~ Rainha Nefertiti ~


~ Hino a Nefertiti ~

"Com seu esbelto colo e peito radiante tem por cabelos verdadeiro lápis-lazúli; seus braços superam os da deusa do amor e seus dedos são como cálices de lótus. Ela "a de nobres andares" quando pisa a terra faz com que todos se voltem para contemplá-la e é como se contemplassem aquela que é a Única..."
                                                                                   (Fragmento de um papiro da XVIII Dinastia)

Com o seu lendário carisma, sua beleza venerada e poder, ela é uma das mulheres governantes mais fascinantes do Egito Antigo: Nefertiti. Pouco se sabe do destino da esposa de Akhenaton. Não há registros de sua morte. Nem mesmo a sua tumba — até recentemente não havia sido encontrada.

Nefertiti — por mais de uma década ela foi a mulher mais influente do Egito. Reverenciada pelo seu povo, ela reinou lado a lado de Amenófis IV, governante da 18.ª dinastia do Novo Reino, que mudou seu nome para Akhenaton depois de subir ao trono em 1353 a.C. Entretanto, praticamente nada se sabe sobre a linda rainha. Ela simplesmente desapareceu da história. Isso aconteceu aproximadamente em 1336 a.C, quando ela devia ter 30 anos de idade.

  • Ascensão meteórica e final abrupto

Nefertiti se casou com o faraó Akhenaton, filho de Amenófis III, no quarto ano de seu reinado.

Ela devia ter 15 anos na época, Akhenaton tinha 14. Como resultado desta união, esta linda mulher iria se transformar na governante mais poderosa do Egito.

Ela era amada, celebrada e adorada. Em todas as ocasiões importantes, ela estava presente ao lado do Rei, seu status era praticamente igual ao dele. Mas, repentinamente, a trilha termina. O que aconteceu? Até os dias de hoje, não foi encontrada nenhuma prova que pudesse solucionar este mistério. Acreditava-se que seu corpo havia se perdido, até agora...

  • De onde veio Nefertiti?

A origem e o passado da adorável rainha também são desconhecidos. De acordo com uma teoria, ela poderia ter sido a princesa Mitânica Tadkhepa, que deveria ter sido noiva de Amenófis III, mas se casou com o seu filho. Outra tese explica que Nefertiti foi o resultado da união entre Amenófis III e a concubina, o que faria de Akhenaton seu meio irmão. Mas esta teoria também é improvável, já que o título “Filha de Faraó” teria sido utilizado por Nefertiti, mas nunca foi encontrado nenhum fato que levasse a esta conclusão.

Uma terceira teoria afirma que Nefertiti era filha de Ti (também escreve-se Ty) e Ay (também escreve-se Aya). Nesses termos, seu pai teria sido um alto oficial da corte de Amenófis III, e conseqüentemente um confidente de Akhenaton. De acordo com esta teoria, que está ganhando credibilidade entre os egiptólogos, o passado de Nefertiti envolve a alta sociedade. Entretanto, provavelmente Ti não era a mãe biológica da linda rainha, mas sim sua ama-de-leite.

  • Na glória do Deus do Sol

Nefertiti e o Faraó Akhenaton juntos introduziram reformas religiosas e culturais. A ação mais radical que se distanciava da tradição religiosa foi a rejeição dos deuses egípcios e a dedicação ao deus do sol Aton.

No quinto ano do reino de Akhenaton, o casal real mudou sua residência oficial de Tebas para Aketon: “Lugar da luz de Aton” — a cidade agora conhecida pelo nome árabe Tel-el-Amarna.

Em Karnak, que até então teria sido o tradicional centro para o culto de Amon, novos templos foram construídos em honra do deus do sol. Estes eram decorados com um grande número de imagens de Nefertiti que tinha, como monarca, o título adicional de “Neferneferuaton” — Perfeita é a perfeição de Aton”.

Nefertiti era imortalizada em templos e em monumentos mais do que qualquer outra rainha egípcia, antes e depois dela. É provável que a linda rainha tenha recebido o título de Alto Padre — uma posição que era supostamente reservada só para reis.

Nos últimos anos do reino de Akhenaton, Nefertiti desapareceu das imagens e relevos, e foi substituída por duas de suas seis filhas, Meritaton e Ankhesenpaaton.

