dar alguma coisa de si mesmo — afeto, esperança, coragem; podemos oferecer um ombro para o outro chorar — e quem dentre nós não conhece alguém que esteja doente, perturbado, ou triste? Todos neste mundo podem fazer uso de um pouco de esperança e muito amor. É tão fácil! Basta pegar num telefone e dizer: "Tenho pensado em você", ou escrever uma carta: "Não tenho tido notícias suas; estou com saudades."

Exige tão pouco! Um homem afaga o ombro da mulher e diz: "Temos algo fora do comum." Uma mulher recosta-se nele e diz: "Eu não o trocaria por coisa alguma deste mundo."

Os pais também. Acostumamo-nos com os nossos pais; somos impacientes, somos esquecidos. Será tão difícil dizer: "Eu penso em tudo que você fez por mim", ou dizer a um filho que está crescendo, ou já está crescido: "Embora tenha lhe chateado muito, acho que você é maravilhoso!"

A maioria das pessoas cruza uma porta e volta; algumas não voltam. Se a coisa foi dita, àquele que nunca mais vê aquela porta abrir-se daquela maneira especial tem um reconhecimento alentador. A comunicação com aqueles a quem amamos é uma das coisas mais importantes do mundo. Faça-o agora, não em tom solene, mas quase de passagem. E faça-o todos os dias.

 

© Arnaldo Poesia, Le Monde, Paris, Quinzaine Littéraire, Paris, 1998/2010.
Tous droits de traduction, de reproduction et d'adaptation réservés pour tous pays.

Outros trabalhos meus:

Suave Encanto - A certeza de um bem-querer
Carta a Luma ... e outras palavras de amor
Contos do Amor Passado
A História de Cupido e Psique
Amar é...
Galeria Flor de Lótus
Kahlil Gibran: O Poeta do Amor
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~ Arnaldo Poesia ~

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