As noites quentes de Pompéia e Herculano

A cidade soterrada mais famosa da antiguidade é uma fonte quase inesgotável de informação para os arqueólogos e historiadores envolvidos no mundo romano: a partir de restos materiais encontrados sob a lava do Vesúvio é de fato possível reconstruir quase completamente a vida que teve lugar em Pompéia e Herculano. As escavações de casas, prédios públicos e lojas têm fornecido informações valiosas sobre as técnicas de construção e gostos artísticos da época, sobre os instrumentos comumente utilizados em casas particulares e ferramentas que faziam parte da atribuição específica de profissionais e artesãos, mas também em técnicas agrícolas, os hábitos e modos de tempos livres nos ginásios, na biblioteca, teatro, em bordéis, etc.

Grafites de Amor
Coge mori quem sine te vivere coges, ou "Constrange-me morrer porque você me obriga a viver sem você." Com estas palavras, escritas na parede de um edifício em Pompéia, um desconhecido habitante da antiga cidade Vesuviana declara a todos os transeuntes seu amor desesperado. Não é o único, porque, para o primeiro século d.C. em Pompéia assuntos do coração não eram coisas para se manter em segredo, e certamente há muitos que deixaram o grafite de conteúdo amorosonas paredes das casas. Às vezes, eles foram até escritos com certa elegância de estilo, em que ecos de poemas de amor de poetas famosos da época, como Tibulo, Propércio, Catulo e Ovídio faziam a diferença. Em alguns casos as mulheres de Pompéia, expressavam em grafite poético seus sentimentos, e mostrou som isso uma cultura literária considerável. Um exemplo significativo da poesia "grafite" é esse no qual o autor aborda a sua amada com estas palavras: "Oh, eu poderia mantê-la apertada em meus braços e beijar seus lábios..." Há também as mensagens em que os autores declaram alegremente um sentimento ou mesmo se vangloriam de suas conquistas amorosas. Os habitantes da antiga Pompéia faziam questão em mostrar sua virilidade "anunciando" o seu sucesso com as mulheres.

Pinturas e esculturas eróticas
Através da mensagem do grafite é possível reconstruir as diferentes faces do amor na antiga Pompéia, além do que podemos conhecer por meio das imagens: pinturas, estátuas, mosaicos de natureza erótica, sobrevivendo praticamente intacta até hoje, não apenas adornado os quartos de bordéis e tabernas, mas também os edifícios de termas e casas particulares. Em muitos casos, estas imagens são oriundas da tradição mitológica: Júpiter lutando com suas inúmeras conquistas, Vênus e Marte, amantes divinos por excelência. E, em seguida, outros casais famosos da mitologia, como Baco e Ariadne ou Polifemo e Galatéia, mas também pinturas inspiradas por gente comum, como no caso das vinhetas que decoram as paredes dos bordéis de Pompéia: longe de qualquer reminiscência mitológica, estas pinturas são realistas em termos ao mostrar um dos cotidianos da cidade.

Uma rica documentação, também foi restaurada, para que você possa ter uma idéia de como se comportava a sexualidade no mundo dos antigos romanos. Um mundo em que o casamento era uma espécie de contrato para garantir a sobrevivência do gens, ou seja, a família, e não necessariamente como condição para o amor entre duas partes interessadas. É por isso que era considerada natural entre os homens — para as mulheres as regras mostravam-se mais restritivas e severas — a busca extraconjugal, “alegrias” e emoções do amor, desde que não virasse as suas atenções para senhoras casadas. Muito diferente consistia a condição da mulher, que poderia custar à infidelidade conjugal uma punição muito grave.

Pompéia Virtual Tour

A erupção do Vesúvio, no ótimo documentário (Pompéia: os últimos dias), em DVD, produzido pela BBC/Discovery Channel.



Nova iluminação de Pompéia mostra o vulcão Vesúvio ao fundo

Autoridades italianas inauguraram no dia 10 de maio de 2005 a nova iluminação noturna do sítio arqueológico de Pompéia, próximo a Nápoles, ao sul do país. O objetivo do investimento é permitir passeios turísticos noturnos. Em 2002, Pompéia já havia recebido uma nova iluminação e efeitos sonoros.

Imagem: Agência EFE


Casal pompeiano

Torna-se evidente agora que o que vimos, e estamos vendo, é a maior catástrofe na História de nosso mundo, e que os deuses fizeram cair sobre a região de Campânia, em particular sobre a cidade de Pompéia...

 



Atualidades sobre Pompéia e Herculano

Pinturas eróticas e um bordel de luxo de Pompéia foram abertos para visitação turística após cuidadosa restauração.

A estrutura de dois andares, que possui pinturas eróticas que deixam pouco à imaginação, tornou-se uma das representações da cidade antiga. Um funcionário que participou da restauração revelou que os trabalhos foram feitos no interesse da arqueologia — e para salvar as pinturas — e não a lascívia. O bordel foi nomeado o “Lupanare” — de Lupa (loba), o termo coloquial latino para uma prostituta. Os preços foram colocados na parte externa do edifício, que tinha três entradas, e as pinturas retratam os serviços sexuais oferecidos.

