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Arqueólogos e historiadores continuam a especular sobre o período de Amarna
do Egito, que abrangeu os anos de cerca de 1369 a 1344 a. C. O período refere-se
ao Faraó Akhenaton e sua bela mulher e rainha, Nefertiti. Corriam, na época, os
anos finais da Décima Oitava Dinastia, quando aquele faraó teve a revelação de
se devotar a um só deus, Aton, e atreveu-se a mostrar sua convicção. No esforço
para difundir a nova crença ao povo, apenas conseguiu, daí por diante, ser
conhecido como o herege.
Remanescentes deste e de outros
períodos importantes da história do Egito Antigo continuam a ser investigados e
reavaliados. O que se chamou de Período de Amarna abrangeu no máximo o espaço de
alguns anos; mas foi alvo de um interesse dos historiadores e do público que se
podia comparar ao dedicado ao Período das Pirâmides de mais de mil anos antes.
Akhenaton era uma pessoa controvertida e idealista que deixou com sua presença
uma marca indelével na história do mundo.
Esse faraó resolveu introduzir o
conceito monoteísta, a crença em um só deus. Parece que ele achava ter chegado o
momento de seu povo ter nova religião, e, no intuito de estabelecer essa idéia,
procurou desviar do povo o culto aos muitos deuses e levá-lo a devotar-se a um
só.
Achava também que o poder dos
sacerdotes sobre o povo e os reis devia sofrer restrições e nova
orientação.
A Décima Oitava Dinastia teve início
por volta de 1570 a. C. e produziu muitos faraós brilhantes, entre os quais
Ahmoses, Tutmosis III, Amenhotep III e, naturalmente, a Rainha Hatshepsut.
Tutmosis III muitas vezes conduziu o exército até a Síria e ao vasto deserto no
noroeste, conseguiu dominar as cidades dos estados vassalos, e derrotar o rei
hitita em Kadesh. Tebas tornara-se a mais rica e mais poderosa cidade da
terra.
Os tesouros do templo do deus Amon
em Karnak estavam repletos de ouro, prata, bronze, cobre e pedras semipreciosas
trazidas pelos guerreiros cruzados, Os estados vassalos continuaram a enviar seu
tributo anual ao faraó. A mais antiga civilização do mundo estava mais gloriosa
que nunca. O deus Amon em Karnak fora igualado ao deus-sol Ra. Os pastores que a
invadiram, os hicsos, haviam sido expulsos.
Após os triunfos de Tutmosis III,
reinou a paz na terra. A riqueza das províncias conquistadas fluíam para Karnak,
em Tebas. O poderio dos sacerdotes, guardiões dos tesouros do templo, quase que
se poderia comparar ao do faraó. Sob o reinado de Amenhotep III continuou
imperando uma paz suntuosa. Acredita-se agora que Amenhotep sentia-se preocupado
com o crescente poder do sacerdócio de Amon e tornou a favorecer o deus-sol Ra,
que fora adorado pelos reis do Antigo Reino. Ra era às vezes chamado de Aton,
que significava o disco solar físico, o centro de um deus.
No quarto ano de reinado de
Amenhotep III, a Rainha Tiy deu-lhe um filho que recebeu o nome de Amenhotep IV.
Aos vinte e um anos, este casou-se com a bela Nefertiti, que talvez fosse sua
meia-irmã. Ela Também pode ter sido filha de Aye, sacerdote do Templo de Amon,
em Karnak, cuja mulher também se chamava Tiy. Mas alguns estudiosos acreditam
que Nefertiti era filha de Dushratta, rei de Mitani (o que é mais
provável).
No festival Sed de Amenhotep III,
quando celebrou seu trigésimo ano de faraó, ele nomeou o filho co-regente. John
A. Wilson diz que o jovem príncipe foi associado ao pai no trono como
co-regente. Em Tebas, eles reinaram juntos por quatro anos. Tal como o pai,
Amenhotep IV sentia que era preciso compensar o poder de Amon, havendo também a
necessidade de um deus universal que fosse reconhecido não só no Egito mas
também nas províncias estrangeiras. E assim talvez a fidelidade dos povos
submetidos pudesse ser mantida sem ser necessária a freqüente demonstração de
força do exército.
