Entardecer sobre o Morro do Morcego, visto do Parque da Cidade, em Niterói - Foto: © Ricardo Zerrenner


A arte da vida
Consiste em fazer da vida
Uma obra de arte.
              (Mahatma Gandhi)


~ Ramana Mohan Maharshi ~

No vale do monte sagrado de Arunachalan, no sul da Índia, Ramana Mohan Maharshi saía todas as tardes para dar um passeio pela região; momentos depois de ele transpor o portão de sua casa, o gado preso nos currais na aldeia próxima, que ficava a quase 1 quilômetro começava a ficar agitado para libertar-se. Soltos pelos donos, os animais disparavam pelo caminho para juntar-se ao Maharshi e acompanhá-lo em seu passeio, seguidos por todas as crianças e cachorros da aldeia.

Nem bem a caminhada ia longe e já animais selvagens se incorporavam a ela: havia inclusive várias espécies de cobra. Milhares de aves apareciam quase encobrindo o céu; pequeninas mejengras, milhafres e outras aves de rapina, abutres de asas majestosas, tudo isso voava em harmonia em torno do Maharshi em passeio. Quando ele voltava para casa, as aves, os animais e as crianças se dispersavam em silêncio...

Existe um Maharshi em cada um de nós. É só viver em sintonia com a natureza e com o mundo que nos cerca, e coisas maravilhosas nos acontecerão.

~ Arnaldo Poesia ~


~ O Verdadeiro Sentido da Vida ~

WELLINGTON (AFP - 13/03/2008) — Duas cachalotes, que corriam risco de vida porque não conseguiam se afastar do litoral da Nova Zelândia, foram salvas por um golfinho, que as escoltou até alto-mar, informou nesta quarta-feira um funcionário do serviço de proteção animal.

"Foi a primeira vez que vi algo assim, foi incrível", comentou Malcom Smith.

O golfinho, uma fêmea chamada Moko, conseguiu guiar os mamíferos até a altura da praia de Mahia, no litoral oriental da ilha do Norte.

Avisado por um habitante sobre a presença das cachalotes, desorientadas por um banco de areia que as impedia de se afastar do litoral, Malcom Smith tentou guiá-los, mas em vão.

"Elas estavam muito cansadas e eu estava a ponto de desistir, achando que tinha feito tudo que podia", contou, explicando que, na maioria dos casos, os mamíferos, esgotados, se matam para não sofrer mais.

Mas foi aí que entrou em ação a golfinho Moko.

"As cachalotes estabeleceram contato com o golfinho e ele os guiou em paralelo à praia, ao longo de 200 metros até a ponta do banco de areia. Depois, passou por um canal estreito e os escoltou até o mar", continuou Smith.

Pouco depois, Moko voltou para a praia de Mahia, onde vive há um ano e é conhecida por suas brincadeiras aquáticas como se deixar acariciar e empurrar os caiaques.

Existem muitas coisas que dão sentido à vida. Esse belo exemplo é uma delas.


~ Por que não falar com os estranhos? ~

Não Fuja às Complicações. Se existe um segredo para a vitalidade
e para a felicidade, ele consiste em obedecer a esta imposição

"Ora vejam só! Sentados há duas horas, lado a lado, e ainda ninguém falou um com o outro!" Assim costumava um amigo provocar alegremente as pessoas. E sob sua influência simpática, poucos deixavam de se virar e falar com o estranho sentado ao lado.

É a coisa, no entanto, mais simples do mundo; basta uma palavra, um sorriso, para se descobrir, no desconhecido ao nosso lado, um amigo muito interessante. Em vez disto, por excesso de precaução ou timidez, passamos pela vida sem o prazer estimulante de fazer novas amizades.

