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Colunas do Templo de Edfu - Clique aqui

Templo de Hórus
~ O Falcão Divino ~


Um dos mais belos e mais bem conservados templos do Egito Antigo é o Templo de Hórus, em Edfu, situado a certa distância da parte sul de Luxor e do Vale dos Reis, construído por Ptolomeu III e Ptolomeu IV, por volta de 100 a.C. Acredita-se que um templo da Terceira Dinastia existisse originariamente no local. O templo de Edfu tem um hipostilo e um santuário, além de numerosas figuras, inscrições e hieróglifos gravados em relevo. Nas paredes estão representadas as lutas do deus Hórus com seus inimigos, caracterizados de crocodilos e hipopótamos.

Um cena, numa das paredes, mostra o faraó ajoelhado diante de Hórus. Bem acima da entrada para o primeiro átrio, na fachada do pilone, encontra-se em relevo um belo disco solar, com as asas abertas do falcão. Acredita-se que foram os faraós da Quinta Dinastia, por volta de 2400 a.C., que introduziram o disco solar alado com o uraeus, ou cobra, de cada lado. O disco solar era o de Ra, ou Aton. As asas eram de Hórus. Como o templo de Edfu é dedicado a Hórus, há em ambos os lados da entrada do templo, bem como no pátio, grandes estátuas, magnificamente esculpidas em granito, do falcão usando a dupla coroa.

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– Hórus guarda a entrada do templo

O falcão foi provavelmente a primeira criatura viva a ser adorada no vale do Nilo. O vôo altaneiro do falcão, que parecia ser companheiro do sol, levou os imaginosos egípcios a crer que o sol seria como que um falcão que descrevesse um luminoso vôo diário pelos céus. Como falcão, Hórus era um deus. Durante toda a sua história, os egípcios antigos acreditaram que os deuses se manifestavam em animais. Hoje é difícil compreendermos o relacionamento entre um deus e seu animal. O deus Hórus era representado como um pássaro que, segundo se acreditava, se manifestava em um ou mais falcões individuais. Por outro lado, dizia-se que Hórus era um falcão cujos olhos eram o sol e a lua, e cujo hálito era o refrescante vento norte. Esta a maneira impressiva com que descreviam esse grande deus.

Um símbolo importante dos egípcios era o Udjat, que representava o olho de Hórus, tendo uma peça incomum debaixo dele e que se assemelhava à face de um falcão. O Udjat, o olho de Hórus, sem dúvida representava simbolicamente o sol e era considerado um emblema poderoso.

Desde os tempos primitivos, o deus-falcão Hórus era considerado um grande deus-celeste, como a própria ave que era seu emblema. Às vezes ele era o deus do céu; outras, ele se tornava o sol sob o nome de Ra-harakhty. Pela sua ligação com os reis, ele uniu o Alto-Egito e o Baixo-Egito. Hórus passou a ser o deus real; tornou-se o falcão divino, protetor do rei e, até certo ponto, o próprio rei. O falcão Hórus tornou-se o símbolo da realeza e sua figura aparece nos sinetes e nos documentos reais. O título favorito do rei era Hórus, pelo qual ele se identificava como o sucessor do grande deus que outrora governara a terra.

Em certa época, o deus-sol era visto como o criador do Egito e do sol, Ra, era chamado o primeiro rei do Egito. Os egípcios viam o sol como uma força viva e está subentendido em sua teologia que Ra abriu mão do governo do Egito, entregando-o a outros deuses, em primeiro lugar a Hórus, que encarnava, segundo se acreditava, no faraó. Esta transferência de poder não só colocou o faraó na esfera divina, como também em pé de igualdade com outros deuses. A morte de um faraó mantinha, de acordo com suas crenças, a mudança periódica necessária. A sucessão de um rei por outro era encarada como uma ordem inalterada de eventos. Os faraós eram substituídos por seus filhos. Hórus sempre sucedia Osíris e este desaparecia do cenário terrestre, num sentido figurado.

O culto do deus-sol Ra predominava em Heliópolis, localizada numa parte da área norte da atual cidade do Cairo. O deus era concebido como o próprio sol, na forma de um disco. Na capital, em Mênfis, a alguns quilômetros a sudoeste, os faraós passaram a ser influenciados pelo culto solar e o resultado parece ter sido a fusão do deus-celeste Hórus com o deus-sol Ra. Na época da Quinta Dinastia, o rei, agora identificado com Hórus, passou a ser o Filho de Ra. Nos tempos primitivos, desenvolveu-se em Heliópolis o conceito segundo o qual a mais pura forma do deus-sol não se encontrava em Hórus de cabeça de falcão, mas no orbe físico do próprio sol, que era designado pelo nome de Aton; assim, Ra e Aton passaram a ser considerados como a mesma forma do sol. O símbolo para este, naquele período específico, era um homem com cabeça de falcão e coroado pelo disco solar, cercado pelo uraeus.

