Há 80 anos que a paisagem do Rio de Janeiro é pontuada pelo Cristo Redentor,
inaugurado em 12 de outubro de 1931. Mas a presença imponente do Corcovado já
era registrada por fotógrafos muito antes disso — como mostram imagens do acervo
do Instituto Moreira Salles (IMS).
"Mesmo antes da invenção da fotografia, no início do século 19, o Corcovado
já era um marco geográfico da cidade", diz Sergio Burgi, coordenador da área de
fotografia do IMS, lembrando de registros do morro em aquarelas e desenhos
anteriores.
"Se você pensar na relação do Rio com a paisagem, com as montanhas, a mata, o
mar, a relação com o Corcovado já era tão importante que leva à decisão de
construir o Cristo no topo."
A ligação com o morro se torna ainda mais forte após a decisão de erguer o
monumento, concretizada depois da instalação da pedra fundamental em 1922 — ano
da comemoração do centenário da Independência do Brasil.
"O projeto do Cristo vem agregar um novo simbolismo para aquele ponto de
observação da cidade. Continua sendo um ponto de observação, mas agregado de
significado religioso e simbólico, e com um monumento que tem um impacto enorme
para quem chega lá", diz Burgi.
"No século 19, ninguém dava as costas para a paisagem para ficar olhando para
o outro lado", brinca.
As fotografias mais antigas do Corcovado no acervo do IMS são da década de
1860, mostrando o Corcovado ainda sem o Monumento. O rápido crescimento da
cidade pode ser acompanhado nas imagens, que miram a paisagem do Cristo, mas
documentam as transformações urbanas ao seu redor.

O Corcovado visto da Estrada das Paineiras, emoldurado pela vegetação da
Floresta da Tijuca e com as praias oceânicas de Niterói ao fundo, em 1866.
No alto do morro se vê o "Chapéu de Sol", que garantia sombra aos visitantes
do mirante. No primeiro plano (à esquerda) está o próprio fotógrafo, Marc
Ferrez, clicado por um assistente, ao lado de sua câmera e de seu filho
(sentado na mureta de chapéu). (Foto: Marc Ferrez/Coleção Gilberto
Ferrez/IMS)
>>> Clique na foto para ver o Corcovado, por volta de 1865. <<<

O Morro do
Corcovado antes da construção do Cristo Redentor
Days gone by: The Corcovado Mountain pictured before Christ the Redeemer was
construction on its peak

Outra foto do Corcovado, em 1900, sem o Cristo Redentor

A foto de Marc Ferrez mostra a Praia de Botafogo com o Corcovado ao fundo e
a nova Avenida Beira-Mar, parte do projeto urbanístico do prefeito Pereira
Passos, por volta de 1903. O crescimento da cidade pode ser acompanhado ao
longo do tempo. Sobretudo do bairro de Botafogo, “muito fotografado em
registros feitos do alto do Corcovado ao longo das décadas”. (Foto: Marc
Ferrez/ Coleção Gilberto Ferrez/ IMS)

O trem da Estrada de Ferro do Corcovado faz o percurso morro acima. A via foi
inaugurada no fim do século 19, ou seja, é bastante anterior ao Cristo. A
fotografia de Augusto Malta não tem data, mas é atribuída à primeira década do
século 20, quando o fotógrafo foi contratado pelo prefeito Pereira Passos para
documentar as profundas mudanças urbanas que imprimiu à cidade, como a abertura
da atual avenida Rio Branco. (Foto: Augusto Malta/Coleção Brascan Cem Anos no
Brasil/Acervo Instituto Moreira Salles)

Mesmo antes do Cristo, o Corcovado já atraía turistas,
como estes que foram retratados pela revista Caras y Caretas em 1905.
“Quando o Cristo é implantado, é num local já estabelecido do ponto de
vista de sua localização”, diz Burgi. A partir do início do século 20,
o local passa a receber mais visitantes. (Foto: Revista Caras y
Caretas/ IMS)

Do alto do mirante do Corcovado, o Rio como era em 1906,
no mesmo ângulo que a estátua do Cristo veio a mirar a cidade depois de
1931. Segundo Sergio Burgi, coordenador da área de fotografia do Instituto
Moreira Salles (IMS), a fotografia de Augusto Malta mostra como o morro já
era usado como mirante no início do século. Nos terrenos abaixo, vê-se a
área onde cresceria o bairro de Botafogo. (Foto: Augusto Malta/Coleção
Brascan Cem Anos no Brasil/IMS)

No mirante onde ainda não existia a estátua do Cristo, foi construído um pavilhão de ferro com formato circular para proteger os
visitantes nos dias de sol, que recebeu o sugestivo nome de "Chapéu de Sol",
e que antes fora construído em madeira. Foto de Augusto Malta.

A construção do Cristo Redentor
A estrutura do Cristo Redentor em concreto armado é erguida no topo no
Corcovado, no alto de seus 710 metros de altura, por volta de 1931.
Sobre a estrutura, a estátua receberia o revestimento que lhe dá forma,
um mosaico de pedra-sabão.



 |
|
12 de outubro de 1931:
inauguração do Cristo Redentor, estátua de 38 metros de
altura, feita de concreto revestido com pedra-sabão. O
começo de uma maravilha que encanta o mundo |

Depois da construção do monumento sobre o Corcovado e da
sua inauguração em 1931, a vista do Cristo passa a ser uma referência para a
então capital brasileira, agregando valor simbólico àquela paisagem, aqui
vista na década de 1970. Parte do fascínio vem pelo feito de erguer a
estátua no alto do morro, diz Burgi. “Hoje as pessoas veem aquilo como um
grande monumento da engenharia”, afirma o coordenador de fotografia do IMS.
(Foto: Carlos Moskovics/ IMS)

Na vista mostrando o Cristo, a praia e os prédios de Botafogo, na década de
1970, já se vê a cidade mais parecida com os dias de hoje, ilustrando as
transformações radicais pelas quais a cidade passou. O bairro é tomado por
prédios, que, no primeiro plano à esquerda, circundam e escondem o Morro da
Viúva. (Foto: Carlos Moskovics/ IMS)
Copyright © Arquivo Starnews 2001
– Marc Ferrez – Instituto Moreira Salles (IMS)
Depois









Copyright © Arquivo Starnews 2001 – AFP (Agência France Press)
Compartilhe:

Copyright © Starnews 2001
All rights reserved.