
~ Rainha Nefertiti ~
~ Hino a Nefertiti ~
"Com seu esbelto colo e peito
radiante tem por cabelos verdadeiro lápis-lazúli; seus braços superam os
da deusa do amor e seus dedos são como cálices de lótus. Ela "a de nobres
andares" quando pisa a terra faz com que todos se voltem para contemplá-la
e é como se contemplassem aquela que é a Única..."
(Fragmento de um papiro da XVIII Dinastia)

Com o seu lendário carisma, sua beleza
venerada e poder, ela é uma das mulheres governantes mais fascinantes do
Egito Antigo: Nefertiti. Pouco se sabe do destino da esposa de Akhenaton.
Não há registros de sua morte. Nem mesmo a sua tumba — até recentemente
não havia sido encontrada.
Nefertiti — por mais de uma década ela foi a mulher mais influente do Egito.
Reverenciada pelo seu povo, ela reinou lado a lado de Amenófis IV, governante da
18.ª dinastia do Novo Reino, que mudou seu nome para Akhenaton depois de subir
ao trono em 1353 a.C. Entretanto, praticamente nada se sabe sobre a linda
rainha. Ela simplesmente desapareceu da história. Isso aconteceu
aproximadamente em 1336 a.C, quando ela devia ter 30 anos de idade.
- Ascensão meteórica e final abrupto
Nefertiti se casou com o faraó Akhenaton, filho de Amenófis III, no quarto
ano de seu reinado.
Ela devia ter 15 anos na época, Akhenaton tinha 14. Como resultado desta
união, esta linda mulher iria se transformar na governante mais poderosa do
Egito.
Ela era amada, celebrada e adorada. Em todas as ocasiões importantes, ela
estava presente ao lado do Rei, seu status era praticamente igual ao dele. Mas,
repentinamente, a trilha termina. O que aconteceu? Até os dias de hoje, não foi
encontrada nenhuma prova que pudesse solucionar este mistério. Acreditava-se que
seu corpo havia se perdido, até agora...
A origem e o passado da adorável rainha também são desconhecidos. De acordo
com uma teoria, ela poderia ter sido a princesa Mitânica Tadkhepa, que deveria
ter sido noiva de Amenófis III, mas se casou com o seu filho. Outra tese explica
que Nefertiti foi o resultado da união entre Amenófis III e a concubina, o que
faria de Akhenaton seu meio irmão. Mas esta teoria também é improvável, já que o
título “Filha de Faraó” teria sido utilizado por Nefertiti, mas nunca foi
encontrado nenhum fato que levasse a esta conclusão.
Uma terceira teoria afirma que Nefertiti era filha de Ti (também escreve-se
Ty) e Ay (também escreve-se Aya). Nesses termos, seu pai teria sido um alto
oficial da corte de Amenófis III, e conseqüentemente um confidente de Akhenaton.
De acordo com esta teoria, que está ganhando credibilidade entre os egiptólogos,
o passado de Nefertiti envolve a alta sociedade. Entretanto, provavelmente Ti
não era a mãe biológica da linda rainha, mas sim sua ama-de-leite.
Nefertiti e o Faraó Akhenaton juntos introduziram reformas religiosas e
culturais. A ação mais radical que se distanciava da tradição religiosa foi a
rejeição dos deuses egípcios e a dedicação ao deus do sol Aton.
No quinto ano do reino de Akhenaton, o casal real mudou sua residência
oficial de Tebas para Aketon: “Lugar da luz de Aton” — a cidade agora conhecida
pelo nome árabe Tel-el-Amarna.
Em Karnak, que até então teria sido o tradicional centro para o culto de
Amon, novos templos foram construídos em honra do deus do sol. Estes eram
decorados com um grande número de imagens de Nefertiti que tinha, como monarca,
o título adicional de “Neferneferuaton” — Perfeita é a perfeição de Aton”.
Nefertiti era imortalizada em templos e em monumentos mais do que qualquer
outra rainha egípcia, antes e depois dela. É provável que a linda rainha tenha
recebido o título de Alto Padre — uma posição que era supostamente reservada só
para reis.
Nos últimos anos do reino de Akhenaton, Nefertiti desapareceu das imagens e
relevos, e foi substituída por duas de suas seis filhas, Meritaton e
Ankhesenpaaton.