Segundo a opinião dos pesquisadores,
em sua maioria, Amenhotep III morreu no quarto ano da co-regência. Assim, nessa
ocasião, Amenhotep IV começou a construir nova cidade e capital a cerca de 380
km ao norte de Tebas, num local virgem da margem leste do Nilo. Dois anos
depois, com Nefertiti, deixou Tebas e estabeleceu-se com a corte na nova
capital, à qual deu o nome de Akhetaton, "o horizonte de Aton". Conhecemos suas
ruínas hoje pelo nome de Tell el-Amarna.
Ali construiu ele
seu grande templo, um edifício sem telhado, cujo santuário ficava aberto aos
céus --- a Aton. Em contraste, os templos
de Amon-Ra eram cobertos com telhados e o santuário localizava-se nas partes
mais internas e escuras do prédio.
O famoso decreto que instalou a nova
religião em Akhetaton, tinha uma declaração solene: "Este é meu juramento
verdadeiro, que é de meu desejo pronunciar, e do qual jamais direi: é falso;
eternamente, para sempre."
Amenhotep IV e Nefertiti
permaneceram em Akhetaton durante onze anos, rodeados pelos funcionários e
nobres da corte, que mandaram fazer túmulos para si nas colinas a leste da
cidade. Neste túmulos há inscrições que nos falam da vida em Akhetaton, com
referência a um só deus, Aton, cujo poder vivificante, simbolizado pelo disco
solar, é irradiado pelos seus incontáveis braços e mãos.
Quando Amenhotep IV
rompeu com os sacerdotes de Amon, em Karnak, mudou seu nome para Akhenaton, que
significa "a glória de Aton", "vivendo em Maat ---
a verdade". Em cada túmulo há uma representação do disco solar de onde descem
raios, cada um com a extremidade em forma de mão humana, que às vezes toca
figuras também humanas. O nome Nefertiti significa "a bela mulher chegou",
"deslumbrante é a beleza de Aton".
Aye, que talvez
fosse o pai de Nefertiti, transferira-se para a nova cidade e se tornara nobre
da corte. A nova religião encerrava o amor ao belo na natureza e na arte. Foi
ali que Akhenaton compôs seu grande hino, de um tema único, um objeto de
culto --- o
Aton --- e com simplicidade
revela sua filosofia religiosa. Hoje, os historiadores acreditam que o conceito
referia-se não só ao disco solar físico mas também ao seu poder criador de vida.
A fé de Aton não era apenas política; era sobretudo religiosa. Em sua convicção,
Akhenaton declarou que Ra, o sol, era uma manifestação física, ou símbolo, do
Deus único --- o símbolo
da própria vida. E o culto do sol como um deus mudou para o culto de Deus,
simbolizado pelo sol, cuja essência "existe por toda parte e em
tudo".
Não há dúvida alguma de
que Akhenaton tinha o apoio integral de Nefertiti para a nova religião, o novo
conceito de monoteísmo. Na verdade, parece que ela superava em seu entusiasmo
nessa crença. A única preocupação de Akhenaton e Nefertiti parece ter sido a
devoção à sua religião e os cuidados com a nova cidade. As necessidades
materiais do país ficaram um tanto negligenciadas. Não se dava atenção a
conquistas ou guerras. Em Akhetaton, Akhenaton dedicava-se ao seu grande ideal.
Ele era de fato um revolucionário em termos de religião; queria libertar o povo
da magia e da superstição primitivas e do culto aos muitos deuses.deuses.
Começaram a surgir dificuldades nas províncias do norte.
Vieram pedidos de ajuda escritos em plaquetas de argila em caracteres
cuneiformes. É de duvidar que ele as tivesse recebido e o mais provável é que
fossem interceptadas por traidores da sua corte. Também parece não existirem
registros de que tenham obtido resposta. As províncias estavam sendo atacadas.
