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~ Os Amores e
os Dias ~
~ A Chris ~
Se
o que desejas fosse bom e sincero
Teus olhos não se envergonhariam
Mas expressariam francamente um simples desejo.
(Safo, séc. VII a. C.)
Eu não sei... Talvez algum dia
Poderei reviver
O esplendor dos grandes amores...
Que me seja ao menos então
Permitido viver,
Numa doce ilusão,
No tempo em que a nudez humana
— a mais perfeita forma que se possa conhecer
E até conceber,
Que acredito ser
A imagem de Deus —
Poderei descobrir-me nos braços da amada,
De uma cortesã sagrada;
O tempo em que o amor mais sensual,
Quase sempre casual,
O divino amor de onde vim,
Era sem mancha, sem pecado;
Seja-me permitido esquecer
Vinte séculos de dissimulações e hipocrisias,
Ressurgir do pântano à fonte cristalina,
Voltar à beleza original,
Tornar a construir o Grande Templo
Ao som das liras encantadas
E consagrar com entusiasmo
Aos santuários da verdadeira fé
Meu coração sempre arrebatado
Pela imortal Afrodite.
~ Arnaldo Poesia ~
__________
©
Arnaldo Poesia, Le Monde de Paris, Quinzaine Littéraire, Paris, 1997/2008.


~ As Idades da Humanidade ~
Os primeiros homens criados pelos
deuses formavam uma geração de ouro. Enquanto Crono (Saturno)
reinava no céu, eles viviam sem preocupações. Eram muito parecidos
com os deuses, sem os sofrimentos do trabalho e sem problemas. A terra
lhes oferecia todos os seus frutos em quantidade, nos férteis campos
pastavam rebanhos esplêndidos, e as atividades do dia eram feitas com
tranqüilidade. Também não conheciam os problemas causados pelo
envelhecimento e, chegada a hora de morrer, simplesmente adormeciam
num sono suave.
Quando, por determinação do destino, essa geração
desapareceu, eles se transformaram em devotos deuses protetores que,
ocultos em neblina espessa, vagavam pela terra. Eram eles os doadores
de tudo o que há de bom, protetores da justiça e vingadores de todas
as transgressões.
Em seguida, os imortais criaram uma segunda geração
de homens, de prata, mas esta não se assemelhava à primeira nem
quanto à forma do corpo, nem quanto à mentalidade. Por cem anos as
crianças cresciam, ainda imaturas, sob os cuidados maternos, em casa
dos pais, e quando chegavam à adolescência só lhes restava pouco
tempo de vida. Atos irracionais precipitaram esta segunda humanidade
na miséria, pois os homens não eram capazes de moderar as suas paixões
e, arrogantes, cometiam crimes uns contra os outros. Os altares dos
deuses também já não eram honrados com agradáveis oferendas. Por
isso Zeus retirou essa geração da terra, pois não lhe agradava a
sua falta de respeito para com os imortais. Ainda assim, esses seres
humanos tinham tantas qualidades que, depois de terminada sua vida
terrena, receberam a honra de poder vagar pela terra como dáimones
(divindades) mortais.
E então Zeus pai criou uma terceira geração de
homens, de bronze. Esta também não se assemelhava à geração de
prata: eram cruéis, violentos, só conheciam a guerra e só pensavam
em prejudicar os outros. Desprezavam os frutos da terra e
alimentavam-se só da carne de animais. Sua teimosia era intocável,
seus corpos gigantescos. Suas armas eram de bronze, suas moradias eram
de bronze, com o bronze cultivavam os campos, pois ainda não existia
o ferro. Brigavam uns com os outros, mas, embora fossem grandes e terríveis
nada podiam fazer contra a morte e, partindo da clara luz do sol,
desciam para a terrível escuridão das profundezas.
Depois que essa geração também submergiu no seio da
terra, criou Zeus uma quarta geração, que deveria habitar na terra fértil.
Era mais nobre e mais justa do que a anterior, a geração dos heróis
divinos, que o mundo conhecera também como semideuses. Mas
encontraram o seu fim no conflito e na guerra. Uns tombaram diante dos
sete portões de Tebas, onde lutavam pelo reino do rei Édipo, outros
nos campos que circundam Tróia, aonde chegaram em grande número por
causa da bela Helena. Quando terminaram, com lutas e sofrimentos, sua
vida sobre a terra, Zeus pai designou-lhes como moradia as Ilhas dos
Bem-aventurados, que se encontram no Oceano, às margens do Éter. Ali
levam uma vida feliz, sem preocupações, e o solo fértil lhes
fornece, três vezes por ano, frutas doces como mel.
Suspira o antigo poeta Hesíodo, que narra o mito das idades
da humanidade:
"Ah, quisera eu não ser um
membro da quinta geração de homens, que surgiu
agora, quisera eu ter morrido antes ou nascido
mais tarde! Pois esta geração é a do ferro!
Totalmente arruinados estes homens não têm
sossego de dia ou de noite, cheios de queixas
e de problemas, e os deuses sempre lhes enviam
novas e devoradoras preocupações. Porém eles
mesmos são a causa dos seus piores males. O
pai é inimigo do filho, assim como o filho o é
do pai. O hóspede odeia o amigo que o hospeda,
o companheiro odeia o companheiro, e também
entre os irmãos já não há, como antes um amor
cordial. Nem mesmo os cabelos grisalhos dos
pais são respeitados, e freqüentemente eles
são obrigados a suportar maus tratos. Homens
cruéis! Não pensam nos juízos dos deuses
quando recusam aos velhos pais a gratidão
pelos cuidados que lhes prestaram? Em toda
parte prevalece o direito da força, e os
homens só pensam em como fazer para destruir
as cidades de seus vizinhos. O correto, o
justo e o bom não são considerados, só o que
engana é estimado. Justiça e moderação não
valem mais nada, o mau pode ferir o nobre,
dizer palavras enganosas e calúnias, jurar em
falso. É por isto que esses homens são tão
infelizes. As deusas do pudor e do respeito,
que até então ainda podiam ser vistas sobre a
terra, agora cobrem entristecidas os belos
corpos com roupas brancas e abandonam a
humanidade, fugindo para reunir-se aos deuses
eternos. Aos mortais só resta a miséria
desesperada, e não há esperança de salvação."


~ Arte Grega e Romana ~
A existência ou não de
uma arte própria italiana ou romano-etrusca antes da invasão do
helenismo é um assunto controvertido, mas o mérito das obras
remanescentes que lhe podem ser atribuídas não é grande. Por outro
lado a arte grega, cuja inspiração exauriu-se e cuja expressão
tornou-se convencional, encontrou uma juventude renovada e temas novos
em solo romano e na história romana. A escultura romana
atingiu a sua perfeição máxima nos séculos I-II d. C., e mostra o
que tem de melhor em retratos e bustos, onde demonstrou grande força
para expressar o caráter, e em baixos-relevos, cujos assuntos são
predominantemente históricos. Belos exemplos destes últimos podem
ser vistos nas esculturas da Ara Pacis da época de Augusto e,
em estágios posteriores de desenvolvimento, no arco de Tito e no
friso e na coluna de Trajano; mas a amplitude e a grandeza do
tratamento são às vezes prejudicadas pela superposição excessiva
de figuras e pela atenção meticulosa aos detalhes. Há também
muitos exemplos de decoração de altares mediante o uso de convolutos
e festões de folhagens e flores. Embora os artistas, pelo menos no
primeiro período, possam ter sido principalmente gregos, a arte era
nova.