O que aconteceu com a rainha? Por um longo tempo, pesquisadores acreditaram
que Nefertiti deixou de ser adorada e foi banida da família real por Akhenaton.
Talvez porque estava ficando óbvio que ela nunca lhe daria um filho homem?
Outra teoria afirma que o casal de soberanos foi rejeitado pelo seu povo, que
considerou a adoração a Aton uma heresia. Certamente, assim que Tutankhamon
ascendeu ao trono em 1333 a.C., qualquer coisa que pudesse lembrar a memória de
Akhenaton e Nefertiti foi sistematicamente apagada.
Na tumba de Akhenaton, até hoje, apenas objetos de sepultamento associados a
Akhenaton foram encontrados — sugerindo que Nefertiti nunca foi sepultada com
ele. Também não há registro oficial da rainha em nenhum outro lugar.
- Nefertiti sucedeu Akhenaton no trono?
Apesar de Akhenaton ter tido um filho com sua concubina Kia — Tutankhamon — o
sucessor nomeado por ele foi Smenkhkare. Quem era este regente, ainda não se
sabe. Entre os egiptólogos, alguns acreditam que ele era outro filho de
Akhenaton com Kia. Outros acham que Smenkhkare era meio-irmão de Akhenaton, ou
outro membro da família real.
O fato de que Smenkhkare e Nefertiti usam o mesmo nome adicional — Neferneferuaton
— tem levado alguns estudiosos a acreditar que Nefertiti assumiu
o poder com a morte do Faraó Akhenaton em 1336 a.C.
Entretanto, há também evidências que sugerem que Nefertiti morreu durante o
14.º ano do reino de seu marido, numa época em que o Egito estava sofrendo de
uma praga epidêmica.
O desaparecimento repentino de Nefertiti é destinado a permanecer um mistério
para sempre? Quem sabe — mas talvez o corpo mumificado sem nome que uma equipe
britânica de arqueólogos acredita ser o da rainha glamorosa está prestes a
revelar alguns de seus segredos.

~ O Poder Real ~
Não é apenas a sua beleza que é lendária, mas sua incrível posição de poder.
Juntamente com seu marido, o faraó Akhenaton, Nefertiti foi responsável por uma
revolução religiosa. Juntos eles substituíram o tradicional panteão Egito de
deuses com uma única divindade, o deus do sol Aton.
Nefertiti parece ter sido uma forte credora da nova fé. Ela pode
perfeitamente ter utilizado o novo culto religioso para promover ainda mais o
seu status. Egiptólogos estão atualmente nos templos de Karnak e Luxor em busca
de provas que sustentariam esta teoria. Durante o período de seu governo, no
meio do 14.º século a.C, Akhenaton construiu vários templos para Aton em locais
sagrados para Amon. Como isso era considerado uma traição à antiga religião, as
construções foram destruídas após o seu reinado. Os blocos de pedra dessas
construções foram reutilizados em monumentos erguidos pelos governantes
posteriores. Aos poucos, os cientistas estão colocando estas pedras juntas para
formar cenas, na esperança de conseguir uma imagem clara do status social de
Nefertiti.
Numa pedra, parte de seu nome pode ser decifrado, assim como um de seus
títulos honoríficos: “Grande esposa real”. Várias representações mostram
Nefertiti conduzindo uma carruagem de batalha e segurando um cetro — o símbolo
de autoridade suprema no estado. Em outras imagens, ela também é exibida como a
governante de seu país, matando os inimigos do Egito com espada ou porrete,
viajando numa ninhada real, ou jogando ouro na elite. Nenhuma esposa real foi
descrita desta maneira.
Gravado nas paredes do templo de Karnak está a história mítica da criação do
Egito.
De acordo com a lenda, no começo não havia nada. Então, o deus da criação e
fertilidade, Amon, apareceu das trevas, e com ele sua companhia divina Mut. Amon
foi vítima de seus truques sedutores. As fontes antigas dizem: “ela evocou a sua
chama, e na efusão de sua luxúria, o universo foi criado”.
Aqueles próximos ao deus Amon eram os faraós como seus representantes na
terra, governando em seu nome. As mulheres também eram associadas a Amon. Elas
poderiam se tornar suas esposas, passando por um ritual.