Por ocasião de uma tempestade de verão no Rio de Janeiro, que paralisou o tráfego, nossa rua ficou completamente bloqueada. Não tínhamos transporte, pois o engarrafamento era grande, faltou luz, os elevadores pararam, e finalmente os telefones ficaram mudos. Alguns apartamentos do edifício onde eu morava, tiveram os vidros das janelas estilhaçados pela força do vento. Vizinhos que nunca se tinham falado, batiam na porta para oferecer ajuda ou simplesmente para conversar. Havia uma festa na casa de um morador; descobrimos que o porteiro do edifício tocava piano, e dançamos animadamente. Meus pares eram de todas as idades, dos quatorze aos oitenta anos!

Mas o que mais me chamou a atenção, foi o fato de ser preciso uma tempestade para vir à tona esse espírito de camaradagem e solidariedade que, em qualquer dia do ano, poderia tão bem ter contribuído para nosso maior bem-estar naquele condomínio.

Quando, nas férias de fim de ano, o ônibus que ia para Arraial do Cabo bateu num caminhão em plena rodovia, os passageiros que tinham feito quase a metade da viagem impassíveis, sem dizer palavra, puseram-se imediatamente a falar. Muitos se achavam presos entre as poltronas; tiveram que esperar até que chegasse ajuda. Uma amiga minha que estava na parte da frente do ônibus, estava ferida, assim como o passageiro da poltrona ao lado, mas começaram os dois logo a conversar e a contar coisas engraçadas, e, com este exemplo de coragem, reanimaram os outros passageiros.

Por que esperar então pela desgraça comum, para deixar transparecer esse espírito de solidariedade? Quem quiser atravessar a vida trancado na sua torre-de-marfim, pode-se isolar com uma couraça de fria reserva: mas acabará por perder todo contato com seus semelhantes; e não terá realmente vivido neste mundo aquele que não olhar dentro do coração das pessoas que a habitam. Nossa tendência é sempre para cair na rotina, freqüentar as mesmas pessoas, falar sobre assuntos idênticos; todavia, conversar com estranhos, de meio e ocupação diferentes dos nossos, são caminhos abertos para novas experiências. Bater um papo com o vizinho do outro lado da rua, fazer perguntas a alguém sobre algum acontecimento, ou a um dono orgulhoso de seu cachorro, são acontecimentos que me têm aberto novos horizontes e aumentado em mim a convicção de que este mundo está cheio de gente interessante.

São encontros rápidos, não há dúvida, mas que nos levam a fazer descobertas preciosas sobre a natureza humana.

Se nos pusermos a lembrar as convenções que pedem que só se fale quando se é apresentado, então nunca teremos jeito nem palavras para nos dirigirmos aos estranhos; mas se formos espontâneos, deixando falar nossos corações, não haverá perigo de sermos indiscretos.

Dia desses, estava eu na livraria de um shopping center, quando notei uma menina muito bonita que lia com visível prazer um trecho de um livro; quando acabou, olhou-me e, dirigindo-se a mim, disse: "Isto é muito lindo. Posso lhe dar para ler?" Aceitei, agradecendo, e li o trecho com muito interesse. Quando lhe devolvi o livro era como se tivéssemos sido apresentados, graças ao prazer compartilhado naquela obra literária. E só então me disse seu nome. Ficamos algum tempo conversando e trocando idéias sobre vários autores. Esquecemos que éramos estranhos.

É muito fácil dirigir-se a palavra a uma pessoa que tem um sorriso simpático nos lábios; mas porque não serei o primeiro a sorrir? Veja o sorriso contagioso que corre de rosto em rosto quando passa uma pessoa que deixa transparecer alegria e felicidade! São poucos os que mostram o que sentem; quase sempre usamos disfarces, que o tempo e a idade só tendem a aumentar.