  • Destino misterioso

O que aconteceu com a rainha? Por um longo tempo, pesquisadores acreditaram que Nefertiti deixou de ser adorada e foi banida da família real por Akhenaton. Talvez porque estava ficando óbvio que ela nunca lhe daria um filho homem?

Outra teoria afirma que o casal de soberanos foi rejeitado pelo seu povo, que considerou a adoração a Aton uma heresia. Certamente, assim que Tutankhamon ascendeu ao trono em 1333 a.C., qualquer coisa que pudesse lembrar a memória de Akhenaton e Nefertiti foi sistematicamente apagada.

Na tumba de Akhenaton, até hoje, apenas objetos de sepultamento associados a Akhenaton foram encontrados — sugerindo que Nefertiti nunca foi sepultada com ele. Também não há registro oficial da rainha em nenhum outro lugar.

  • Nefertiti sucedeu Akhenaton no trono?

Apesar de Akhenaton ter tido um filho com sua concubina Kia — Tutankhamon — o sucessor nomeado por ele foi Smenkhkare. Quem era este regente, ainda não se sabe. Entre os egiptólogos, alguns acreditam que ele era outro filho de Akhenaton com Kia. Outros acham que Smenkhkare era meio-irmão de Akhenaton, ou outro membro da família real.

O fato de que Smenkhkare e Nefertiti usam o mesmo nome adicional — Neferneferuaton — tem levado alguns estudiosos a acreditar que Nefertiti assumiu o poder com a morte do Faraó Akhenaton em 1336 a.C.

Entretanto, há também evidências que sugerem que Nefertiti morreu durante o 14.º ano do reino de seu marido, numa época em que o Egito estava sofrendo de uma praga epidêmica.

O desaparecimento repentino de Nefertiti é destinado a permanecer um mistério para sempre? Quem sabe — mas talvez o corpo mumificado sem nome que uma equipe britânica de arqueólogos acredita ser o da rainha glamorosa está prestes a revelar alguns de seus segredos.

~ O Poder Real ~

Não é apenas a sua beleza que é lendária, mas sua incrível posição de poder. Juntamente com seu marido, o faraó Akhenaton, Nefertiti foi responsável por uma revolução religiosa. Juntos eles substituíram o tradicional panteão Egito de deuses com uma única divindade, o deus do sol Aton.

  • A grande esposa real

Nefertiti parece ter sido uma forte credora da nova fé. Ela pode perfeitamente ter utilizado o novo culto religioso para promover ainda mais o seu status. Egiptólogos estão atualmente nos templos de Karnak e Luxor em busca de provas que sustentariam esta teoria. Durante o período de seu governo, no meio do 14.º século a.C, Akhenaton construiu vários templos para Aton em locais sagrados para Amon. Como isso era considerado uma traição à antiga religião, as construções foram destruídas após o seu reinado. Os blocos de pedra dessas construções foram reutilizados em monumentos erguidos pelos governantes posteriores. Aos poucos, os cientistas estão colocando estas pedras juntas para formar cenas, na esperança de conseguir uma imagem clara do status social de Nefertiti.

Numa pedra, parte de seu nome pode ser decifrado, assim como um de seus títulos honoríficos: “Grande esposa real”. Várias representações mostram Nefertiti conduzindo uma carruagem de batalha e segurando um cetro — o símbolo de autoridade suprema no estado. Em outras imagens, ela também é exibida como a governante de seu país, matando os inimigos do Egito com espada ou porrete, viajando numa ninhada real, ou jogando ouro na elite. Nenhuma esposa real foi descrita desta maneira.

  • Esposas do deus Amon

Gravado nas paredes do templo de Karnak está a história mítica da criação do Egito.

De acordo com a lenda, no começo não havia nada. Então, o deus da criação e fertilidade, Amon, apareceu das trevas, e com ele sua companhia divina Mut. Amon foi vítima de seus truques sedutores. As fontes antigas dizem: “ela evocou a sua chama, e na efusão de sua luxúria, o universo foi criado”.