Os romanos usavam a pintura
principalmente para decorar as paredes internas das casas. Os
temas desses afrescos, dos quais muitos exemplos foram achados em
Herculano e Pompéia, eram principalmente cenas da mitologia grega, ou
figuras isoladas como Orfeu ou um Centauro, e com menor freqüência
paisagens, naturezas-mortas ou cenas contemporâneas. Muitas delas
mostram grande beleza de colorido, traço e expressão.
A arquitetura romana
era ainda mais diferenciada, sendo marcada principalmente pelo
desenvolvimento do arco, da abóbada e da cúpula. Ela produziu os
planos de grandes edifícios públicos, nos quais se basearam nossas
concepções modernas; esses edifícios eram notáveis pela unidade de
concepção, solidez de construção e grandiosidade de decoração,
embora a última careça às vezes de gosto. A alvenaria compunha-se
de pedra aparelhada, ou de concreto, ou de tijolo. Vê-se a
arquitetura no que ela tem de melhor em edifícios como o Panteon,
mandado construir por Agripa em 27 a. C. (conservado com muitas alterações),
o grandioso Coliseu, ou no plano dos Banhos de Caracala; além disso
havia grandes aquedutos, pontes, teatros, etc., cujos remanescentes
ainda podem ser vistos em todas as partes do antigo império romano.
Deve-se também mencionar a
arte da gravação em gemas, que se popularizou em Roma no último século
da república e se desenvolveu ainda mais na época imperial, tanto
sob a forma de entalhe, onde ele é gravado em relevo. Usavam-se gemas
gravadas como anéis-sinetes, e os exemplos remanescentes incluem
retratos de César, de Pompeu, de Cícero e de Tibério. Há exemplos
em dimensões maiores no esplêndido retrato de Augusto conservado
atualmente no Museu
Britânico, na Gemma Augustea em Viena representando
Augusto, Tibério, Germânico e um grupo de divindades, com uma cena
militar abaixo, e no grande camafeu em Paris representando Tibério, Lívia
e Germânico juntamente com várias figuras simbólicas. Os gravadores
de gemas eram provavelmente gregos ou artistas vindos do Oriente helenístico;
o mais famoso deles chamava-se Dioscorides.


~ Mitologia Grega e
Romana ~
De onde vieram as
lendas da mitologia? Têm algum fundamento na verdade? Ou são apenas
sonhos da imaginação? Os filósofos apresentaram sobre o assunto várias
teorias:
1. Teoria Bíblica
— De acordo com esta teoria, todas as lendas mitológicas têm sua origem nas narrativas
das Escrituras, embora os fatos tenham sido distorcidos e alterados.
Assim, Deucalião é apenas um outro nome de Noé, Hércules de Sansão,
Árion de Jonas etc. "Sir Walter Raleigh, em sua História do
Mundo, diz: "Jubal, Tubal e Tubal Caim são Mercúrio,
Vulcano e Apolo, inventores do Pastoreio, da Fundição e da música.
O Dragão que guarda os pomos de ouro era a serpente que enganou Eva.
A torre de Nemrod foi a tentativa dos Gigantes contra o Céu." Há,
sem dúvida, muitas coincidências curiosas como estas, mas a teoria não
pode ser exagerada até o ponto de explicar a maior parte das lendas,
sem se cair no contra-senso.
2. Teoria Histórica
— Por essa teoria, todas as personagens mencionadas na mitologia foram seres humanos
reais e as lendas e tradições fabulosas a elas relativas são apenas
acréscimos e embelezamentos, surgidos em épocas posteriores. Assim,
a história de Éolo, rei e deus dos ventos, teria surgido do fato de
Éolo ser o governante de alguma ilha do Mar Tirreno, onde reinou com
justiça e piedade e ensinou aos habitantes o uso da navegação a
vela e como predizer, pelos sinais atmosféricos, as mudanças do
tempo e dos ventos. Cadmo, que, segundo a lenda, semeou a terra com
dentes de dragão, dos quais nasceu uma safra de homens armados, foi,
na realidade, um emigrante vindo da Fenícia, que levou à Grécia o
conhecimento das letras do alfabeto, ensinando-o aos naturais daquele
país. Desses conhecimentos rudimentares, nasceu a civilização, que
os poetas se mostraram sempre inclinados a apresentar como a decadência
do estado primitivo do homem, a Idade do Ouro, em que imperavam a inocência
e a simplicidade.
3. Teoria Alegórica
— Segundo essa teoria, todos os mitos da Antigüidade eram alegóricos e simbólicos,
contendo alguma verdade moral, religiosa ou filosófica, ou algum fato
histórico, sob a forma de alegoria, mas que, com o decorrer do tempo,
passaram a ser entendidos literalmente. Assim, Saturno, que devora os
próprios filhos, é a mesma divindade que os gregos chamavam de
Cronos (Tempo), que, pode-se dizer, na verdade destrói tudo que ele
próprio cria. A história de Io é interpretada de maneira
semelhante. Io é a lua e Argos, o céu estrelado, que se mantém
desperto para velar por ela. As fabulosas peregrinações de Io
representam as contínuas revoluções da lua, que também sugeriram a
Milton a mesma idéia:
Contemplas lá no alto a lua errante
Do apogeu, pouco a pouco aproximar-se,
Como alguém que tivesse se perdido
Nas vastidões do céu, sem rumo andando.
(Il Penseroso)
4. Teoria Física
— Para esta teoria, os elementos ar, fogo e água foram, originalmente, objeto de adoração
religiosa, e as principais divindades eram personificações das forças
da natureza. Foi fácil a transição da personificação dos
elementos para a idéia de seres sobrenaturais dirigindo e governando
os diferentes objetos da natureza. Os gregos, cuja imaginação era
muito viva, povoaram toda a natureza de seres invisíveis, e supuseram
que todos os objetos, desde o sol e o mar até a menor fonte ou
riacho, estavam entregues aos cuidados de alguma divindade particular.
Todas
as teorias acima mencionadas são verdadeiras até certo ponto. Seria,
portanto, mais correto dizer-se que a mitologia de uma nação vem de
todas aquelas fontes combinadas, e não de uma só em particular.
Podemos acrescentar, também, que há muitos mitos originados pelo
desejo de todos de explicar fenômenos naturais que não podem
compreender e que não poucos surgiram do desejo semelhante de
explicar a origem de nomes de lugares e pessoas.


