o vale do monte sagrado de Arunachalan,
no sul da Índia, Ramana Mohan Maharshi saía todas as tardes para dar um passeio
pela região; momentos depois de ele transpor o portão de sua casa, o gado preso
nos currais na aldeia próxima, que ficava a quase 1 quilômetro começava a ficar
agitado para libertar-se. Soltos pelos donos, os animais disparavam pelo caminho
para juntar-se ao Maharshi e acompanhá-lo em seu passeio, seguidos por todas as
crianças e cachorros da aldeia.
Nem bem a caminhada ia longe e já animais selvagens se incorporavam a ela:
havia inclusive várias espécies de cobra. Milhares de aves apareciam quase
encobrindo o céu; pequeninas mejengras, milhafres e outras aves de rapina, abutres
de asas majestosas, tudo isso voava em harmonia em torno do Maharshi em passeio.
Quando ele voltava para casa, as aves, os animais e as crianças se dispersavam em
silêncio...
Existe um Maharshi em cada um de nós. É só viver em sintonia com a natureza e
com o mundo que nos cerca, e coisas maravilhosas nos acontecerão.
~ Arnaldo Poesia ~


~ O Verdadeiro Sentido da Vida ~

WELLINGTON (AFP - 13/03/2008) — Duas cachalotes,
que corriam risco de vida porque não conseguiam se afastar do litoral da Nova
Zelândia, foram salvas por um golfinho, que as escoltou até alto-mar, informou nesta
quarta-feira um funcionário do serviço de proteção animal.
"Foi a primeira vez que vi algo assim, foi incrível", comentou Malcom
Smith.
O golfinho, uma fêmea chamada Moko, conseguiu guiar os mamíferos até a altura
da praia de Mahia, no litoral oriental da ilha do Norte.
Avisado por um habitante sobre a presença das cachalotes, desorientadas por
um banco de areia que as impedia de se afastar do litoral, Malcom Smith tentou
guiá-los, mas em vão.
"Elas estavam muito cansadas e eu estava a ponto de desistir, achando que
tinha feito tudo que podia", contou, explicando que, na maioria dos casos, os
mamíferos, esgotados, se matam para não sofrer mais.
Mas foi aí que entrou em ação a golfinho Moko.
"As cachalotes estabeleceram contato com o golfinho e ele os guiou em
paralelo à praia, ao longo de 200 metros até a ponta do banco de areia. Depois,
passou por um canal estreito e os escoltou até o mar", continuou Smith.
Pouco depois, Moko voltou para a praia de Mahia, onde vive há um ano e é
conhecida por suas brincadeiras aquáticas como se deixar acariciar e empurrar os
caiaques.
Existem muitas coisas que dão sentido à vida. Esse belo exemplo é uma delas.


~ Por que não falar com os estranhos? ~
Não Fuja às Complicações. Se existe um segredo para a vitalidade
e para a felicidade, ele consiste em obedecer a esta imposição
"Ora vejam só! Sentados há duas horas, lado a lado, e ainda ninguém falou um com o outro!"
Assim costumava um amigo provocar alegremente as pessoas. E sob sua influência simpática, poucos deixavam
de se virar e falar com o estranho sentado ao lado.
É a coisa, no entanto, mais simples do mundo; basta uma palavra, um sorriso, para se descobrir, no
desconhecido ao nosso lado, um amigo muito interessante. Em vez disto, por excesso de precaução ou timidez,
passamos pela vida sem o prazer estimulante de fazer novas amizades.
Por ocasião de uma tempestade de verão no Rio de Janeiro, que paralisou o tráfego, a rua de um amigo ficou
completamente bloqueada. Não tinham transporte, pois o engarrafamento era grande, faltou luz, os
elevadores pararam, e finalmente os telefones ficaram mudos. Alguns apartamentos do edifício onde ele morava,
tiveram os vidros das janelas estilhaçados pela força do vento. Vizinhos que nunca se tinham falado, batiam
na porta para oferecer ajuda ou simplesmente para conversar. Havia uma festa na casa de um morador;
descobriram que o porteiro do edifício tocava piano, e dançaram animadamente. Os pares eram de todas as
idades, dos quatorze aos oitenta anos!
Mas o que mais lhe chamou a atenção, foi o fato de ser preciso uma tempestade para vir à tona esse espírito
de camaradagem e solidariedade que, em qualquer dia do ano, poderia tão bem ter contribuído para seu
maior bem-estar naquele condomínio.
Quando, nas férias de fim de ano, o ônibus que ia para Cabo Frio bateu num caminhão em plena
rodovia, os passageiros que tinham feito quase a metade da viagem impassíveis, sem dizer palavra, puseram-se
imediatamente a falar. Muitos se achavam presos entre as poltronas; tiveram que esperar até que chegasse
ajuda. Uma amiga minha que estava na parte da frente do ônibus, estava ferida, assim como o passageiro da
poltrona ao lado, mas começaram os dois logo a conversar e a contar coisas engraçadas, e, com este exemplo
de coragem, reanimaram os outros passageiros.