De acordo com prova encontrada nas descrições, acredita-se que selecionadas
mulheres foram ao santuário de Amon no templo em Karnak. Lá, elas reativavam o
mito da criação e davam a Amon uma existência terrestre, reafirmando — a crença
— que o universo não se transformou em caos. As mulheres viravam “Esposas e
consortes de Amon”. Toda mulher aristocrática egípcia podia adquirir este título
honorífico e o prestígio associado a ele.
Durante o período do governo de Nefertiti e Akhenaton, o templo de Karnak
tinha um enorme portal de entrada no lado leste. No local, foi possível
reconstruir quase 100 cenas descrevendo atos rituais. A maioria mostra Nefertiti
no centro dos rituais sagrados, assim como a oferenda de presentes de
sacrifício.
A tradição pede que sacrifícios religiosos sejam feitos apenas pelo faraó, ou
pela “esposa de deus”. O que significa que estas pinturas são prova de que
Nefertiti tinha status e poder de faraó. Apesar da nova religião não manter este
tipo de status de “esposa e consorte de deus”, Nefertiti fez homenagem ao deus
Aton com rituais similares àqueles praticados pelas esposas humanas de Amon.
Parece que Nefertiti estava utilizando a tradição religiosa das “esposas” de
Deus para elevar o seu próprio status como deusa.
Por mais de uma década, ela foi, apesar de tudo, a mulher mais influente do
mundo antigo.

~ Beleza Infinita ~
Um olhar orgulhoso, um rosto proporcionalmente estruturado, com os ossos das
bochechas elevados e sobrancelhas delicadamente curvadas, o nariz fino, lábios
grossos, e um pescoço longo e aristocrático — Nefertiti deve ter sido uma mulher
charmosa de aparência excepcional. Seu nome, que provavelmente era pronunciado “Naftayta”,
significava: “a beleza chegou”.
A aparência irradiante de Nefertiti é documentada em vários retratos, alguns
deles encontrados em Tel-el-Amarna, antes a corte de Akhenaton.
O mais fascinante de todos é um busto pintado e esculpido em pedra calcária e
gesso, que é exibido no Museu Egípcio de Berlin desde 1924. Essa escultura, de
50 centímetros de altura, e agora uma das obras de arte mais famosas da era
Egípcia dos Faraós, foi descoberta pelo arqueólogo alemão Ludwig Borchardt. Ele
descobriu este objeto no dia 6 de dezembro de 1912 enquanto escavava no antigo
Aketaton, no local de trabalho do escultor Tutmósis.
Ainda é motivo de discussão se o busto pode ser atribuído a Tutmósis.
Entretanto, apenas um dos olhos da rainha foi totalmente pintado, o que sugere
que o busto era provavelmente um modelo, usado pelo escultor como rascunho para
a peça definitiva.
Outro busto da linda rainha foi encontrado pelo pesquisador britânico John
Pendlebury, em 1932, durante escavações em Tel-el-Amarna. Esta cabeça, que o
escultor aparentemente tentou colocar numa estátua, não contém inscrição. Mas se
parece tanto com outras imagens de Nefertiti, que foi aceita para representá-la.
Atualmente ela pode ser admirada no Museu Nacional Egípcio, no Cairo.
O faraó Akhenaton deve ter adorado sua esposa com um fervor excepcional. Ele
ergueu colunas na sua cidade capital que carregavam palavras com as quais ele
tenta capturar sua beleza.
“Expressão de lealdade, possuidora de alegria, presenteada com o talento de
ouvir, voz que traz alegria, rainha de todas as graças, ricamente dotada de
amor, portadora da felicidade do governante de duas terras”.
Durante os primeiros anos de seu reino, Nefertiti parece ter se enfeitado com
a insígnia das rainhas. Ela é descrita vestindo coroas e perucas decoradas com
chifres de boi, plumas e um disco solar — características associadas ao culto da
deusa Hathor. Mais tarde, em Amarna, a nova capital real, ela veste uma coroa
azul e alta de topo plana, que lembra a coroa de guerra de Akhenaton, do famoso
“busto de Berlim”. Ocasionalmente, ela também era vista usando uma coroa bem
ajustada. E às vezes a linda rainha vestia um tipo de lenço na cabeça conhecido
como “khat”.
Em outros relevos antigos, Nefertiti aparece com um arranjo de cabelo chamado
de "peruca afilada nubiana". Isto consiste num número de camadas de cachos e
tranças amontoados um em cima do outro, originalmente usado somente pelos homens
do exército real.
