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A Midsummer Night's Dream (Sonho de uma noite
de verão, em português) é uma fábula de William Shakespeare, escrita em meados
da década de 1590.
Não se sabe ao certo quando é que a peça foi escrita e apresentada ao público
pela primeira vez, mas acredita-se que terá sido entre 1594 e 1596. Alguns
autores dizem que a peça possa ter sido escrita para o casamento de Sir Thomas
Berkeley e Elizabeth Carey, em Fevereiro de 1596.
Não existe uma fonte direta que tenha servido de inspiração para a peça,
ainda que se possam encontrar elementos relacionados com a mitologia
greco-romana e a literatura clássica. Por exemplo, a história de Píramo e Tisbe
é contada por Ovídio, nas suas "Metamorfoses", assim como a transformação de
Bottom em burro se pode relacionar com "O asno de ouro" de Apuleio. Pensa-se que
Shakespeare tenha escrito "Sonho de uma noite de verão" sensivelmente ao mesmo
tempo em que "Romeu e Julieta" e, de fato, existem muitos pontos em comum entre
as histórias: Egeu quer casar Hérmia à força com Demétrio, assim como Píramo e
Tisbe acabam mortos por questões de amor, ainda que numa perspectiva
alegórica.
— Enredo
A história se inicia com o Duque Teseu, que se prepara para casar com a
rebelde Hipólita. Antes do casamento, Teseu é chamado para resolver uma disputa
amorosa envolvendo a romântica Hermia e seu pai Egeu. Hermia ama Lisandro, mas
Egeu deplora a idéia e quer forçá-la a se casar com Demetrio. Como Teseu sela o
destino infeliz da jovem, Hermia e Lisandro decidem fugir para a floresta.
Enquanto isso, Demétrio é perseguido incessantemente pela apaixonada Helena,
que irá se humilhar para conseguir seu amor.
Os quatro, irão se encontrar em uma floresta povoada por sátiros, ninfas,
fadas e outros seres encantados. O Rei das Fadas, Oberon está em pé de guerra
com a belíssima rainha Titânia. Frustrado e desgostoso, Oberon decide descontar
pondo em desordem o cenário da natureza. Arma com Puck um plano ardiloso
envolvendo uma poção mágica, que fará com que qualquer pessoa se apaixone pelo
primeiro ser vivo que ver pela frente.
Enquanto isso, um grupo de atores amadores ensaia uma peça para o casamento
do duque: Nick Bottom, Peter Quince, Francis Flute, Tom Snout, entre outros.
Oberon transforma Bottom em um homem com orelhas de burro e ordena a Puck que
use a poção em Titânia para ridicularizá-la. A belíssima rainha se apaixona pelo
asno, assim como as confusões armadas por Puck levam os casais na floresta a
caírem de amores pelos pares errados. Quebrado o encanto da poção, Bottom vira
gente novamente, Oberon e Titânia fazem as pazes, e os casais vivem
felizes.

Titânia dando as boas-vindas às fadas. Óleo
sobre tela, de Henry Maynell Rheam
— Análise e crítica
O escritor David Bevington se refere como o lado obscuro do amor. Ele
escreve que as fadas fazem a luz do amor confundir os amantes e pela aplicação
de uma poção do amor para os olhos de Titânia, forçando-a a se apaixonar por
baixo como um burro. Na floresta, os dois casais se deparam com problemas.
Lisandro e Hérmia são preenchidos por Puck, que proporciona algum alívio na
peça por confundir os quatro amantes na floresta. No final do espetáculo,
Lisandro e Hérmia, bem casados, assistem à peça sobre os amantes infelizes,
Píramo e Tisbe, e são capazes de desfrutar e rir sobre a peça, e não perceber
as semelhanças entre eles. Embora sua história seja muito parecida com a de
Píramo e Tisbe, ela não termina com a morte trágica. Lisandro e Hérmia são
alheios ao lado obscuro do seu amor. Eles não estão cientes dos possíveis
resultados que poderiam ter tido lugar na floresta.
"Sonho de uma noite de verão" é uma linda fábula de amor de William
Shakespeare, que muitos consideram como uma comédia, mas que na verdade não
é.
— Curiosidade
O astrônomo William Herschel se inspirou nesta obra para dar nomes aos
dois satélites maiores de Urano: Titânia e Oberon, descobertos por ele mesmo
em 1852. Desde então todos os satélites naturais de Urano recebem seu nome,
não de personagens mitológicos, como no restante de astros do Sistema Solar,
senão de personagens literários das obras de Shakespeare e Alexander Pope.
Puck é um satélite menor de Urano descoberto em 1985 pela sonda Voyager 2
cujo nome foi inspirado no personagem desta obra.

Capa da primeira edição da peça, ano de 1600
— Personagens
TESEU, Duque de Atenas.
EGEU, pai de Hérmia.
LISANDRO, apaixonado de Hérmia.
DEMÉTRIO, apaixonado de Hérmia.
FILÓSTRATO, diretor de festas na corte de Teseu.
QUINCE, carpinteiro.
SNUG, marceneiro.
BOTTOM, tecelão.
FLAUTA, remenda-foles.
SNOUT, caldeireiro.
STARVELING, alfaiate.
HIPÓLITA, rainha das amazonas, noiva de Teseu.
HÉRMIA, filha de Egeu, apaixonada de Lisandro.
HELENA, apaixonada de Demétrio.
OBERON, rei dos elfos.
TITÂNIA, rainha dos elfos.
PUCK, ou o Bom Robim.
FLOR-DE-ERVILHA, elfo.
TEIA-DE-ARANHA, elfo.
TRAÇA, elfo.
SEMENTE-DE-MOSTARDA, elfo.
Outros elfos do séquito de Oberon e Titânia. Séquito de Teseu e Hipólita.
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Nota: Elfos são seres alados na mitologia escandinava.