Por que esperar então pela desgraça comum, para deixar transparecer esse espírito de solidariedade? Quem
quiser atravessar a vida trancado na sua torre dourada, pode-se isolar com uma couraça de fria reserva:
mas acabará por perder todo contato com seus semelhantes; e não terá realmente vivido neste mundo aquele que
não olhar dentro do coração das pessoas que a habitam. Nossa tendência é sempre para cair na rotina,
frequentar as mesmas pessoas, falar sobre assuntos idênticos; todavia, conversar com estranhos, de meio e
ocupação diferentes dos nossos, são caminhos abertos para novas experiências. Bater um papo com o vizinho do
outro lado da rua, fazer perguntas a alguém sobre algum acontecimento, ou a um "pai" orgulhoso de seu cachorro,
são acontecimentos que me têm aberto novos horizontes e aumentado em mim a convicção de que este mundo está
cheio de gente interessante.
São encontros rápidos, não há dúvida, mas que nos levam a fazer descobertas preciosas sobre
a natureza humana.
Se nos pusermos a lembrar as convenções que pedem que só se fale quando se é apresentado, então nunca
teremos jeito nem palavras para nos dirigirmos aos estranhos; mas se formos espontâneos, deixando falar
nossos corações, não haverá perigo de sermos indiscretos.
Dia desses, estava eu na livraria de um shopping center, quando notei uma menina muito bonita que lia com
visível prazer um trecho de um livro; quando acabou, olhou-me e, dirigindo-se a mim, disse: "Isto é muito lindo.
Posso lhe dar para ler?" Aceitei, agradecendo, e li o trecho com muito interesse. Quando lhe devolvi o livro
era como se tivéssemos sido apresentados, graças ao prazer compartilhado naquela obra literária. E só então me
disse seu nome. Ficamos algum tempo conversando e trocando idéias sobre vários autores. Esquecemos que éramos
estranhos.
É muito fácil dirigir-se a palavra a uma pessoa que tem um sorriso simpático nos lábios; mas porque não
serei o primeiro a sorrir? Veja o sorriso contagioso que corre de rosto em rosto quando passa uma pessoa que
deixa transparecer alegria e felicidade! São poucos os que mostram o que sentem; quase sempre usamos
disfarces, que o tempo e a "idade" só tendem a aumentar.
Se porventura achamos que não temos o que oferecer, nada impede que sejamos pelo menos receptivos. Se em
vez de fixarmos as pessoas com olhar distante, procurássemos ver-lhes a expressão do olhar, reconheceríamos
muitas vezes expressões de dúvida e ansiedade. Às vezes falo com desconhecidos, porque imagino que
precisem de mim. Não me perdoaria passar pela menina que chora num banco de praça, sem lhe dizer uma
palavra, ou sem fazer um carinho a alguém de olhos tão infelizes e perdido de si mesmo.
Pense bem, e veja quantos de seus amigos lhe foram formalmente apresentados. Se bem me lembro
encontrei-me com Rodrigo na rua, ele saía e eu entrava num cinema. Conheci Camille numa livraria, em
Niterói; estava ela lendo um livro, cujo assunto a interessava. Encontrei Carolina na praia de São Francisco,
contemplando pela primeira vez aquele magnífico pôr do sol, e precisando muito de falar com alguém.
Vivemos isolados, sem nos interessarmos por ninguém, até que num momento feliz, ou súbita catástrofe da
vida, deixamos transparecer o desejo que temos de conforto e amizade.
Somos todos estranhos uns aos outros, até o dia em que um de nós oferece a mão num gesto de simpatia, e
faz por esse modo um novo amigo.
~ Arnaldo Poesia ~


~ Do livro "Conversas com Kafka" ~
A
o chegar à casa do Dr. Kafka, eu estava
fora de mim. — O que lhe aconteceu? Tem o rosto lívido. — Vai passar — disse eu
com voz estrangulada, tentado sorrir. — Tomaram-me pelo que não sou. — Isso não
tem nada de excepcional — observou o Dr. Kafka franzindo ligeiramente os lábios.
É um erro que se incorporou às relações humanas. A única coisa que se renova sem
cessar na matéria é o sofrimento que delas resulta. — Pegou uma pasta em sua mesa
e disse-me: — Fique um momento tranqüilamente sentado. Tenho o que fazer ao lado.
Volto logo. Quer que eu feche a porta à chave para que não o incomodem?
— Não, obrigado. Isto vai melhorar.
Kafka deixou a sala sem fazer ruído. Eu me recostei na cadeira.
Sofria naquela época de graves dores de cabeça, que voltavam em intervalos
muito irregulares e conseqüentemente imprevisíveis e que eram provocadas por uma
hiperexcitabilidade do nervo facial chamado "trigêmeo". Foi um acesso
desse tipo que me acometeu, menos de uma hora antes, justamente quando me dirigia ao
Instituto de Seguros Operários, tive de me apoiar contra uma parede coberta de
cartazes e deixar passar a crise. Ela havia culminado em um acesso de suores
frios e vômitos espasmódicos. Isso significava que o pior tinha passado e que a
crise chegava ao fim. De minuto em minuto, eu me sentia melhor, mas ainda
permanecia imóvel contra a parede, pois minhas pernas tremiam.
