Starnews 2001

Ainda está em tempo de salvar a Amazônia

Rio de Janeiro —

Salvar nossos oceanos

A biodiversidade marinha tem no homem e no clima duas sérias ameaças. Nesse sentido, a Unesco lançou o Programa Patrimônio Marinho, que busca fazer de regiões importantes em termos de vida marítima Patrimônios Naturais da Humanidade

KeystoneOs oceanos cobrem dois terços da superfície da Terra. Maior espaço habitável do planeta, eles concentram a maioria dos seres vivos e da biodiversidade. Como se não bastasse, essas imensas massas de água salgada desempenham um papel essencial nos sistemas que garantem a vida e respondem pela manutenção a longo prazo da estabilidade ambiental do planeta.

O meio ambiente marinho, porém, encontra-se cada vez mais ameaçado. Hoje, restam pouquíssimas áreas que ainda não sofreram algum tipo de interferência poluidora por parte do homem. Menos de 0,5% dos litorais oceânicos e demais áreas marítimas se beneficia de alguma forma de preservação ambiental, e em apenas 0,01% dessas áreas as atividades predatórias são estritamente proibidas. Além disso, o avanço rápido do aquecimento global pode colocar em risco diversas áreas costeiras e, sobretudo, os bancos de corais: eles estão embranquecendo devido ao aumento da temperatura das águas, e esse é apenas um dos sintomas do impacto causado.

Keystone
– Em sentido horário, a partir de cima: Seychelles, ilhas do Índico ameaçadas pela elevação do nível do mar.

O CRESCIMENTO exponencial da industrialização e da exploração dos recursos marinhos ocorrido no século 20 desfez o mito de que os oceanos constituem uma fonte inesgotável de recursos. Uma das atividades mais prejudiciais nesse sentido é a pesca em escala industrial, cujos avanços tecnológicos lhe permitem capturar quantidades de seres marinhos muito superiores às possibilidades de reprodução dos ecossistemas do mar. Com isso, tem-se observado nos últimos anos um esgotamento da vida marinha. Muitas populações de baleias e pequenos cetáceos poderão desaparecer nas próximas décadas, ao mesmo tempo que, devido ao excesso, a produção pesqueira está decrescendo desde o início da década de 1990. Como resultado disso temos, em toda a Terra, um ecossistema marinho mais vulnerável às mudanças climáticas e à contaminação por substâncias poluentes.

AOS EFEITOS DA atividade pesqueira não sustentável somam-se outros fatores prejudiciais: os dejetos químicos lançados no mar, a destruição dos espaços costeiros, a falta de legislação sobre o transporte de substâncias perigosas, as mudanças climáticas. Essa catástrofe ambiental está em ligação íntima com o drama social provocado pela extinção comercial de muitas espécies, particularmente nos países ao sul do equador, nos quais as populações litorâneas que dependem da pesca estão entre as mais pobres e desfavorecidas.


À esquerda: o aumento da temperatura da água faz os corais
embranquecerem. À direita: pesca industrial da baleia.

Para dificultar ainda mais a situação, a forma com que os governos enfrentam a crise dos oceanos não apresentou mudanças significativas nos últimos anos.

As grandes frotas industriais continuam recebendo generosas subvenções e as frotas ilegais permanecem em atividade, escapando a todo controle. Os litorais continuam se degradando rapidamente e as fazendas de aquacultura industrial mais destrutivas (como a dos camarões tropicais) seguem se expandindo.

– Voluntários limpam pedras e areia poluídas pelo vazamento de óleo do navio Prestige, na costa espanhola.

IMPORTANTES ACORDOS internacionais são negociados, mas, apesar deles, o estado dos oceanos continua piorando, pois muitos desses compromissos não passam de meras declarações de intenções nunca cumpridas. É necessário tomar medidas concretas para salvar os mares do nosso planeta.

A primeira providência nesse sentido seria reduzir a capacidade das frotas pesqueiras até os níveis de sustentabilidade. A capacidade de muitas frotas supera em muito a capacidade produtiva dos oceanos. Algumas espécies já foram extintas por causa disso.

A eliminação de técnicas pesqueiras destrutivas poria um fim na devastação dos fundos marinhos e na captura de espécies ameaçadas de extinção, bem como nos descartes. Cerca de um terço dos animais pescados é atirado morto para fora dos navios, por não atender a interesses comerciais. Do mesmo modo, será necessário acabar com a pesca pirata, feita por barcos que trabalham fora das normas em vigor para essa atividade.