O Lupanare ostentava dez quartos, cinco em cada andar, com o andar superior (que tinha uma varanda) reservado para os clientes mais importantes e mais ricos. Os serviços sexuais eram em camas de pedra, cobertas por colchões.

Como em outros lugares do prazer, Pompéia foi arrasada pela erupção do Vesúvio, que sepultou a cidade em uns 6 a 15 m de camada de cinzas e lava no ano 79 d.C. As cinzas e a lava conservaram a cidade como uma cápsula do tempo até o século 18, quando as escavações começaram a trazer à luz bem preservadas casas, lojas, pinturas e corpos de pessoas e de animais quando tentavam fugir.

Pesquisadores dizem que Pompéia tinha muitos bordéis, mas a maioria consistia apenas de um único cômodo, muitas vezes sobre uma loja ou adegas. As prostitutas eram escravas e eram geralmente de origem grega ou oriental. Pietro Giovanni Guzzo, superintendente de Pompéia, disse que os hábitos dos antigos romanos quanto ao sexo e obscenidade eram mais liberais do que os das civilizações posteriores.

Objetos eróticos encontrados durante os séculos 18 e 19 em escavações foram considerados tão lascivos que eram mantidos em um gabinete "secreto" no Museu Arqueológico Nacional de Nápoles, Itália, para que somente os maiores de idade pudessem ver. Os objetos incluem uma estatueta do deus Pã copulando com uma cabra, e numerosos símbolos fálicos, considerados pelos romanos como talismãs da boa sorte ou da fertilidade.

As camas de pedra foram colocadas em locais discretos. Os pesquisadores disseram que uma prostituta, chamada Mirtes, tinha um sinal fora de seu quarto, explicando que o sexo oral era sua especialidade. Outras mulheres que trabalhavam no bordel — de acordo com os grafites nas paredes, foram: Callidrome, Cressa, Drauca, Fabia, Faustila, Felicia, Fortunata, Helpis, Mula, Nica, Restituta, Rusatia e Lanuaria.

Luciana Iacobelli, professora de antiguidades da Universidade Bicocca de Milão, disse que nem todas as prostitutas eram escravas. Havia até algumas evidências de que muitas mulheres (não prostitutas) romanas frequentavam ou trabalhavam nos bordéis.

"Sexo, como a morte, é sempre do interesse de consumo humano e tem sido assim ao longo dos séculos", disse ela.

Erotic frescoes put Pompeii brothel on the tourist map.

The two-storey structure, which features erotic frescoes that leave little to the imagination, is expected to become one of the ancient city’s top draws. Officials who unveiled it yesterday emphasised that the year-long restoration had been carried out in the interests of archaeology, and to save the frescoes, rather than prurience. The brothel was named the Lupanare, from lupa (she-wolf), the colloquial Latin term for a prostitute. Prices were posted outside the building, which had three entrances, and the frescoes depict the sexual services on offer.

The Lupanare boasted ten rooms, five on each floor, with the upper floor, which had a balcony, reserved for more important and wealthier clients. Sexual activity took place on stone beds, which would have been covered by mattresses.

Like other parts of pleasure-loving Pompeii, the brothel was overwhelmed by the eruption of Mount Vesuvius, which buried the city in a 6m (19½ft) layer of volcanish ash in AD79. The ash preserved the city as a time capsule until the 18th century, when the first excavations began to bring to light well-preserved houses, shops, frescoes and skeletons of people caught as they tried to flee.

Scholars say that Pompeii had many brothels, but most consisted only of a single room, often above a shop or wine bar. The prostitutes were slaves and were usually of Greek or Oriental origin. Pietro Giovanni Guzzo, superintendent of Pompeii, said that ancient Roman attitudes to sex and obscenity were more relaxed than those of later civilisations.

Erotic objects found during the 18th and 19th-century excavations were considered so salacious they were kept in a “secret cabinet” at the National Archeological Museum in Naples, to which only those deemed to be of “mature age and respected morals” were admitted. The objects include a statuette of the god Pan copulating with a goat, and numerous phallic symbols, considered by the Romans to be good luck or fertility charms.

The stone beds were placed in discreet alcoves. Scholars said that one prostitute, named Myrtis, had a sign outside her room explaining that her speciality was oral sex. Other girls working at the brothel, according to Roman-era graffiti on the walls, were Callidrome, Cressa, Drauca, Fabia, Faustilla, Felicia, Fortunata, Helpis, Mula, Nica, Restituta, Rusatia and Ianuaria.

Luciana Iacobelli, lecturer in Pompeiian antiquities at Bicocca University in Milan, said that not all the prostitutes were slaves. There was even some evidence that Roman women frequented brothels for sex with male prostitutes. “Sex, like death, is always of consuming human interest and has been over the centuries,” she said.

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Fonte: Revista Time Online, 28 de outubro de 2006. – Discovery Channel.

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