~ Estátuas dos Deuses ~
Apresentar adequadamente aos olhos as
idéias destinadas a serem levadas ao espírito sob o nome das
diversas divindades era tarefa que exigia o exercício das mais
elevadas potencialidades do gênio e da arte. Das muitas tentativas,
quatro se tornaram as mais célebres, sendo as duas primeiras
conhecidas apenas pela descrição dos antigos e as outras ainda
existindo e representando realmente obras-primas da escultura.
~ Estátua de Júpiter
Olímpico ~
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Obra de Fídias, era considerada como a mais perfeita
realização da escultura grega. Tinha dimensões colossais e era o
que os antigos chamavam "criselefantina", isto é, composta
de marfim e de ouro, sendo as partes representando a carne feitas de
marfim montado sobre uma base de madeira ou pedra, ao passo que as
vetes e outros ornamentos eram feitos de ouro. A altura da estátua
era de quarenta pés e ficava sobre um pedestal de doze pés de
altura. O deus era representado sentado em seu trono. Estava coroado
com um ramo de oliveira e tinha na mão direita um cetro e na esquerda
uma estátua da Vitória. O trono era de cedro, adornado de ouro e
pedras preciosas.
A idéia que o autor
procurava apresentar era a da divindade suprema da nação helênica,
entronizada como vencedora em um estado de perfeita majestade e
repouso, e governando com um aceno de cabeça o mundo subjugado.
Fídias revelou que
tomara a idéia de Homero, na seguinte passagem da Hinda, Ilíada,
Livro I:
Calou-se, e inclina a majestosa fronte
Que sombreiam os cabelos anelados
E todo o Olimpo treme ante o seu gesto.
~ Minerva do Partenon ~
Era também obra de Fídias e
ficava no Partenon o templo de Minerva em Atenas. A deusa era
representada de pé, com a lança em uma das mãos e a imagem da Vitória
na outra. Seu elmo, profusamente decorado, era encimado por uma
esfinge. A estátua tinha quarenta pés de altura e, como a de Júpiter,
era feita de marfim e de ouro. Os olhos eram de mármore e,
provavelmente, pintados, para representar a íris e a pupila. O
Partenon, onde ficava essa estátua, também foi construído sob a
orientação e direção de Fídias. Sua parte externa era ornada de
esculturas, muitas delas de Fídias. Os mármores de Elgin, atualmente
no Museu
Britânico, fazem parte delas.
Tanto Júpiter como Minerva de Fídias
estão perdidos, mas há bons motivos para acreditar que temos em
diversos bustos e estátuas, ainda existentes, a concepção do
artista sobre a fisionomia de ambos. Ela se caracteriza pela beleza grave e digna, livre de qualquer expressão transitória, que, em
linguagem artística, se chama repouso.
~ Vênus de Médici ~
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A Vênus de Médici é
assim chamada por ter pertencido aos príncipes daquele nome, em Roma,
quando despertou pela primeira vez a atenção, há cerca de duzentos
anos. Uma inscrição em sua base revela que é obra de Cleômenes,
escultor ateniense de 200 a. C., mas a autenticidade da inscrição é
duvidosa. Existe uma versão segundo a qual o artista foi encarregado
de apresentar a perfeição da beleza feminina e para que pudesse
executar a tarefa foram postas à sua disposição as mais belas
mulheres da cidade.Sobre isso Thomson
aludes em seu "Summer":
"Assim de pé a estátua que encanta o
mundo;
Nos revela todo o seu esplendor,
Misturado às belezas da exuberante Grécia."
Byron fala dessa estátua. Referido-se ao Museu de Florença, ele
diz:
"Lá, também, a deusa ama, e preenche
O ar ao redor com beleza" etc.
~ Apolo do Belvedere ~
O mais apreciado de
todos os remanescentes da antiga escultura grega é a estátua de Apolo,
chamada do Belvedere, nome do apartamento do palácio do Papa em Roma,
onde ela foi colocada. O artista é desconhecido. Supõe-se que se
trata de uma obra-de-arte romana, aproximadamente do primeiro século
de nossa era. É uma figura de pé, em mármore, com mais de sete pés
de altura, nua, com exceção de um manto preso em torno do pescoço e
que cai sobre o braço esquerdo estendido. Supõe-se que representa o
deus no momento em que acabara de lançar a seta para matar o monstro
Píton. A divindade vitoriosa está dando um passo para diante. O braço
esquerdo, que parece ter sustentado o arco, está estendido e a cabeça
voltada para a mesma direção. No que diz respeito à atitude e à
proporção, é inexcedível a graciosa majestade da figura. O efeito
é completado pela fisionomia, onde a perfeição da beleza juvenil e
divina reflete a consciência de um deus triunfante.
~ Ártemis (Diana da Corça) ~
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Diana de Versalhes – Cópia romana,
em mármore, de um original grego, que era em bronze, de Leocarés.
(Museu do Louvre, Paris)
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A Diana da
Corça (Diana de Versalhes), no Museu do Louvre, pode ser considerada como a
contraparte do Apolo do Belvedere. Sua atitude assemelha-se muito à de Apolo, os
tamanhos se correspondem e também o estilo da execução. É uma obra do maior valor,
embora de modo algum igual ao Apolo. A atitude é a de um movimento rápido e
decidido; a fisionomia, a de uma caçadora na excitação da caça. O braço esquerdo
está estendido sobre a cabeça da corça, que caminha a seu lado, enquanto o braço
direito se move para trás sobre o ombro, a fim de tirar uma seta da aljava.
Na Mitologia grega, Ártemis era uma deusa ligada inicialmente à vida
selvagem e à caça. Durante os períodos Arcaico e Clássico, era considerada filha
de Zeus e de Leto, irmã gêmea de Apolo; mais tarde, associou-se também à luz da
lua e à magia. Em latim, Ártemis é conhecida como Diana, frequentemente confundida
com Selene ou Hécate, também deusas lunares. A obra também é conhecida como Diana
à la Biche, Diana caçadora e Ártemis da caça.
— Mitologia
O seu mito começa logo quando nasceu. Ao ficar grávida, a sua mãe incorreu na
ira de Hera que a perseguiu a ponto de nenhum lugar, com receio da deusa rainha,
a querer receber quando estava preste a dar à luz. Quando finalmente na ilha de
Delos a receberam, Ilítia, filha de Hera e deusa dos partos, estava presa com a mãe
no Olimpo. Leto esperava gêmeos, e Ártemis, tendo sido a primeira a nascer,
revelou os seus dotes de deusa dos nascimentos auxiliando no parto do seu irmão
gêmeo, Apolo. Também é conhecida como Cíntia, devido ao seu local de
nascimento, o monte Cinto.
Deusa da caça e da serena luz, Ártemis é a mais pura e casta das deusas e, como
tal, foi ao longo dos tempos uma fonte inesgotável da inspiração dos artistas.