COMO A MAIOR parte dos ecossistemas marinhos não tem nenhum tipo de proteção, seria preciso fechar várias zonas de especial valor ecológico à exploração humana, a fim de permitir a recuperação de muitas populações e ecossistemas ameaçados. Além disso, é necessário garantir a preservação dos ecossistemas costeiros, base fundamental da produção global dos oceanos. Os litorais se degradam a passos de gigante, por causa da pressão urbanística, da ocupação das margens costeiras por instalações portuárias, da contaminação por substâncias tóxicas, das mudanças climáticas, da extração de areia dos fundos marinhos para regenerar artificialmente as praias, da proliferação das fazendas de aquacultura industrial.

O lançamento de substâncias tóxicas ao mar também deverá ser eliminado e severamente castigado. Mares e oceanos são particularmente sensíveis a esses produtos, que frequentemente se acumulam nos tecidos gordurosos dos animais marinhos. Será necessário promover um novo regime de responsabilidades para o transporte marítimo de substâncias perigosas, a fim de que não ocorram novas desgraças como a do navio Prestige. Em novembro de 2002, esse petroleiro partiu-se em dois e liberou no mar mais de 64 mil toneladas de óleo, poluindo o litoral norte da Espanha e praias do Canal da Mancha e do Mar do Norte.

Por fim, é imprescindível educar e informar as massas sobre a necessidade de se preservar os oceanos. Só uma população sensibilizada e consciente dos benefícios do mar trabalhará para conservá-lo.

Para que todos esses objetivos sejam alcançados, a Unesco apresentou, em julho de 2005, o Programa Patrimônio Marinho. Essa iniciativa teve como objetivo inscrever todas as áreas marinhas “com biodiversidade relevante” na Lista dos Patrimônios Naturais da Humanidade. O programa quer utilizar a Convenção do Patrimônio Mundial para promover a preservação do ecossistema marinho. 

UM MEIO DE TORNAR isso possível é fazendo inclusões de pequenas áreas que não pertençam a um único país e que cerquem toda uma região com rica biodiversidade. Assim, a rede de proteção marinha vai acabar abrangendo as áreas ainda não nomeadas. Posteriormente, toda a área seria considerada Patrimônio da Humanidade.

– No sentido horário, a partir de cima: pesca de atum; captura de foca no Ártico; camarão criado em fazenda de aquacultura.

A Unesco também desenvolve parcerias para sustentar a preservação das áreas do Patrimônio Marinho e facilitar a cooperação entre o governo e os voluntários, com ONGs como a Conservação Internacional e a The Nature Conservancy e com instituições que lutam pela conservação do ambiente marinho. Sob a ameaça da mudança climática e demais problemas que possam comprometer a vida marinha, sua preservação é prioridade na agenda internacional.

Trabalhos conjuntos são essenciais para apoiar as nominações das regiões e, posteriormente, administrá-las e ajudá-las com fundos, política e outros recursos. Além de apoiar a nomeação de áreas que já têm seus representantes, como as regiões do Pacífico e do Caribe, o Programa pretende ainda interligar as administrações das regiões costeiras, marítimas e de ilhas.

– Patrimônios ameaçados

Hoje, mais de 850 lugares do mundo já foram incluídos na lista Unesco do Patrimônio da Humanidade. Cerca de 30 deles correspondem a áreas marítimas, mas apenas alguns são verdadeiros ecossistemas marinhos. O último grupo inclui, por exemplo, a Grande Barreira de Corais, na Austrália, Shiretoko, no Japão, e Costa Alta, na Suécia. Essas regiões estão gravemente ameaçadas pelo aquecimento global, pois várias espécies de corais não resistem ao aumento da temperatura da água e, num processo muito rápido, descolorem-se e morrem. Outros locais afetados por esse problema são a Barreira de Recifes de Belize, o Parque Marinho Recife Tubbataha, nas Filipinas, e o Atol das Ilhas Aldabra, nas Seychelles. Em algumas regiões profundas e próximas a correntes de água gelada, os recifes conseguem sobreviver à elevação da temperatura. É o caso do Parque Nacional Coiba, no Panamá. Outro problema sério decorrente do aquecimento global é a invasão de água salgada nas fontes de água doce em algumas ilhas de baixa altitude.

Atividades ilegais, como pesca de tubarões para obtenção da barbatana (muito valorizada no mercado asiático), também representam uma ameaça ao ecossistema. As regiões mais atingidas por esse tipo de problema são as ilhas Galápagos (Equador) e Cocos (Costa Rica) e o Parque Nacional de Coiba (Panamá). Outros fatores de degradação incluem a exploração de petróleo e as rotas de comércio marítimo. Como algumas dessas rotas passam pela Grande Barreira de Corais, na Austrália, a região é contaminada pelo vazamento de óleo dos navios.