A testa da rainha é freqüentemente decorada pela serpente dupla de uraeus,
o emblema de sua soberania sobre as Duas Terras, Egito alto e baixo.
Os relevos no sarcófago de Akhenaton mostram a esposa real usando um manto de
pregas. Ela também usa uma peruca de cabelo ondulado, um uraeus duplo, e uma
coroa elaborada com um disco de sol, um friso de cobra e duas plumas altas.
Como outros membros da casta aristocrática, Nefertiti não apenas usou jóias,
perucas e roupas ajustadas e apropriadas, mas também cosméticos usados para
realçar sua beleza natural. As mulheres daqueles dias desenhavam uma linha preta
grossa ao longo da pálpebra e bem para fora dos olhos. Para os Egípcios Antigos
esta linha era associada à pureza ritual. Malaquita verde, moída a pó, e
esfregada junto com gordura para fazer uma pasta cremosa, era aplicado às
pálpebras. As mulheres também usavam rouge, como várias descrições atestam.
Outra substância importante de cosmético era o batom. Ele contava com as mesmas
substâncias ocres do rouge, e misturava óleo de semente de alface.

~ A Descoberta ~
Esta pode ser a descoberta mais sensacional na arqueologia desde o túmulo de
Tutankhamon. A egiptóloga britânica Joann Fletcher está certa de que ela
encontrou a múmia da lendária Nefertiti, que uma vez reinou ao lado do Faraó
Akhenaton. Atualmente, a pesquisa da Dra. Fletcher está direcionada para
descobrir evidência que apóia sua reivindicação de ter descoberto o corpo da
mulher embalsamada que — junto com Cleópatra — deve ser a rainha mais famosa do
Egito Antigo.
En junho de 2002 Joann Fletcher, uma acadêmica na Universidade de York, e
suas colegas receberam permissão para examinar o túmulo conhecido como "KV35" no
Vale do Reis próximo a Luxor. Este túmulo tinha sido aberto antes, em 1898, mas
foi fechado novamente em 1907. Uma múmia no túmulo tinha despertado um interesse
particular na equipe de pesquisa, já que as fotografias antigas mostravam uma
forte semelhança ao celebrado busto de Berlim de Nefertiti.
A múmia catalogada como "No. 61072", junto com os cadáveres mumificados de
uma segunda mulher e um menino, repousa numa galeria dentro da câmara de
sepultamento de Amenófis II. Os três foram achados por um arqueólogo francês,
Victor Loret, no fim do século 19. Mas como estavam em condições ruins, eles não
atraíram muita atenção na época e durante muitos anos.
Mas agora — e só depois de muitos detalhes verificados — a equipe britânica
de pesquisa chegou à conclusão de que a "Múmia 61072" tem grandes probabilidades
de ser a rainha Nefertiti.
- O corpo de Nefertiti foi descoberto?
Na opinião dos cientistas Britânicos, provas sugerindo que a "redescoberta"
realmente seja o corpo de Nefertiti incluem o lóbulo da orelha da múmia furado
duas vezes, o que era uma marca de realeza, as impressões deixadas por uma tira
de cabeça de ouro — isto também era usado exclusivamente por membros do clã real
— e a cabeça raspada, o que a Dra. Fletcher considera essencial, caso isso prove
alguma relação com a célebre coroa azul usada por Nefertiti e feita para
assentar perfeitamente em sua cabeça. A avaliação preliminar alcançada pela
equipe britânica de pesquisa é a de que no mínimo esta múmia — encontrada sob um
amontoado enorme de linho — tem toda probabilidade de ser uma figura real
feminina do período de Amarna.
O pescoço longo, ossos altos das bochecha e o queixo bem estruturado são
remanescentes da cabeça fina de Nefertiti. Outra evidência que pode identificar
a múmia como a linda governante do reino do Nilo, de acordo com a Dra. Fletcher,
é uma peruca encontrada próxima ao corpo mumificado. É uma peruca artificial de
cabelo no estilo nubiano, que foi utilizada por mulheres, membros da família
real no fim da 18.ª dinastia.