Se porventura achamos que não temos o que oferecer, nada impede que sejamos pelo menos receptivos. Se em vez de fixarmos as pessoas com olhar distante, procurássemos ver-lhes a expressão do olhar, reconheceríamos muitas vezes expressões de dúvida e ansiedade. Às vezes falo com desconhecidos, porque imagino que precisem de mim. Não me perdoaria passar pela menina que chora num banco de praça, sem lhe dizer uma palavra, ou sem fazer um carinho a alguém de olhos tão infelizes e perdido de si mesmo.

Pense bem, e veja quantos de seus amigos lhe foram formalmente apresentados. Se bem me lembro encontrei-me com Rodrigo na rua, ele saía e eu entrava num cinema. Conheci Camille numa livraria, em Niterói; estava ela lendo um livro, cujo assunto a interessava. Encontrei Carolina na praia de São Francisco, contemplando pela primeira vez aquele magnífico pôr do sol, e precisando muito de falar com alguém.

Vivemos isolados, sem nos interessarmos por ninguém, até que num momento sombrio, ou súbita catástrofe da vida, deixamos transparecer o desejo que temos de conforto e amizade.

Somos todos estranhos uns aos outros, até o dia em que um de nós oferece a mão num gesto de simpatia, e faz por esse meio um novo amigo.

~ Arnaldo Poesia ~


~ Do livro "Conversas com Kafka" ~

Ao chegar à casa do Dr. Kafka, eu estava fora de mim. — O que lhe aconteceu? Tem o rosto lívido. — Vai passar — disse eu com voz estrangulada, tentado sorrir. — Tomaram-me pelo que não sou. — Isso não tem nada de excepcional — observou o Dr. Kafka franzindo ligeiramente os lábios. É um erro que se incorporou às relações humanas. A única coisa que se renova sem cessar na matéria é o sofrimento que delas resulta. — Pegou uma pasta em sua mesa e disse-me: — Fique um momento tranqüilamente sentado. Tenho o que fazer ao lado. Volto logo. Quer que eu feche a porta à chave para que não o incomodem?

— Não, obrigado. Isto vai melhorar.

Kafka deixou a sala sem fazer ruído. Eu me recostei na cadeira.

Sofria naquela época de graves dores de cabeça, que voltavam em intervalos muito irregulares e conseqüentemente imprevisíveis e que eram provocadas por uma hiperexcitabilidade do nervo facial chamado "trigêmeo". Foi um acesso desse tipo que me acometeu, menos de uma hora antes, justamente quando me dirigia ao Instituto de Seguros Operários, tive de me apoiar contra uma parede coberta de cartazes e deixar passar a crise. Ela havia culminado em um acesso de suores frios e vômitos espasmódicos. Isso significava que o pior tinha passado e que a crise chegava ao fim. De minuto em minuto, eu me sentia melhor, mas ainda permanecia imóvel contra a parede, pois minhas pernas tremiam.

As pessoas que passavam lançavam-me olhares irritados e — parecia-me — de desprezo. Uma velha senhora disse a uma jovem que a acompanhava: — Olhe aquele ali. Não passa de um fedelho e já está embriagado como um velho bêbado. Que porco! Prefiro nem pensar no futuro que o espera!

Eu gostaria de ter explicado àquela senhora em que estado estava, mas não pude pronunciar uma palavra. Tinha a garganta fechada. Antes que tivesse podido me refazer, as duas mulheres já haviam desaparecido na esquina próxima. Fui então lentamente para o Instituto de Seguros. Ainda sentia as pernas bambas ao subir a escada. Mas a voz de Kafka teve sobre mim o efeito de um tônico, e depois houve ali o silêncio, apagando toda impressão auditiva, e ao fim de alguns minutos os últimos traços da crise haviam desaparecido.

Quando o Dr. Kafka regressou, contei-lhe o episódio e concluí meu relatório com estas palavras: — Eu deveria ter pegado aquela mulher de jeito e sem moderar minhas palavras! Em vez disso, fiquei mudo. Sou um molenga!