Zeus, seu pai, presenteou-a com arco e flechas de prata, além de uma lira do mesmo
material (seu irmão Apolo ganhou os mesmos presentes, só que de ouro). Todos eram
obra de Hefesto, o Deus do fogo e das forjas, que era um dos muitos filhos de Zeus,
portanto também irmão de Ártemis. Zeus também deu-lhe uma corte de Ninfas, e
transformou-a na rainha dos bosques. Como a luz prateada da lua, percorre todos os
recantos dos campos, montes e vales, sendo representada como uma infatigável
caçadora.
Tinha por costume banhar-se nas águas das fontes cristalinas; numa das vezes,
tendo sido surpreendida pelo caçador Acteon que, ocasionalmente, para ali se
dirigiu para saciar a sede, transformou-o em veado para que seus próprios cães
se voltassem contra ele.
Outra lenda nos conta que, apesar do seu voto de castidade, tendo ela se
apaixonado perdidamente pelo jovem Órion, e se dispondo a casar-se com ele, o seu
enciumado irmão Apolo impediu o enlace mediante uma grande perfídia: achando-se
em uma praia, em sua companhia, desafiou-a a atingir, com a sua flecha, um ponto
negro que indicava a superfície da água, e que mal se distinguia, devido à grande
distância. Ártemis, toda vaidosa, prontamente retesou o arco e atingiu o alvo,
que logo desapareceu no fundo do mar, fazendo-se substituir por espumas
ensangüentadas. Era Órion que ali nadava, fugindo de um imenso escorpião criado
por Apolo para persegui-lo. Ao saber da tragédia, Ártemis, cheia de desespero,
conseguiu, do pai, que a vítima e o escorpião fossem transformados em constelação.
Quando a de Órion se põe, a de escorpião nasce, sempre o perseguindo, mas sem
nunca alcançar. Segundo outra versão teve um caso com Endimião que ela gerou as 50
Pausânias e Étolo.
É representada, como caçadora, vestida com uma túnica, calçando sandálias,
trazendo aljava sobre o ombro, um arco na mão e uma corça ao seu lado. Outras vezes
aparece acompanhada das suas ninfas, tendo a fronte ornada de um crescente.
Representam-na ainda: ora no banho, ora em atitude de repouso, recostada a um veado,
acompanhada de dois cães; ora em um carro puxado por corças, trazendo sempre o seu
arco e aljava cheia de flechas.
O absinto (Ártemisia absinthium L.) era uma das plantas dedicadas à
deusa.


~ Os
Poetas da Mitologia ~
— Homero
Homero, autor da "Ilíada" e da "Odisséia" é um
personagem quase tão mítico quanto os heróis que celebra. A versão
tradicional é que ele era um menestrel errante, cego e velho, que
viajava de um lugar para outro, cantando seus versos ao som da harpa,
nas cortes dos príncipes ou nas cabanas dos camponeses, e vivendo do
que lhe davam voluntariamente os ouvintes. Lord Byron o chama de
"o velho cego da rochosa ilha de Sio" e um bem conhecido
epigrama alude à incerteza quanto à sua terra natal:
De ser berço de Homero a glória rara
Sete cidades disputaram em vão.
Cidades onde Homero mendigara
Um pedaço de pão.
Essas
cidades eram Esmirna, Sio, Rodes, Colofon, Salamina, Argos e Atenas.
Eruditos
modernos põem em dúvida o fato de os poemas de Homero serem obras da
mesma pessoa, em vista da dificuldade de se acreditar que poemas tão
grandes pudessem ser da época em que se supõe terem sido escritos,
época essa anterior às mais antigas inscrições ou moedas
existentes e quando os materiais capazes de conter tão longas produções
ainda não existiam. Por outro lado, indaga-se como poemas tão longos
poderiam ter chegado até nós, vindos de uma época em que só
poderiam ter sido conservados pela memória. Esta última dúvida é
explicada pelo fato de que havia, então, um corpo de profissionais,
chamados rapsodos, que recitavam os poemas de outros e tinham por
encargo decorar e declamar, a troco de pagamento, as lendas nacionais
e patrióticas.
Atualmente,
a opinião da maioria dos eruditos parece ser a de que o esboço e
grande parte da estrutura dos poemas pertencem a Homero, mas que há
muitos acréscimos feitos por outras mãos.
Segundo
Heródoto, Homero viveu cerca de oito séculos e meio antes de Cristo.
— Virgílio
Virgílio,
também chamado pelo seu sobrenome de Marão, autor de
"Eneida", foi um dos grandes poetas que tornaram o reinado
do imperador romano Augusto tão célebre. Virgílio nasceu em Mântua,
no ano de 70 a. C. Seu grande poema é considerado inferior apenas aos
de Homero, no mais elevado gênero de composição poética, o épico.
Virgílio é muito inferior a Homero em originalidade e invenção,
mas superior em correção e elegância. Para os críticos de origem
inglesa, somente Milton, entre os poetas modernos, parece digno de ser
classificado entre aqueles ilustres antigos. Seu poema Paraíso
Perdido é igual sob muitos aspectos, e superior, em alguns a
qualquer uma das grandes obras da Antigüidade.
— Ovídio
Freqüentemente
chamado pelo seu outro nome de Nasão. Ovídio nasceu em 43 a. C. Foi
educado para a vida pública e exerceu alguns cargos importantes, mas
a poesia era o que lhe interessava e resolveu a ela dedicar-se. Assim,
procurou a companhia dos poetas contemporâneos, tendo travado
conhecimento com Horácio e mesmo com Virgílio, embora este último
tivesse morrido quando Ovídio ainda era demasiadamente jovem e
obscuro para que houvesse amizade entre os dois. Ovídio viveu em Roma
gozando fartamente a vida, graças a uma renda razoável. Desfrutava a
intimidade da família de Augusto e dos seus, e supõe-se que alguma
ofensa grave cometida contra algum membro da família imperial foi a
causa de um acontecimento que pôs fim à felicidade do poeta e
amargurou a última parte de sua vida. Quando contava cinqüenta anos
de idade, Ovídio foi banido de Roma, recebendo ordem de ir viver em
Tomi, à margem do Mar Negro. Ali, entre um povo bárbaro e sujeito a
um clima severo, o poeta, que estava acostumado aos prazeres de uma
luxuosa capital e ao convívio dos mais ilustres de seus contemporâneos,
passou os últimos dez anos de sua vida devorado pelo sofrimento e
pela ansiedade. Seu único consolo no exílio foi enviar cartas,
escritas em forma de poesia, à esposa e aos amigos. Embora esses
poemas ("Os Tristes" e as "Cartas do Ponto") não
falassem em outra coisa a não ser nas mágoas do poeta, seu bom gosto
e a habilidosa invenção livraram-nos da pecha de tedioso e são
lidos com prazer e mesmo com simpatia.
As duas
grandes obras de Ovídio são as "Metamorfoses" e os
"Fastos". São ambos poemas mitológicos. Um escritor
moderno assim caracteriza esses poemas:
"A
rica mitologia da Grécia ofereceu a Ovídio, como ainda pode oferecer
ao poeta, ao pintor e ao escritor, os materiais para a sua arte.
