O Coliseu, antes chamado de
Anfiteatro Flaviano, deve seu nome à expressão do latim Coliseum, devido ao colossus
de Nero que ficava perto da edificação. É uma exceção de entre os anfiteatros pelo
seu volume e relevo arquitetônico, era um local onde seria exibidos toda uma série de
espetáculos, inseridos nos vários tipos de jogos realizados na urbe (cidade). Os
combates entre gladiadores, entre estes e feras ou mesmo combates navais, inseridos
no vasto movimento propagandístico romano, concedia uma especial relevância às
características essenciais da cultura romana, dos valores morais greco-romanos
instituídos e do verdadeiro “tesouro” composto pelas lendas e mitos desta civilização.
Antigamente o Coliseu era "inundado" para treinos de batalhas navais; pois a
arena dispunha de um excelente sistema de drenagem, a ponto de quando o sistema
estava fechado, devido ao acúmulo de água da chuva, era possível até praticar
batalhas navais no interior do Coliseu! Daí podemos avaliar o grande
conhecimento em arquitetura que os romanos possuíam.
Assim, sob a influência dos modelos apresentados, a forma de ver o mundo e de,
basicamente, ser das pessoas que compunham o Império alteram-se. O Coliseu era,
portanto, e, sobretudo, um enorme instrumento de propaganda e difusão da
filosofia de toda uma civilização, e tal como era já profetizado pelo monge e
historiador inglês Beda na sua obra do século VII "De temporibus liber",
"Enquanto o Coliseu se mantiver de pé, Roma permanecerá; quando o Coliseu ruir,
Roma cairá e acabará o mundo". Embora o Coliseu tenha funcionado até ao século
VI da nossa Era, foram proibidos os jogos com mortes humanas desde 404, sendo
apenas massacrados animais como elefantes, panteras ou leões.
A construção do Coliseu, nome geralmente dado ao anfiteatro flaviano entre o
Palatino e o Caelius, foi iniciado por Vespasiano, no ano 70 da nossa Era, e
finalizado pelo seu filho, Domitianus. O edifício será inaugurado por Titus, em
80, embora apenas tivesse sido finalizado poucos anos depois. Empresa colossal,
este edifício, inicialmente, poderia sustentar no seu interior cerca de 55.000
espectadores, constando com três andares. No reinado de Severus Alexander e
Gordianus III, é ampliado com um quarto andar, podendo suster agora cerca de
noventa mil espectadores. A grandiosidade deste monumento testemunha
verdadeiramente o poder e esplendor de Roma na época dos Flávios.
~ Arquitetura e dimensão social ~
O Coliseu, como não se encontrava inserido numa zona de encosta, enterrado, tal
como normalmente sucede com a generalidade dos teatros e anfiteatros romanos,
possuía um “anel” artificial de rocha à sua volta, para garantir sustentação e,
ao mesmo tempo, esta subestrutura serve como ornamento ao edifício e como
condicionador da entrada dos espectadores. Tal como foi referido anteriormente,
possuía três pisos, sendo mais tarde adicionado um outro. É construído em
mármore, pedra travertina, ladrilho e tufo (pedra calcária com grandes poros). A
sua planta elíptica mede dois eixos que se estendem aproximadamente de 190 m por
155 m. A fachada compõe-se de arcadas decoradas com colunas dóricas, jônicas e
coríntias, de acordo com o pavimento em que se encontravam. Esta subdivisão
deve-se ao fato de ser uma construção essencialmente vertical, criando assim uma
diversificação do espaço.
Os assentos são em mármore e a cavea, escadaria ou arquibancada, dividiam-se em
três partes, correspondentes às diferentes classes sociais: o podium, para as
classes altas; as "maeniana", setor destinado à classe média; e os "portici", ou
pórticos, construídos em madeira, para a plebe e as mulheres. A tribuna imperial
ou pulvinar encontrava-se situada no podium e era balizada pelos assentos
reservados aos senadores e magistrados. Rampas no interior do edifício
facilitavam o acesso às várias zonas de onde podiam visualizar o espetáculo,
sendo protegidos por uma barreira e por uma série de arqueiros posicionados numa
passadeira superior de madeira, para o caso de algum acidente. Por cima dos
muros ainda são visíveis as mísulas, que sustentavam o "velarium", enorme
cobertura de lona destinada a proteger do sol os espectadores e, nos
subterrâneos, ficavam as jaulas dos animais, bem como todas as celas e galerias
necessárias aos serviços do anfiteatro.
~ Morte na arena ~
Os gladiadores iam às batalhas armados de punhais, espadas, redes e uma forca.
