A necessidade de criar uma explicação do mundo também atingiu
os primeiros pensadores hindus. Indagavam: "Onde está o Sol
durante a noite? Para onde vão as estrelas durante o dia? Por
que o Sol não cai? Entre a noite e o dia qual foi o primeiro
e qual o último? De onde vem o vento e para onde vai?" As
primeiras respostas a estas perguntas foram dominadas por uma
perspectiva religiosa, fazendo surgir um
intrincado politeísmo naturalístico.
É um deus que faz o vento soprar forte, assim como é "Surya"
que faz o Sol nascer e morrer todos os dias. É "Agni" que
faz o fogo brilhar e queimar, construir e destruir.
Em 534 a.C., um jovem príncipe hindu, provavelmente de ascendência mongólica, chamado Siddartha Gautama, mais tarde, denominado Buda, o Iluminado depois de presenciar a morte e o sofrimento humano, tomou uma decisão suprema. Abandonou tudo: a mulher, o filho recém-nascido, a opulência do seu lar e saiu para meditar sobre o sentido da vida. Cavalgando o seu cavalo branco Kanthaka atravessou o rio que separava o seu principado para nunca mais voltar. Por este ato espiritual foi considerado um herói máximo para a cultura de sua terra. Esta peregrinação foi longa e dolorosa. Inicialmente, rumou para uma floresta, onde, na solidão da natureza, começou a procurar a solução para os problemas da vida. Não estando, porém, satisfeito, desceu para os vales sagrados do Ganges em busca de ajuda dos sábios que habitavam suas margens. Apesar da boa vontade, os ensinamentos destes mestres se mostraram insuficientes para o que queria: entender o significado da vida e achar uma solução para a angústia e o vazio da mesma. Despediu-se e continuou viagem, inquieto ainda com tais problemas. Cinco ascetas do Ganges o acompanharam nesta nova fase. Ingressou, então, na escola do ascetismo, segundo a qual a purificação da consciência e a libertação final do sofrimento podem ser alcançados mediante uma mortificação e autoflagelação do corpo para que o espírito viva. Foi tão extremamente zeloso em mortificar o corpo, durante seis anos, que chegou às portas da morte e ainda muito longe do seu objetivo: a paz e a serenidade interior e o reto caminho da vida. Por isto, abandonou todas as durezas contra o corpo, deixou o jejum de lado e passou a buscar o que pretendia por outro método. Escandalizados com esta mudança, seus cincos companheiros o abandonaram. Ele seguiu. Isto faz até lembrar a história que o mestre Maharishi Mahesh Yogi conta "Não esqueça a história do cachorro: você ganhou de presente um cachorro bravo. Quando quis acariciá-lo, ele mordeu sua mão. Você pode mantê-lo acorrentado, para que não fuja e não morda. Porém, assim, o cão nunca se tornará seu amigo. Se, ao contrário, você lhe der comida e uma esteira macia para dormir, logo ele lhe retribuirá os bons tratos e será seu fiel amigo. Da mesma forma devemos proceder com nosso corpo, com nós mesmos." Sua última peregrinação foi o caminho da meditação, da volta metódica e refletida para dentro de si mesmo para se auto-encontrar e para perceber, de maneira diferente, a realidade interna. Buda, sentado de pernas cruzadas, com a respiração tecnicamente realizada, sentou-se debaixo de uma árvore, às margens do rio Naranja. Depois de afastar todas as preocupações e idéias negativas, chegou a um intenso grau de concentração interior, obtendo o que ele chamou de unificação da mente (samatha). Através desta concentração entendeu as quatro verdades fundamentais:
Sua iluminação visualizou tudo a partir destas quatro verdades: eis a realidade da vida e a solução para seus problemas. O Nirvana seria a eterna tranqüilidade da natureza que segue imperturbavelmente suas leis eternas. Dois meses depois desta iluminação, comunicou aos cinco companheiros e amigos o resultado obtido. Rumou para Benares, onde estavam, e ensinou-lhes que para chegar à verdade e à realização das quatro grandes verdades fundamentais era necessária uma preparação, uma metodologia que ele chamou: oito etapas para as quatro verdades:
O sofrimento, a insatisfação, os conflitos (dukka) enfim, são a enfermidade, o desejo ou a raiz da doença. Pela remoção ou equilíbrio do desejo, elimina-se a doença. É este o caminho da cura.