Com raro
bom gosto, simplicidade e emoção, ele narrou as fabulosas tradições
das idades primitivas e deu lhes uma aparência de realidade que
somente a mão de um mestre conseguiria. Suas descrições da natureza
são vivas e verdadeiras; escolhe com cuidado o que é adequado;
rejeita o superficial; e, quando completa sua obra essa não apresenta
nem insuficiência nem redundância. As "Metamorfoses" são
lidas com prazer pelos jovens e relidas com maior prazer ainda pelos
mais velhos. O poeta aventurou-se a prever que seu poema lhe
sobreviveria e seria lido enquanto o nome de Roma fosse
conhecido."
A previsão
a que acima se alude é contida nos últimos versos de
"Metamorfoses":
Assim eis terminada a minha obra
Que destruir não poderão jamais
A ira de Jove, o ferro, o fogo
E a passagem do tempo. Quando o dia
Em que pereça a minha vida incerta
Chegar, o que em mim há de melhor
Não há de perecer. Subindo aos astros
Meu nome por si mesmo viverá.
Em toda a parte onde o poder de Roma
Se estende sobre as terras submissas,
Os homens me lerão, e minha fama
Há de viver, por séculos e séculos,
Se valem dos poetas os presságios.


~ Os Deuses Gregos e Romanos ~
Os deuses celestes
Zeus (em latim, Jupiter) é o mais
importante dentre os deuses gregos. Em Homero, é chamado de "pai
dos deuses e dos homens", "o mais alto dos soberanos",
"melhor e mais alto dos deuses". Ele é o antigo deus
celeste do monoteísmo, ao qual foram sendo incorporados, ao longo do
tempo, vários atributos. Assim, é o deus das intempéries, da chuva,
da neve e das tempestades. Como tal, possui, em Homero, o epíteto de
"lança-trovãos", "lança-raios", "reunidor
de nuvens", "de escuras nuvens". Ele é o guardião do
direito e da fidelidade, e quem age contra a ordem do direito deve
temer o seu ódio.
Casado com sua irmã Hera, não vive em paz e harmonia
com ela. Deste seu casamento descendem Ares, Hefesto, Hebe e as ilítias
(deusas do parto). Mas Zeus também desposou outras deusas, e destes
seus outros casamentos há toda uma geração de divindades. A deusa
Deméter gerou, dele, Perséfone; a filha dos titãs, Leto, gerou
Apolo e Ártemis; do seu amor à deusa arcádia Maia nasceu Hermes;
com Dione, filha dos titãs, teve uma filha, a deusa Afrodite.
Metamorfoseando-se de várias maneiras, Zeus também seduziu muitas
mulheres mortais, fazendo delas as mães de famosos heróis e
semideuses. Isso provocou os ciúmes de Hera, que fez com que estas
mulheres sentissem o seu ódio, perseguindo-as em todas as
oportunidades.
O mais antigo local de culto a Zeus era Dodona, na
região de Epiro. Ali também se encontrava o mais importante oráculo
grego, juntamente com o de Apolo, em Delfos. A partir do ruído de um
carvalho sagrado, os sacerdotes faziam profecias aos homens que pediam
os conselhos de Zeus em diversas oportunidades. Também em Olímpia,
na Élida, havia um famoso templo de Zeus. E lá eram realizados, a
cada quatro anos, em honra a este deus, os Jogos Olímpicos, uma
grande celebração esportiva. No templo de Zeus em Olímpia
encontrava-se a mais famosa escultura representando este deus, feita
de marfim e de ouro pelo escultor Fídias. Esta obra retrata um
momento descrito por Homero, quando Zeus promete realizar o pedido da
mãe de Aquiles: "O filho de Crono falou, e fez um sinal com suas
sobrancelhas escuras, e seus cachos ambrosiais oscilaram, caindo sobre
a testa do soberano, e ele fez estremecer o grande Olimpo."
O deus romano correspondente a Zeus é Júpiter. Seu
templo mais importante situava-se em Roma, no Capitólio. Ali
terminavam as famosas paradas triunfais dos marechais vitoriosos, que
realizavam oferendas de gratidão pela vitória sobre os inimigos,
dedicando a Júpiter o butim das guerras.
Hera (em latim, Juno), como esposa e irmã
de Zeus, é a mais alta deusa celeste, e conselheira dele. É a
protetora da fidelidade conjugal, dos costumes matrimoniais, e
protetora das mulheres.
Os romanos a consideraram idêntica a Juno, que
possui, como Juno Moneta, um templo ao lado do de Júpiter no Capitólio,
em Roma. Moneta significa "a que adverte". Ao lado do templo
de Juno encontrava-se a oficina onde eram cunhadas as moedas do
estado, que mais tarde receberam o nome de "moneta" por
causa disto. Ainda hoje usamos essa palavra (moeda, monetário). A ave
sagrada de Juno é o ganso. Os gansos do templo de Juno no Capitólio
advertiram os romanos, com o seu grasnar, de uma invasão dos gálios,
motivo pelo qual Juno era honrada como "a que adverte".
Atena (em latim, Minerva), chamada também
de Palas Atena, é na verdade a virginal deusa da cidade de Atenas.
Segundo a concepção de Homero, ela é a deusa da sabedoria, o que já
fica patente na história de seu nascimento. Da ligação de Zeus com
Métis, a deusa da inteligência, estava destinado a nascer um filho
que superaria as forças de seu pai. Para evitar que isto acontecesse,
quando Métis engravidou pela primeira vez, Zeus a engoliu. Em conseqüência
disso, ficou com uma dor de cabeça que se tornou tão insuportável
que ele mandou Hefesto abrir o seu crânio com uma machadada. Quando
isto foi feito, Atena de lá saltou, trazendo na mão uma lança. Como
um pensamento, ela saiu do lugar do pensamento do mais sábio entre os
deuses. A lança indica a guerra, mas Atena não é uma deusa da terrível
fúria guerreira, e sim da bem pensada estratégia, que por isto
protege homens inteligentes e corajosos. Seu predileto é Odisseu.
Enquanto deusa da sabedoria, ela é também a patrona
de artes pacíficas, especialmente das habilidades manuais e artísticas
femininas. Foi ela quem ensinou às mulheres a tecer. A ambiciosa
Aracne, filha de um produtor de tecidos de púrpura, queria superar
Atena em sua arte. Tomando a forma de uma velha mulher, Atena
aconselhou-a não cometer tamanha arrogância. Mas Aracne não lhe deu
ouvidos. Atena então revelou-se e a desafiou para um concurso. Cada
qual teceu um tapete, decorado artisticamente. Evidentemente Atena
venceu, por sua habilidade superior. Com isto Aracne ofendeu-se, e
mesmo assim não concedeu a fama que a deusa merecia. Enfurecida com a
própria derrota, ela se dependurou em uma corda. Como punição,
Atena a transformou em aranha.
