Foi em 1995 que A Origem do Mundo passou a fazer parte do Musée
D'Orsay, de Paris. Até então pertencia a um colecionador chamado
Jacques Lacan, e representava o paradoxo de uma obra famosa, mas
pouco vista. No entanto, com o decorrer do tempo, esse quadro
polêmico começou a ser visto como uma verdadeira obra
de arte.
Courbet trabalhava com o nu feminino, às vezes com uma
inspiração obviamente libertina. Todavia, a sua ousadia e a sua
franqueza proporcionaram aos seus quadros esse poder de fascinação.
A descrição quase anatômica do sexo feminino não está matizada por
nenhuma artimanha histórica ou literária. Graças ao grande
virtuosismo de Courbet, e o refinamento de una gama de cores, A
Origem do Mundo se salva apesar do status de imagem pornográfica.
A franqueza e a ousadia desta nova linguajem não excluem um
vínculo com a tradição de modo que a pincelada ampla e sensual,
junto com a utilização da cor, lembra a pintura veneziana e, o
mesmo Courbet se inspirava em Ticiano, Veronese, Corregio, e na
tradição de uma pintura carnal e lírica.
A Origem do Mundo, agora apresentado sem nenhuma restrição,
reencontra seu devido lugar na história da pintura moderna. Mas
sem dúvida, não deixa de provocar, de maneira fascinante, o modo
de olhar.
Copyright ©
Starnews 2001
All rights reserved.