As pessoas que passavam lançavam-me olhares irritados e — parecia-me — de
desprezo. Uma velha senhora disse a uma jovem que a acompanhava: — Olhe aquele
ali. Não passa de um fedelho e já está embriagado como um velho bêbado. Que
porco! Prefiro nem pensar no futuro que o espera!
Eu gostaria de ter explicado àquela senhora em que estado estava, mas não
pude pronunciar uma palavra. Tinha a garganta fechada. Antes que tivesse podido
me refazer, as duas mulheres já haviam desaparecido na esquina próxima. Fui
então lentamente para o Instituto de Seguros. Ainda sentia as pernas bambas ao
subir a escada. Mas a voz de Kafka teve sobre mim o efeito de um tônico, e
depois houve ali o silêncio, apagando toda impressão auditiva, e ao fim de
alguns minutos os últimos traços da crise haviam desaparecido.
Quando o Dr. Kafka regressou, contei-lhe o episódio e concluí meu relatório
com estas palavras: — Eu deveria ter pegado aquela mulher de jeito e sem moderar
minhas palavras! Em vez disso, fiquei mudo. Sou um molenga!
Kafka sacudiu a cabeça e disse:
— Não fale assim. Você não sabe que energia reside no silêncio. A
agressividade não passa de poeira nos olhos, é uma manobra que habitualmente se
destina a camuflar, aos olhos do mundo e aos seus próprios olhos, a fraqueza
daquele que a ela recorre. A verdadeira prova de energia e constância está em se
submeter a ela. Só o fraco perde a paciência e torna-se grosseiro. Assim
fazendo, perde geralmente toda dignidade humana.
Kafka abriu uma gaveta de sua mesa e ali pegou uma revista. Era o número 21
do quarto ano da revista Kmen ("O Tronco"), que colocou na minha frente,
dizendo:
— Na primeira página, há quatro poemas. Um deles é particularmente
emocionante. Intitula-se "Pokora" ("Humildade").*
Eu li:
Tornar-me-ei cada vez mais pequeno,
Até ser o menor sobre a terra.
Num amanhecer de primavera, no jardim,
Estenderei a mão para uma florzinha,
Contra ela esconderei meu rosto
E murmurarei: Tu, minha criancinha,
Tu que não tens vestido nem sapato, é sobre ti
Que o céu apóia sua mão, sobre tua gota
De orvalho irradiante, e és tu que preservas
Do desmoronamento
Seu edifício gigantesco.
Murmurei: — É poesia.
— Sim — respondeu então Kafka —, é poesia: a verdade envolta nas palavras da
amizade e do amor. Cada um de nós, do mais hirsuto cardo a mais elegante
palmeira, tudo sustenta o espaço celeste acima de nós, a fim de que o edifício
gigantesco, o edifício gigantesco do nosso universo, não desabe. É preciso olhar
para além das coisas, e então talvez as compreendamos. Não pense na cena que
viveu hoje na rua. Aquela mulher se enganava. É aparentemente incapaz de
distinguir entre a impressão e a realidade. Trata-se de uma enfermidade. É uma
pobre mulher. Sua sensibilidade está perturbada. Quantas vezes aquela mulher já
deve ter esbarrado nas menores coisas e se ferido! — Tocou delicadamente minha
mão, que repousava como um peso sobre a revista, e concluiu sorrindo: — O
caminho que leva da impressão ao conhecimento é quase sempre longo e difícil, e
muitas pessoas não passam de mesquinhos viajantes. É preciso perdoar-lhes quando
vêm titubeando chocar-se contra nós como em uma parede.

Recebi de um amigo, a quem tinha emprestado algumas pequeninas somas de
dinheiro e a quem não podia a partir de então emprestar mais nada, uma carta
grosseira e recheada de insultos. "Macaco pretensioso", "imbecil" e "vaca" eram
os termos mais moderados.
Mostrei a carta ao Dr. Kafka, que a empurrou com a ponta dos dedos para a
outra extremidade de sua mesa, como um objeto perigoso. E disse:
— Os insultos têm algo de aterrorizante. Esta carta me faz o mesmo efeito que
um braseiro esfumaçado, que nos queima a garganta e os olhos. Todo insulto
desmantela a maior invenção do homem: a língua. Aquele que profere um insulto...
insulta a alma. É uma tentativa de assassinato, perpetrada contra a Graça.
Torna-se disso igualmente culpado aquele que não pesar e delimitar. A palavra é
uma escolha entre a morte e a vida.
— Que pensa o senhor disso? — perguntei-lhe. — Devo mandar a esse indivíduo
uma intimação judicial?
Kafka sacudiu a cabeça com energia:
— Não! Para quê! Ele não daria a menor importância a uma advertência desse
tipo. E mesmo se o fizesse... deixe-o. A "vaca" de sua carta cedo ou tarde vai
chifrá-lo. Jamais escapamos aos fantasmas que deixamos sair. O mal sempre volta
ao seu ponto de partida.