Além do mais, os procedimentos de embalsamamento usados nos três cadáveres
sem nome do túmulo KV35, os materiais utilizados e o tipo de mumificação sugerem
que eles sejam datados do meio da 18.ª dinastia, a época do reino do faraó
Akhenaton e sua esposa. Essa foi a conclusão do Dr. Stephen Buckley, um famoso
perito neste campo, que tomou parte do detalhado exame da descoberta.
O corpo que pode ser o de Nefertiti apresenta consideráveis marcas de
violência, aparentemente feitas com um machado ou alguma forma de machadinha. A
múmia está sem a orelha direita e um braço — embora o braço tenha sido
encontrado no curso de uma segunda expedição que a equipe britânica de pesquisa
empreendeu em fevereiro de 2003. Como há evidência considerável, de acordo com o
ponto de vista de Joann Fletcher, de que Nefertiti foi maltratada e assassinada,
estes ferimentos podem ser mais um pedaço do quebra-cabeça que eventualmente
levará a identificação conclusiva do corpo. A morte violenta da rainha pode ter
sido vingança do povo, diz Dr. Fletcher, devido a forma que ela e o faraó
Akhenaton viraram as costas para a antiga religião. Mais exames revelaram que o
rosto da múmia foi atacado com um objeto extremamente pontiagudo — talvez um
punhal. Isto fortalece a teoria que uma governante odiada havia sido torturada
ou o seu corpo desfigurado depois da morte.
O braço direito da múmia — mais tarde descoberto separadamente — estava numa
posição dobrada, mão para cima. Os dedos pareciam ainda estar segurando um cetro
real, embora o cetro já havia desaparecido há muito tempo. Na cultura do Egito
Antigo, só os faraós podiam descansar eternamente desta maneira. Como alguns
sábios consideram Nefertiti ter sido um faraó feminino, isto pode ser mais um
indício.
Mais um pedaço de evidência detalhado é proporcionado por um dos dois corpos
achado no túmulo ao lado da "Múmia 61072". Esta múmia parece ser o corpo
embalsamado da rainha Ti. Essa, de qualquer forma, foi a conclusão alcançada
devido a várias análises de cabelo executadas por cientistas americanos e
egípcios durante os anos 70. Ti era a consorte de Amenhotep III e mãe de
Akhenaton, em outras palavras um parente próximo de Nefertiti.
- Um mistério que nunca será resolvido?
Alguns peritos, no entanto, expressaram ceticismo. Eles acham que Fletcher e
seus colegas estão baseando suas conclusões em provas insuficientes. A múmia
redescoberta para pesquisa poderia — estes cientistas argumentam — ser outra
pessoa, tal como uma das filhas de Nefertiti, que supostamente tornou-se um
faraó feminino misterioso.
E assim, apesar de todas as investigações, a múmia com mais de 3000 anos de
idade catalogada número 61072 continua a ser um enigma. Somente um teste
comparativo de DNA poderia resolver o mistério do corpo definitivamente. Mas até
agora não foram encontrados restos das filhas de Nefertiti ou outros parentes
próximos, o que significa que por enquanto não há como utilizar de provas
genéticas.

~ Iluminações ~
- Iluminações proporcionadas pela tecnologia portátil de Radiografia
O corpo catalogado como "Múmia 61072", descansando ao lado dos corpos
mumificados de outra mulher e de um menino numa câmara na tumba KV35, foi
examinado diretamente neste local. Isto permitiu que a múmia fosse protegida de
interferência ou estrago acidental. A operação só foi possível graças ao "CXDI-31”,
da Canon — o primeiro sistema digital portátil do mundo da radiografia.
A prática com descobertas deste tipo até agora era retirar as múmias de seus
túmulos e fazer as radiografias num hospital — um procedimento complicado e caro
envolvendo risco considerável de estrago das múmias.
Neste caso, a tecnologia portátil de radiografia de tela plana capacitou os
cientistas a trabalharem dentro do túmulo, gerando uma imagem em terceira
dimensão instantânea do corpo mumificado sem ter que movê-lo.
Aproximadamente três segundos após o item ter sido transferido para o
computador para estudos, as imagens de radiografia aparecem na tela. A função
“zoom” permite aproximar — por exemplo jóias, dentes ou ossos — assim como
imagens de corpo inteiro. Usando a nova tecnologia, eles também podem fazer uma
"turnê virtual" pela múmia, uma técnica que mostra aos pesquisadores detalhes
importantes.
