No dia 12 de janeiro de 2003 a
Nona Sinfonia de Beethoven passou a fazer parte oficialmente da
"Memória do Mundo" por ser uma obra que, além de seus méritos
musicais, se converteu em um hino universal das aspirações de paz e fraternidade.

A obra mais famosa de Ludwig van Beethoven entrou oficialmente no registro da
UNESCO ao ser entregue à biblioteca que conserva quase completa a partitura
original a ata que certifica que forma parte do patrimônio documental da humanidade.
A entrega aconteceu na sala de concertos onde teve lugar a estréia berlinense
da sinfonia em 1826 (dois anos depois da estréia em Viena), o Schauspielhaus, um
edifício neoclássico contemporâneo de Beethoven.
A cerimônia culminou com a interpretação da obra a cargo da Orquestra das
Nações, um conjunto formado por jovens de 40 países.
Um coro lituano e quatro solistas cantaram a Ode à Alegria, uma peça
que na época foi uma revolução já que nunca até então se havia introduzido o
canto em uma sinfonia, e que hoje é quase uma melodia popular.
Nos discursos antes da entrega do certificado, os representantes da UNESCO,
da Biblioteca que conserva o documento e das autoridades alemãs explicaram
porque uma partitura musical mereceu converter-se em um documento digno de ser
estudado por historiadores e humanistas.
A obra mais emblemática do compositor alemão foi escolhida para formar parte
da memória universal por ser um tesouro musical, um símbolo da história dos
últimos séculos e um legado em favor do entendimento entre os povos.
Isto é particularmente certo no caso da "Ode à Alegria" composta sobre uns
versos de Friedrich Schiller que se converteu no hino da Europa unida.
Graham Jefcoate, diretor da Biblioteca da cidade estado de Berlim,
conservadora da partitura, disse que a "Ode à Alegria" (An die Freude) é uma
expressão "das aspirações de paz e fraternidade da humanidade".
Com a inclusão no registro "Memória do Mundo" da UNESCO a partitura passará a
gozar de una proteção especial, além de ser digitalizada e colocada na
Internet.
A partitura é conservada em uma caixa forte da Biblioteca berlinense,
resguardada da luz e da poeira.
Está formada por umas 200 folhas, a maior parte das quais se encontram na
Biblioteca de Berlim, herdeira dos fundos da Biblioteca Nacional da Prússia,
sendo que também há três páginas na casa natal de Beethoven em Bonn e duas na
Biblioteca Nacional de Paris.
Durante vários anos parte importante do documento, em particular as páginas
da ode, estiveram na Polônia, que para ali foram enviadas em 1941 para
protegê-las dos bombardeios quando parte do território polaco pertencia ao Reich.
Em 1977, as autoridades polacas devolveram o documento à República
Democrática Alemã, país aliado no bloco comunista.
A partitura compartilhou também o destino da Alemanha dividida, pois parte
dela fora levada para Berlim ocidental e até 1992, depois da queda do muro e da
reunificação, não voltaram para a antiga biblioteca que havia ficado no leste.
Na referida biblioteca se conserva grande parte do legado documental de
compositores do mundo germânico como Mozart, Bach o Mendelssohn.
No discurso pronunciado durante a cerimônia, foi assinalado que o público
está cada vez mais consciente da importância do patrimônio universal e foi
citado como prova as reações de indignação que provocou a destruição por parte
do regime taliban de algumas antiguíssimas estátuas budistas afegãs.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
(UNESCO) tem distintos programas para proteger tanto o patrimônio monumental,
como o documental (Memória do Mundo) e o intangível (tradições).

~ Ode à Alegria ~
Letra de Friedrich von Schiller
Ode à Alegria de Friedrich von Schiller, tradução do original, tal como se
canta na Nona Sinfonia de Ludwig Van Beethoven.
(Barítono)
Oh amigos, mudemos de tom!
Entoemos algo mais prazeroso
E mais alegre!
(Barítonos, quarteto e coro)
Alegre, formosa centelha divina,
Filha do Elíseo,
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Tua magia volta a unir
O que o costume rigorosamente dividiu.
Todos os homens se irmanam
Ali onde teu doce voo se detém.
Quem já conseguiu o maior tesouro
De ser o amigo de um amigo,
Quem já conquistou uma mulher amável
Rejubile-se conosco!
Sim, mesmo se alguém conquistar apenas uma alma,
Uma única em todo o mundo.
Mas aquele que falhou nisso
Que fique chorando sozinho!
Alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza:
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.
Ela nos deu beijos e vinho e
Um amigo leal até a morte;
Deu força para a vida aos mais humildes
E ao querubim que se ergue diante de Deus!
(Tenor solo e coro)
Alegremente, como seus sóis corram
Através do esplêndido espaço celeste
Se expressem, irmãos, em seus caminhos,
Alegremente como o herói diante da vitória.
(Coro)
Alegre, formosa centelha divina,
Filha do Elíseo,
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Abracem-se milhões!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos, além do céu estrelado
Mora um Pai Amado.
Milhões se deprimem diante Dele?
Mundo, você percebe seu Criador?
Procure-o mais acima do
céu estrelado!
Sobre as estrelas onde Ele mora.