Aqueles próximos ao deus Amon eram os faraós como seus representantes na terra, governando em seu nome. As mulheres também eram associadas a Amon. Elas poderiam se tornar suas esposas, passando por um ritual.

De acordo com prova encontrada nas descrições, acredita-se que selecionadas mulheres foram ao santuário de Amon no templo em Karnak. Lá, elas reativavam o mito da criação e davam a Amon uma existência terrestre, reafirmando — a crença — que o universo não se transformou em caos. As mulheres viravam “Esposas e consortes de Amon”. Toda mulher aristocrática egípcia podia adquirir este título honorífico e o prestígio associado a ele.

  • Poderosa como o faraó

Durante o período do governo de Nefertiti e Akhenaton, o templo de Karnak tinha um enorme portal de entrada no lado leste. No local, foi possível reconstruir quase 100 cenas descrevendo atos rituais. A maioria mostra Nefertiti no centro dos rituais sagrados, assim como a oferenda de presentes de sacrifício.

A tradição pede que sacrifícios religiosos sejam feitos apenas pelo faraó, ou pela “esposa de deus”. O que significa que estas pinturas são prova de que Nefertiti tinha status e poder de faraó. Apesar da nova religião não manter este tipo de status de “esposa e consorte de deus”, Nefertiti fez homenagem ao deus Aton com rituais similares àqueles praticados pelas esposas humanas de Amon. Parece que Nefertiti estava utilizando a tradição religiosa das “esposas” de Deus para elevar o seu próprio status como deusa.

Por mais de uma década, ela foi, apesar de tudo, a mulher mais influente do mundo antigo.

~ Beleza Infinita ~

Um olhar orgulhoso, um rosto proporcionalmente estruturado, com os ossos das bochechas elevados e sobrancelhas delicadamente curvadas, o nariz fino, lábios grossos, e um pescoço longo e aristocrático — Nefertiti deve ter sido uma mulher charmosa de aparência excepcional. Seu nome, que provavelmente era pronunciado “Naftayta”, significava: “a beleza chegou”.

A aparência irradiante de Nefertiti é documentada em vários retratos, alguns deles encontrados em Tel-el-Amarna, antes a corte de Akhenaton.

O mais fascinante de todos é um busto pintado e esculpido em pedra calcária e gesso, que é exibido no Museu Egípcio de Berlin desde 1924. Essa escultura, de 50 centímetros de altura, e agora uma das obras de arte mais famosas da era Egípcia dos Faraós, foi descoberta pelo arqueólogo alemão Ludwig Borchardt. Ele descobriu este objeto no dia 6 de dezembro de 1912 enquanto escavava no antigo Aketaton, no local de trabalho do escultor Tutmósis.

Ainda é motivo de discussão se o busto pode ser atribuído a Tutmósis. Entretanto, apenas um dos olhos da rainha foi totalmente pintado, o que sugere que o busto era provavelmente um modelo, usado pelo escultor como rascunho para a peça definitiva.

Outro busto da linda rainha foi encontrado pelo pesquisador britânico John Pendlebury, em 1932, durante escavações em Tel-el-Amarna. Esta cabeça, que o escultor aparentemente tentou colocar numa estátua, não contém inscrição. Mas se parece tanto com outras imagens de Nefertiti, que foi aceita para representá-la. Atualmente ela pode ser admirada no Museu Nacional Egípcio, no Cairo.

  • Esposa amada

O faraó Akhenaton deve ter adorado sua esposa com um fervor excepcional. Ele ergueu colunas na sua cidade capital que carregavam palavras com as quais ele tenta capturar sua beleza.

“Expressão de lealdade, possuidora de alegria, presenteada com o talento de ouvir, voz que traz alegria, rainha de todas as graças, ricamente dotada de amor, portadora da felicidade do governante de duas terras”.

  • Aparência magnífica

Durante os primeiros anos de seu reino, Nefertiti parece ter se enfeitado com a insígnia das rainhas. Ela é descrita vestindo coroas e perucas decoradas com chifres de boi, plumas e um disco solar — características associadas ao culto da deusa Hathor. Mais tarde, em Amarna, a nova capital real, ela veste uma coroa azul e alta de topo plana, que lembra a coroa de guerra de Akhenaton, do famoso “busto de Berlim”. Ocasionalmente, ela também era vista usando uma coroa bem ajustada. E às vezes a linda rainha vestia um tipo de lenço na cabeça conhecido como “khat”.