* Esse poema é do poeta tcheco Jirf Wolker.
___________
Bibliografia: Conversas com Kafka, Gustav Janouch, Editora Nova Fronteira, 1983.


~ O Plano de Deus ~
Copiei e traduzi esse excelente texto do Dr. Harvey Spencer
Lewis, Primeiro Imperator da Amorc (Ordem Rosacruz), que foi publicado na
revista "The Rosicrucian Forum", de fevereiro de 1939, cujos temas abordados
continuam muito atuais desde aquela época.
~ Arnaldo Poesia ~
Harvey Spencer Lewis abre um de seus artigos interessantes com a seguinte
pergunta, de uma Sóror Rosacruz dos Estados Unidos: "Qual é o plano de
Deus para seus Filhos?" E ele responde:
Esta pergunta não nos surpreende. Quando lemos o nosso jornal diário nos
deparamos com notícias que estarrecem a nossa imaginação pelo comportamento
desumano. Quando vemos a devastação feita pelo ser humano, não podemos deixar de
perguntar: será essa a vida que Deus planejou para seus filhos? Será esse o ser
criado à imagem de Deus? Será que estamos mais distantes que nunca da Terra
Prometida? Será a Era de Ouro, a era de paz, amor e alegria um mito, uma ilusão,
um sonho?
É verdade, caros amigos, que a luta é necessária ao desenvolvimento. É
verdade que devemos encarar a vida como uma gloriosa aventura. É verdade que o
mal tem sua função no divino esquema das coisas. É verdade que temos de ser
capazes de compreender toda a situação, de todos os ângulos ou pontos de vista
possíveis, para apreender o todo harmonioso.
A vida, hoje em dia, não é como Deus quis que ela fosse. Deus não quis que um
terço de uma grande nação vivesse mal nutrido, mal abrigado e mal vestido. Deus
não quis que enormes somas de dinheiro fossem gastas em armamentos e recursos de
destruição. Não planejou um nacionalismo tão intenso e arrogante que uma fusão
natural de culturas se tornasse impossível. Estamos no mais profundo da Idade de
Ferro. Há uma corrupção desenfreada nos altos escalões. O egoísmo e a
indiferença entre aqueles que deveriam estar atentos a isso deram uma posição
firme às forças da intolerância. As democracias do mundo revelaram sua fraqueza
inerente num momento de crise e perderam sua posição de influência e poder. Bem
diante de nossos olhos, uma época está chegando ao seu final. Bem diante de
nossos olhos, o equilíbrio do poder está mudando. Como quer que as nações ajam,
os planos de Deus não falham. Aos olhos de Deus, um milênio é como uma noite de
vigília. Uma existência é apenas um dia na vida da alma. No final os homens
terão de aprender a viver uns com os outros em paz e harmonia. Terão de aprender
que a verdadeira liberdade só existe na harmonia com a vontade divina, que a
verdadeira auto-expressão está em cada indivíduo perceber sua própria relação
filial com o Ser Divino.
O ser humano aprende tão devagar essas poucas e simples lições que nos
perguntamos onde está a dificuldade. Será que os obreiros na vinha do Senhor são
demasiadamente escassos? Será que as lições de amor, serviço e fraternidade, são
difíceis demais para se entender? Será o ódio mais deleitoso do que o amor? Será
o egoísmo mais atraente do que o serviço e a fraternidade? Serão as recompensas
da retidão inferiores aos ganhos ilícitos da iniquidade? Serão o primata, o
tigre e a serpente mais atraentes do que a pomba da paz?
Ora, vamos raciocinar juntos, propõe o profeta. Que é que o Senhor te pede?
Apenas que faças justiça, que ames a misericórdia e que sejas humilde perante o
Senhor teu Deus. "Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, porque o
meu jugo é suave.", diz o Cristo. Como é a vida que Deus quer que vivamos? Como
seria o mundo se as nações obedecessem às leis de Deus e os soberanos
governassem com o espírito do divino Pai?
Em primeiro lugar, a Terra seria um paraíso de amor e beleza. Para onde quer
que nos voltássemos veríamos jardins e pomares, belos parques e sinuosos
caminhos. Por onde quer que andássemos ouviríamos o canto dos pássaros, o
borbulhar das fontes e o murmurejar dos riachos. Quando estivéssemos cansados,
poderíamos sentar sob árvores frondosas. Poderíamos passar facilmente de um
lugar para outro. Haveria emprego para todo mundo. Cada ser humano faria o
trabalho que seu grau de evolução permitisse e que seu desenvolvimento
requeresse para o desabrochar de seus talentos. O empenho de explorar os
recursos do mar, da terra e do céu absorveria a maior parte da energia do ser
humano.
Quando esse tempo chegar, ninguém terá de trabalhar mais que algumas horas
por dia. Ninguém terá de trabalhar mais que alguns dias por semana. Haverá tempo
para cada interesse que um ser humano possa ter. Haverá tempo para marido e
mulher cultivarem o verdadeiro companheirismo, para pais e filhos se entenderem.