Kafka sacudiu a cabeça e disse:

— Não fale assim. Você não sabe que energia reside no silêncio. A agressividade não passa de poeira nos olhos, é uma manobra que habitualmente se destina a camuflar, aos olhos do mundo e aos seus próprios olhos, a fraqueza daquele que a ela recorre. A verdadeira prova de energia e constância está em se submeter a ela. Só o fraco perde a paciência e torna-se grosseiro. Assim fazendo, perde geralmente toda dignidade humana.

Kafka abriu uma gaveta de sua mesa e ali pegou uma revista. Era o número 21 do quarto ano da revista Kmen ("O Tronco"), que colocou na minha frente, dizendo:

— Na primeira página, há quatro poemas. Um deles é particularmente emocionante. Intitula-se "Pokora" ("Humildade").*

Eu li:

Tornar-me-ei cada vez mais tão pequeno,
Até ser o menor sobre a terra.
Num amanhecer de primavera, no jardim,
Estenderei a mão para uma florzinha,
Contra ela esconderei meu rosto
E murmurarei: Tu, minha criancinha,
Tu que não tens vestido nem sapato, é sobre ti
Que o céu apóia sua mão, sobre tua gota
De orvalho irradiante, e és tu que preservas
Do desmoronamento
Seu edifício gigantesco.

Murmurei: — É poesia.

— Sim — respondeu então Kafka —, é poesia: a verdade envolta nas palavras da amizade e do amor. Cada um de nós, do mais hirsuto cardo a mais elegante palmeira, tudo sustenta o espaço celeste acima de nós, a fim de que o edifício gigantesco, o edifício gigantesco do nosso universo, não desabe. É preciso olhar para além das coisas, e então talvez as compreendamos. Não pense na cena que viveu hoje na rua. Aquela mulher se enganava. É aparentemente incapaz de distinguir entre a impressão e a realidade. Trata-se de uma enfermidade. É uma pobre mulher. Sua sensibilidade está perturbada. Quantas vezes aquela mulher já deve ter esbarrado nas menores coisas e se ferido! — Tocou delicadamente minha mão, que repousava como um peso sobre a revista, e concluiu sorrindo: — O caminho que leva da impressão ao conhecimento é quase sempre longo e difícil, e muitas pessoas não passam de mesquinhos viajantes. É preciso perdoar-lhes quando vêm titubeando chocar-se contra nós como em uma parede.

Recebi de um amigo, a quem tinha emprestado algumas pequeninas somas de dinheiro e a quem não podia a partir de então emprestar mais nada, uma carta grosseira e recheada de insultos. "Macaco pretensioso", "imbecil" e "vaca" eram os termos mais moderados.

Mostrei a carta ao Dr. Kafka, que a empurrou com a ponta dos dedos para a outra extremidade de sua mesa, como um objeto perigoso. E disse:

— Os insultos têm algo de aterrorizante. Esta carta me faz o mesmo efeito que um braseiro esfumaçado, que nos queima a garganta e os olhos. Todo insulto desmantela a maior invenção do homem: a língua. Aquele que profere um insulto... insulta a alma. É uma tentativa de assassinato, perpetrada contra a Graça. Torna-se disso igualmente culpado aquele que não pesar e delimitar. A palavra é uma escolha entre a morte e a vida.

— Que pensa o senhor disso? — perguntei-lhe. — Devo mandar a esse indivíduo uma intimação judicial?

Kafka sacudiu a cabeça com energia:

— Não! Para quê! Ele não daria a menor importância a uma advertência desse tipo. E mesmo se o fizesse... deixe-o. A "vaca" de sua carta cedo ou tarde vai chifrá-lo. Jamais escapamos aos fantasmas que deixamos sair. O mal sempre volta ao seu ponto de partida.

* Esse poema é do poeta tcheco Jirf Wolker.