Em outros relevos antigos, Nefertiti aparece com um arranjo de cabelo chamado de "peruca afilada nubiana". Isto consiste num número de camadas de cachos e tranças amontoados um em cima do outro, originalmente usado somente pelos homens do exército real.

A testa da rainha é freqüentemente decorada pela serpente dupla de uraeus, o emblema de sua soberania sobre as Duas Terras, Egito alto e baixo.

Os relevos no sarcófago de Akhenaton mostram a esposa real usando um manto de pregas. Ela também usa uma peruca de cabelo ondulado, um uraeus duplo, e uma coroa elaborada com um disco de sol, um friso de cobra e duas plumas altas.

Como outros membros da casta aristocrática, Nefertiti não apenas usou jóias, perucas e roupas ajustadas e apropriadas, mas também cosméticos usados para realçar sua beleza natural. As mulheres daqueles dias desenhavam uma linha preta grossa ao longo da pálpebra e bem para fora dos olhos. Para os Egípcios Antigos esta linha era associada à pureza ritual. Malaquita verde, moída a pó, e esfregada junto com gordura para fazer uma pasta cremosa, era aplicado às pálpebras. As mulheres também usavam rouge, como várias descrições atestam. Outra substância importante de cosmético era o batom. Ele contava com as mesmas substâncias ocres do rouge, e misturava óleo de semente de alface.

~ A Descoberta ~

Esta pode ser a descoberta mais sensacional na arqueologia desde o túmulo de Tutankhamon. A egiptóloga britânica Joann Fletcher está certa de que ela encontrou a múmia da lendária Nefertiti, que uma vez reinou ao lado do Faraó Akhenaton. Atualmente, a pesquisa da Dra. Fletcher está direcionada para descobrir evidência que apóia sua reivindicação de ter descoberto o corpo da mulher embalsamada que — junto com Cleópatra — deve ser a rainha mais famosa do Egito Antigo.

  • Múmia no 61072

En junho de 2002 Joann Fletcher, uma acadêmica na Universidade de York, e suas colegas receberam permissão para examinar o túmulo conhecido como "KV35" no Vale do Reis próximo a Luxor. Este túmulo tinha sido aberto antes, em 1898, mas foi fechado novamente em 1907. Uma múmia no túmulo tinha despertado um interesse particular na equipe de pesquisa, já que as fotografias antigas mostravam uma forte semelhança ao celebrado busto de Berlim de Nefertiti.

A múmia catalogada como "No. 61072", junto com os cadáveres mumificados de uma segunda mulher e um menino, repousa numa galeria dentro da câmara de sepultamento de Amenófis II. Os três foram achados por um arqueólogo francês, Victor Loret, no fim do século 19. Mas como estavam em condições ruins, eles não atraíram muita atenção na época e durante muitos anos.

Mas agora — e só depois de muitos detalhes verificados — a equipe britânica de pesquisa chegou à conclusão de que a "Múmia 61072" tem grandes probabilidades de ser a rainha Nefertiti.

  • O corpo de Nefertiti foi descoberto?

Na opinião dos cientistas Britânicos, provas sugerindo que a "redescoberta" realmente seja o corpo de Nefertiti incluem o lóbulo da orelha da múmia furado duas vezes, o que era uma marca de realeza, as impressões deixadas por uma tira de cabeça de ouro — isto também era usado exclusivamente por membros do clã real — e a cabeça raspada, o que a Dra. Fletcher considera essencial, caso isso prove alguma relação com a célebre coroa azul usada por Nefertiti e feita para assentar perfeitamente em sua cabeça. A avaliação preliminar alcançada pela equipe britânica de pesquisa é a de que no mínimo esta múmia — encontrada sob um amontoado enorme de linho — tem toda probabilidade de ser uma figura real feminina do período de Amarna.

O pescoço longo, ossos altos das bochecha e o queixo bem estruturado são remanescentes da cabeça fina de Nefertiti. Outra evidência que pode identificar a múmia como a linda governante do reino do Nilo, de acordo com a Dra. Fletcher, é uma peruca encontrada próxima ao corpo mumificado. É uma peruca artificial de cabelo no estilo nubiano, que foi utilizada por mulheres, membros da família real no fim da 18.ª dinastia.

