A Terra Santa é uma
realidade cristã pelos
quais os eventos históricos são testemunhos
~ Basílica do Santo Sepulcro ~

A Basílica do Santo Sepulcro é o lugar mais
sagrado de Jerusalém, aquele que sem dúvida concentra as emoções mais secretas
de cada visitante: a qualquer confissão ele pertença porque tão grande é a
sugestão deste lugar onde a história se entrelaça com a lenda e onde a crença
popular se une à fé religiosa, não poderá deixar de se perturbar, emocionado à
vista da igreja.
Este lugar ficava além das muralhas da cidade, onde aconteciam as execuções
capitais e sem dúvida era mais alto do que o atual, para que todos tivessem uma
ampla visão dos condenados. Chamava-se Gólgota do aramaico gulgoleth que
significa lugar do crânio, um pouco pela sua forma arredondada que é semelhante
a um crânio e um pouco pela lenda que conta da sepultura do crânio de Adão.
Próximo a esta colina, onde ficava o sepulcro de Jesus, pareceu ideal ao
imperador Adriano, em 135 d. C., construir aqui o Foro e o Capitólio da Aelia
Capitolina, lugar de adoração da clássica tríade Júpiter, Juno e Vênus. Adriano
queria acabar desta maneira com as esperanças hebraicas que, também depois da
destruição do Templo, continuavam a venerar estes lugares sagrados.
Felizmente Adriano, para a construção do Templo Capitolino não aplanou as
rochas onde foram cavados os sepulcros, mas limitou-se a preencher as cavidades
com grande quantidade de terra. Deste modo criou, como base para o Templo, uma
espécie de enorme terraço que impediu a destruição dos túmulos. Em 325 Helena,
mãe de Constantino o Grande, e o bispo Macário, convenceram-se de ter encontrado,
debaixo do Capitólio, o sepulcro de Jesus. As escavações que a imperatriz mandou
imediatamente iniciar trouxeram à luz o sepulcro de Jesus quase intacto e, num
fosso, as cruzes de Jesus e dos dois ladrões. Constantino mandou construir uma
primeira igreja, iniciada em 326 e acabada em 335: mandou tirar todos os blocos
de rocha deixando somente dois, o do Gólgota onde foi erguida uma cruz com o
cibório no topo e o do sepulcro de Jesus, isolado por uma enorme construção
redonda à qual foi dado o nome de Anástasis, que significa Ressurreição. A
verdadeira basílica erguia-se no lado leste da Rotunda, tinha cinco naves e uma
cripta construída pela descoberta da cruz. A basílica foi destruída pelos Persas
em 614. A reconstrução começou 15 anos mais tarde sob o abade Modesto e a igreja
ficou intacta até 1009, quando o califa el Hakem a destruiu completamente.
Quando os Cruzados aos 15 de julho de 1099, conquistaram a cidade, acharam a
igreja, reconstruída pelo imperador Constantino Monomaco, bela, mas não digna de
conservar o corpo de Jesus. Os Cruzados empenharam-se numa enorme obra de
embelezamento e de transformações radicais e a nova igreja foi sagrada
em 1149.
A igreja ficou substancialmente sem modificações até quando um grande incêndio,
talvez criminoso, em 1808 a devastou quase completamente. Nesta triste ocasião, o
mundo ocidental não prestou atenção aos pedidos de ajuda para a sua reconstrução,
estando naquela época ocupado com as batalhas napoleônicas que empenhavam
toda a Europa.
Os monges gregos, rivais antigos dos latinos, aproveitaram da ocasião e
obtiveram a autorização para restaurar a igreja, ficando assim únicos senhores da
situação. Infelizmente não se tratou de restauração, mas de uma nova destruição,
porque foi apagado sistematicamente tudo o que pudesse lembrar do mundo latino.
Hoje o Santo Sepulcro é subdividido entre seis comunidades religiosas: católica,
grego-ortodoxa, armênia (estas três comunidades têm uma área muito vasta), copta,
síria, abissínia (o convento desta comunidade fica no teto
da igreja).
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