Atena é também a inventora da construção de
navios. Foi sob sua orientação que o primeiro navio foi construído,
e levou os argonautas a Cólquida, onde pretendiam apanhar o Velocino
de Ouro. Além disto. Ela também inventou a trombeta e a flauta, mas
jogou-as fora ao perceber, num espelho d'água, com que cara ficava
ao soprar aquele instrumento.
Como protetora das cidades e dos estados, Atena certa
vez brigou com Posídon pela posse da região da Ática. Zeus então
decidiu que a terra deveria pertencer àquele de desse o presente mais
valioso a seus moradores. Posídon, então, presenteou-os com um
cavalo, mas Atena deu-lhes a oliveira, e assim venceu. O cultivo das
oliveiras tornou a Ática uma das regiões mais ricas, pois o óleo
tinha uma grande importância na Antigüidade, funcionando não só
como alimento mas também sendo usado para a iluminação e para os
cuidados corporais.
Os romanos consideravam Atena idêntica à sua deusa
Minerva.
Apolo e Ártemis (em latim, Apollo e
Diana). Quando Leto (em latim, Latona), a filha dos titãs,
sentiu que estava para tornar-se mãe — ela tivera uma ligação
amorosa com Zeus — Hera a perseguiu, enciumada, e Leto foi obrigada
a vagar, incessantemente, pela terra. Ninguém queria receber a
infeliz deusa. Posídon, então, apiedou-se dela, e indicou-lhe a ilha
de Delos, que até então vagava pelos mares, flutuando, e que parou
porque ele assim determinou, oferecendo-se como refúgio. Nesse local
Leto deu à luz os gêmeos Apolo e Ártemis. Originalmente, ambos eram
divindades da morte. Por meio das setas disparadas de seu arco de
prata, Apolo levava a morte aos homens, enquanto Ártemis matava as
mulheres. Segundo se pensava à época de Homero, as setas poderiam
matar de maneira suave ou cruel. Era assim que se distinguia a morte
natural, não provocada por doenças, da morte violenta, ou causada
por alguma doença. Ártemis era representada como uma bela caçadora,
que vagava pelos vales e montanhas acompanhada pelas ninfas. Foi assim
que, com o tempo, Ártemis tornou-se deusa da caça e dos animais
selvagens.
Apolo, também conhecido por Febo, era considerado o
deus da sabedoria. Como tal, concedia, falando através de suas
sacerdotisas, as pitonisas, oráculos a todos aqueles que viessem
interrogá-lo em seu santuário em Delfos. Era dele que os videntes
recebiam o dom da profecia, e era também ele quem concedia o Dom do
canto e da música, uma arte na qual ele mesmo também era mestre.
Mais tarde passou a ser considerado como o líder das musas, e como
deus do canto, da poesia e da dança. Também era considerado como o
deus da saúde e da salvação, e seu filho Asclépio era o deus dos médicos
e da medicina. Além disto, Apolo era honrado como deus da agricultura
e da pecuária. Assim como a sua irmã Ártemis, ele também era
considerado um deus da caça. No período posterior a Homero, a partir
do século V a.C., Apolo foi assimilado também ao antigo deus-sol Hélio.
Um antigo costume é derivado do amor de Apolo pela
ninfa Dafne. Dafne rejeitou os avanços amorosos do deus, e fugiu
dele. Quando, depois de longa perseguição, ele conseguiu alcançá-la,
ela suplicou a seu pai, o deus-rio Peneu, que a transformasse num
loureiro. Desde então, o louro é sagrado a Apolo, e uma coroa de
louros era, na Antigüidade, o prêmio nas competições artísticas.
Juntamente com a fusão dos deuses Apolo e Hélio
ocorreu a fusão de Ártemis com a antiga deusa-lua Selene. Ela era
considerada também como uma deusa da magia e da castidade. Actéon,
um belo e jovem caçador, avistou-a, certa vez, tomando banho com as
ninfas, e por causa disto foi transformado num veado, e devorado pelos
seus próprios cães.
A Ártemis de Éfeso, originalmente, nada tinha a ver
com Ártemis. Era uma deusa da fertilidade, da Ásia Menor, que só
mais tarde foi igualada a Ártemis. A rica bênção das frutas, por
ela concedida, foi expressa em estátuas em sua homenagem, onde a
deusa aparece com vinte seios em vez de apenas dois.
Dentre os romanos, Ártemis foi igualada à antiga
deusa dos bosques, Diana.
Ares (em latim, Mars) era considerada filho
de Zeus e Hera e, ao contrário de Atena, era o deus das guerras
sangrentas e destruidoras. Por isto ele era odiado por todos os
deuses. Só Afrodite, deusa do amor, foi capaz de enfeitiçá-lo. De
sua ligação amorosa nasceu Eros (Cupido), o pequeno deus do Amor.
Ares era honrado, sobretudo, pelos amantes da guerra e pelos povos bárbaros.
De seu séqüito fazem parte Deimos, o medo, Fobos, o pavor, e sua irmã
Éris, a deusa das disputas. Mas Ares também era considerado como o
vingador dos assassinatos. Em Atenas, a sede do antigo tribunal onde
eram julgados os crimes de sangue, o Areópago (a colina de Ares ou,
segundo outra versão, o refúgio), era dedicado a ele.
Dentre os romanos, ele era o antigo deus Marte. Marte,
originalmente, não era apenas um deus da guerra, mas também um deus
das bênçãos. Em sua honra seus sacerdotes dançavam, adornados por
armas, pelas ruas de Roma no início do mês de março, que era
consagrado a ele. Marte era considerado como um dos principais
protetores de Roma.
Hefesto (em latim, Vulcanus) era o filho de
Zeus e de Hera. Veio ao mundo manco e feio, e por isto foi atirado por
Hera do Olimpo ao mar. A nereida Tétis o abrigou, apiedada, e cuidou
dele. Quando cresceu, logo deu mostras de grande habilidade. Para sua
mãe Hera ele construiu um trono de ouro, enviando-o a ela como
presente. E quando ela sentou-se ali, não pôde mais levantar-se,
pois engenhosas correntes a mantinham presa, e ninguém foi capaz de
soltá-la. Hefesto então foi chamado, mas ele nem pensava em ir para
lá.
Foi só Dioniso, o deus do vinho, quem conseguiu enganá-lo.
Deu-lhe vinho para beber, e embriagado e encorajado pela bebida,
Hefesto decidiu voltar ao Olimpo. Tornou-se o deus do fogo, e de todas
artes e ofícios que fazem uso deste elemento, em particular dos
fundidores de bronze. Construiu o palácio dos deuses no Olimpo, fez a
égide de Zeus, uma armadura artisticamente elaborada, que depois
Atena usou, e o cetro, símbolo de seu poder soberano, além de muitas
outras obras de arte. Ele criou também donzelas de ouro para
servi-lo. Por causa de seu trabalho, ele sempre tinha uma aparência
robusta, e ainda que mancasse e fosse feio, conquistou como esposa a
mais bela das deusas, Afrodite. Mas esta não lhe foi fiel. Inflamada
de amor por Ares, uma vez ela foi surpreendida por Hefesto, que
envolveu ambos com uma teia de ouro, sem que eles o percebessem, e então
chamou todos os deuses para verem os dois amantes, provocando muita
risada.