Eles brigavam até a morte. Gladiadores eram escravos,
prisioneiros de guerra condenados à morte ou criminosos. As batalhas que
encaravam na arena do Coliseu no segundo
século da era cristã, representavam a chance de salvar a pele. Aos gladiadores
era permitido fugir da pena capital massacrando os oponentes. Se tivessem êxito,
poderiam ganhar, além da fama, dinheiro para recuperar a liberdade. Se ficasse ferido,
o gladiador arremessava seu escudo e levantava seu dedo índice esquerdo. A multidão,
junto com o imperador, então decidia se devia viver ou morrer mostrando os polegares
para cima ou para
baixo.
Quando alguém morria na arena, um oficial vestido como Charon — um demônio do
outro mundo — aparecia para fiscalizar o corpo. Ao som das trombetas, o corpo
era arrastado para fora da arena e a luta dada por encerrada.
Nunca se soube de um gladiador que tivesse desafiado diretamente o poder do
imperador, como foi retratado no filme do inglês Ridley Scott (Gladiador, EUA,
2000). A História conta que Cômodo, filho louco de Marco Aurélio, até fingia
lutar na arena. Mas tomava cuidado em neutralizar seus oponentes. Foi
assassinado em 192 d.C. a mando dos inimigos.
Os gladiadores sobreviveram até por volta de 400 da era cristã. Tiveram seus
dias de glória durante o império, quando vários centros de treinamento nos
arredores de Roma chegaram a receber mil homens. Naquela época, eram divididos
em oito categorias definidas em função das armas: redes, punhais, tridentes,
espadas, escudos e capacetes. As regras das batalhas eram rígidas e, mesmo com
armamentos diferentes, na arena deveria haver um certo equilíbrio para que o
resultado fosse incerto. O fascínio desse tipo de luta ficou na história e
inspirou mais do que filmes épicos. As lutas greco-romanas, por exemplo, uma
modalidade olímpica, seguiram algumas de suas regras.
Como os atletas de hoje, os lutadores da Roma Antiga também se preparavam com
afinco antes dos combates. Um dos cuidados era obedecer a uma rígida dieta.
Alimentavam-se basicamente de cereais e farináceos, que ajudavam a manter os
músculos em forma. Como prêmio, no dia anterior às batalhas, eles tinham direito
ao que os romanos chamavam de cena libera (jantar livre). No cardápio, carne à
vontade, frutas e vinho, muito vinho, como era praxe na capital do Império
Romano. Além da dieta rigorosa, os gladiadores ainda praticavam exercícios para
apurar a forma física e aprendiam a combater e morrer com bravura e dignidade.
Vacilar jamais! Esperava-se do bom lutador coragem absoluta. Mas fazia parte da
disputa ser vulnerável e deixar o peito descoberto, protegido apenas por um pequeno
escudo de madeira ou couro.
No dia das lutas, os gladiadores eram conduzidos de carro com toda a pompa até o
Coliseu. Davam uma volta pela arena em ordem militar, vestidos com mantos
tingidos de púrpura e bordados com ouro. Atrás, vinham os escudeiros carregando
suas armas. Quando chegavam à altura da tribuna, dirigiam-se ao imperador e, com
a mão direita esticada, o saudavam com entusiasmo. Era o sinal de que o show
estava para começar.
~ A tradição ainda sobrevive ~
Na Itália, o berço da
cultura romana, desde 1994 funciona uma escola que prepara gladiadores modernos.
É o Istituto Ars Dimicandi, localizado próximo à cidade de Bergamo, que organiza
combates parecidos com os de antigamente. As regras e armas usadas pelos
gladiadores modernos são idênticas àquelas da Roma Antiga. Mas não há sangue nem mortes.
~ Arenas de Roma em Hollywood ~
Gladiador (Gladiator,
EUA, 2000. Direção de Ridley Scott, com Russel Crowe, Joaquin Phoenix,
Richard Harris)
O ano é 180 d.C. O general Maximus (Crowe) está prestes a ser indicado como
novo imperador. Mas ele é traído e tem que fugir para não morrer. Acaba se
tornando um gladiador vencedor e só pensa em vingança.
Spartacus (Spartacus, EUA, 1960. Direção de Stanley Kubrick. Com Kirk
Douglas, Lawrence Olivier)
A trama se passa em 73 a.C., quando Spartacus torna-se um gladiador que
lidera uma revolta de escravos contra os poderosos nobres romanos.
Ben-Hur (Ben-Hur,
EUA,1959. Direção de William Wyler.
Com Charlton Helston,Stephen Boyd) Amigos de infância, o hebreu Judá Ben-Hur
e Messala tornam-se rivais quando o primeiro se recusa a trair os judeus em
favor do Império Romano e torna-se cristão. A corrida de bigas é um dos
pontos altos do filme.
O monumento permaneceu como sede principal dos espetáculos da urbe romana até ao
período do imperador Honorius, no século V. Danificado por um terremoto no
começo do mesmo século, foi alvo de uma extensiva restauração na época de
Valentinianus III. Em meados do século XIII, a família Frangipani transformou-o
em fortaleza e, ao longo dos séculos XV e XVI, foi por diversas vezes saqueado,
perdendo grande parte dos materiais nobres com os quais tinha sido construído.
