A
relação entre a fala, a
respiração e o mantra pode ser
melhor demonstrada através do
método pelo qual o mantra funciona. Um
mantra é uma série de
sílabas cujo poder reside em seu som;
através da pronunciação
repetida, pode-se obter controle sobre uma
determinada forma de energia. A energia do
indivíduo está fortemente ligada
à energia externa, e uma pode influenciar
a outra. (...) É possível
influenciar a energia externa, efetuando os
assim chamados "milagres". Tal
atividade é realmente o resultado de se
ter controle sobre a própria energia,
através do qual se obtém a
capacidade de comando sobre
fenômenos
externos.
(Chögyal Namkhai Norbu,
Dzogchen)
Nagasanyasin
Uma crônica sobre Sri Aurobindo,
filósofo hindu,
1872-1950
Um dia,
Aurobindo assiste a uma cena curiosa. Seu
irmão Barin estava doente de uma febre
maligna quando passa casualmente um desses
monges errantes, seminus e com o corpo coberto
de cinzas, que são chamados de
nagasanyasin. O monge devia estar
mendigando de porta em porta, como é o
costume indiano, quando viu Barin tremendo de
febre. Sem dizer uma palavra, pediu um copo com
água, fez sobre ele um sinal, recitou um
mantra e deu a
água a Barin para que bebesse. Cinco
minutos depois, Barin estava curado, e o monge
tinha
desaparecido.
Aurobindo já tinha
ouvido falar dos poderes estranhos desses
ascetas, mas desta vez a
constatação foi feita com seus
próprios olhos. A partir desse dia,
Aurobindo, que era um ateu e um cético,
passou a acreditar... "Eu não estava
sequer seguro de que Deus
existia..."
Mala
(rosário)
Para contar as recitações,
geralmente
se utiliza um rosário (sânsc.
mala, tib. trengwa/phreng ba) de cento e oito contas. Na
prática, considera-se que uma volta do
rosário equivale a cem mantras; os oito
restantes servem para compensar os mantras
recitados distraidamente.
Alguns exemplos de
rosários:



Os tibetanos usam
também seus rosários no
pescoço ou no braço (pulso), a fim
trazer as
graças dos
mantras, contidas nos rosários, para
energizar e purificar o corpo e a
mente.
O mantra mais conhecido do
budismo tibetano é Om Mani Padme Hum (os
tibetanos pronunciam Om Mani Peh-meh
HoonG
),
associado ao bodhisattva da compaixão,
Avalokiteshvara. Nesse mantra, a sílaba
Om representa a presença física de
todos os budas. A palavra sânscrita Mani,
jóia, simboliza a jóia da
compaixão de Avalokiteshvara, capaz de
realizar todos os desejos. A palavra Padme
significa lótus, a bela flor que nasce no
lodo; do mesmo modo, devemos superar o lodo das
negatividades e desabrochar as qualidades
positivas. A sílaba Hum, representando a
mente iluminada, encerra o
mantra.
Este é
o 'Seis Sílabas...
ou o
'Grande Mantra': Om Mani Padme
Hum
Em
Tibetano:

é
pronunciado: Om Mahni
Peh-meh Hoon
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