Haverá tempo para muitas amizades, para o cultivo das artes e das ciências, bem
como de divertimentos, para a criação de beleza, para viagens prolongadas e,
acima de tudo, para o cultivo do Eu interior, das faculdades e potencialidades
divinas do ser humano.
A educação será trina: ajudar a pessoa a se descobrir; ajudar a pessoa a
descobrir seu lugar no mundo e ajudar a pessoa a iniciar sua jornada no caminho
da iluminação. Ver o mundo será parte da educação de todo ser humano. Os navios
de guerra serão convertidos em escolas flutuantes. Quando um jovem se tornar
adulto conhecerá o mundo por contato direto e não por ter lido livros de
geografia e de viagens e ter visto fotos dos Alpes e das florestas da África. As
nações do mundo serão como instrumentos de uma orquestra universal. Cada qual
tocará sua nota distintiva em sua cultura, seus costumes e suas contribuições
para a civilização. Nações competirão em hospitalidade e generosidade. As portas
de todas as universidades estarão abertas aos habitantes do mundo. O único
requisito será a capacidade de aprender e um motivo útil para isso.
Com toda a população do mundo sendo educada e tendo acesso a viagens, com
todos os lugares ermos do mundo sendo transformados em jardins, com todos os
doentes recebendo os devidos cuidados e atenções, haverá uma tarefa amorosa para
todo ser humano. Na manhã da vida, todo indivíduo estará concentrado em
desenvolver seus talentos. Na tarde da vida ele oferecerá seus talentos como uma
dádiva ao mundo. Na noite da vida buscará a divina iluminação e o cultivo de
seus poderes superiores. Não haverá cemitérios. Todo mundo saberá que não existe
morte. Todas as formas de instrumentos de guerra se tornarão curiosidades de
museus. As dificuldades terão natureza construtiva. As pessoas se concentrarão
em conquistar a Natureza, em estabilizar o clima e a temperatura. A educação
estará concentrada em extirpar os males da bebida e das drogas, das doenças
contagiosas, ou incuráveis, em ajudar seres humanos a superarem as desvantagens
de temperamento, caráter e ambiente, em ajudar seres humanos a se tornarem
criativos.
Toda comunidade terá sua orquestra, seu coro, seu salão de exposições e seu
fórum. Toda comunidade terá seu salão social, sua universidade para o povo e seu
local de adoração. A religião será universal. Todos os Avatares de Deus serão
igualmente reverenciados e seus ensinamentos apreciados. Os Upanishads, o
Bhagavad-Gita, o Livro dos Salmos, os Profetas, as parábolas de Jesus, serão a
herança de todos no mundo inteiro. A música será uma parte intrínseca da
educação, da religião e da vida comunitária. O ser humano louvará Deus em canto,
poesia, dança e obras de arte. Louvará a Deus em inúmeros atos de amor e
bondade. A educação terá o objetivo de tornar todas as pessoas receptivas à
divina inspiração. Nenhum talento será perdido. Todo gênio colocará mais uma
estrela na resplandecente coroa da civilização. O objetivo da dança será ajudar
o ser humano a alcançar o êxtase e a simetria. Na música ele tentará alcançar os
planos superiores e se empenhará em registrar a música das esferas. Na poesia e
na literatura ele há de expressar em memorável forma as grandes leis do
universo. Na ciência, fará experimentos nos campos até hoje intocados.
O ser humano iluminado será honrado. Aquele que mais tiver se adiantado no
caminho para a divindade será o cidadão mais eminente. O gênio versátil será o
cidadão procurado pelos governantes. Nossos filhos terão por objetivo emular
grandes personalidades, como Aristóteles, que deixou sua marca em todos os ramos
da ciência; como Leonardo da Vinci, igualmente dotado em pintura, escultura e
engenharia; como Francis Bacon, que se tornou célebre como poeta, dramaturgo,
juiz, filósofo e cientista. Nossas filhas emularão Débora, de Israel, esposa e
mãe, mas também juíza que morava debaixo de uma palmeira. Ou emularão Elizabeth
Barret Browning, poetisa e esposa de um poeta numa união mais gloriosa do que a
representada em contos de fadas; ou Madame Curie, ganhadora do prêmio Nobel,
pela descoberta do elemento químico rádio, esposa de um cientista tão grande
quanto ela e mãe de duas filhas, a mais velha uma cientista que também ganhou um
prêmio Nobel.
Os problemas de casamento deixarão de existir. Será desnecessário casar por
dinheiro, posição social ou segurança. As linhas divisórias de seitas, credos e
nacionalidades não mais farão sentido. As pessoas se casarão somente por amor. E
estarão unidas em seu amor recíproco, em seus filhos e no trabalho que farão
juntos por sua comunidade. Toda a humanidade estará se esforçando para
transcender o plano físico. Todos os seres humanos estarão preparados para
trabalhar com a próxima onda da evolução humana. Que tarefa pode ser mais nobre
do que ajudar a Deus na obra da Criação? Que tarefa pode ser mais gratificante
do que ajudar seres humanos a evoluir?