Akhenaton, o poeta e místico, prosseguia em seu objetivo de derrubar a fé
politeísta dos seus antepassados. As plaquetas, uma grande quantidade delas
encontradas na cidade de Akhetaton --- mais tarde chamada Tell el-Amarna
pelos árabes --- , foram
descobertas em 1887. Elas revelam que os governantes já trocavam correspondência
diplomática. Estas plaquetas são conhecidas como as Cartas de Amarna. O
idioma diplomático usado nessas comunicações era conhecido como cuneiforme
babilônico.
Havia cartas-plaquetas de estados
vassalos como a Síria, Babilônia e Mitani. Os hititas, oriundos da atual
Turquia, avançaram para o sul e deram início ao ataque às cidades leais ao
faraó. Seus governadores escrevera-lhe pedindo apoio militar.
Não houve ajuda. A intriga, por
certo bastante disseminada, jamais permitiu que as cartas chegassem às mãos de
Akhenaton. Ao propor a devoção a Aton, não deixava de se preocupar com o poderio
de Amon-Ra em Tebas, e enviou emissários por toda a terra para eliminar o nome
deste deus onde quer que aparecesse escrito. Ele não ignorava que havia muita
inquietação e confusão; parece que os que viviam fora de Akhetaton não aceitava
a nova crença.
Não há dúvida de que Nefertiti, como
o próprio Akhenaton, era intensamente dedicada à religião de Aton. Talvez como
qualquer idealista, ela jamais pensasse num meio-termo. Parece, porém, que
Akhenaton procurou reunir o povo por meio de um compromisso. Sabe-se que após o
décimo quarto ano do seu reinado, sua mulher, Nefertiti, deixou o palácio da
cidade de Akhetaton e mudou-se para o chamado Palácio do Norte, cerca de uns
dois quilômetros de distância.
Nessa época, a filha maior,
Maritaton, casou-se com um meio-irmão de Akhenaton, Semencaré, Também conhecido
como Sakere. Foram juntos para Tebas, onde Semencaré reinou como co-regente.
Akhenaton permaneceu em Akhetaton. É provável que Semencaré e Maritaton
tenham partido por insistência de Akhenaton, que acreditava que os sacerdotes
poderiam ser influenciados a abalar seu poder. Talvez este fosse um esforço para
enfraquecer o poderio de Amon-Ra. Se esta era a intenção, não deu certo. No
terceiro ano da sua co-regência, Semencaré começou a restaurar uma forma de
culto a Amon-Ra, em Tebas. Isto pode ter sido parte do acordo do faraó e pode,
também, ter significado uma cisão na corte, com uma facção que insistia no
completo retorno a Tebas.
Akhenaton morreu aos
quarenta e um anos de idade, no décimo sétimo ano do seu reinado, conforme se
constatou. Seu corpo jamais foi encontrado. Há alguns anos, pensou-se que era
sua a múmia descoberta perto do túmulo de Tutankhamon, mas verificou-se que não.
Ela seria talvez de seu meio-irmão, Semencaré. Não se sabe como Akhenaton morreu
(?). Parece que Semencaré morreu em Tebas na mesma época. Há alguns anos,
acreditava-se que Akhenaton subiu ao trono ainda na adolescência e morreu por
volta dos trinta anos. Sabe-se agora, no entanto, que estes dados não são
corretos. Ele tornou-se faraó quando contava talvez vinte e quatro
anos.
Ao mudar-se para o Palácio do Norte,
Nefertiti levou consigo outro meio-irmão mais novo de Akhenaton, Tutankaton, que
era apenas um menino. Nefertiti providenciou imediatamente o casamento de sua
terceira filha, Anksenpaaton, com Tutankaton. A Segunda filha, Meketaton,
morrera. Isto legitimava a ascensão de Tutankaton ao trono, que por costume e
tradição tinha de ser pela linha feminina. Tutankaton e Anksenpaaton eram
crianças ainda. Ele reinou em Akhetaton por muito pouco tempo e logo foi
obrigado ou persuadido a voltar à capital ancestral de Tebas e a adotar novo
nome, Tutankhamon. A esposa mudou o seu para Anksenamon.
Seu túmulo continha o símbolo de
Aton, o disco solar com raios descendentes. Assim, claro que ele devia adotar a
religião de Aton quando subiu ao trono. É provável que Nefertiti tenha morrido
nessa época, mas seu corpo também jamais foi encontrado (é evidente que deve ter
havido uma conspiração para eliminar Akhenaton e sua bela esposa, Nefertiti).
