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Retirado para um lugarejo próximo a
Viena chamado Heiligenstadt, onde morava já há alguns
anos (foi lá que Beethoven, num momento de depressão,
redigiu seu testamento em 1802), Beethoven concluiu a
sua obra-prima em fevereiro de 1824. A Nona Sinfonia revelou-se extraordinária. Dotara-a de uma
grandiosidade heróica que só ele até então conseguira
dar à música alemã. O público, desde a primeira
audiência, ocorrida no Teatro Kärntnertor de Viena em
7 de maio de 1824, maravilhou-se. O passado, o tumulto
revolucionário, aflora em vários momentos ao longo da
execução, mas sua beleza deve-se ao seu carisma. É uma
apologia aos tempos futuros, à morada do
Elíseo, ao
porvir, quando então seremos um mundo só.

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A Liberdade
conduzindo o povo
Quadro de Delacroix
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Apesar da obra ter sido dedicada ao rei Frederico
Guilherme III da Prússia, que como todos os monarcas
da sua época era hostil aos ideais de liberdade, a
obra-prima de Beethoven apresenta o paradoxo de ser
entendida como um hino da emancipação do mundo europeu
dos tempos feudais, liberto da tirania e das cargas da
servidão. A alegria, pois, que a Nona Sinfonia exalta
não se perdera num tempo remoto, numa Arcádia sem
volta. Ao contrário, a alegria, a felicidade, estão ao
nosso alcance logo ali em frente, bastando que
superemos as nossas estreitezas culturais e a
mediocridade política que nos cerca. Entende-se porque
a atual União Européia (hoje majoritariamente
republicana e democrática), escolheu a Nona Sinfonia
como o seu hino oficial. Mesmo com os percalços que
iremos sofrer aqui e ali para chegarmos ao governo
universal no século XXI, a Nona Sinfonia continuará
sendo o maravilhoso fundo musical para que as Filhas
do Elíseo sintam-se estimuladas a estender seus braços
fraternos enlaçando a humanidade inteira.

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Teatro
Kärntnertor, onde apresentou-se
a Nona Sinfonia (maio de 1824)
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~ Ode à Alegria, de Schiller ~
A letra da Nona Sinfonia
"Consegui! Consegui! Enfim encontrei a Alegria!"
Assim jubiloso, Beethoven acolheu em seus aposentos o
seu secretário, um fa tutto chamado Schindler.
Imediatamente sentou-se ao piano e dedilhou-lhe a
façanha. Encontrara afinal a solução, busca há anos,
que lhe permitira musicar os difíceis versos da An die
Freude (Ode à Alegria) de Schiller. Depois de 32 anos
de hesitações, de idas e vindas, de prostrações, deu
então por acabada a Nona Sinfonia. Quando jovem ainda
em Bonn, Ludwig van Beethoven comoveu-se com o
conteúdo do poema ao lê-lo em 1792, impressionando-se
para sempre com a maravilhosa exaltação à fraternidade
humana dos versos de Schiller.
O poeta compôs a Ode para que um amigo seu, um
franco-maçom, a cantasse com seus companheiros nas
lojas da irmandade. Schiller, em apenas 18 belíssimas
estrofes, celebrava os valores do iluminismo (o
cosmopolitismo, a superação das desavenças nacionais,
a pregação da tolerância, e a consciência de pertencer-se
a um mundo só). Beethoven, na época um entusiasta
republicano, embebido pelos ideais da Revolução
Francesa de 1789, sentiu-se tentado em transformar o
que lera em algo imorredouro.
~ Arnaldo Poesia ~

~ Ode à Alegria ~
Ode à Alegria de Friedrich
Von Schiller, tradução do original, tal como se
canta na Nona Sinfonia de Ludwig Van Beethoven.
(Barítono)
Oh amigos, mudemos de tom!
Entoemos algo mais prazeroso
E mais alegre!
(Barítonos, quarteto e coro)
Alegre, formosa centelha divina,
Filha do Elíseo,
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Tua magia volta a unir
O que o costume rigorosamente dividiu.
Todos os homens se irmanam
Ali onde teu doce vôo se detém.
Quem já conseguiu o maior tesouro
De ser o amigo de um amigo,
Quem já conquistou uma mulher amável
Rejubile-se conosco!
Sim, mesmo se alguém conquistar apenas uma alma,
Uma única em todo o mundo.
Mas aquele que falhou nisso
Que fique chorando sozinho!
Alegrias bebem todos os seres
No seio da Natureza:
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.
Ela nos deu beijos e vinho e
Um amigo leal até a morte;
Deu força para a vida aos mais humildes
E ao querubim que se ergue diante de Deus!
(Tenor solo e coro)
Alegremente, como seus sóis corram
Através do esplêndido espaço celeste
Se expressem, irmãos, em seus caminhos,
Alegremente como o herói diante da vitória.
(Coro)
Alegre, formosa centelha divina,
Filha do Elíseo,
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Abracem-se milhões!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos, além do céu estrelado
Mora um Pai Amado.
Milhões se deprimem diante Dele?
Mundo, você percebe seu Criador?
Procure-o mais acima do céu estrelado!
Sobre as estrelas onde Ele mora.

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Schiller, 1759-1805
Autor da letra da Nona Sinfonia
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Áudios sobre o tema (clique em cada movimento para ouvir):
Beethoven, Sinfonia nº. 9: 1º mov. – Allegro ma non troppo, un poco maestoso (18:15 min.)
Beethoven, Sinfonia nº. 9: 2º mov. – Molto vivace (12:22 min)
Beethoven, Sinfonia nº. 9: 3º movimento – Adagio molto e cantabile (17:02 min.)
Beethoven, Sinfonia nº. 9: 4º mov. – Presto, Allegro assai (27:18 min.)
Beethoven, Sinfonia nº. 9: completa (74:17 min.)
Nota: Antes de cada movimento é apresentado
um rápido clipe da Rádio Deutsche Welle.
Nota 2: As sinfonias são apresentadas em mp3.
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~ Arnaldo Poesia ~


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Arnaldo Poesia
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