Corinthian Style

A Escola de Atenas

A pintura representa o pensamento clássico, mas é também dedicada
às artes liberais, simbolizadas pelas estátuas de Apollo e Minerva

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1509. Afresco, largura da base: 770 cm. Stanza
della Segnatura, Palazzi Pontifici, Vaticano


A Escola de Atenas é uma celebração da filosofia. A cena foi tirada de um local do período clássico, como a arquitetura e o ambiente. Personagens representando cada assunto que deveriam ser mantidos em ordem para dar uma idéia de um verdadeiro debate filosófico — astronomia, geometria, aritmética, e geometria sólida — são mostrados em forma concreta. Os árbitros destas regras, os principais personagens, Platão e Aristóteles, são mostrados no centro da pintura, engajados numa discussão filosófica.

A Escola de Atenas representa a verdade adquirida através da razão. Rafael não criou sua ilustração com figuras alegóricas, como era costume nos séculos XIV e XV. Mas, agrupou personagens solenes de pensadores e filósofos juntos num amplo espaço, numa grandiosa moldura arquitetural. Esta moldura é caracterizada por uma alta cúpula, uma abóbada sem teto e pilastras. Ele provavelmente se inspirou na arquitetura romana ou — como pensa a maioria dos pesquisadores — no projeto de Bramante para a nova igreja de São Pedro a qual é a síntese do paganismo e da filosofia cristã.

Os personagens que dominam a composição não estão amontoados, nem sufocados. Mas bem distribuídos no amplo recinto. Os protagonistas — Platão, está representado com um manto azul-claro (muitos o identifica com Leonardo da Vinci) e Aristóteles — ambos estão caracterizados por uma postura superior. A capacidade descritiva de Rafael, em contraste com antigas pinturas alegóricas, é que ele não procurou apresentar os personagens prestando homenagens a ninguém, ou a grupos ao redor de símbolos; não compôs um desfile. Eles se movimentam, gesticulam, ensinam, discutem e se entusiasmam.

A pintura representa o pensamento clássico, mas é também dedicada às artes liberais, simbolizadas pelas estátuas de Apollo e Minerva. Gramáticos, Matemáticos e Músicos são personificados por figuras localizadas nos patamares, à esquerda. Geômetras e Astrônomos estão à direita. Além deles estão representados os Retóricos e os Dialéticos. Alguns dos filósofos são contemporâneos de Rafael. Bramante é mostrado como Euclides (com uma prancheta, à esquerda, fazendo cálculos com um compasso). Francesco Maria Della Rovere, de branco, aparece outra vez perto de Bramante. Michelangelo está sentado num degrau, lendo sobre um bloco de mármore; é representado como Heráclito. Uma visão mais apurada do afresco mostra que Heráclito foi o último a ser pintado quando a pintura foi terminada, em 1511. A alusão a Michelangelo é provavelmente um gesto de homenagem ao artista, que tinha recentemente concluído os afresco da Capela Sistina. Rafael — na extrema direita, com uma boina preta — e seu amigo, Sodoma, estão também presentes (eles representam a glorificação das artes e posam no mesmo nível dos artistas liberais).

O afresco teve sucesso imediato. Sua beleza e unidade temática foram aceitas universalmente. A euforia com que foi recebido não foi marcada com reservas, tal como aconteceu com a reação pública quanto a Capela Sistina.

~ Arnaldo Poesia ~

  • Discussão Sobre o Santíssimo Sacramento

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    Bibliografia: Leituras Sobre a Antiguidade Clássica, Arnaldo Poesia, Ed. do Autor, Niterói, 1991. – The Oxford Companion to Classical Literature, Paul Harvey, Oxford University Press, England, 1986 – Palazzi Pontifici – Web Gallery of Art.

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