___________
Bibliografia: Conversas com Kafka, Gustav Janouch, Editora Nova Fronteira, 1983.


~ Cura Para a Solidão ~

Esta história foi inspirada no relato de um amigo
que esteve na escuridão, mas que encontrou a luz

A solidão é um dos mais opressivos testes que o Ser humano pode enfrentar, e uma das mais torturantes experiências. Podemos ter de passar por inúmeros outros sofrimentos: aflição e perdas, choque e dificuldades que sobre nós se abatem de uma ou de outra maneira. Não obstante, parece-nos que não temos uma fonte secreta de proteção contra a pungente desolação que chamamos de solidão.

Solidão é aquela influência maléfica que passa sobre nós, deixando-nos desolados como se um vento árido nos tivesse ressequido. É aquela perda de contato com tudo que normalmente dá sentido à vida. É aquela cegueira da alma em que bradamos para as trevas exteriores, mas não recebemos nenhuma mensagem.

Realmente, ela sobre nós se abate, mais cedo ou mais tarde. Ricos ou pobres, jovens ou velhos, alegres, brilhantes, ou tristonhos com o desapontamento, todos nós teremos de sentir essas sombras; todos nós teremos de sentir o abandono que delas advém. Não obstante, não estamos abandonados, e se tivermos sido preparados de modo adequado seremos suficientemente fortes para esses embates com a solidão.

Que significa estarmos suficientemente preparados?

Significa que devemos estar preparados para saber que a solidão não é um estado mórbido ou doentio, mas uma condição que todos nós temos de enfrentar e podemos superar, um aspecto necessário da vida. A solidão e pessoas solitárias não são comuns. Conheci moradores de campo de mineração, de planícies e de deserto que só viam estranhos uma vez por mês; no entanto, eles se mostravam tão fortes e revigorados como o vento. Davam mostra de uma espécie particular de recuperação de forças. Haviam aprendido a viver sozinhos e isolados, a ser autênticos e a se valer dos recursos em seu interior.

Somos, na verdade, "excepcional e maravilhosamente formados". Para toda doença que nos ataque, temos um meio secreto de cura, se apenas nos dispusermos a usá-lo.

Mas, qual a cura para a solidão?

Reduz-se ela a sentar-nos para cogitar, para pensar sobre a esterilidade do remorso e do desapontamento? É isto proteção contra a erosão lenta da solidão? E se não o é, então, qual a cura?

A cura está em toda parte. Ela está na maneira de viver. Está em lutarmos contra influências negativas, lançando-nos à vida; está em todos os olhos que fitamos; no abanar do rabo dos cães; na música sublime das árvores; no canto alegre das aves; na flor que brota nos jardins; no sorriso espontâneo de alguém quando olha para nós; na esperança. E, principalmente, na fé em Deus.

Quando uma pessoa está perturbada, acamada, ou arruinada de maneira espiritual ou material, a cura da solidão está na maneira de viver, de se tornar parte da vida, parte de toda a vida que vibra ao seu redor. Nada deve tornar a alma aniquilada.

Como tenho conhecimento dessas duras verdades?

Delas tomei ciência por ter estado tão isolado que eu, também, tive de abrir caminho para retornar à luz. Momentos de oração, visualização, meditação e contemplação me foram tão importantes para vencer a inércia instalada que sugiro a todos que desenvolvam estas práticas.

~ Arnaldo Poesia ~


Outros trabalhos meus:

Carta a Luma ... e outras palavras de amor
Conto & Verso
Contos de Primavera
Amar é...
Silvia, com Amor
A História de Cupido e Psique
Contos do Amor Passado
Kahlil Gibran - O Poeta do Amor
Galeria Flor de Lótus
Galeria Barroco
Flor de Lótus
Ludwig van Beethoven
Wolfgang Amadeus Mozart
William Shakespeare


© Arnaldo Poesia, Quinzaine Littéraire, Paris, Le Monde de Paris, Paris, 2002/2008.
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– A linda imagem do início da página é do fotógrafo Ricardo Zerrenner, um dos maiores
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