Aqui você não encontrará um ensinamento completo, todavia, este é o caminho a seguir, mas qualquer pessoa pode tentar a prática deste pequeno esquema meditativo. Acenda um incenso de sua preferência. É necessário, antes de mais nada, uma posição correta. Deve-se sentar sobre uma almofada redonda, o pé direito sobre a coxa esquerda e o pé esquerdo sobre a coxa direita. As roupas devem ser frouxas. A mão direita sobre o pé esquerdo e a esquerda sobre a palma da direita com as pontas dos dedos polegares se tocando como se estivessem segurando uma bola. Senta-se em posição ereta, sem se inclinar nem para a frente nem para trás. Nariz, queixo e umbigo numa linha reta. As orelhas na mesma linha dos ombros. A língua encostada no céu da boca, lábios e dentes cerrados com firmeza. Olhos semicerrados, fitando algo a 90 centímetros. Se sua posição estiver correta, sentirá sua força concentrada num ponto abaixo do estômago. Os braços e ombros totalmente relaxados. Nesta posição poderá controlar sua respiração, que deverá ser profunda e calma, fazendo-se sem nenhum esforço consciente. A meditação Com esta posição, põe-se o corpo como que em parêntese. Deve-se afastar tudo aquilo que perturbe a mente, e concentrar-se naquilo que se vê, deixando que o inconsciente aja e trabalhe, associe e desça para mais profundo. Pode-se utilizar da "dialética", da livre associação das imagens, da busca da essência de cada fenômeno, da fixação naquilo que mais traz satisfação, paz, e coerência. O budismo não afirma nem desmente a afirmação da vida eterna, apenas acha que "na discussão deste tema, a pessoa fica divagando enquanto sua curta vida se vai acabando". Seus valores máximos são: a paz, a tranqüilidade, o encontro do homem consigo mesmo, mas isto não determina sua alienação da vida pública e política. Ficou-nos esta apreciação de Buda: "O rei é o maior dos patifes. Toma dinheiro do povo e o obriga à guerrear para defender suas riquezas, quando não para tirar as de outrem".
Um aspecto da ioga Como prova do interesse pela filosofia da Índia entre nós, podemos citar a grande difusão da ioga e das academias e centros que se desenvolvem para divulgar sua prática. Não vamos dar um resumo de Filosofia, mas, apenas deixar um roteiro de pesquisa. Toda a finalidade da prática ioga é libertar a mente daquelas atividades que impedem o seu mais puro e elevado funcionamento. A pura luz do espírito brilhará se estas obscuras atividades da mente forem suprimidas. A prática e a filosofia tentam pôr o espírito e a mente em ordem, em sintonia com a ordem eterna universal. Para isto torna-se necessário um longo caminho, cujas principais etapas são:
Faça esta meditação!
(acenda sempre um incenso de sua preferência)
Um exercício de meditação Lay
Yoga: Vamos apresentar, de modo simples, um esquema do que o mestre
Maharishi Mahesh Yogi chama de meditação transcendental:
"primeiro, sente-se numa almofada confortável, relaxe totalmente o
corpo. Coloque as mãos abertas, palmas para cima, repousando nos joelhos
ou em outra posição cômoda, desde que não pesem ou
fiquem penduradas, afetando assim a respiração. A boa ou má
respiração, coisa fundamental para a meditação,
dependem da posição de sentar. Depois de devidamente sentado, erga
a cabeça e respire calmamente três vezes. A seguir deixe a
respiração num ritmo tal que se torne imperceptível. Afaste
da mente os maus pensamentos, as idéias pessimistas, os
escrúpulos, os pensamentos de culpa, a lembrança de qualquer
conflito. Passe logo a relembrar coisas agradáveis, momentos felizes de
sua vida. E vá se aprofundando, se detendo cada vez mais naturalmente em
cada aspecto que lhe pareça digno e útil de ser iluminado pela
mente. Esta meditação não é mais difícil do
que apreciar uma boa música. A mente é um oceano revolto, mas as
ondas agitam somente a sua superfície. Com os exercícios
continuados se vai chegando à perfeição cada vez maior.
A principal característica desta meditação
é a de promover a paz, a bondade e a benevolência. Sua finalidade
é a de purificar a mente, tornando-a saudável e íntegra.
É o tipo de Meditação Universal de efeito seguramente
benéfico, que pode ser praticada por qualquer pessoa, de qualquer idade
trazendo resultados imediatos e proveitosos. Por ela a mente fica revigorada,
sua força torna-se maior.
Escolha uma hora e um lugar tranqüilo, acenda um incenso, para harmonizar e purificar o ambiente, criando uma atmosfera própria. Sente-se em uma cadeira ou, de preferência, no chão, de modo a ficar confortável, mantenha a coluna reta, a respiração lenta e profunda, tente ficar o mais relaxado possível. A prática da Meditação do Amor Universal deve começar pela própria pessoa, porque se alguém não se ama, torna-se impossível estender amor e benevolência a outras pessoas. Inicia-se com o pensamento: estou limpando minha mente de todas as impurezas, que eu esteja livre de maldades, que eu esteja livre de inimizades, que eu fique livre do sofrimento, que eu me sinta muito feliz, com muito amor e muita paz. Depois disso com a mente e o coração repletos de amor e paz, o pensamento deve ser dirigido a uma pessoa muito querida, da qual gostamos muito, visualizamos essa pessoa recebendo todo o nosso carinho, toda a paz e todo o amor que estamos sentindo. Em seguida visualizamos uma pessoa que nos é indiferente, um conhecido do qual não gostamos nem deixamos de gostar, e enviamos o mesmo pensamento. Finalmente lembramos de alguém que por algum motivo não gostamos, que nos é desagradável, pela qual temos algum tipo de rancor, e enviamos em forma de pensamento o nosso perdão, banhando-a com pensamentos de amor, paz e compreensão. Após algum tempo, quando estivermos mais acostumados com a prática da meditação, o próximo passo é estender, alargar, expandir esse pensamento, abrangendo todos os seres do nosso Planeta. Um Pensamento de Paz a cada dia. Em Mim há Paz. Sentir
Paz.
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