Seu busto magnífico esculpido, que se pôde ver em Tell el-Amarna, comprova sua
incomparável beleza. Esse busto encontra-se atualmente no
Museu de Berlim.
Já não existia o desejo ou a força
de incutir a crença em Aton. Os sacerdotes de Amon-Ra, de Tebas, logo
recuperaram todo o poder e a antiga religião foi restabelecida. Despacharam-se
emissários por todo o país para apagar dos monumentos o nome do rei herege. Nas
paredes dos túmulos situados em Tell el-Amarna e também nas do túmulo do vizir,
Ramoses, no Vale dos Reis, encontram-se reminiscências de desfiguração das
representações de Akhenaton e de Nefertiti, executada pelos defensores do
sacerdócio de Amon-Ra do Templo de Karnak, após a morte de Akhenaton. Parece que
a desfiguração de todos os monumentos a ele relacionados foi feita em todo o
país.
A cidade de Akhetaton foi abandonada
e caiu em ruínas. Anksenamon precisava de um marido para ficar a seu lado como
rei; ela via os cortesãos intrigando ao seu redor sequiosos de poder. Então
escreveu ao rei hitita pedindo que lhe enviasse um dos filhos para ser seu
marido e rei. A solicitação foi atendida, mas o pretendente jamais chegou a
Tebas, pois a intriga cuidara da sua eliminação.
O antigo primeiro-ministro de
Akhenaton, Aye, agora aparece na História como o faraó seguinte. Aye subiu ao
trono por ser pai (?) de Nefertiti. Tutankhamon, o último descendente da
família, morreu por volta de 1344 a. C. A Décima Oitava Dinastia logo chegou ao
fim. Após a breve reinado de Aye, Horemheb segundo consta tomou o trono,
reivindicando-o através do casamento com a irmã de Akhenaton, Beketaton. Quando
Horemheb, um militar oportunista, apossou-se do trono, logo restaurou a
supremacia do deus tebano, Amon-Ra.
Algumas das opiniões dadas acima
foram apresentadas por arqueólogos, John Pendlebury e H. W. Fairman, e pelo
famoso escritor e historiador, Leonard Cottrell.
O período da Amarna criou nova arte,
uma arte de puro realismo. O antigo estilo formal da escultura e da pintura foi
relegado. Akhenaton, Nefertiti e a família não eram representados como deuses,
mas como seres humanos e devoção humana. Por qualquer razão, Akhenaton permitiu
que seus defeitos físicos fossem destacados no realismo da arte do seu tempo.
Ele e a esposa tiveram seis filhas, e Akhenaton e Nefertiti se identificavam nas
atitudes e comungavam o mesmo ideal de viver em prol da beleza e da
verdade.
A luz da filosofia religiosa de
Akhenaton brilhou por tão pouco tempo, mas não apagou. Ela continuou ardendo
baixo, para reavivar-se nas futuras gerações de gente esclarecida nos séculos de
uma era posterior. O Deus único de Akhenaton até hoje continuou a enviar seus
raios.
~ O Esplendor de Aton ~
"Numerosas são todas as tuas obras!
Elas nos estão ocultas, Ó, Tu, Deus único, cujos poderes nenhum outro possui."
Estas são palavras de beleza e significação, palavras que uma ou outra vez sem
duvida já ouvimos ou lemos.
Somos inclinados a pensar que a
literatura inspirada é de origem relativamente recente, e também a crer que
havia pouca ou nenhuma literatura bela ou significativa antes da compilação da
Bíblia. Entretanto, após a descoberta, e eventual tradução, da Pedra de Rosetta,
os arqueólogos puderam determinar a importância dos caracteres hieroglíficos que
são as palavras de um importante rei egípcio, cujo significado eles consideravam
digno da melhor literatura.