Não é esta a visão da vida como Deus pretendeu que ela fosse como ela há de
ser, uma vida inspiradora e capaz de satisfazer a alma? Vocês acham que isso é
um devaneio? Acham que sua realização é impossível? Caros amigos, isso não é um
devaneio. Não é uma coisa impossível de realizar. É o Plano Divino e, se os
seres humanos o desejarem e estiverem dispostos a cooperar para concretizá-lo, a
visão se tornará realidade. Como vamos pôr esse glorioso sonho em manifestação?
Muito facilmente, irmãos e irmãs. Podemos resolutamente dar as costas ao
holocausto da moderna civilização e começar hoje mesmo. Temos de acalentar esse
sonho em nosso coração. Temos de fazer do lugar onde vivemos uma morada de amor
e beleza. Temos de viver a vida ideal e incutir em nossos filhos os mais
elevados e nobres ideais. Temos de trabalhar incessantemente para aperfeiçoar o
nosso caráter e estimular os pintores, os músicos, os escritores e os cientistas
de nosso próprio círculo e de nossa própria comunidade. Que seja nossa ambição
pessoal fazer a vontade de Deus na Terra e entre todos.
Os pensamentos têm asas. Podem se propagar aos confins da Terra. O primeiro
raio do Sol anuncia o brilhante alvorecer. Uma pequena nuvem, não maior que a
mão de uma pessoa, pode crescer até cair como uma chuva refrescante. Uma pequena
comunidade de luz e amor pode inspirar o mundo. Não estamos sozinhos. Há grupos
no mundo inteiro que acalentam esse sonho, que buscam o caminho para Deus, que
são filhos da luz e do amor. Se nos concentrarmos nos obstáculos e nas
dificuldades vamos ficar desanimados. Recusamo-nos a prestar atenção às coisas
maravilhosas que Deus criou para nós. Por isso, devemos manter nossos olhos
firmemente voltados para a divina luz. Devemos cumprir a nossa tarefa mais
imediata. Fortaleçamos o pensamento de amor. Irradiemos o nosso amor o mais
longe possível. Raça, seita, credo e cor não existem para nós. Ensinemos por
preceituação e pelo exemplo. Deixemos que a beleza ilumine a nossa vida de todas
as maneiras possíveis. Aprendamos a lição de trabalhar pacientemente por um
grande ideal, ainda que os resultados não sejam imediatamente aparentes. Onde
são plantadas as sementes divinas os resultados são inevitáveis. Deus não pode
falhar!
_________
© Arnaldo Poesia, Quinzaine Litteraire, Paris – Le Monde, Paris,
1987/2010.


~ A Arte de Curar ~
Cada vez mais pessoas estão questionando a validade da
ciência médica e tentando encontrar outro tipo de ajuda para os males que as
assolam. Durante séculos, os curadores não-ortodoxos foram perseguidos pelos
médicos alopatas. Hoje, entretanto, a profissão médica parece estar sendo
invadida por um tipo diferente de médico: aquele que escolhe o caminho da
Medicina Holística. Este último acredita na cura total do homem — física, mental
e espiritual — e para ele a responsabilidade por uma vida saudável está no
próprio indivíduo. Pessoas do mundo inteiro estão atualmente questionando os
conselhos de seus médicos, exigindo serem totalmente informadas sobre os prós e
contras de suas circunstâncias particulares, expressando as conclusões a que
chegaram e, em geral, tomando a responsabilidade por sua própria saúde.
Por muitos séculos, a cura tem sido a prerrogativa dos médicos formados que,
com seus tubos de ensaio e métodos sofisticados de cirurgia, têm feito
verdadeiros milagres. Mas o que dizer dos incontáveis casos em que não
conseguiram curar o corpo físico? Seus métodos de cura falharam ou existe a
situação em que o médico, por mais preparado que seja, só pode trabalhar com o
corpo físico e precisa da cooperação da mente do paciente para obter uma
recuperação total e completa?
A mente pode causar um número de doenças pelo estresse e pela maneira pela
qual este o leva a encarar a vida. A mente, portanto, também pode curar o corpo
de qualquer doença que lhe tenha infligido. Por que, então, a maioria das pessoas
é incapaz de usar esse poderoso instrumento que está à sua disposição para a
obtenção da perfeita saúde, por meio da vontade?
Nossa atitude mental perante a vida é, como sabemos, cinzelada pelas muitas
experiências que encontramos no presente, assim como por aquelas com que
tivemos de lidar no passado. Nossas reações de raiva, depressão e ódio
colocam em movimento certas vibrações negativas que em algum momento atuam em
nosso sensível corpo psíquico e provocam a degradação gradual de nossas células
físicas. Os médicos estão agora verificando que o câncer, embora tenha rápido
crescimento uma vez que se manifeste, pode levar até quarenta anos para se formar.
Atitudes mentais, infelizmente, não podem ser modificadas do dia para a noite.
Foram necessários anos, provavelmente séculos, para moldar nossos padrões de
pensamento, e só através de uma estrita disciplina é que podemos superá-los e
estabelecer novas tendências.