Acredita-se que o Coliseu tenha sido cenário dos primeiros martírios de cristãos
e, por isso, no século XVII, o papa Bento XIV consagrou-o à Paixão de Cristo e
declarou-o lugar sagrado. Os trabalhos de consolidação e restauração parcial do
monumento, já há muito tempo em ruínas, foram feitos, sobretudo pelos pontífices
Gregório XVI e Pio IX, no século XIX.
~ O Circo Máximo ~
O Circo Máximo era a melhor e maior pista de corrida de Roma. O oval Circo
Máximo (parecido com o Coliseu) foi construído em um longo vale que se estendia
entre as colinas romanas de Aventine e Palatine. No começo, os espectadores
sentavam-se nas colinas para observar as corridas. Depois, um estádio de madeira
e posteriormente de pedra foram construídos. O estádio de pedra possuía portas
de entradas em um dos extremos da pista, com um arco no final, uma barreira
central e uma arquibancada para 250.000 espectadores.
Havia quatro principais equipes de corridas: vermelha, branca, azul e verde.
As carruagens (bigas), que eram puxadas por dois ou quatro cavalos, eram frágeis e
construídas em madeira. Era necessária muita habilidade para equilibrá-las
durante as sete voltas completas. Os vencedores eram premiados com uma rama de
palma e coroa de laurel, além de ganharem fama e fortuna. A maioria dos
competidores era composta inicialmente por escravos, os melhores ganhavam
dinheiro para comprar a liberdade.
O filme Ben-Hur mostra uma dessas emocionantes corridas, entre Judá Ben-Hur
e Messala. Veja:
~ Vinte séculos de história ~
O lendário anfiteatro romano sobreviveu a três terremotos, um incêndio e à
queda do Império Romano
•
Ano 69 d.C. – O imperador Tito Flávio Vespasiano ordena a
demolição do palácio de Nero e a construção do Coliseu – daí seu nome
original, “Anfiteatro Flaviano”
• 80
– Tito, filho de Flávio Vespasiano, inaugura o Coliseu com uma festa de
100 dias
•
177-192 – Reino do imperador Comodus. Como gladiador, ele faz dezenas de
combates
no teatro romano (ao lado, Russel Crowell em "O Gladiador")
• 523
– Realiza-se a derradeira luta com animais. Tem início um período de
declínio. O Coliseu transforma-se numa pedreira
• Século
18 – A Igreja Católica faz da região, no centro de Roma, um
endereço sagrado
• 1995
– Começam as obras de renovação
• 2000
– Depois de 1.500 anos, volta a abrigar uma manifestação pública, a peça
“Édipo Rei”
•
2002 – Paul McCartney toca no Coliseu para um público de 400 pessoas
• 2003
– Fim da restauração. O Coliseu entra na era da internet, por meio de
webcams
__________
Bibliografia: Leituras Sobre o Império Romano, Arnaldo Poesia, Edição do Autor,
Niterói, Rio de Janeiro, 1985.
Arqueólogos usam realidade virtual
para reconstruir monumentos
históricos em ruínas
A recriação do Coliseu no laboratório de realidade virtual da Universidade da
Califórnia (Ucla), em Los Angeles, demonstrou que o projeto arquitetônico não
tinha a eficiência de uma moderna estação de metrô, como se imaginava. No térreo,
que dava acesso aos melhores lugares do anfiteatro, os vestíbulos eram espaçosos
e bem iluminados. Nos andares superiores, ao contrário, a plebe tinha de se
espremer em corredores estreitos e escuros para chegar às arquibancadas. No fim
dos espetáculos, a saída do público na certa era tumultuada e lenta.
O modelo em três dimensões do Coliseu, que possibilita uma caminhada virtual
por suas galerias e pelos subterrâneos, é parte de um megaprojeto que está
recriando em computador os principais monumentos romanos. Esse tipo de
reconstrução é uma revolução na arqueologia, pois permite tirar dúvidas sobre
verdades estabelecidas, mas jamais comprovadas. Para as recriações, arqueólogos,
arquitetos e técnicos de computação trabalham com plantas e desenhos antigos,
fotografias e registros históricos, além de visitar os locais para fazer
medições.
O programa 3D também leva em conta o material utilizado e as leis da física.
Foi assim que se descobriu que os três andares superiores do Coliseu eram mais
estreitos que o térreo. A arena oval, onde se realizavam combates de
gladiadores, foi construída entre os anos 70 e 80 pelos imperadores Vespasiano e
Tito. Terremotos e depredações (os mármores de seu revestimento foram
reaproveitados nas igrejas do Vaticano) destruíram a maior parte do prédio. Mas
um bom pedaço da fachada sobreviveu.