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O Poeta do Amor
1883 - 1931

A borboleta continuará a pairar sobre o campo e as gotas
de orvalho ainda brilharão sobre a relva quando as pirâmides do Egito
estiverem destruídas e não mais existirem os arranha-céus de Nova York.
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~ Cartas de Amor de Gibran ~
Esse livro fascinante contém a correspondência amorosa de Gibran com Mary
Haskell, uma americana dez anos mais velha que ele. Tudo indica que Mary, apesar
de grande amiga, jamais aceitou qualquer relação além de um amor platônico.
Lendo as cartas de Gibran, fica difícil entender como ela resistiu!...
10/3/1912
Mary, minha adorada Mary, como você pode achar que me está dando
mais sofrimento que alegrias? Ninguém sabe direito qual é a fronteira
entre a dor e o prazer: muitas vezes eu penso que é impossível
separá-los. Você me dá tanta alegria que chega a doer, e você me causa
tanta dor que eu chego a sorrir.
24/5/1914
Pense, minha adorada, se estivéssemos caminhando por um belo campo,
num dia lindo, e — de repente — uma tempestade tombasse sobre nossas
cabeças. Que maravilha! Existe emoção maior do que ver os elementos
produzindo força e energia selvagem? Vamos para os campos, Mary, buscar
o inesperado.
8/7/1914
Sempre pensei que, quando alguém nos entende, termina por nos
escravizar — já que aceitamos qualquer coisa para sermos compreendidos.
No entanto, sua compreensão trouxe-me a paz e a liberdade mais profunda
que já experimentei. Nas duas horas de sua visita, você descobriu um
ponto negro no meu coração, tocou-o, e ele desapareceu para sempre
— fazendo com que eu enxergasse minha própria luz.
18/4/1915
Os dois dias em que estivemos juntos foram magníficos. Quando
falamos sobre o passado, sempre tornamos mais real o presente e o
futuro. Por muitos anos, tive pavor de olhar aquilo que vivi, e sofri em
silêncio. Hoje entendi que o silêncio nos faz sofrer mais profundamente.
Mas você me faz conversar, e eu descubro as coisas empoeiradas que
se escondiam na minha alma, e então posso arrancá-las dali.
17/7/1915
Nós dois estamos procurando tocar os limites da nossa existência.
Os grandes poetas do passado sempre se entregavam à Vida. Eles não
procuravam uma coisa determinada, nem tentavam desvendar segredos:
simplesmente permitiam que suas almas fossem arrebatadas pelas emoções.
As pessoas estão sempre buscando segurança, e às vezes conseguem: mas a
segurança é um fim em si, e a Vida não tem fim.
Sua carta, Mary, é a mais bela expressão de vida que já recebi.
Poetas não são aqueles que escrevem poesias, mas todos os que têm o
coração cheio do espírito sagrado do Amor.
10/5/1916
Querida Mary: estou enviando uma parábola que terminei. Tenho
escrito pouco, e apenas em árabe. Mas gostaria de ouvir suas correções e
sugestões sobre este trecho: Na sombra de um templo, meu amigo me apontou um cego. Meu amigo
disse: " Este homem é um sábio".
Aproximamos, e perguntei: "desde quando o senhor é cego?"
"Desde que nasci".
"Eu sou um astrônomo", comentei.
"Eu também", o cego respondeu. E, colocando a mão em seu peito,
disse: "Passo a vida observando os muitos sóis e estrelas que se
movem dentro de mim".

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Ninguém
pode conviver sozinho com a beleza que é capaz de perceber. E quanto a nós,
que buscamos o Absoluto, e que construímos um jardim usando a nossa própria
solidão, a Vida nos deixou a imensa paixão para aproveitar cada instante,
com toda a intensidade.
Do livro "Cartas de amor de Gibran"
As cartas de amor de Gibran (em PDF) |

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© Arnaldo Poesia ~
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Fotos, Layout e Arte Gráfica por
Abu Ahmed al-Hassan
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