Além do mais, os procedimentos de embalsamamento usados nos três cadáveres sem nome do túmulo KV35, os materiais utilizados e o tipo de mumificação sugerem que eles sejam datados do meio da 18.ª dinastia, a época do reino do faraó Akhenaton e sua esposa. Essa foi a conclusão do Dr. Stephen Buckley, um famoso perito neste campo, que tomou parte do detalhado exame da descoberta.

  • Sinais de violência

O corpo que pode ser o de Nefertiti apresenta consideráveis marcas de violência, aparentemente feitas com um machado ou alguma forma de machadinha. A múmia está sem a orelha direita e um braço — embora o braço tenha sido encontrado no curso de uma segunda expedição que a equipe britânica de pesquisa empreendeu em fevereiro de 2003. Como há evidência considerável, de acordo com o ponto de vista de Joann Fletcher, de que Nefertiti foi maltratada e assassinada, estes ferimentos podem ser mais um pedaço do quebra-cabeça que eventualmente levará a identificação conclusiva do corpo. A morte violenta da rainha pode ter sido vingança do povo, diz Dr. Fletcher, devido a forma que ela e o faraó Akhenaton viraram as costas para a antiga religião. Mais exames revelaram que o rosto da múmia foi atacado com um objeto extremamente pontiagudo — talvez um punhal. Isto fortalece a teoria que uma governante odiada havia sido torturada ou o seu corpo desfigurado depois da morte.

O braço direito da múmia — mais tarde descoberto separadamente — estava numa posição dobrada, mão para cima. Os dedos pareciam ainda estar segurando um cetro real, embora o cetro já havia desaparecido há muito tempo. Na cultura do Egito Antigo, só os faraós podiam descansar eternamente desta maneira. Como alguns sábios consideram Nefertiti ter sido um faraó feminino, isto pode ser mais um indício.

  • Túmulo familiar

Mais um pedaço de evidência detalhado é proporcionado por um dos dois corpos achado no túmulo ao lado da "Múmia 61072". Esta múmia parece ser o corpo embalsamado da rainha Ti. Essa, de qualquer forma, foi a conclusão alcançada devido a várias análises de cabelo executadas por cientistas americanos e egípcios durante os anos 70. Ti era a consorte de Amenhotep III e mãe de Akhenaton, em outras palavras um parente próximo de Nefertiti.

  • Um mistério que nunca será resolvido?

Alguns peritos, no entanto, expressaram ceticismo. Eles acham que Fletcher e seus colegas estão baseando suas conclusões em provas insuficientes. A múmia redescoberta para pesquisa poderia — estes cientistas argumentam — ser outra pessoa, tal como uma das filhas de Nefertiti, que supostamente tornou-se um faraó feminino misterioso.

E assim, apesar de todas as investigações, a múmia com mais de 3000 anos de idade catalogada número 61072 continua a ser um enigma. Somente um teste comparativo de DNA poderia resolver o mistério do corpo definitivamente. Mas até agora não foram encontrados restos das filhas de Nefertiti ou outros parentes próximos, o que significa que por enquanto não há como utilizar de provas genéticas.

~ Iluminações ~

  • Iluminações proporcionadas pela tecnologia portátil de Radiografia

O corpo catalogado como "Múmia 61072", descansando ao lado dos corpos mumificados de outra mulher e de um menino numa câmara na tumba KV35, foi examinado diretamente neste local. Isto permitiu que a múmia fosse protegida de interferência ou estrago acidental. A operação só foi possível graças ao "CXDI-31”, da Canon — o primeiro sistema digital portátil do mundo da radiografia.

A prática com descobertas deste tipo até agora era retirar as múmias de seus túmulos e fazer as radiografias num hospital — um procedimento complicado e caro envolvendo risco considerável de estrago das múmias.

Neste caso, a tecnologia portátil de radiografia de tela plana capacitou os cientistas a trabalharem dentro do túmulo, gerando uma imagem em terceira dimensão instantânea do corpo mumificado sem ter que movê-lo.