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Na lenda de Osíris, este era assassinado por Seth e revivido para tornar-se um poder no além. Hórus vingou o feito terrível de Seth, tomou o trono e, na qualidade de novo faraó, assumiu o papel de Hórus. Ao morrer, o pai fundiu-se com Osíris. O rei, que durante sua vida fora mediador entre seu povo e os poderes da natureza, fundiu esses poderes na época da sua morte e sua vitalidade saiu da terra onde repousava. Como Osíris, ele dava vida ao grão que germinava e às águas do Nilo. A lenda trata de uma luta entre Hórus e Seth, e esta, sem dúvida, representava um conflito entre dois cultos hostis, confronto considerado necessário para manter o equilíbrio de forças no universo. No mito, Hórus era filho de Osíris e Ísis e sobrinho de Seth. Como o sol, Hórus era herdeiro do reino terrestre do seu pai. Hórus acabou vencendo o conflito e foi triunfalmente proclamado o rei eterno e universal da terra.

Em tempos subseqüentes, de acordo com as representações encontradas no templo de Edfu, Hórus conquistou o mundo para Ra. Ele vencera o inimigo, que era nada mais, nada menos que Seth. Ra era basicamente o deus dos vivos, enquanto que Osíris era essencialmente o deus dos mortos. O faraó vivo era considerado a encarnação do grande deus Hórus que, ao morrer, se tornava Osíris. Ao suceder o faraó, o filho passava a ser o novo Hórus.

No começo, as regiões norte e sul do Egito eram dois reinos separados. A insígnia de realeza do Baixo-Egito, no norte, era a coroa branca, e a do Alto-Egito, no sul, era a coroa vermelha. Após a união das duas terras, por Menés, surgiu a coroa dupla, indicando que o rei era governante das duas terras. Em certa época, Hórus representava o Alto-Egito e Seth, o Baixo-Egito.

Nas primeiras dinastias, o nome real do faraó era escrito dentro de uma figura de forma retangular, com características de porta, isto é, porta de um palácio, encimada por um falcão. Esta era chamada Hórus. O falcão de Hórus, encimando o símbolo da moldura retangular da grande casa, ou palácio real, representava o deus dinástico de todo o Egito e era identificado com o deus-sol, e era o filho e vingador de Osíris. Um rei invariavelmente assumia vários títulos.

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– Falcão simbolizando o deus Hórus

Um segundo título era representado pelas figuras das deusas abutre e cobra. Juntas, elas representavam a força unificadora das duas terras. Um terceiro título era representado por um junco e uma abelha, simbolizando o Alto-Egito e o Baixo-Egito – "Aquele que pertence ao junco e à abelha".

Um quarto título era o de Falcão Dourado, ou Hórus de Ouro, cuja simbologia declarava: "Bendito em anos quem faz tudo viver". Isto representava uma espécie de poder glorioso e impetuoso. O ouro era de grande importância, pois o consideravam como a pele de Ra. Era a pele do próprio sol e seu brilho justificava a semelhança. Quando se adornava com ouro, o faraó era revestido da luz que iluminava a terra. O próprio metal o divinizava; ele era o Hórus de Ouro. Outro título que o rei adotava era o de Filho de Ra. Como tal, o faraó expressava sua divina filiação com o deus-sol.

O símbolo da porta retangular encimada pelo falcão era alongado, para incluir todos os títulos do rei. Mais tarde ainda, ele foi alterado para a forma oval, agora familiar, do cartucho. Um ou mais cartuchos, ou anéis onomásticos, continham os títulos do rei. Um cartucho trazia o nome do rei desde o seu nascimento e somente na Décima Oitava Dinastia é que os reis passaram a ser conhecidos como faraós. Na Décima Oitava Dinastia, por volta de 1500 a.C., o vizir Rekhmire escreveu: "O que é o rei do Alto-Egito e do Baixo-Egito? Ele é um deus cujos sentimentos profundos se vive, o pai e a mãe de todos os homens, sozinho, sem igual".

No primeiro período do Antigo Reino, o conceito do faraó como o deus Hórus encarnado provavelmente atingiu seu mais alto desenvolvimento. A Pirâmide Escalonada de Zóser, em Sakkara, e as pirâmides de Gizé são sem dúvida seus maiores monumentos. Quando da Quinta Dinastia, houve uma mudança pela qual o faraó era considerado um descendente do deus Ra. Esta foi a mudança de ênfase da idéia de uma encarnação para a idéia de um filho físico de um deus.

A visão do cosmo dos egípcios antigos era essencialmente estática. A mudança se dava somente por um ritmo periódico. Sempre havia a luta entre forças opostas. Embora a terra pudesse ficar calcinada no verão, a cheia do Nilo ocorreria com certeza, trazendo alívio. O faraó morreria, mas seu filho, o novo Hórus, reinaria em seu lugar. A vitória do deus-sol era proclamada todas as manhãs e isto era um lembrete diário do triunfo do bem sobe o mal através de Hórus.

Na antecâmara do Templo de Edfu existe um pequeno mas belo santuário, de colunas de pedra, conhecido como o Mammisi que, de acordo com os conceitos dos egípcios antigos, era a Casa do Nascimento do deus Hórus, o falcão divino.

Olho de Hórus (Udjat)
~ Olho de Hórus (Udjat) ~
Esta peça em ouro, com incrustações de lápis-lazúli, era um peitoral
que Tutankhamon usava como amuleto, pendendo do pescoço

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Bibliografia: Rodman R. Clayson, F.R.C., Nossa Herança do Egito Antigo, Biblioteca Rosacruz, Amorc.
Editora Renes, Primeira Edição, Rio de Janeiro, 1980.

Fotos, Layout e Arte Gráfica por Abu Ahmed al-Hassan

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