Sua oficina situava-se no Olimpo, segundo uma versão
mais antiga do mito, sob o vulcão Etna, onde ele trabalhava
juntamente com os seus companheiros, os ciclopes, e forjava os raios
para Zeus.
Dentre os romanos, ele corresponde ao deus do fogo
Vulcano, de quem uma das atribuições era proteger as casas e as
cidades dos incêndios.
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Afrodite (em latim, Venus) era considerada
filha de Zeus e da filha de titãs, Dione. Segundo uma outra versão,
ela brotara da espuma do mar, fecundada pelo sangue de Urano quando
este foi castrado. Ela era honrada como deusa do amor e da beleza. Sua
atratividade encontrava-se em seu cinturão, que uma vez a própria
Hera pediu emprestado para com ele encantar o seu marido. Afrodite era
também considerada deusa da primavera, dos jardins e das flores.
Certa vez ela se apaixonou por Adônis, o belo filho de um rei.
Preocupando-se com a sua vida, ela lhe pediu para não mais caçar,
mas Adônis não lhe deu ouvidos. Numa caçada, ele foi morto por um
javali, que Ares, enciumado, incitara contra ele. Quando procurava o
seu corpo, Afrodite arranhou-se nos ramos espinhosos da floresta. Das
gotas de seu sangue, que caíram por terra, brotaram as rosas. Do
sangue de Adônis morto, ela fez com que brotassem anêmonas, e através
de seus dolorosos lamentos ela conseguiu de Zeus que ele só passasse
uma parte do ano nos Ínferos, podendo alegrar-se com o amor da deusa
durante o tempo restante. Adônis é originalmente um dos numerosos
deuses orientais que morrem e voltam a nascer. Mais tarde, este mito
passou a ser visto como um símbolo da morte e do renascimento da
natureza.
Afrodite era também honrada como deusa dos mares e da
navegação, e invocada para propiciar viagens marítimas seguras.
Suas servas são as Cariátides, as deusas da graça.
Dentre os romanos, a deusa Vênus era igualada a Afrodite. Ela era
considerada como a mãe do clã ao qual pertenceu Júlio César.
Suas festas eram chamadas de afrodisíacas e eram celebradas por toda
a Grécia, especialmente em Atenas e Corinto. Seus símbolos incluem a
murta, o golfinho, o pombo, o cisne, a romã e a limeira.

— Afrodite. Museu Arqueológico
Nacional de Atenas, Grécia.
Hermes (em latim, Mercurius) é o filho de
Zeus e da divindade arcádica Maia. Era considerado mensageiro dos
deuses, concedendo a riqueza aos homens, em especial enquanto
multiplicador dos rebanhos. Mais tarde ele passou a ser honrado como
deus dos caminhos, das ruas e das viagens, como protetor dos
comerciantes, mas também dos ladrões e vigaristas. Já em sua
primeira infância ele deu provas de grande astúcia. Uma vez ele
furtou de seu irmão Apolo, que pastoreava os rebanhos dos deuses,
cinqüenta reses, e soube escondê-las com tanta habilidade que Apolo
não foi mais capaz de encontrá-las. Embrulhou os seus cascos com
folhagens, de maneira que suas pegadas se tornaram indecifráveis, e
escondeu-as numa caverna, levando-as de marcha-a-ré, para que as
pegadas parecessem levar de dentro para fora. Conseguiu reconciliar-se
com seu irmão, que as encontrou depois de muito procurar, dando-lhe
de presente a lira, que acabara de inventar. Encontrou uma tartaruga,
cuja carapaça ele usou como caixa acústica, sobre ela colocando sete
cordas, feitas das tripas de uma das vacas que ele roubara e abatera.
Hermes também era considerado como o deus que concede
o sono. Com um bastão de ouro, ele fechava e abria os olhos dos seres
humanos, e conduzia aos ínferos as almas dos finados.
Nas artes plásticas, era representado como um belo
jovem com um chapéu de viagem, sandálias douradas e um bastão. Mais
tarde, o chapéu, as sandálias e o bastão foram decorados com asas.
O romano Mercúrio, que corresponde ao grego Hermes,
era honrado sobretudo como deus do comércio, o que já é indicado
pelo seu próprio nome, derivado do latim merx (mercadoria).
Héstia (em latim, Vesta), a irmã de Zeus, era a
deusa do fogo dos lares. O local onde era honrada era o fogão de cada
casa. Assim como o fogão constituía o ponto central da família,
havia também um fogão para a comunidade mais ampla de todos os cidadãos,
um fogão do estado, que ficava na assembléia de Atenas, onde
brilhava uma luz eterna. Quando uma cidade grega fundava uma colônia,
os colonos apanhavam o fogo do altar sagrado de Héstia, para o fogão
da nova cidade a ser construída, e o levavam com eles.
Encontramos a mesma situação em Roma, onde a deusa
do fogo sagrado se chamava Vesta. No templo de Vesta, em Roma,
sacerdotisas chamadas vestais zelavam por um fogo eterno que jamais
podia apagar-se. Este posto apenas era acessível a moças nobres, já
devotadas a este sacerdócio desde a infância, e que permaneciam por
trinta anos a serviço da deusa, período durante o qual precisavam
manter a virgindade. Se uma vestal perdesse a virgindade, era
enterrada viva. Se deixasse apagar-se o fogo eterno, era açoitada
pelo sacerdote superior. O fogo novo era criado através do atrito de
dois pedaços de madeira, ou através dos raios de sol concentrados
por um espelho.
~ Os deuses da água ~
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Posídon (em latim, Neptunus). A Posídon,
irmão de Zeus, coube, na divisão do mundo, a soberania sobre a água.
Com seu imponente tridente, ele agita as ondas do mar e assim provoca
as tempestades, a bordo de sua carruagem de ouro, puxada por cavalos
com arreios de ouro. Também é capaz de provocar tremores de terra ao
agitá-la com o seu tridente. Em Homero, seu epíteto é
"treme-terra". Mas ele não só faz com que maremotos e
naufrágios recaiam sobre os homens, como também envia-lhes bons
ventos e boas viagens. O cavalo, que ele dera de presente à Ática em
sua disputa com Atena, era sagrado a ele. Ele também era considerado
o domador dos cavalos de corrida, e por isto era freqüentemente
honrado como deus-cavaleiro, Em sua honra eram celebrados, no estreito
de Corinto, no istmo, os Jogos Ístmicos, cujo ponto alto era uma
corrida de quadrigas. O deus marinho dos romanos era Netuno.