Aproximadamente três segundos após o item ter sido transferido para o computador para estudos, as imagens de radiografia aparecem na tela. A função “zoom” permite aproximar — por exemplo jóias, dentes ou ossos — assim como imagens de corpo inteiro. Usando a nova tecnologia, eles também podem fazer uma "turnê virtual" pela múmia, uma técnica que mostra aos pesquisadores detalhes importantes.

  • Contas de ouro na cavidade do peito

As imagens de radiografia asseguradas pela equipe de Joann Fletcher da múmia de Nefertiti mostram o físico de uma mulher adulta com curvatura da espinha na região lombar. As fotografias também mostraram um número de contas de ouro dentro da cavidade do peito, que estava quebrado e aberto. Elas foram feitas em formas de padrões reais e essa pode ser mais evidência de que a múmia 61072 representa os restos mortais da rainha tão poderosa e linda.

Os cientistas britânicos acreditam que a localidade rara das contas de ouro é o resultado da ação de ladrões de sepultura que danificaram a múmia no processo.

  • Os mistérios serão resolvidos?

Os cientistas esperam que as imagens de radiografia ajudem na reconstrução do rosto famoso de Nefertiti. As várias fotos do cadáver também poderão ajudar com indícios que possam levar ao estado de saúde, e até a causa da morte.

Quanto às pessoas que fabricam o equipamento portátil de radiografia... eles também estão encantados: "Nós nunca imaginamos que alguma de nossas tecnologias, inventadas para atender as necessidades médicas do século 20, iriam um dia ser usadas para identificar uma múmia, iluminando os mistérios do Egito Antigo", diz James Leipnik, Chefe de Comunicação e Relações Empresariais da Canon, na Europa.

Com o auxílio do Governo Egípcio, as três múmias sem nome estão para ser removidas da tumba KV35 e meticulosamente conservadas, para que permaneçam disponíveis a gerações futuras, incluindo futuros pesquisadores.

~ Egito nega descoberta de múmia da rainha Nefertiti ~

Quarta-Feira, 11 de Junho de 2003

CAIRO (Reuters) — A maior autoridade de antigüidades do Egito negou a alegação de uma egiptóloga britânica de que havia encontrado a múmia da rainha Nefertiti, a madrasta do lendário rei menino Tutankhamon.

Nefertiti, monarca e mulher do faraó Akhenaton, é considerada uma das mulheres mais poderosas do Egito Antigo. Seu marido reinou de 1379 a 1362 a.C.

Joann Fletcher, especialista em múmias da Universidade de York, na Inglaterra, anunciou na segunda-feira que uma das três múmias achadas em uma tumba no vale de Luxor poderia ser de Nefertiti.

Zahi Hawass, chefe do Supremo Conselho de Antigüidades do Egito, refutou a afirmação. "Esse erro e essa declaração não são baseadas em fatos ou evidências", disse Hawass à agência oficial de notícias do Egito na noite de terça-feira.

Fletcher baseou sua teoria em parte nas semelhanças entre o pescoço longo de uma das múmias e o pescoço de Nefertiti, cuja imagem aparece em um busto de pedra que se encontra no Museu Egípcio de Berlim.

Hawass disse, no entanto, que a teoria não pode ser baseada em semelhanças entre a múmia e as representações artísticas do período Amarna no qual Nefertiti viveu.

"A arte na era Amarna era baseada no embelezamento do rei e da rainha e não na realidade ou na aparência real", disse ele.

Fletcher encontrou outras pistas, como a cabeça raspada e as orelhas com dois furos. Acredita-se que Nefertiti tenha sido uma das duas únicas mulheres da realeza egípcia que usaram dois brincos em cada orelha.

A tumba do rei Tutankhamon, um menino que reinou no Egito no século 14 a.C.,

foi descoberta em 1922. O local estava tão atulhado de artefatos que foram precisos dez anos para retirá-los da tumba.

Bibliografia: Estudos Sobre o Egito Antigo, Arnaldo Poesia – Niterói – Edição do Autor, 1990.
Arquivo Starnews 2001 – Universidade de York – Discovery Channel – Reuters.


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Fotos, layout e arte gráfica por Abu Ahmed al-Hassan

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