Trechos da peça
Ato I Cena I
Os namorados desta peça, Hérmia e Lisandro se amam, mas o pai dela prefere
Demétrio. Se desobedecer ao pai ela pode ser morta ou mandada para um
convento. Os dois ficam a sós, depois de ouvirem a sentença.
LISANDRO — Então, amor? Por que ficou tão branca? Por que já
murcharam essas rosas?
HÉRMIA — Talvez seja falta de chuva; mas eu posso molhá-las com
a torrente das minhas lágrimas.
LISANDRO — Em tudo aquilo que até hoje eu li, ou em lendas e
histórias que eu ouvi o amor nunca trilhou caminhos fáceis: seja por
desavenças de família...
HÉRMIA — Ó cruz, grande demais para ser leve.
LISANDRO — Ou por diferença nas idades...
HÉRMIA — Ó ódio, que separa as pessoas.
LISANDRO — Ou por interferência dos amigos...
HÉRMIA — Ó inferno, ver o amor com olhos de outros.
LISANDRO — Ou, quando existe acordo na escolha, a guerra, a
morte ou a doença atacam e o transformam em som que mal se ouve, em
sombra veloz, em sonho rápido, em breve raio que no escuro da noite que
num momento mostra o céu e a terra, mas antes que alguém possa dizer:
"Veja!" É devorado pela escuridão: o que brilha num instante se
confunde.
HÉRMIA — Se o verdadeiro amor sempre sofreu, deve ser uma regra
do destino. Ensinemos então às nossas dores a paciência, cruz que é
costumeira, tão devida ao amor quanto lembranças, sonhos, suspiros,
lágrimas, desejos, que são o séqüito da fantasia.
LISANDRO — É bem lembrado, mas agora escute: tenho uma tia, que
está viúva faz muito tempo, de grandes posses, mas que não tem filhos,
que mora a sete léguas de Atenas e me tem como seu filho único. Hérmia,
lá nós podemos nos casar e lá não pode a rude lei de Atenas nos perseguir.
Se, então, você me ama, fuja amanhã da casa de seu pai e à noite, já bem
fora da cidade, na floresta (onde a encontrei um dia junto com Helena
nos festins de maio) espero por você.
HÉRMIA — Meu bom Lisandro, eu juro pelo arco de Cupido, pela
ponta de ouro de sua flecha, pela pureza dos pombos de Vênus, pelo que
as almas une e o amor estimula, pelo fogo que a Dido consumiu quando
partiu o pérfido troiano, por toda jura por homem quebrada (e são bem
mais que a por mulher cometida) no local que você determinar, como você
amanhã hei de encontrar.
No final da peça, elfos e fadas abençoam o amor dos três casais
unidos depois de o amor, após muitos tropeços, encontrar seu
caminho:
Ato V Cena II
OBERON — Encham de luz toda esta casa,
Façam queimar de novo o fogo;
Todo elfo e fada que tem asa
Entre, igual a um pássaro, no jogo;
E esta canção cante comigo,
Com dança alegre e som amigo.
TITÂNIA — Quero a canção bem decorada,
Cada palavra, voz trinada;
Mãos dadas, fadas; com encanto,
Benzemos tudo aqui com canto.
OBERON — Agora, até de madrugada
Aqui teremos cada fada.
O próprio leito de noivado
Será por nós abençoado:
E quem dali vier ao dia
Terá fortuna e alegria.
E assim os três casais de amantes
Serão no amor sempre constante;
E os erros vis da natureza
Não mancharão sua beleza;
Nenhum defeito ou cicatriz
Lhes virá dar um filho infeliz,
Ou desprezada por nascer
Como acontece a tanto ser.
Com este orvalho consagrado,
Fadas façam o que foi ordenado!
E — abençoado em cada sala —
Neste palácio a paz se instala:
Todos terão doce repouso
E o seu senhor será ditoso.
Parti agora, e sem demora,
Venha encontrar-me à luz da aurora.

Titânia e Oberon. Óleo sobre tela, de Joseph Noel Paton

Teseu sobre o sonho de uma noite de verão
Ato V Cena I
Não posso acreditar nessas fábulas antigas, nem tampouco em brincadeiras
de fadas. Amantes e loucos têm cérebros tão fervilhantes, e fantasias tão
bem concebidas, que percebem mais do que a fria razão pode compreender. O
louco, o amante e o poeta têm a imaginação compacta. Um vê mais demônios
que o imenso inferno pode abrigar: é o louco. O amante, tão furioso quanto
o louco, vê a beleza de Helena com feições egípcias. O poeta olha para o
céu num frenesi, lança um olhar do céu à terra, e da terra ao céu; e
enquanto a imaginação do poeta desenha os contornos de coisas desconhecidas,
a pena do poeta dá-lhes forma e atribui a esse nada etéreo um endereço
e um nome.

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