Referimo-nos aos hinos gravados nas
paredes das capelas-túmulos de pedra, da Décima Oitava Dinastia, o período do
reinado do faraó que viveu há mais de três mil anos. Os dois hinos referem-se a
Aton e foram compostos pelo rei para suas devoções pessoais ou para os serviços
e cerimônias que se realizavam no seu templo. Os hinos em geral são conhecidos
como "Louvor a Aton pelo Rei Akhenaton e Rainha Nefertiti".
Observou-se que existe notável
semelhança entre os hinos egípcios e o Salmo 104 dos hebreus. As palavras dos
hinos são de Akhenaton, o rei egípcio que governou com sua bela mulher,
Nefertiti, de 1367 a 1353 a. C.
Sob a orientação dos sacerdotes dos
faraós, o povo do Egito adorava uma multiplicidade de deuses. Quando Amenhotep
IV tornou-se rei, estava preocupado com a existência de tantos deuses, sobretudo
com o deus-sol Aton. No seu reinado, Aton tornou-se o senhor do sol e o calor
vital do sol foi deificado. Dizia-se que Aton era atuante por toda parte através
dos seus raios, e seu símbolo era o disco nos céus. Dele, os raios divergentes
desciam para a terra, com as extremidades em forma de mãos. Cada mão segurava o
símbolo da vida, a cruz ansata (o ankh). Havia extraordinária simbologia nisto,
pois representava o poder divino do Deus Supremo. O sol passou a ser o símbolo
da divindade. Não era um deus ou um ídolo mas um símbolo físico que representava
Aton. Na época em que viveu, Amenhotep teria pouco ou nenhum conhecimento dos
aspectos físicos e químicos do sol.
Tebas tornou-se a "Cidade do Brilho de Aton". Aton ficou sendo não só o Deus
supremo mas o deus do império. Três cidades foram fundadas para representar as
três divisões do Império que eram: Egito, Núbia e Ásia. Várias centenas de
quilômetros ao sul de Tebas, Akhenaton construiu sua nova cidade santa dedicada
a Aton, dando-lhe o nome de Akhetaton --- "O Horizonte
de Aton".
Assim, Amenhotep IV, agora
Akhenaton, esforçava-se por fazer com que o povo aceitasse sua doutrina ou
filosofia. Uma pessoa que respeitava seus ensinamentos disse: "Como é próspero
aquele que ouve teus ensinamentos de vida". Seus súditos achavam que percebiam
uma relação definida entre Akhenaton e Aton, o deus supremo.
Através de revelações, na certa
experimentadas durante seus períodos de meditação, Akhenaton compôs os hinos a
Aton. Além do que é mencionado aqui, existem sem dúvidas muitos belos hinos de
Akhenaton que se perderam. Em um ou mais dos seus hinos encontramos as palavras:
"Ó, tu, Deus único, incomparável".
Akhenaton deu novo espírito ao
Egito. Esforçou-se para que o novo ensinamento superasse o antigo
tradicionalismo. Não há dúvida de que ele era capaz de meditação profunda e
séria; compreendeu a idéia do Criador, do Criador da Natureza; viu o propósito
benéfico em tudo o que fora criado; tinha uma percepção clara do poder e da
beneficência de Deus. Sem dúvida, Akhenaton atribuía certa dose de retidão ao
caráter de Deus e achava que esta devia refletir-se no caráter dos
homens.
A palavra verdade surge muitas vezes nos hinos de Akhenaton,
preservados em escrita hieroglífica. Ao próprio nome ele acrescentou: "Vivendo
na Verdade". Não há dúvida quanto à intenção desta frase. Ele viveu uma vida
aberta e franca, e a verdade, para ele, era indubitavelmente aplicada, pelo
menos em parte, na sua aceitação dos fatos cotidianos da existência. Seu reinado
deu origem a uma nova arte; os artistas da sua corte, com pincel e cinzéis,
deixaram-nos o realismo simples e belo que viam na vida animal. Essa arte
reproduzia parte da verdade que Akhenaton viveu.
Em A História do Egito, James Henry Breasted escreveu: "Ele baseou a soberania
universal de Deus em seu cuidado paternal dedicado a todos os homens,
independente de raça ou nacionalidade; e para o egípcio orgulhoso e exclusivista
ele mostrou as maravilhas universais do pai comum da humanidade... É este
aspecto do espírito de Akhenaton que é particularmente extraordinário; ele foi o
primeiro profeta da História". Procurou voltar à natureza; reconhecer a bondade
e a beleza encontradas nela. Procurou resolver o seu mistério que, como disse
Breasted: "acrescenta apenas o elemento adequado de misticismo nessa
fé".
