~ O Rio antigo visto por Marc Ferrez ~

Boa parte das imagens do Brasil do século XIX que conhecemos foi captada pelas lentes do fotógrafo Marc Ferrez. De 1863 a 1915, Ferrez registrou paisagens urbanas e rurais do Pará ao Rio Grande do Sul. Nesse período, cobriu boa parte do território nacional a serviço da Marinha e da Comissão Geológica do Império. Metade de seu trabalho mostra o Rio de Janeiro. São dele muitos dos primeiros cartões-postais da capital imperial e um dos retratos mais conhecidos do escritor Machado de Assis. Sua obra constitui o mais importante acervo de imagens brasileiro nos primeiros anos da fotografia. Graças ao arquivamento cuidadoso de negativos e reproduções, das 5.500 imagens que ele deixou, 80% estão em perfeitas condições.

O Rio visto de Santa Teresa, em 1885: graças a um tempo de exposição muito longo, Ferrez (de calça clara) captou a si mesmo e a um amigo em diferentes momentos

Fotografia da Baía da Guanabara de Marc Ferrez

Fotografia da Baía de Guanabara. Década de 1800






As casas da Praia de Botafogo, em 1875, com o Corcovado (sem o Cristo) ao fundo


Antigo Cais Pharoux (Praça XV), em 1880, um dos locais preferidos de Machado de Assis. Nove anos depois dessa fotografia, saíram de lá os ferry-boats com os 5000 convidados para o Baile da Ilha Fiscal, o último do Império


No alto dos 710 metros do Corcovado, Ferrez usou uma câmera panorâmica para captar a Enseada de Botafogo, em 1885, quando o Pão de Açúcar ainda estava longe de ter bondinho


Praia de Ipanema vista do Arpoador, em 1895. Ao longe, o Morro Dois Irmãos e a Pedra da Gávea


Copacabana, em 1890, vista do Leme: uma visão idílica e totalmente selvagem


Vista de fora da baía de Guanabara, do lado de Niterói (RJ), 1890


Baía de Guanabara, em 1885, vista de Icaraí, Niterói


Largo de São Francisco de Paula, 1895, Rio de Janeiro


Largo do Paço e rua Primeiro de Março, 1890, Rio de Janeiro


Rua Primeiro de Março, 1890, Rio de Janeiro


Canal do Mangue, 1905, Rio de Janeiro: negativo original em vidro


Avenida Central (atual Rio Branco), no Rio. Em 1910, ela era repleta de construções em estilo neoclássico


Cinema Pathé, 1918, Rio de Janeiro


O Morro do Corcovado antes da construção do Cristo Redentor


Etapa final da construção do Cristo Redentor.



~ Especial do arquivo Marc Ferrez ~

A foto de Luciano Ferrez (filho de Marc Ferrez) mostra um panorama de São Conrado, em 1933: praia deserta e a favela da Rocinha nascendo ao fundo


Marc Ferrez fotografado por seu filho Júlio, em 1915: acervo inédito por quase um século



Uma curiosidade sobre o Rio antigo: A Rua das Laranjeiras antes mesmo de 1600 já tinha essa denominação, por se situar no Vale das Laranjeiras, onde existiam, à época, plantações de laranjas. Por duas vezes tentaram mudar-lhe a denominação. Primeiro para Rua Almirante Dellamare, quando nela faleceu o almirante de mesmo nome, Depois, em 1899, o Conselho Municipal quis denominá-la Rua República Argentina. Mas as tentativas foram em vão. Laranjeiras prevaleceu.

________
Imagens: Arquivo Marc Ferrez – Bibliografia: Arquivo Starnews 2001.

 
© Starnews 2001
Rio de Janeiro – Niterói