Fisicamente, o corpo também requer cuidado especial. É importante mantê-lo
asseado, confortável e nutrido com os tipos certos de alimentos, fornecendo-lhe
assim todos os nutrientes necessários para o funcionamento normal de nossas
células. O estudo da nutrição, portanto, também é um atributo muito importante da
arte de curar. Outro passo é a necessidade de exames médicos regulares para que
seja verificado se nosso corpo físico está funcionando perfeitamente e para
detectar problemas menores de saúde logo de início, quando podem ser facilmente
tratados.
O aspecto mais vital da cura, entretanto, é nossa comunhão diária com o Divino.
Muitas pessoas costumam sentir que, pelo fato de que não conseguem alcançar
resultados extraordinários durante seus períodos de meditação, nada têm a ganhar
com a sua prática regular. Devemos compreender que Deus é, e que só pode
manifestar-se através de nós se lhe dermos condições para que isso aconteça.
Se julgarmos que não estamos colhendo qualquer benefício de nossos períodos
diários de harmonização, não podemos simplesmente dispensá-los como rituais
desnecessários. Suponhamos que as luzes não acendam quando ligamos o interruptor à
noite. seria esta uma razão para negarmos a existência da eletricidade? Não, você
sabe que ela existe, e obviamente vai testar o interruptor, a fiação, ou as
lâmpadas para descobrir por que a luz não acende. Da mesma forma, você deve saber
que Deus é. Tenha essa convicção interior, e analise seu próprio Eu para saber
a razão de não conseguir se harmonizar com ele e receber sua divina orientação.
Examine-se — você está sintonizado? Está meramente realizando o ritual enquanto não
tem certeza de que há algo além? Estará a dúvida escravizando sua mente? Ouse
acreditar!
Quando você tiver conseguido alcançar esse estado de certeza íntima, em cada
momento de sua vida, de que o Bem está com você, verá que nenhuma petição pela
saúde ficará sem resposta. Deus não decretou que você deve sofrer. São nossos
pensamentos que criam nosso sofrimento físico. Talvez uma das maneiras mais fáceis
de vivenciar a presença de Deus é usar o divino princípio do Amor. A qualquer hora
do dia, dirija pensamentos de amor às pessoas que você conhece, não só as que você
ama, mas especialmente as que não aprecia. O amor nunca se perde; ele retorna para
você e purifica sua alma de todos os pensamentos maus ou negativos. Se alguém disse
ou fez alguma coisa para magoá-lo, pense nessa pessoa e envie-lhe vibrações de amor.
Se achar que isso é pedir demais, visualize para que o semblante da pessoa que você
não quer bem seja amado. Use as palavras "Eu amo o bem em você". São palavras
verdadeiramente poderosas.
A atitude mental é, portanto, a principal razão pela qual os médicos nem sempre
têm êxito na eliminação total das doenças de certas pessoas. Enquanto a mente não
conseguir aquele controle sobre seus pensamentos e emoções e não aprender a lição do
amor, não poderá haver cura verdadeira.
Os médicos são apenas mediadores através dos quais o poder curador de Deus pode
operar. Eles, mais que o médico ortodoxo, precisam da total cooperação do paciente
para ter sucesso em seus esforços em prol de uma cura. Contudo, a crença em um ser
todo-poderoso, é o melhor, deve estar firmemente implantada no subconsciente da
pessoa através de anos de aplicação prática, antes que a lição possa ser aprendida e
a cura alcançada.
O caminho da cura não é fácil, pois representa, realmente, uma reeducação de toda
a nossa personalidade. Podemos levar uma vida inteira para alcançar aquele sublime
estado de harmonização mística pela qual nosso corpo pode envelhecer e fenecer sem o
sofrimento de uma doença terminal. Curar não é uma arte que nos permita imortalizar
o corpo terreno, antes é uma ajuda que nos propicia conquistar uma vida livre de
tensões e doenças, de modo a podermos ser mais capazes de auxiliar nosso próximo no
caminho da saúde e da felicidade.
Ao considerarmos a questão da cura, devemos nos lembrar sempre que nosso primeiro
cuidado é o da prevenção — pensar e viver uma vida correta. Isso não apenas previne a
incidência daquilo que nos faz adoecer, mas serve para eliminar qualquer moléstia de
que estejamos padecendo agora. Com toda certeza, jamais seremos curados se não
começarmos a praticar o modo de vida que teria evitado que ficássemos doentes, se o
tivéssemos aplicado desde sempre.
Não pense de modo obsessivo em sua presente moléstia, nem em seu fracasso passado
no que diz respeito à sua prevenção. Ao invés disso, ponha-se o quanto antes a
praticar esses simples, mas eficazes passos para a saúde:
- Dieta simples, sem extremismos
- Beber água ou outros líquidos
- Exercícios físicos diários
- Pensamentos positivos e amorosos
- Repouso
Além dessas atitudes objetivas existe mais uma prática a ser feita duas vezes por
dia em sua própria casa: Primeiro sente-se em atitude relaxada, faça duas ou três
respirações profundas, deixando todas as tensões desaparecerem enquanto exala o ar.