NA ROTA DA PRESERVAÇÃO
Áreas marítimas já consideradas Patrimônio da Humanidade

Greater St. Lucia Wetland Park, ÁFRICA DO SUL
Península Valdés, ARGENTINA
Grande Barreira de Corais, AUSTRÁLIA
Baía do Tubarão, AUSTRÁLIA
Ilhas Heard e McDonald, AUSTRÁLIA
Ilha Macquarie, AUSTRÁLIA
Barreira de Recifes de Belize, BELIZE
Ilhas do Atlântico, BRASIL
Zona de Conservação de Guanacaste, COSTA RICA
Parque Nacional da Ilha Cocos, COSTA RICA
Parque Nacional do Desembarque do Granma, CUBA
Galápagos, EQUADOR
Parque Marinho Recife Tubbataha, FILIPINAS
Golfo do Porto: Calanche de Piana, Golfo de Girolata, Reserva de Scandola (Córsega), FRANÇA
East Rennell, ILHAS SALOMÃO
Parque Nacional de Komodo, INDONÉSIA
Parque Nacional de Ujung Kulon, INDONÉSIA
Shiretoko, JAPÃO
Parque Nacional de Banc d’Arguin, MAURITÂNIA
Santuário das Baleias de El Vizcaino, MÉXICO
Sian Ka’an, MÉXICO
Ilhas e áreas protegidas do Golfo da Califórnia, MÉXICO
Ilhas Subantárticas da Nova Zelândia, NOVA ZELÂNDIA
Parque Nacional Coiba e sua Zona Especial de Proteção Marinha, PANAMÁ
Sistema Natural da Reserva das ilhas Wrangel, RÚSSIA
Área de Gestão Ambiental dos Pítons, SANTA LÚCIA
Atol das Ilhas Aldabra, SEYCHELLES
Costa Alta, SUÉCIA
Ilhas Gough e Inacessível, REINO UNIDO
Santa Kilda, REINO UNIDO
Kluane/Wrangel–St. Elias/Glacier Bay/Tatshenshini–Alsek, CANADÁ/ ESTADOS UNIDOS


Fezes de baleia ajudam no combate ao aquecimento global

As baleias cachalote do Oceano Austral são aliados inesperados na luta contra o aquecimento global, por removerem o carbono equivalente ao emitido por 40 mil carros a cada ano graças a suas fezes, revela um estudo que será publicado esta quarta-feira no periódico britânico Proceedings of the Royal Society B.

Foto:Valery Hache/AFP – As baleias cachalote do Oceano Austral são aliados inesperados na luta contra o aquecimento global.

Anteriormente os cientistas acusavam os cetáceos como culpados porque, na respiração, expiram dióxido de carbono (CO2), o tipo mais comum de gás de efeito estufa.

Mas esta era apenas uma análise parcial, demonstra o novo estudo.

Biólogos australianos calcularam que as cerca de 12 mil baleias cachalotes do Oceano Austral defecam, cada uma, cerca de 50 toneladas de ferro no mar a cada ano, após digerirem os peixes e lulas, que são a base de sua dieta.

O ferro é um excelente alimento para o fitoplâncton — plantas marinhas que vivem perto da superfície do oceano e que tiram CO2 da atmosfera através da fotossíntese.

O Oceano Austral é rico em nitrogênio e pobre em ferro, que é essencial ao fitoplâncton.

Como resultado desta fertilização orgânica do ambiente marinho, as baleias ajudam a remover 400.000 toneladas de carbono a cada ano, duas vezes mais que as 200 mil toneladas de CO2 que elas liberam através da expiração.

Comparativamente, 200 mil toneladas de CO2 equivalem às emissões de quase 40.000 carros de passageiros, segundo estimativas do site da agência ambiental americana (EPA).

Segundo a EPA, com base em um cálculo feito em 2005, um veículo de passageiros que roda 20 mil quilômetros por ano emite mais de cinco toneladas de CO2 ou carbono equivalente ao ano.

As fezes das baleias são muito eficazes porque são liberadas em estado líquido e perto da superfície marinha, antes de os mamíferos mergulharem, destaca o artigo.

A pesca industrial da baleia não só ameaça seriamente as cachalotes austrais, como também compromete um amplo sequestro de carbono, acrescentou.

Antes da pesca industrial de baleias, a população da espécie era cerca de 10 vezes maior, o que significa que dois milhões de toneladas de CO2 eram removidas anualmente, segundo o artigo.

Os cientistas suspeitam que devido ao fato de as cachalotes se reunirem em áreas específicas do Oceano Austral, há um vínculo claro entre a disponibilidade de alimentos e as fezes dos cetáceos.

Isto pode explicar o "paradoxo krill", acreditam. Tempos atrás, os cientistas descobriram que quando as baleias-minke são mortas, a quantidade de krill, minúsculos crustáceos, nesta área declinam, afetando toda a cadeia alimentar.

O estudo foi conduzido por Trish Lavery, da Escola de Estudos Biológicos da Universidade Flinders, em Adelaide (Austrália).