Demais divindades marinhas — Além de Anfitrite, a
mulher de Posídon, seu filho Tritão, que sopra uma concha marinha,
provocando e acalmando os movimentos do mar, e do antigo mar, Nereu,
com suas cinqüenta filhas, as nereidas, os gregos conheciam outras
divindades marinhas. Na ilha de Faros, na costa egípcia, Proteus
vigiava entre as focas de Anfitrite. Ele possuía o Dom da profecia,
mas só fazia uso deste quando era obrigado, e buscava escapar desta
obrigação metamorfoseando-se de todas as maneiras. Seu nome, até
hoje, é usado para designar pessoas capazes de se transformarem.
Também o deus marinho Glauco, com o epíteto Pôntios,
é uma divindade profética. Segundo o mito, ela era um pescador da Beócia,
que enlouqueceu por causa de uma erva mágica, saltando no mar, onde
foi transformado em divindade. Dentre as divindades aquáticas estão
também os deuses-rios e as ninfas aquáticas. Segundo as idéias dos
antigos, cada rio era uma divindade masculina. As ninfas eram filhas
de Zeus, que viviam não só nas fontes, córregos e rios, mas também
em bosques, florestas e grutas. Ainda assim, faz-se uma distinção
entre náiades (ninfas da água e das fontes), dríades (ninfas das árvores),
oréades (ninfas dos morros) etc. Elas eram imaginadas como atraentes
donzelas, que possuíam vida muito longa, mas que não eram imortais.
~ Os deuses da terra ~
Deméter (em latim, Ceres) é a deusa da
fertilidade, especialmente da agricultura. A Zeus ela deu uma filha,
Perséfone (em latim, Proserpina). Hades, o deus dos Ínferos,
a raptou quando ela brincava num prado, perto de Hena, na ilha da Sicília,
com as filhas de Oceano, e a levou consigo para o seu reino, onde fez
dela a sua esposa. Lamentado-se, sua mãe vagou por nove dias e nove
noites pela terra, à procura de sua filha perdida. Quando, no décimo
dia, o deus-sol Hélio, que tudo vê, revelou-lhe o que acontecera com
Perséfone, ela ficou tão desolada que fugiu da companhia dos deuses
e, tomando a forma de uma mulher, passou a vagar entre os homens,
vestida como uma mendiga. Em Elêusis, perto de Atenas, foi
reconhecida e recebida com grande hospitalidade. Foi construído um
templo em sua homenagem, no qual ela passou a morar. Ela estava
enfurecida com Zeus por ele ter permitido que sua própria filha fosse
raptada, e privou a terra de sua fertilidade, de modo que uma grande
fome ameaçava destruir toda a humanidade. Zeus então determinou que
Perséfone passaria dois terços do ano com sua mãe, e um terço com
seu marido, nas profundezas da terra. Enquanto ela permanecia na
superfície da terra, as flores e frutos apareciam; quando ela deixava
a terra, chegava o inverno. Ao filho do rei de Elêusis, Triptólemo,
ela ensinou a agricultura como prova de gratidão pela acolhida que
recebera. Em Elêusis ambas as divindades eram homenageadas com
festivais todos os anos, os mistérios de Elêusis, onde a história
dos sofrimentos de Deméter era representada para os iniciados neste
ritual religioso.
Os romanos consideravam Deméter idêntica à sua
deusa da fertilidade, Ceres.
Dioniso (em latim, Bacchus) era o deus do
crescimento exuberante e da opulência, em particular do vinho. A
poesia homérica não lhe faz nenhuma referência. Seu culto só
chegou mais tarde à Grécia, proveniente da Trácia. Ele era
considerado filho de Zeus e da princesa Sêmele, da qual Zeus se
aproximara depois de tomar forma humana. Ela pediu que Zeus se
mostrasse a ela em sua forma divina, como trovão, mais isto fez com
que ela fosse despedaçada. Seu filho foi criado pelas ninfas.
Quando Dioniso cresceu, passou a vagar pelo mundo,
acompanhado de um grande séqüito de ninfas e sátiros, espíritos da
florestas com chifres, rabos e cascos de bodes, para disseminar seus
rituais religiosos e o cultivo do vinho.
Dentre os romanos, Dioniso era homenageado sob o nome
de Baco.
Pã (em latim, Faunus) era uma divindade
das montanhas e das florestas, considerado como protetor de animais
pequenos, pastores e caçadores. Era representado como um homem
barbudo, com uma cabeleira desarrumada, cascos de bode e chifres.
Durante o dia, em companhia das ninfas, ele percorria os morros e
vales, na hora do almoço, dormia (a hora de Pã), à noite tocava, em
sua gruta, a Siringe, a flauta de pastor por ele inventada, que
consistia de sete ou oito tubos, justapostos e presos um ao outro por
uma faixa. A ele era atribuído o terror súbito que toma as pessoas
ao ouvirem um barulho inesperado em meio ao silêncio mortal de um dia
de verão (terror pânico).
Os romanos viam em Pã o deus da fertilidade, Fauno,
visto como o protetor da pecuária e da agricultura.
~ Os deuses dos Ínferos ~
Hades (em latim, Orcus) é o irmão de Zeus
e Posídon. Junto com a sua esposa Perséfone (em latim, Proserpina)
ele é o soberano do reino dos mortos. Como inimigo de tudo o que
vive, é odiado por deuses e homens. No período pós-homérico, o
espaço subterrâneo onde se imaginava que ficassem confinadas as
almas dos finados também era chamado de Hades.
O deus romano dos Ínferos, que corresponde a Hades,
é Orco.
Hécate. Originalmente uma deusa dos camponeses, Hécate
era considerada pelos gregos como uma divindade dos fantasmas, que
vagava pela noite nas estradas e nos túmulos, acompanhada das almas
dos falecidos e dos fantasmas de todos os tipos. Tinha também um
papel na magia.
Erínias (em latim, Furien). As Erínias
eram deusas vingadoras, a serviço dos deuses dos Ínferos, que puniam
todas as injustiças, não só nos Ínferos mas também no mundo
superior. Imaginavam-se essas deusas como mulheres com cabelos de
serpente, dentes arreganhados e línguas de fora, com cinturões de
serpente, tochas e chicotes nas mãos. Para não provocá-las,
costumava-se chamá-las de Eumênides "as benevolentes".
Dentre os romanos, eram chamadas de Fúrias.
As divindades da morte propriamente ditas eram Tânato,
o irmão gêmeo do deus do sono, Hipnos, e as Keres,
deusas da morte violenta.


Não
deixe de ver:


— Navio mercante grego


Bibliografia:
Harvey, Paul — Dicionário Oxford de Literatura Clássica Grega e
Latina, Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 1987. Schwab, Gustav — As
Mais Belas Histórias da Antigüidade Clássica — Os Mitos da Grécia
e de Roma, Editora Paz e Terra, Rio de Janeiro, 1994. Bulfinch, Thomas
— The Age of Fable or Stories of Gods and Heroes, New York, 1998.

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