- Contas de ouro na cavidade do peito
As imagens de radiografia asseguradas pela equipe de Joann Fletcher da múmia
de Nefertiti mostram o físico de uma mulher adulta com curvatura da espinha na
região lombar. As fotografias também mostraram um número de contas de ouro
dentro da cavidade do peito, que estava quebrado e aberto. Elas foram feitas em
formas de padrões reais e essa pode ser mais evidência de que a múmia 61072
representa os restos mortais da rainha tão poderosa e linda.
Os cientistas britânicos acreditam que a localidade rara das contas de ouro é
o resultado da ação de ladrões de sepultura que danificaram a múmia no processo.
- Os mistérios serão resolvidos?
Os cientistas esperam que as imagens de radiografia ajudem na reconstrução do
rosto famoso de Nefertiti. As várias fotos do cadáver também poderão ajudar com
indícios que possam levar ao estado de saúde, e até a causa da morte.
Quanto às pessoas que fabricam o equipamento portátil de radiografia... eles
também estão encantados: "Nós nunca imaginamos que alguma de nossas tecnologias,
inventadas para atender as necessidades médicas do século 20, iriam um dia ser
usadas para identificar uma múmia, iluminando os mistérios do Egito Antigo", diz
James Leipnik, Chefe de Comunicação e Relações Empresariais da Canon, na Europa.
Com o auxílio do Governo Egípcio, as três múmias sem nome estão para ser
removidas da tumba KV35 e meticulosamente conservadas, para que permaneçam
disponíveis a gerações futuras, incluindo futuros pesquisadores.

~ Egito nega descoberta de múmia da rainha Nefertiti ~
Quarta-Feira, 11 de Junho de 2003
CAIRO (Reuters) — A maior autoridade de antigüidades do Egito negou a
alegação de uma egiptóloga britânica de que havia encontrado a múmia da rainha
Nefertiti, a madrasta do lendário rei menino Tutankhamon.
Nefertiti, monarca e mulher do faraó Akhenaton, é considerada uma das
mulheres mais poderosas do Egito Antigo. Seu marido reinou de 1379 a 1362 a.C.
Joann Fletcher, especialista em múmias da Universidade de York, na
Inglaterra, anunciou na segunda-feira que uma das três múmias achadas em uma
tumba no vale de Luxor poderia ser de Nefertiti.
Zahi Hawass, chefe do Supremo Conselho de Antigüidades do Egito, refutou a
afirmação. "Esse erro e essa declaração não são baseadas em fatos ou
evidências", disse Hawass à agência oficial de notícias do Egito na noite de
terça-feira.
Fletcher baseou sua teoria em parte nas semelhanças entre o pescoço longo de
uma das múmias e o pescoço de Nefertiti, cuja imagem aparece em um busto de
pedra que se encontra no Museu Egípcio de Berlim.
Hawass disse, no entanto, que a teoria não pode ser baseada em semelhanças
entre a múmia e as representações artísticas do período Amarna no qual Nefertiti
viveu.
"A arte na era Amarna era baseada no embelezamento do rei e da rainha e não
na realidade ou na aparência real", disse ele.
Fletcher encontrou outras pistas, como a cabeça raspada e as orelhas com dois
furos. Acredita-se que Nefertiti tenha sido uma das duas únicas mulheres da
realeza egípcia que usaram dois brincos em cada orelha.
A tumba do rei Tutankhamon, um menino que reinou no Egito no século 14 a.C.,
foi descoberta em 1922. O local estava tão atulhado de artefatos que foram
precisos dez anos para retirá-los da tumba.

Bibliografia: Estudos Sobre o Egito Antigo, Arnaldo Poesia
– Niterói – Edição do Autor, 1990.
Arquivo Starnews 2001 – Universidade de
York – Discovery Channel – Reuters.
Links importantes sobre o assunto:
Não
deixe de ver:
O Mistério da Grande Pirâmide
Tesouros do Egito Antigo
Cleópatra
A Estela do Sonho - Uma pequena história sobre a Esfinge
Champollion e a Pedra de Rosetta
Cronologia do Egito Antigo
Deuses e deusas do Egito Antigo
Galeria de fotos do Egito Antigo
Mumificação no Egito Antigo
Fotos, layout e arte gráfica por
Abu Ahmed al-Hassan
Copyright © Starnews 2001