O futuro de baleias cachalote e outras espécies será debatido na próxima semana em Agadir, Marrocos, onde a Comissão Baleeira Internacional (CBI) discutirá um plano para relaxar uma moratória de 24 anos na pesca comercial à baleia.

Fonte: Agência France Press (AFP), 15 de junho de 2010.


Amplo censo da vida marinha revela
biodiversidade dos oceanos

WASHINGTON (AFP) — Caranguejos, lagostas e outros crustáceos são as espécies mais comuns nos oceanos e nos mares da Austrália e do Japão, cujas águas são as mais variadas, de acordo com um censo da vida marinha divulgado no dia 2 de agosto de 2010.

"Fizemos uma descoberta. Aprendemos coisas novas", disse à AFP Jesse Ausubel, um dos fundadores do projeto Censo da Vida Marinha, que reuniu a extensa pesquisa.

As águas do Japão e Austrália abrigam cada uma cerca de 33.000 formas de vida que foram alçadas à categoria de "espécie".

As águas da China, do Mar Mediterrâneo e do Golfo do México também estão na lista das cinco regiões marinhas com maior biodiversidade, segundo o censo preliminar na divulgação dos dados na Biblioteca Pública de Ciências (PLoS ONE).


– Caranguejos, lagostas e outros crustáceos são as espécies mais comuns nos oceanos e nos mares da Austrália e do Japão, cujas águas são as mais variadas. Foto: AFP

O ambicioso censo é o resultado de uma pesquisa realizada por 360 cientistas a um custo de 650 milhões de dólares ao longo de dez anos.

Os cientistas combinaram as informações obtidas durante séculos com dados novos obtidos durante o censo da última década para criar uma lista de espécies em 25 regiões, da Antártica ao Ártico, passando pelos mares temperados e tropicais.

O inventário será completado com informações obtidas em países como Indonésia, Filipinas, Madagascar e no Mar da Arábia, em um trabalho mais amplo que será divulgado em outubro.

Mesmo com isso, o inventário ficará incompleto, indicou Nancy Knowlton, da Smithsonian Institution e responsável pela pesquisa nos recifes de corais.

"O oceano é simplesmente tão amplo que depois de dez anos de trabalho duro, ainda temos apenas instantâneos, embora alguns muito detalhados, do que o mar abriga", indicou Knowlton.

Até agora, o estudo cadastrou por volta de 10.750 espécies conhecidas e com nome em determinadas regiões, e os pesquisadores acreditam que, para cada espécie conhecida, haja pelo menos quatro a serem descobertas.

E a descoberta de que os crustáceos são os mais numerosos, mudará a forma como os seres humanos apreciam o mar.

"Quando nós homens pensamos no oceano, pensamos em peixes e em baleias", disse Ausubel.

"Mas os grandes mamíferos representam apenas 2% da diversidade; e os peixes, 12%. Deveríamos pensar primeiro em crustáceos e moluscos", acrescentou.

Quase a quinta parte de toda a vida marinha é composta de crustáceos, seguidos de perto pelos moluscos — lula, polvos, caramujos e lesmas — que representam 17%.

Depois, com 12%, estão os peixes, entre os quais estão os tubarões.

Os micro-organismos unicelulares das famílias dos protozoários e das algas, assim como outros tipos de organismos com forma de planta, estão em quarto lugar, com 10%.

Os conhecidos mamíferos marinhos, como as baleias, estão incluídos nos vertebrados categoria "outros" e representam apenas uma pequena parte da biodiversidade marinha.

As algas, protozoários, aves e mamíferos marinhos que cruzam com frequência os oceanos do mundo são consideradas as espécies mais cosmopolitas, já que foram registradas em mais de uma região.

As víboras luminosas ou “Chauliodus Sloani” são encontradas em mais de um quarto dos mares do mundo.

Os cientistas envolvidos no inventário da vida marinha consideram que é preciso catalogar as espécies que estão em risco de extinção.

"As espécies marinhas sofreram um grande declínio — em alguns casos as perdas são de 90% — devido às atividades humanas e muitas entram direto em extinção, como aconteceu com muitas espécies terrestres", disse Mark Costello, da Universidade de Auckland, Nova Zelândia, ao explicar a urgência de se completar o inventário.

Bibliografia: UNESCO


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    ~ Preserve a Natureza ~


    Por que o homem deve destruir o que a Natureza construiu?
    ~ Gibran Kahlil Gibran ~


    Preservar a Natureza e o Meio Ambiente é fundamental
    para a sobrevivência do nosso Planeta.


    Esse vídeo lembra uma bonita frase de um poeta anônimo
    hindu, que diz assim: "Efêmera é a primavera no jardim
    do mundo. Apressai-vos a contemplar o grandioso
    espetáculo, antes que desapareça."


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    2010 Ano Internacional da Biodiversidade




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