Com referência à filosofia religiosa de Akhenaton, Sir
Flinders Petrie, em sua História do Egito, disse que "esta não poderia ser logicamente aperfeiçoada na
atualidade". Para os sacerdotes, Akhenaton era conhecido como fanático; chegou
mesmo a ser chamado de "o criminoso de Akhetaton".
Com a morte de Akhenaton, o antigo
sacerdócio de Amon recuperou o controle; a antiga religião foi restabelecida, a
religião dos inúmeros deuses. Mas a evolução de Akhenaton e seu reconhecimento
da verdade, como ele a viu, de um deus supremo como ele o compreendia, deixara
marca indelével na história do mundo. Era o esclarecimento trazido à humanidade
há mais de três mil anos. Seu aparecimento no horizonte do seu tempo deixou um
sinal que jamais se apagará.
Breasted, um dos mais famosos
egiptólogos do mundo, escreveu que Akhenaton, destemido, enfrentou a tradição
"para que pudesse disseminar idéias que ficavam muito além e acima da capacidade
de compreensão da sua época... O mundo moderno ainda está por avaliar
adequadamente, ou mesmo familiarizar-se com esse homem que, num período tão
remoto e em condições tão adversas, tornou-se o primeiro idealista do mundo, o
primeiro indivíduo do mundo".
É interessante que hoje em dia a atenção do público se
volte para Akhenaton e o período do seu reinado. Um belo filme, que tornou-se um
clássico, com o título de O Egípcio, inspirado no livro do mesmo nome, de Mika Waltari, é exemplo desse
interesse. Muitas outras obras foram escritas por Akhenaton.
Como dissemos, os hinos de Akhenaton
são considerados literatura da melhor qualidade; eles talvez sejam monumentais
na sua magnificência e continuarão a existir, tal como as paredes de pedra do
Egito onde foram esculpidos. Na opinião deste autor, alguns dos versos mais
significativos e belos dos seus hinos (eles eram divididos em estrofes e
começavam com "O Esplendor de Aton") são:
Teu
alvorecer é belo no horizonte do céu, Ó, Aton vivo,
Começo da vida! Quando surges no horizonte oriental do
céu, Enches toda a terra com tua beleza; Pois és belo, grande... Teus
raios cobrem as terras, E tudo o que criaste... Tu és Ra... Tu os unes pelo teu
amor. Embora estejas distante, teus raios estão na
terra...
Luminosa
é a terra. Quando surges no horizonte, Quando brilhas como Aton durante o dia. As trevas são banidas, Quando
lanças teus raios...
Eles vivem quando brilhas sobre
eles.
Excelentes são os teus desígnios, Ó, Senhor da eternidade!... Pois teus raios nutrem todos os jardins, Quando surges, eles vivem, e crescem por ti. Fazes as estações do ano para criar todas as tuas
obras;... Para contemplar tudo o que
criaste...
Tu estás
em meu coração, Nenhum outro que te conhece... Tu o tornaste sábio em teu desígnios E em teu poder. O mundo está em
tuas mãos, Como o criaste... Pois tu és duração... Por ti o
homem vive, E seus olhos contemplam tua beleza... Vivendo e florescendo para todo o
sempre.
Numerosas
são todas as tuas obras" Elas nos estão ocultas, Ó, tu, Deus único, Cujos poderes
nenhum outro possui.
_________
Nota do site: Este hino foi transcrito do Livro A História do Egito, de James
Breasted.)
Não deixe de ver...

~ Rainha Nefertiti ~
Cleópatra
Galeria Aton
Estela de Akhenaton, Nefertiti e as duas filhas
Templos do Egito Antigo
Links sobre o assunto:
As maravilhas do Egito
www.touregypt.net Viaje por dezenas de sítios antigos ao
longo do Nilo, de Alexandria a Assuã, no website oficial do Ministério do
Turismo do Egito.
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