Evolução pela Paz Mundial, e não Violência

~ Amor e Paz ~

Numa época em que se fala tanto em violência, onde a sociedade sente crescer cada vez mais a criminalidade e que os governos se sentem menos potentes em vencer a escalada do mal, quem pode ajudar a amenizar este aparente caos social? A paz do mundo depende da paz mental de cada ser humano, cada família. A paz mental é um estado de equilíbrio do indivíduo; ela se expressa quando todos os aspectos da personalidade têm todas as suas necessidades satisfeitas. Todo ser humano está em repouso; não há desejos ardentes nem angústia provocada pela falta de alguma coisa. Apenas o gozo tranquilo da harmonia é sentido em todos os níveis da personalidade. Como pode cada indivíduo obter esta paz mental e desta forma a sociedade se tornar mais amena?

Consideremos as necessidades humanas como ilustração. Suponhamos que o homem só tivesse uma necessidade: saciar a fome. Paz mental, então, seria a satisfação que ele sente após uma refeição saborosa. Evidentemente esta paz mental não pode durar muito, poucas horas depois terá ele novamente de se alimentar. Se vivesse em incerteza quanto à realização de sua próxima refeição, não teria paz mental à não ser a que desfrutou durante o curto período em que consumiu sua refeição. Se, todavia, os meios fossem suficientes para assegurar refeição para o resto da vida, os períodos entre as refeições regulares não interfeririam com a sua paz mental.

Porém, nossas necessidades são mais complexas. Assim estamos, o tempo todo, tentando aumentar nossa capacidade para satisfazer todas elas com o mínimo de angústia ou temor nos períodos entre uma e outra satisfação.

Somos seres que expressamos nossas necessidades de três maneiras diferentes: a física, a mental e a espiritual. Nos aspectos físico e mental o ser humano encontra a paz mental pela satisfação de suas necessidade, mas é o espiritual que auxilia o processo de obtenção da paz, mesmo quando um ou outro, dos aspectos físico e mental, está insatisfeito.

Este terceiro nível da existência, o espiritual, abrange o amor, a bondade, e a compaixão por todas as criaturas. Também está relacionado com qualidades como a justiça e a lealdade, respeito e confiança, humildade e fé.

Todos nós buscamos a felicidade. A felicidade se manifesta quando alcançamos a paz mental em todos os três níveis de nossa existência. Torna-se evidente, portanto, que a felicidade é o complemento de uma personalidade harmoniosa, bem integrada. Podemos fazer compensar a falta de satisfação física dirigindo nossa energia para maior desenvolvimento de nossa vida mental, por exemplo. Demasiado dispêndio, por outro lado, em determinada área diminuirá a disponibilidade para a outra. A compensação não é sacrifício. Sacrifício é perda sem proveito proporcional. No caso da compensação o proveito é sempre maior do que a perda. Para ilustrar este ponto suponhamos que a mulher não mais seja capaz de compartilhar com seu marido das emoções do alpinismo, por questões de saúde. Ele abandona seu esporte favorito para poder passar seu tempo livre com sua mulher e ambos encontram uma nova distração que é compatível com a sua condição. Se houver entre os dois um laço espiritual genuíno, esta nova expressão de amor tornará o ajuste uma compensação. Sem amor, seria um sacrifício.

Situações que exigem ajuste, seja em favor da própria pessoa, ou, em favor de alguém mais, são mais facilmente superados e proporcionam maior satisfação se dela fizermos uma oportunidade para analisar nosso jogo de valores e para revisá-los, se necessário, em favor de expressões de vida mais sublimes. Frequentemente, isto significa a diferença entre um sacrifício e uma compensação.

No final das contas a paz mental e a felicidade independem de circunstâncias exteriores. São exclusivamente determinadas pela nossa disposição e capacidade para fazer justiça a todos os aspectos de nossa personalidade, usando da possibilidade de compensação. A arte de viver é aprendida através da análise crítica da maneira em que estamos vivendo, e isto inclui o reexame periódico de nosso jogo de valores. Ela jamais se expressa através de algum credo que possamos seguir ou aprovar de maneira formal. Nosso credo verdadeiro e nosso jogo de valores apenas se expressam através da apreciação de nossa maneira de viver. A vida é o mestre, a lição e a escola, tudo ao mesmo tempo. O grau de paz mental e de felicidade que formos capazes de alcançar provará a nossa posição na escola da vida.

Portanto, a diminuição da violência depende do aprimoramento dos valores que as pessoas, órgãos e entidades possam promover na sociedade, nas famílias e no indivíduo. Aumentando a paz mental em cada uma destas células o mundo estará cada vez mais em paz.

~ Arnaldo Poesia ~


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