Sinta o corpo ficando completamente relaxado, como se estivesse sendo banhado por
mornas e profundas ondas de relaxação. Segundo aceite o pensamento de que há em seu
interior uma força toda-abrangente que podemos chamar Deus do seu coração. Acredite
nisso e saiba que é verdade. Deixe que essa força infunda o seu ser e o banhe em
conforto e amor. Use esses momentos para dirigir seus pensamentos para a saúde, a
paz, e o amor das partes do corpo que precisam ser curadas. Terceiro expresse um
pensamento sincero de gratidão pelo trabalho da força Divina em seu interior e tenha
a certeza de que a cura está ocorrendo. Termine essa breve meditação com as palavras:
"Se é da vontade de Deus, está feito".
__________
Bibliografia:
O Rosacruz, Amorc, 2.º Trimestre de 2000, Autor Desconhecido.


~ Cura Para a Solidão ~
Esta história foi inspirada no relato
de um amigo
que esteve na escuridão, mas que encontrou a luz
A solidão é um dos mais opressivos testes que o Ser humano pode enfrentar,
e uma das mais torturantes experiências. Podemos ter de passar por inúmeros outros
sofrimentos: aflição e perdas, choque e dificuldades que sobre
nós se abatem de uma ou de outra maneira. Não obstante, parece-nos
que não temos uma fonte secreta de proteção contra a
pungente desolação que chamamos de solidão.
Solidão é aquela influência maléfica que passa sobre nós, deixando-nos
desolados como se um vento árido nos tivesse ressequido. É aquela
perda de contato com tudo que normalmente dá sentido à vida.
É aquela cegueira da alma em que bradamos para as trevas exteriores, mas
não recebemos nenhuma mensagem.
Realmente, ela sobre nós se abate,
mais cedo ou mais tarde. Ricos ou pobres, jovens ou velhos, alegres, brilhantes,
ou tristonhos com o desapontamento, todos nós teremos de sentir essas
sombras; todos nós teremos de sentir o abandono que delas advém.
Não obstante, não estamos abandonados, e se tivermos sido
preparados de modo adequado seremos suficientemente fortes para esses embates
com a solidão.
Que significa estarmos suficientemente preparados?
Significa que devemos estar preparados
para saber que a solidão não é um estado mórbido ou
doentio, mas uma condição que todos nós temos de enfrentar
e podemos superar, um aspecto necessário da vida. A solidão e
pessoas solitárias não são comuns. Conheci moradores de
campo de mineração, de planícies e de deserto que só
viam estranhos uma vez por mês; no entanto, eles se mostravam tão
fortes e revigorados como o vento. Davam mostra de uma espécie particular
de recuperação de forças. Haviam aprendido a viver sozinhos
e isolados, a ser autênticos e a se valer dos recursos em seu
interior.
Somos, na verdade, "excepcional e
maravilhosamente formados". Para toda doença que nos ataque, temos
um meio secreto de cura, se apenas nos dispusermos a usá-lo.
Mas, qual a cura para a solidão?
Reduz-se ela a sentar-nos para cogitar,
para pensar sobre a esterilidade do remorso e do desapontamento? É isto
proteção contra a erosão lenta da solidão? E se não o é, então, qual a cura?
A cura está em toda parte. Ela está na maneira de viver. Está em lutarmos
contra influências negativas, lançando-nos à vida; está em todos os
olhos que fitamos; no abanar do rabo dos cães; na música sublime das árvores;
no canto alegre das aves; na flor que brota nos jardins; no sorriso espontâneo
de alguém quando olha para nós; na esperança. E,
principalmente, na fé em Deus.
Quando uma pessoa está perturbada,
acamada, ou arruinada de maneira espiritual ou material, a cura da
solidão está na maneira de viver, de se tornar parte da vida,
parte de toda a vida que vibra ao seu redor. Nada deve tornar a alma
aniquilada.
Como tenho conhecimento dessas duras verdades?
Delas tomei ciência por ter estado tão isolado que eu, também,
tive de abrir caminho para retornar à luz. Momentos de oração, visualização,
meditação e contemplação me foram tão importantes para vencer a inércia instalada
que sugiro a todos que desenvolvam estas práticas.
~ Arnaldo Poesia ~


Outros trabalhos meus:
–
Carta a Luma ... e outras palavras de amor
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Conto & Verso
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Contos de Primavera
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Amar é...
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Silvia, com Amor
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A História de Cupido e Psique
–
Contos do Amor Passado
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Kahlil Gibran - O Poeta do Amor
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Galeria Flor de Lótus
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Galeria Barroco
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Flor de Lótus
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Ludwig van Beethoven
–
Wolfgang Amadeus Mozart
–
William Shakespeare


© Arnaldo Poesia, Quinzaine Littéraire, Paris, Le Monde de Paris,
Paris, 2002/2010.
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d'adaptation réservés pour tous pays.

– A linda imagem do início da página é do fotógrafo Ricardo Zerrenner, um dos maiores
fotógrafos de Niterói e do Rio.
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